O Caminho que Leva ao Coração
1 Dúvidas sobre ser ou não ser uma esposa...
Notas iniciais
Inuyasha não me pertence... buááááá!
- Vou procurar algo para comermos – avisou Jaken procurando com o olhar para as árvores que cercavam o lugar – Apesar de que não vejo nenhuma fruta por aqui. - Talvez o senhor tenha que procurar mais longe daqui – sugeriu Rin que também se sentava para descansar – Eu o seguiria se não estivesse tão cansada.- Humanos... – exclamou o pequeno servo pela bilionésima vez desde que a garota passara a acompanhá-los – Vocês são tão fracos...Rin não deu ouvidos ao comentário. Parecia estar com os pensamentos nas nuvens. As mesmas nuvens dos quais os olhos castanhos não desviavam. Jaken conformou-se em ir sozinho e embrenhou-se na mata, devolvendo ao lugar o silêncio que havia sido quebrado por sua voz nada agradável.Um suspiro de Rin chamou a atenção de Sesshoumaru, fazendo-o olhá-la pelo canto dos olhos. Já há um bom tempo ela deixava escapar esses suspiros, o que de certa forma o deixava curioso. - Algo errado, Rin? – ele resolveu acabar de vez com essa curiosidade.A garota o encarou surpresa. Sesshoumaru praticamente não lhe dirigia a palavra, exceto para mandá-la procurar comida e segui-lo. De repente ouvir dele algo além de “Vamos” causava mesmo uma surpresa.- Como? – ela perguntou ainda incerta sobre o que ouvira.- Perguntei se há algo errado – ele repetiu desviando o olhar dela para a mata à sua frente.- Não... eu... – ela nem mesmo sabia o que responder – Nada não...- Esses suspiros... eles denunciam algo mais.Ela sorriu encantada com o modo como ele falou. Lembrou-se também de uma frase que ouvira de Jaken poucos dias atrás, quando quase teve uma crise por ele ter rasgado seu único kimono. - “Coisas da idade” – ela repetiu o que o servo dissera. Sesshoumaru ergueu uma sobrancelha com a resposta dela. - Coisas da idade... – ele repetiu a resposta dela, sempre sério.Rin estava mesmo diferente por causa da idade. Ela já não era mais a criança frágil e dependente que conhecera na mata há tempos atrás. Agora, aos 16 anos (era o que ele supunha que ela tivesse, embora não fosse profundo conhecedor das características humanas de cada idade), ela parecia um pouco infeliz com aquela vida tão incomum para uma jovem humana.Deteve-se um segundo antes de sucumbir ao desejo de continuar aquela conversa. De repente os pensamentos que poderiam estar enchendo a cabeça da garota pareciam bastante interessantes e o deixavam ainda mais curioso.“Esqueça isso...” pensou ele recostando a cabeça numa árvore e fechando os olhos “Se ela estiver infeliz com essa vida, logo procurará um meio de mudar isso...”.Estava preste a cochilar, quando Rin levantou-se, causando barulho de folhas e mais uma vez atraindo sua atenção.- Vou andar por aí – disse ela limpando a roupa azul clara e costurada numa das mangas.- Não estava cansada? – ele perguntou.- Não mais – ela respondeu séria – Parece até que sentei sobre um formigueiro e preciso caminhar o mais rápido possível. Eu voltarei logo...Ele a acompanhou com o olhar frio de sempre. Já não precisava avisá-la para tomar cuidado. Rin conhecia os perigos que poderia encontrar de cor. Voltou a fechar os olhos quando ela desapareceu de sua vista, e finalmente cochilou em paz. Rin caminhava sem pressa. Sabia que perto dali havia um riacho, e se tivesse coragem se lavaria um pouco nas águas geladas. Talvez até pegasse um peixe e o desse a Jaken, pedindo a ele que o fizesse com todas as ervas que só ele conhecia. Ouviu vozes quando já estava próxima do riacho. Eram algumas mulheres que conversavam animadamente, e que demoraram a notá-la quando ela se aproximou da margem oposto onde elas estavam. Mas as mulheres não se importaram com ela, então se agachou e encheu as mãos com água, lavando o rosto em seguida. Mesmo sem querer ouvia a conversa das mulheres. Eram três, e conversavam sobre alguma cerimônia que logo ocorreria.- Usarei um lindo kimono vermelho... E flores de cerejeira para decorar meus cabelos... – comentou a mais jovem delas, que parecia ter a mesma idade de Rin.- Deve se banhar com flores de macieira – aconselhou uma delas, uma jovem senhora – Deixa um aroma pelo corpo... Dizem que os homens não resistem a isso.Rin levantou-se e fixou seus olhos nos belos trajes vestidos pelas mulheres. Eram kimonos muito mais bonitos e bem feitos que aquele que usava, o que indicava que as mulheres pertenciam à alguma família com posses. A mais jovem logo notou o olhar admirado de Rin, e cochichou algo com as outras duas. A mais velha ergueu um pouco de sua roupa e entrou um pouco na água, procurando ficar mais perto de Rin.
