P.O.V. Anna.

Depois de 17 anos servindo a uma Rainha tirana estou finalmente livre.

A primeira coisa que me fizeram foi me dar um banho e me servir uma bela refeição a qual comi com voracidade. O mundo delas era tão esquisito, os animais andavam nus e não sabiam falar. As cidades eram sem cor. Preto e branco, mas o castelo da Rainha de Gelo com certeza se parecia com o da Rainha Branca só que mais frio.

A neve da montanha deixava a paisagem linda. Infelizmente ninguém além da Rainha de Gelo sobrevivia na fortaleza sem precisar de agasalho.

—Onde estamos indo?

—Antes de dormir quero cumprir minha promessa.

—Não se assuste. Ele não lhe fará mal.

Ela perguntou ao homem do espelho como libertá-lo e este respondeu que deveria golpear o espelho até que este se partisse.

E foi o que ela fez. A Princesa Liliana bateu a espada no espelho com força até ele se estilhaçar e quando isso aconteceu foi ouvido um grito de mulher. Um grito de dor.

—Não!

—O que foi isso?

—Ravenna. A minha tia, o espelho era dela. Ela deve estar conectada a ele de alguma forma.

Então de dentro da moldura do espelho sai um rapaz completamente nu. Ele era bonito, muito bonito.

—Oh! Céus! Quem é você?

—Sou o Príncipe Nicholas Grimm.

—Prazer. Sou...

—A Princesa Liliana e você é Anna a feiticeira.

—Sim. Sou eu.

—Como pode saber?

—Eu era o espírito do espelho. Preso por um feitiço, eu era o olho que tudo vê.

—Sei. Venha, precisa de um banho e vestes. Amanhã vou levá-lo ao barbeiro.

A Princesa lhe preparou um banho e lhe colocou num quarto confortável. Quando o dia nasceu o barbeiro foi chamado e lhe barbeou e cortou os cabelos.

Ele ficou indescritível. Se eu o achava belo antes, ele havia ficado mil vezes mais lindo.

—Nossa!

—Você é lindo! Lindo demais.

—Obrigado. Vós também sois muito bela.

—Obrigado.

—Disponha.

Decidi fazer algo por eles e por mim mesma. Eu sou uma sacerdotisa de Asheron, sou a última de sangue puro que existe então munida do meu grimório que eu escondi entre meus pertences que foram trazidos para esse mundo fiz uma poção que nos concederia a nós três o dom da Imortalidade.

—Porque estamos aqui?

—Eu fiz para nós. Um elixir ele nos concederá a imortalidade, mas mesmo imortais poderemos conceber.

—Isso é permitido?

—Isso importa?

—Para mim importa.

—Que se dane. Assim estaremos protegidos de Ravenna e de seus poderes das Trevas.

—Tem razão Nick.

—O que Deus uniu, o tempo não separa.

Brindamos e bebemos o elixir.

—Funcionou?

—Vamos descobrir.

Cortei minha própria mão e assisti de camarote o ferimento fechar.

—Sim. Funciona. Seremos os três contra o mundo.

—Porque fez isso Anna?

—Porque as boas pessoas estão em falta no mundo. E sendo imortais podemos atravessar gerações e ensinar a estas gerações a bondade, a coragem e a gentileza. O caminho da luz.

—Tem razão. Primeiro temos que jurar que sempre estaremos juntos, nós três. Que jamais vamos trair um ao outro, seremos sempre leais apenas a nós.

—Eu juro ser leal a você Anna e a você Princesa Liliana por toda a eternidade. Sempre e para sempre.(Disse Nick).

—Eu juro ser leal a você Princesa Liliana e a você Nick por toda a eternidade. Sempre e para sempre.(Eu disse).

—Eu juro ser leal a você Anna e a você Nick por toda a eternidade. Sempre e para sempre.( Disse a Princesa).

E o tempo passou, mas não nos afetou. A Rainha Freya envelheceu e veio a falecer. Lili assumiu o Trono, matou a tia e teve uma filha a qual ela batizou de Elena. Como a poderosa mulher que levou a ruína a cidade de Troia.

—Porque Elena?

—Porque Elena é um nome forte e digno de uma Rainha.

—Entendo.

Passamos pelos períodos como se não fossem nada. Na idade média fomos julgadas por bruxaria, eles encheram nossos bolsos com pedras e nos jogaram no rio, mas não morremos. Sobrevivemos. Acharam que era prova de bruxaria então nos queimaram na estaca e como sempre nós sobrevivemos. Nos alimentamos dos padres e cardeais que nos condenaram e finalmente nos libertamos daquela maldição.

Nick nos ajudou a fugir, mas não deu certo. Eles nos recapturaram e ele foi enforcado bem em frente aos nossos corpos em chamas.

Felizmente o pescoço de Nick voltou ao lugar e as nossas feridas cicatrizaram sem deixar qualquer vestígio de sua existência.

Sobrevivemos ás pestes, á ira do povo e a da Igreja. Tivemos que ficar escondidos por um tempo, fomos morar em um lugar isolado e fomos forçados a viver apenas com o sangue de animais e de pessoas que não fariam falta na sociedade humana. Ladrões e criminosos de toda sorte que tentavam se refugiar na floresta.

Ficávamos com os pertences deles e assim Nick ficou cheio de armas, vestes, peles e outras coisas mais.

Quanto a nós as garotas tínhamos que roubar vestimentas e só fazíamos quando era realmente necessário. Escondidos nas sombras da Floresta nos tornamos fonte de diversas lendas, histórias e contos populares.

Alguns diziam que éramos fantasmas, outros que éramos bruxas, fadas, demônios etc.

—Sabem, me sinto mais segura nas sombras desta floresta do que no castelo. Lá estava sempre cercada de guardas, mas com aquela sensação de que sempre há alguém conspirando contra mim. Viver isolada oferece seus perigos, mas destes eu tenho menos medo.

Lili tinha uma habilidade incomum com a costura, então ela nos fez capas. Com a madeira nós construímos uma cabana simples, um chalé com três quartos, uma sala, cozinha e lá fora uma latrina para que pudéssemos nos aliviar.

Dividíamos as tarefas, Lili fazia nossas roupas com lã de algumas ovelhas que criávamos graças a um de meus feitiços as ovelhas não conseguiam fugir e nem eram perturbadas pelos animais da floresta.

No quarto de Lili haviam enormes estantes cheias de livros e de diários que ela escrevia. Ela nos ensinou a ler, escrever e falar corretamente diversos idiomas. Liliana era uma pessoa extremamente culta, carinhosa, receptiva e gentil assim como sua mãe.

E Elena vocês perguntam. Bom, a filha de Lili cresceu teve filhos, envelheceu e faleceu. O estranho é que Elena era a cópia fiel de sua mãe.

Nick e eu não tivemos filhos ainda. Creio que eu não estou pronta para ter filhos e nem sei se um dia eu estarei, mas faço o que posso. O que não posso não faço.

Sempre rezamos. Sempre. Mantemos nossa fé independente do que os outros façam ou pensem.

Nossos princípios continuam os mesmos. Isso o tempo também não tirou de nós. Nossas crenças, nossos valores e nossa amizade. Isso prevalece e o resto que se dane.

Prometemos que estaríamos sempre unidos para o que der e vier e de minha parte pretendo manter os meus votos pela eternidade.