Notas iniciais
Me desculpem, quem estiver lendo isso, se o capitulo ficou muito meloso, ou confuso, ou ateh formal demais ahuahuahua xD
boa leitura, dann.

O barulho de algo batendo contra os armários de metal fez com que Till se sobressaltasse. Ele sempre tomava um leve susto quando ouvia o som alto e rude, mesmo tendo ouvido aquele som durante todos os dias de sua vida. Ele imaginava a cena sem ao menos precisar olhar para ela. Era o garoto do primeiro ano tomando uma surra do outro do terceiro ano. Nada muito diferente do usual.

–Hey, Lorenz! – o mais velho gritou no rosto do loiro, apertando-o ainda mais contra os armários de metal – Não fuja de mim outra vez!

Havia sim algo de diferente naquela cena, desta vez. O olhar desafiador do loiro sem nome tinha sido substituído por um olhar vazio de apatia. E Till não sentiu vida nele. Não era como nas outras vezes, em que Till olhava para ele e sentia de longe um ar intelectual, maduro demais para alguém da sua idade. O menino tinha crescido depressa em todos os sentidos. Por ser quase mais alto do que o gorila que o esmurrava, por ser mais inteligente do que praticamente todos naquela escola. Mas dessa vez, não havia absolutamente nada dentro dele...

Nada além da mais pura vontade de morrer, de ser apagado deste mundo e nem sequer ter uma lápide, de simplesmente cair no esquecimento, de não significar mais nada para ninguém.

Till engoliu o ar ao vê-lo sendo jogado repetidas vezes contra os armários, sem emitir nenhum som. Os únicos sons eram os dos alunos que passavam, comentando a briga (e logo uma movimentação se formava em torno dela), o do corpo frágil batendo com força contra os armários e o dos grunhidos de raiva do mais velho. Ele gritava algo sobre o menino ter olhado demais para a namorada dele. Se defender era inútil, seu destino era ser engolido pelos mais fortes. E mesmo morrendo de dor, ele não gemia ou gritava. Apenas ficava lá, se deixando ser surrado, com aquela expressão vazia no rosto.

Os olhos azuis cobertos por lentes grossas de óculos encontraram por dois segundos os olhos verdes quase acinzentados do moreno forte, que, assim como os outros, assistia à cena, imóvel. Um soco forte no queixo do loiro o mandou voando de cara no chão e um gemido tão baixo, mais parecido com um sussurro machucado, escapou de sua boca. Till resmungou baixinho para si mesmo, decidindo que não faria bem à sua mente ver uma cena daquelas.

E foi neste momento em que o rapaz mais forte desceu suas botas com toda força em cima da cabeça do loiro. E atingiu o rosto, e todas as partes da cabeça e do pescoço, e o sangue não demorou a fluir. Agora ele estava gritando, para o sádico prazer do mais velho, que não parava de chutar seu rosto. A cena dava agonia, até em Till, que já havia presenciado esse tipo de coisa antes.


Tudo começou quando ele tinha oito anos. Seu cachorrinho filhote de estimação tinha quebrado a pata. Vivendo em Schwerin, onde não havia um veterinário que cuidasse de seu cachorro, Till cuidou o máximo que pode da pata quebrada do cachorro. Mas mesmo assim, o osso não sarou e o cachorro passava os dias sofrendo e chorando de dor. Irritado com os ganidos do cachorro, seu pai mandou que ele desse um fim no animal, pelo bem de todos.

E foi com lágrimas nos olhos que o pequeno Till se despediu de seu amiguinho, atingindo sua cabeça com uma pedra grande e pesada. O cachorro chorou uma vez e deu seu último espasmo de vida.


–Não... – Till sussurrou para si mesmo, cerrando os punhos. As pessoas ao seu redor não faziam nada para parar o ato de violência e aquilo o irritava. O sangue lhe dava agonia, junto com os gritos do menor – Não! NÃO!

Ele correu em direção aos dois, agarrando o mais velho com facilidade e o atirando no chão, quase que em cima do mais novo. O loiro arquejou por ar, cuspindo o sangue que saía de seu nariz quebrado e escorria para dentro de sua boca, seus dedos esguios arranhando o chão embaixo dele, como se ele procurasse escapar.

O rapaz mais velho olhou confuso para Till e uma bota foi de encontro a seu rosto, seguido por um punho, e mais chutes, e mais socos. Till ria como um animal enquanto praticamente linchava o outro rapaz. Era a sensação de poder, de vingança, da dor que ele guardou por anos dentro de si, tudo saindo em forma de golpes e mais golpes. Ele não se virou para olhar, mas o pequeno não havia saído de seu lado e olhava à cena horrorizado, sem conseguir dizer nada ou chorar de dor.

Logo, alguns garotos vieram e tiraram um Till irado de cima de um rapaz desmaiado, com o rosto e as roupas cobertos por sangue. Till se debateu e se soltou das mãos dos garotos. Ele olhou para baixo; o garoto loiro continuava lá, fitando-o com seus olhos cheios de terror, sangrando muito pelo nariz. Ele o levantou pelos braços e caminhou com ele até o banheiro, que não era muito longe dali, sem dizer uma palavra. Ligou a água quente da torneira da pia e molhou alguns pedaços de papel-toalha com a água, esfregando o rosto ensanguentado do menino com o maior cuidado do mundo. O menino gemeu poucas vezes, apenas quando Till tocava seu nariz para limpá-lo. Logo, ele estava um pouco mais limpo, mas o sangue havia deixado seu rosto de uma cor rosada e havia um pouco de sangue seco na gola de sua camisa de flanela.

–Mantenha sua cabeça para cima. – Till disse, segurando um pedaço de papel umedecido no nariz do loiro – O sangue vai estancar. E respire pela boca.

–Obrigado... – o menino sussurrou. Till sorriu.

–Não foi nada. Eu só... Não aguentava mais vê-lo batendo em você. Quer dizer, o que ele tem na cabeça? Merda?!

O loiro riu suavemente, antes de se lembrar que estava com dor e fazer uma careta.

–Como você se chama? – Till perguntou timidamente.

–Eu me chamo Christian. Mas, por favor, não me chame disso. Me chame de Flake.

Ele levantou uma sobrancelha. Realmente, a inteligência de Christian era algo além da sua compreensão. As palavras, cuidadosamente ditas em uma voz fraca, sem comer nenhuma sílaba, causavam arrepios em Till.

–Sou Till Lindemann.

Flake sorriu, acenando com a cabeça para ele.

–Espero que você tenha matado aquele cara. A um tempo, eu tinha planejado como iria mata-lo. Algo que não deixasse muitas pistas. Como colocar cinquenta comprimidos de calmantes na garrafa d’água dele. Ser atleta tem suas vantagens. – ele piscou de um jeito quase doentio – E agora que o sangue estancou... – jogou o pedaço de papel ensanguentado no lixo – Eu vou para casa arrumar meu nariz e descansar. Obrigado mais uma vez, Herr.

Herr? – Till riu – Não precisa ser educado comigo, Flake.

Flake riu suavemente, levantando os ombros.

–Eu apenas gosto de ser educado com quem eu conheço em uma primeira vez. Espero te ver de novo, mein Herr. – Flake disse provocativamente, saindo do banheiro e andando de um jeito casual para sair da escola.

Till apenas olhou aquilo, sem palavras. Como eles nunca haviam se falado antes? Flake o fascinava em todos os sentidos... E ele estava feliz, pois o ar desafiador havia voltado ao seu rosto macio.


Notas finais
Quero reviews, you fuckers u.u sei que vcs leem isso em silencio. Danke, nochmal.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.