O Calor Grego

1 Capítulo único


Notas iniciais
Pessoal esse é meu primeiro yaoi de Saint Seiya, peguem leve okay? ; )

"Se cada grão de areia pudesse expressar o meu amor, um deserto não seria suficiente para conta-lo"

Estava sentado na areia da praia, seus pensamentos que uma vez foram somente seus, agora pareciam pertencer somente a ele. Podia estar fazendo o que fosse que sempre acabava pensando nele. No seu jeito frio, sedutor, indiferente, no seu corpo pouco malhado, mas bem detalhado em seus pensamentos, no seu modo de andar, no seu sotaque francês inconfundível, na sua voz completamente sensual. Queria apenas ter coragem para se confessar. Dizer que parou de vê-lo como um amigo, melhor amigo, a tempos atrás. Dizer que todas as noites têm os mais sórdidos e pecaminosos sonhos onde ele era a estrela principal. Mas não tinha coragem. É um cavaleiro de Athena, protegeu o santuário diversas vezes, enfrentou os mais fortes dos inimigos, já sofreu os mais terríveis machucados, mas tinha medo de dizer a pessoa que mais confiava nesse mundo seu verdadeiro sentimento. Tinha medo da rejeição, da perda, do sofrimento. Não agüentaria ver o nojo, o medo e a pena refletida nos orbes de seu amado. Preferiria morrer com um buraco no coração do que saber que o outro sentia pena de si.

Por isso estava ali, olhando para o mar, sentindo a pele esquentar com o contato do grande astro rei, que nesse dia em especial parecia estar impiedoso. O calor era algo com o qual já estava acostumado, mas ele não. O outro na certa estava trancafiado em sua casa, elevando seu cosmo até ultrapassar os limites, tentando apenas fugir do calor. Não pode evitar rir ao imaginar a cena do seu amado com a face corada pelo calor, dentro de uma banheira cheia com água mais gelada o possível, resmungando e culpando qualquer um pelo calor insuportável que assolava toda Grécia.

Mais uma vez, seus pensamentos foram para ele. Não gostava quando isso acontecia, não que não desejasse ter em sua mente aquele que já tem no coração, apenas não gostava da sensação desagradável que vinha quando se dava conta que eram apenas amigos, os melhores, mas ainda assim amigos.

- Droga Camus – sim, esse é o nome do seu Deus Grego pessoal, daquele que lhe perturba até em sonhos – porque você, um dos mais inteligentes dos cavaleiros não pode simplesmente notar? – Começou a desabafar, a jogar tudo o que sentia aos ventos e as águas, aquilo que ele acreditava ser sua única companhia em meio à imensidão da praia – Porque simplesmente não vê que estou completamente apaixonado por você? Não tem idéia do quanto me faz sofrer ver você de longe e não poder tocá-lo, abraçá-lo, beijá-lo, sentir seu corpo perto do meu... – Fechou os olhos e se jogou na areia – Porque o amor tem que ser tão complicado?

- Se fosse simples, não seria tão mágico – ouviu a melodiosa voz próxima de si. Abriu os olhos e deu de cara com os cabelos ruivos, o corpo que o faz passar noites em claro coberto com uma regata branca e uma bermuda azul, os olhos penetrantes voltados para si.

Não havia como não corar. Há quanto tempo o outro poderia estar ali? Não sabia, e estava demasiado envergonhado para cumprimentá-lo, quem dirá para perguntar. Mas... Não era isso que tem desejado? Se confessar para o outro? Agora já está feito, ou quase.

- O que faz aqui na praia Camus? – perguntou enquanto se sentava e voltava a olhar as ondas.

- O santuário está quente demais, pensei em vir a praia e me refrescar na água. – falou o outro mantendo o tom indiferente.

- E há quanto tempo está aqui? – perguntou com certo receio e de certa forma esperança, afinal ele pode ter ouvido, mas não se afastou, não fugiu dele.

- Alguns minutos – disse. Então veio o silencio, o que não era nada normal quando se estão juntos, pelo menos não dá parte do escorpiano.

Camus, notando que seu amigo ficou quieto, o que para ele era novidade, sentou ao seu lado e passou a observá-lo. Seus olhos percorriam desde os cabelos, até seu porte físico, passando por seus olhos que agora estavam perdidos no mar, a boca bem trabalhada e carnuda, o corpo que esbanja sensualidade. Milo sempre foi assim, sensual, tentador, divertido, companheiro, amigo. Quando ouviu seu nome saltar dos lábios do outro, minutos atrás, ficou parado, não soube o porque. Nunca fora tão tímido, mas também nunca sentiu seu coração bater tão rápido como agora. Na verdade, já sentiu, e em todas as vezes estava com Milo. Ficou relembrando todos os momentos que passou ao lado do Cavaleiro de Escorpião, todos os momentos, bons e até mesmo os ruins. Afinal, eram muito diferentes, suas personalidades eram completos opostos. Mas era isso que o tronava tão atraente não é? Seu jeito espontâneo e alegre. Era isso que o chamava atenção, era disso que sentia falta.

- E então? – perguntou Milo, que já sentia incomodado com o olhar do francês sobre si.

- Então o que? – perguntou se achando um bobo logo em seguida.

- Eu te amo Camus de Aquário. – resolveu falar para ele tudo o que sentia, jogar tudo na cara, e esperar pelo melhor — E não agüento mais guardar isso dentro de mim, não agüento vê-lo e não tocá-lo, não agüento passar um minuto se quer longe de você, não aguen-

- Menos Milo – Falou com seu rosto próximo ao dele, se quer deixando que ele concluísse ou protestasse por ter sua confissão interrompida, lhe roubou um beijo. Não sabia ao certo quando, mas estava apaixonado também. Era Milo quem o fazia sorrir, era ele quem deixava seu coração louco, era ele que desejava, e ouvindo a declaração do outro, descobriu que poderia responder aquela confissão à altura – Também te amo Escorpião, não sei desde quando ou o porque. Mas você atrai, você é meu oposto e é tudo o que eu mais preciso. – Viu os olhos do antigo amigo, agora amante, brilharem antes de tornar a beijá-lo com amor, paixão, sensualidade e desejo.

Tinham ido à praia para se refrescar, mas agora se deram conta de que na verdade, o calor era apenas o seu corpo chamando inconscientemente pelo corpo do outro.

Notas finais
A fanfic foi escrita, inspirada na frase de inicio. Pois bem, o que vocês acharam? Qualquer erro, coerência, concordância, digitação, ortografia e sei lá mais o que, me informem que eu arrumo. 11/04/2011
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!