- Olá, jovem – disse ela sorrindo – Vi que nos olha. Acaso é moradora do vilarejo?Rin olhou para trás já esperando que a conversa não fosse com ela.- Quem? Eu? – perguntou ela por fim.- E quem mais? – disse a outra mulher – Diga. De onde você é? Estou quase convencida de que não é de nosso vilarejo.- Não... eu não vivo em nenhum vilarejo – respondeu Rin – Eu vivo... – ela pensou um pouco antes de revelar que vivia junto de youkais -...eu vivo com alguns parentes. Somos viajantes.- Pobrezinha – disse a mais jovem – Uma moça tão bela e sem um lar? Chega a ser triste.- Triste? – Rin estranhou a colocação da jovem.- Sim... – disse a mais velha – Parece-me que tem a mesma idade de minha Chisato – disse apontando para a jovem mais atrás – Deveria estar já se preparando para um casamento.- Casamento? – Rin estranhou ainda mais. Não que não conhecesse a palavra, mas porque se tinha uma coisa que jamais pensara até aquele momento era em se casar.- Sim, minha Chisato logo se casará – disse a mulher – E é por isso que estamos aqui, conversando sobre alguns detalhes da cerimônia e algumas outras coisas.- Chisato chegou na idade de arranjar alguém a quem dará filhos e servirá fielmente – comentou a outra mulher – E você? Não pensa nessas coisas?“Servir fielmente?” pensou Rin confusa “Isso eu já faço. Sirvo fielmente ao senhor Sesshoumaru...”.- Eu já sirvo fielmente à uma pessoa – Rin disse, ingenuamente.- Então já é casada? – disse a jovem confusa – E já tem filhos?- Hã? – aquela pergunta pareceu assustá-la – Filhos? De quem?- Do homem a quem serve fielmente... quem mais? – disse a jovem.“Filhos do senhor Sesshoumaru? Eu? Como assim?”.- Não... não tenho filhos... – respondeu ela um pouco tímida.- Procure fazer isso logo – disse a mãe da jovem Chisato – Sabe que os homens não gostam de mulheres que não lhes dão filhos. Eles as trocam por outras assim que podem.Rin sorriu um pouco mais aliviada. Sabia que Sesshoumaru não a trocaria por nenhuma outra mulher. Aliás, ele não tinha interesse por mulher alguma, com aquele rosto sempre demonstrando uma frieza sem tamanho.- É por esse motivo que eu pedirei aos deuses que me permitam conceber uma criança já em minhas núpcias – disse Chisato mostrando-se empolgada.- Núpcias? – aquela palavra sim parecia desconhecida para Rin – O que é isso?As três mulheres a encararam surpresas. - Não sabe o que é uma noite de núpcias? – exclamou a mãe de Chisato.- A pobrezinha deve ser de uma família de nômades – disse Chisato para a outra mulher – Dizem que eles não cultivam os mesmos costumes que a gente.- Deve ser isso... – riu a outra mulher se aproximando mais de Rin – Deixe que eu explique para você. Noite de núpcias é apenas a primeira noite após o casamento, em que a mulher entrega-se ao esposo em corpo.- Entrega-se? A mãe de Chisato ia tentar explicar um pouco mais, mas a filha a cutucou e cochichou ao seu ouvido algo que Rin não conseguiu escutar.- É uma pena, mas temos de ir embora – disse a mãe da noiva – Temos ainda que ver alguns outros preparativos para o casamento de Chisato. Mas foi bem conhecê-la, menina.- Mas... – Rin queria que ela terminasse de explicar todas aquelas coisas estranhas.- Adeus! – disseram as três mulheres caminhando e sumindo de vez. Rin ficou pensando no que acabara de ouvir, e imaginou se havia entendido bem.- Então... segundo essas mulheres, eu sou a esposa do senhor Sesshoumaru... – ela ficou relembrando em voz alta o que descobrira – Eu o sigo fielmente, então, eu sou mesmo a esposa dele... Voltou caminhando devagar para onde o youkai estava. Sua mente agora tentava entender a parte sobre dar filhos a Sesshoumaru. Apesar de ser praticamente uma mulher formada, nunca tivera ninguém em sua vida que a ensinasse como poderia fazer isso. Sabia que as mulheres tinham filhos, e que eles eram dados a elas pelos homens, mas como isso se dava já era uma questão um pouco mais complexa.Encontrou o youkai ainda descansando sobre uma cerejeira de onde caiam flores que ficavam enroscadas em seus cabelos prateados. Sorriu ao notar que aquela serenidade dele o tornava o mais belo dos youkais. “Eu o seguiria fielmente mesmo que depois da morte” pensou sem malicia. Jaken a encarou emburrado. As tentativas dele de assar alguns cogumelos não estava indo muito bem, e Rin quis rir quando viu quantos cogumelos eles já havia deixado cair em meio às chamas. - O senhor Sesshoumaru fica tão bonito dormindo assim, não é, sr Jaken? – ela perguntou olhando para o sossegado youkai.