O Caminhar De Um Anjo Caído
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Ao acordar Keiko abre os olhos, levanta de sua cama e se dirige ao chuveiro para tomar banho. Durante seu banho Keiko recorda-se de como havia começado aquele dia.
̶ Keiko, filha, acorde! – falou uma mulher de cabelos negros, olhos cor mel com um sorriso meigo e gentil estampado em seu rosto – Hoje é o dia em que seu pai irá nos visitar, lembra?
̶ Sério Oka-chan? É hoje que ele chega aqui em casa? Que legal! – falou Keiko empolgada.
Keiko saiu de sua cama e foi correndo para o banheiro, pois havia esperado por isso há muito tempo e queria se arrumar logo. Depois do divórcio de seus pais, o pai de Keiko havia sido convocado para lutar a favor de sua nação nas guerras geradas pelas crises econômica, ele ficou um ano e meio servindo seu país, porém, infelizmente, a França havia perdido as guerras a e a crise só tinha crescido drasticamente.
Kyoko estava ajudando a Keiko a se preparar para aquele dia, porém a doce Kyoko estava agindo estranhamente.
̶ Droga! – Disse parcialmente enfurecida ao pensar que deveria ter reparado em cada detalhe daquele dia, deveria ter percebido que a Kyoko estava agindo estranhamente, porém não o fez.
Após sair do banheiro, Keiko troca de roupa e vai para a cozinha, lá encontra Kaori, Yukio e Amaya sentados à mesa de cor branca e forma circular, que se localiza no centro da cozinha, enquanto tomam café da manhã a cima da mesa há alguns alimentos como pães franceses, frutas, uma caixa de leite, biscoitos e uma jarra de café, na parte de trás da cozinha é encontrado lado a lado um balcão feito para preparar os alimentos, uma pia e um forno de quatro bocas com um armário de parede por cima destes itens e do lado oposto a porta que leva até o corredor, encontra-se uma porta metalizada na qual fica o depósito de alimentos da resistência.
̶ Ohayo – disse Keiko com um olhar frio e sério.
̶ Ohayo Keiko-nee – disse Kaori ao se levantar da cadeira preta e ir correndo em direção a Keiko para abraçá-la – dormiu bem Keiko-nee? – disse com um doce sorriso no rosto.
̶ Hm... Sim – disse ao retribuir o sorriso.
̶ Ohayo Keiko-chan, – disse Yukio – depois que vocês tomarem o café da manhã, eu explicarei a situação pela qual estamos passando – logo após dizer isso, Yukio bebe um gole de seu café.
Enquanto Keiko tomava seu café da manhã, ela voltava a se recordar daquele dia.
̶ Keiko, querida, o seu pai chegou! – disse um homem sorrindo de braços estendidos para abraçar a criança com de olhos tão negros quanto seus cabelos, aparentava ter aproximadamente 30 anos, estava usando blusa branca, uma calça de estilo militar e botas cor marrom.
̶ Oto-chan! – falou Keiko, usando um vestido que batia em seu joelho azul-claro com um laço na cintura, enquanto corria para poder abraçar o seu pai.
̶ Como vai o meu anjo favorito? – disse ao pegar a criança no colo e a girá-la no ar.
̶ Melhor agora com você Oto-chan.
̶ Kyoko, eu preciso falar com você, – disse ao colocar a criança no chão – poderia vir comigo até a cozinha para discutirmos uma coisa?
̶ Hm.. Creio que, infelizmente, sei qual será o assunto de nossa conversa.
Os dois saíram de perto da porta principal da casa, passaram pelo corredor, entraram na cozinha e de lá não dava para ouvir a conversa, mas alguns gritos de desaprovação do pai de Keiko, como se ele estivesse prestes a matar a Kyoko de tamanha fúria que estava sentindo.”
Após recorda-se desta cena, Keiko começa a questionar-se de qual seria o assunto da conversa de seus pais. Por qual motivo será que o seu pai estava brigando com sua mãe, o que o deixara tão furioso aponto dele ter tido aquela reação, afinal ele era alguém pacífico. Poucas coisas haviam ficado claras para Keiko sobre os acontecimentos que estavam se passando pela França.
Assim que todos terminaram, Yukio disse:
̶ Vamos para a sala, lá eu explicarei o que está acontecendo – disse ao dirigir-se para a sala feita de paredes metálicas, assim como o resto da resistência, com um monitor próximo a parede, com três sofás que ficam centralizados na sala reunidos na forma de um semicírculo, na parte de trás tem alguns computadores de pesquisa e um radar na parede que fica próxima a eles
– Bom, vocês já devem saber que a França perdeu a guerra e seu governo foi dominado pela maior potência que existe no mundo, a USA, porém através de algumas pesquisas feitas recentemente, descobrimos que há uma organização por trás que coordena tudo. Nós, a resistência, lutamos contra essa organização e seus planos – disse após todos sentarem nos sofás, enquanto Yukio estava de pé em frente do monitor – Perguntas?
̶ Hm... Como você conseguiu essas informações que deveriam ser confidencias, Yukio? – disse Amaya com uma desconfiança de Yukio.
̶ Depois conversamos sobre isso... – disse ao tentar evitar tocar no assunto perto das crianças.
̶ Hm.. Ok, eu compreendo...
̶ Keiko, hoje começaremos o nosso treino, descanse um pouco e depois me diga se você quer treinar para poder lutar com a resistência quando crescer – disse Yukio a Keiko.
̶ Hm... Hai – disse Keiko no sofá.
Todos, se retiraram da sala e foram para seus quartos refletir sobre os acontecimentos recentes da França, pensar se a resistência era realmente a melhor escolha, exceto Amaya, ela ficou deitada no sofá pensando sobre o que o Yukio estava escondendo dela.
̶ Yukio... Por que você resolveu entrar para a resistência justamente agora? Por que será que eu não consigo confiar em você? – murmurou ao sentar-se no sofá, enquanto refletia consigo mesma – Ah... No que eu devo acreditar? – disse com um ar triste.
̶ Acredite no que você acha melhor – disse com um sorriso no rosto, o Yukio, ao entrar pela porta que divide o corredor e a sala e se aproximar dela – Afinal, você sempre foi cabeça-dura mesmo.
̶ Yukio... Por que você não esclarece logo o que aconteceu, ou, o que você sabe e como descobriu sobre tudo o que está acontecendo? Por que você tem que deixar tudo tão em oculto?
̶ Por causa da Keiko e da Kaori – disse ao sentar-se no sofá ao lado de Amaya – para te contar tudo, eu precisaria lhe dizer algo que só elas podem explicar... Muito confuso, não? – disse ao sorrir.
̶ Por que você sempre sorrir, mesmo em momentos sérios, como você consegue sorrir sabendo pelo que se passa lá fora... Sabendo de todos os horrores que estão fazendo?
̶ Alguém que já sofreu bastante aprende a aproveitar cada momento de felicidade que lhe foi cedido, não importa o que está acontecendo com você, saiba que Deus foi bondoso em não fazer pior do que está nossa situação – seu olhar era distante, porém um sorriso suave ainda permanecia em seu rosto.
̶ Yukio...
̶ Bom... Creio que não conseguirei descobrir tudo mesmo, certo? – disse conformada com sua situação – Porém, mesmo assim eu não facilitarei sua vida aqui, ainda não te perdoei pelo que aconteceu – afirmou ao retirar-se da sala.
̶ Realmente, essa cabeça-dura não muda mesmo. Acho melhor ir para meu quarto preparar o material para o treinamento da Keiko de hoje à tarde.
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