O Canto Dos Corvos Vermelhos
3 Capítulo 3 - Padrasto
Assim que o viu, já lançou um olhar de desprezo a ele.
–Você furou as orelhas? – ele disse friamente.
–Furei. – o loiro respondeu com mais frieza. O padrasto suspirou.
–E virou gay também?
Paul deu um tapa forte na mesa ao lado dele. O homem não se intimidou.
–Me chama disso de novo e você vai ver.
–Maria – o homem chamou – Seu filho está me ameaçando de novo.
–É só uma criança. – a mulher gritou do outro lado da casa.
–Eu não sou criança! – Paul gritou – Tenho 17 anos!
–Heiko, pare de implicar com o Klaus... – sua mãe disse.
–Você devia ouvi-la. – o homem disse tranquilamente.
–Vai se foder!
–O que mais você esconde da sua mãe? Fuma maconha além de ser gay?
–Seu...
–Tem transado muito com aquele seu amigo Christian?
Aquela foi a gota d’água.
–Não ouse tocar no nome do Flake! – Paul grunhiu – Ele é o meu melhor amigo!
–E amante.
Paul não agüentou mais, espumando de raiva se atirou sobre o padrasto e começou a surrá-lo como nunca. Ele já tinha agüentado as provocações por anos, desde quando sua mãe se casou. O pai tinha morrido, e Heiko havia adotado o nome “Paul” em sua homenagem.
Maria ouviu os gritos e correu para a sala. Lá, ela viu seu único filho espancando o homem que ela amava.
–Heiko Hirsche! – ela gritou, puxando o filho para longe do marido – O que você pensa que está fazendo! Sai de cima do Klaus!
–Esse menino está louco! – Klaus se levantou para se afastar de Paul.
–Eu não sou Heiko! – Paul gritou, desabando a chorar – Meu nome é Paul! Paul!
A mãe suspirou tristemente.
–Eu não tenho que suportar mais isso! Eu vou embora!
Paul se soltou da mãe e foi até seu quarto. Jogou suas roupas e pertences dentro de um malão rapidamente e foi para a porta. Sua mãe estava em prantos, implorando para que ele não fosse. Klaus foi até ela e a abraçou.
–Você não tem pra onde ir. – Klaus disse friamente.
–Meu Heiko... – Maria soluçava desesperadamente.
–Mãezinha, eu te amo, mas eu não posso mais ficar na mesma casa que esse homem. – Paul disse, sentindo um aperto no coração – Qualquer lugar é melhor do que aqui.
Deu as costas para os dois e saiu. “Deixe-o” Ele ouviu o padrasto dizer. “Meu bebê...” A mãe disse, em prantos.
Deixe-os. Você é grande já, Paul.
Ele parou no bar e comprou uma garrafa de cerveja. O dono do bar o conhecia.
–Você está bem, Paul? – ele perguntou.
–Só preciso beber um pouco. – Paul respondeu, suspirando – Muita coisa acontecendo, sabe?
–Sei... Bem, qualquer coisa pode contar comigo.
–Tá bom. Obrigado, David. – Paul sorriu para o homem.
–Acho que você vai precisar de mais uma garrafa. – David empurrou uma garrafa de cerveja fechada na mão de Paul – Essa é por minha conta.
Paul riu suavemente.
–Obrigado mais uma vez. Vou indo.
–Tá. Até mais.
Paul sorriu e continuou seu caminho incerto. Foi parar perto do Muro, que devia ser uns 20 minutos longe de sua casa. Sentou-se, com as costas apoiadas no Muro pintado com grafites. Começou a lê-los.
Amor, paz. Santuário. Mude sua vida.
Nada fazia muito sentido...
Flake.
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