- Isso é pergunta que se faça? – respondeu Jaken – Mesmo eu sendo um servo fiel não posso sair dizendo que o sr Sesshoumaru fica bonito dormindo.- Sabe, Jaken – disse ela se lembrando da conversa das mulheres no riacho – Acha que o sr Sesshoumaru ficaria feliz em ter filhos?- Hã??? – o servo quase enfiou a mão na fogueira de tão espantado com a pergunta – Como assim?- Acha que ele deseja ter filhos? - Filhos? O sr Sesshoumaru? Nunca pensei nisso... Talvez ele tenha filhos algum dia, afinal, ele ainda tem muito tempo para pensar nessas coisas.- Sim... é verdade. Os youkais vivem mesmo muito tempo... mas os humanos...- Os humanos morrem muito rápido... – concluiu Jaken – Para os humanos a necessidade de ter filhos é mais urgente, o que não ocorre com os youkais.- Urgente... – Rin repetiu aquela palavra um pouco preocupada – “Se é assim, será que eu devo procurar ter um filho o mais rápido possível?”.- Coma seus cogumelos – disse o servo apontando para a comida – Antes que eles esfriem de vez.- Hã? Oh, eu não estou com fome – respondeu ela se afastando da fogueira e procurando o conforto da barriga de Aruru para se encostar.A jovem quase não pregou os olhos durante toda a noite, perdendo o sono ao ficar pensando na conversa daquelas mulheres na beira do riacho, e também no que Jaken havia falado. Quando o dia já amanhecia, ela se invocou que devia cumprir com suas funções de esposa, já que, segundo o que as mulheres falaram, ela era isso de Sesshoumaru. - Mas antes preciso saber como fazer para cumprir com minhas funções de esposa – ela pensou alto, quase acordando Jaken, que roncava um pouco distante dela.Sesshoumaru não passara a noite ali. Assim que o jantar do dia anterior terminara, ele deu ordens claras ao servo para que cuidasse de tudo e saiu, como costumava fazer todas as noites. Rin nunca perguntara o que ele fazia, e nem se sentia no direito de fazer isso, até agora pelo menos. Mas não sabia que cabia à uma esposa saber dos segredos do companheiro. Quando ele chegou, com o dia já claro, ela tentou mostrar-se da forma natural como sempre, mas sentia-se impelida a perguntar algumas coisas a ele. Olhou para Jaken, o servo leal e sempre presente, imaginando uma forma de afastá-lo dali tempo suficiente para que ela conversasse com o youkai.- Jaken... – ela o chamou com um sorriso – Será que você poderia me fazer um favor?- Ai... – limitou-se a reclamar o pequeno youkai.- Eu queria muito que você buscasse algumas daquelas frutas amarelas que comemos quando estávamos vindo para cá.- Frutas amarelas? – ele tentou se lembrar confuso – Hei! Não está falando daqueles pêssegos, está?- Sim... – ela confirmou ainda sorrindo.- Mas isso foi há dois dias atrás – disse Jaken – Não acha que eu vou fazer todo aquele caminho de volta só para pegar alguns pêssegos idiotas, acha?- Mas eu queria...- Não! Vai você!- Mas...- Rin – chamou Sesshoumaru impaciente com os dois — Se quer tanto aquelas frutas, vá você mesma buscá-las.Ela se calou e abaixou a cabeça concordando. Agora teria que caminhar tudo aquilo, para pegar uma fruta que ela nem sequer gostara.- Se quiser eu posso ir com você – disse Sesshoumaru, para surpresa do servo.Rin sorriu entusiasmada. Poderia conversar tudo o que quisesse com o youkai enquanto estivessem procurando pelas frutas. Saíram um pouco depois, deixando Jaken e Aruru os esperando.Mas quem disse que conseguiu encontrar coragem para iniciar uma conversa? Sesshoumaru caminhava mais à frente, sem nem mesmo virar-se para olhar se ela ainda o seguia. Tentou várias vezes colocar-se ao lado e manter o mesmo ritmo, mas ele parecia apertar os passos assim que ela chegava até ele.Em resposta à frustração que sentiu, deixou escapar mais um daqueles profundos suspiros, fazendo o youkai parar dessa vez.- Se quer falar algo, faça-o de vez – ele disse naquele usual tom de voz, frio e desinteressado.
- Er... eu... – ela ruborizou com o fato dele sempre ir direto ao assunto em tudo.O rubor aumentou quando ele se virou e a encarou, sério, inexpressivo, lindo.- O que é? – ele insistiu.Rin resolveu se encher de coragem e lançar todas as suas perguntas de uma única vez, pois se perguntasse uma de cada vez, desistiria na metade do caminho. Respirou o mais profundo possível e abriu a boca.- Sr Sesshoumaru... – ela começou falando devagar, mas depois deslanchou – Eu quero saber se eu sou mesmo sua esposa. E quero saber se o senhor quer ter um filho comigo. E também quero saber por que nós não tivemos uma noite de núpcias. E o que significa entregar-se de corpo ao companheiro?Fechou os olhos ao terminar o questionário. Tentou respirar normalmente para se acalmar, mas o silêncio que se seguiu a fez imaginar que havia feito besteira e seu coração acelerar junto com sua respiração.- Rin? – o youkai a chamou após alguns segundos – Olhe para mim.Não era um tom de ordem, mas vindo de Sesshoumaru um simples bom dia já faria tremer. Ela abriu os olhos, um de cada vez, encarando-o, já não mais vermelha, mas sim pálida.- Do que está falando? – ele perguntou sério.- Hã?- Esse negócio de ser minha esposa... Quem disse isso a você?- É que... – ela se acalmou um pouco ao notar que ele parecia mais surpreso do que com raiva – Eu encontrei algumas mulheres... ontem quando eu sai para dar uma caminhada, se lembra? – ele balançou a cabeça levemente com um sim – Elas falavam sobre o casamento de uma delas... e me disseram que eu já tinha idade para me casar. - Ainda assim, não vejo ligação com suas teorias...- Elas me disseram que uma esposa serve fielmente ao seu esposo... Eu conclui que, já que eu o sirvo fielmente, eu sou sua esposa.O youkai primeiro encarou aquela situação seriamente, depois, movido por um sentimento de carinho inconsciente, deixou um discreto sorriso se formar no canto esquerdo dos lábios.- Acho que entendeu errado, Rin – disse ele olhando-a com um pouco mais de atenção, e notando, não pela primeira vez, mas de uma forma diferente, que ela era uma bela mulher – O servir fielmente a que elas se referiam não era o mesmo que você imaginou. - Não? – Rin ficou um pouco frustrada.- Não... Haverá muito tempo para que descubra a que elas se referiam... – ele disse voltando a caminhar.Ela o seguiu com o olhar, ainda confusa sobre tudo aquilo.- Mas eu sou uma humana – ela exclamou com ele já distante.- E? – ele perguntou sem parar.- Eu não tenho tanto tempo quanto um youkai – ela explicou – E se eu nunca tiver filhos?Ele mais uma vez cessou os passos. De repente se deu conta de que aquilo era algo que ela não tinha pensado. Ela era mesmo uma humana, não teria tanto tempo de vida quanto ele. Pensou se já não estava mesmo na hora de Rin cumprir com o destino das humanas como ela. Mas logo se consolou.- Você ainda é jovem... – disse ele – Não se preocupe com isso agora. Além do mais, você nem conhece ninguém para poder dar um passo tão grande como ter um filho.Rin mais uma vez se sentiu derrotada. De repente a idéia de seguir o curso da natureza lhe pareceu muito agradável para ser desprezado tão facilmente.- O senhor pode ter um filho comigo! – disse ela, impedindo que ele novamente voltasse a caminhar.Sesshoumaru se virou um pouco mais devagar dessa vez, encarando-a com o mesmo olhar que só lançava aos inimigos. Não era um olhar de ódio, era pior, era desprezo.- Tolice! – exclamou ele – Jamais repetiria o erro de meu pai.Rin se calou de vez. Então, Sesshoumaru achava que ter um filho com ela, apenas por compaixão, que fosse, era uma tolice? Aquilo doeu bem mais do que ela imaginara.- Vamos continuar – disse ele, pouco preocupado com o que ela sentira ao ouvir sua cruel recusa — Ou já desistiu de pegar suas frutas?- Desisti... – ela respondeu – Podemos voltar, sr Sesshoumaru? Eu não me sinto muito bem...Fizeram o caminho de volta num silêncio ainda maior que a ida. Agora nem mesmo existia para Rin alguma dúvida que pudesse tomar conta de sua mente e tornar aquele caminho um pouco mais curto. “Então... vejo que jamais terei um filho...” pensou desolada.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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