O CEO que Eu Paguei

132 Um Rosto Familiar


O carro seguiu pela alameda pavimentada de pedras claras e arborizadas. O portão de ferro trabalhado tinha se fechado atrás deles com um estalo grave, isolando a propriedade do resto do Rio como se fosse outro universo.

A cada metro, o lugar parecia se expandir ainda mais. Jardins impecáveis se alinhavam dos dois lados, com árvores antigas, retorcidas e nobres, sombras que pareciam guardiãs silenciosas. Esculturas em mármore surgiam em intervalos perfeitos, fontes lançavam filetes de água cristalina que reluziam sob o sol da tarde. O ar cheirava a terra molhada, flores raras e… dinheiro.

Helena colou o rosto na janela por um instante. Era quase sufocante imaginar o tamanho daquele espaço — não era uma casa, era um mundo particular. Um universo reservado para poucos.

Quando a mansão surgiu no fim da alameda, seus olhos se arregalaram. Era colossal, de fachada clara e colunas imponentes que lembravam palácios europeus. Vidros altos refletiam o céu azul e o sol, e duas escadarias curvas abraçavam a entrada principal como braços abertos para quem ousasse atravessar.

O carro parou. Dois empregados uniformizados estavam postados na porta, como se já aguardassem por eles. Um terceiro apareceu rápido para abrir a porta do veículo, e Helena sentiu o peso do olhar respeitoso sobre ela — como se, de repente, fosse parte daquele cenário que nunca havia sonhado pisar.

Jonas saiu primeiro, ajeitando a camiseta de um jeito displicente, sem cerimônia alguma. Estava em casa.

Ele lançou um olhar por cima do ombro para ela.

— Vem. — disse simples, quase como quem puxa alguém do canto da festa para o centro.

Helena engoliu em seco e saiu do carro. O mármore dos degraus brilhava sob seus pés, e por um instante ela se sentiu pequena e deslocada. Os empregados inclinaram levemente a cabeça em cumprimento, e isso a deixou ainda mais desconfortável — não estava acostumada a ser recebida assim.

Jonas notou, sorriu de canto e, antes de atravessar a imensa porta dupla de madeira entalhada, jogou por cima do ombro:

— Fica à vontade. — disse no tom leve, quase zombeteiro. — Considere como sua casa.

Ela deixou escapar um riso breve, nervoso, como se aquilo fosse possível. Mas seguiu atrás dele.

A porta se abriu com um ranger suave, e o interior da mansão a engoliu. O piso de mármore polido refletia o brilho dos lustres de cristal. Quadros imensos de figuras antigas brasileiras decoravam as paredes, e cada móvel parecia ter sido escolhido para ostentar história e poder.

O eco dos passos de Jonas soava firme, natural. O dela, hesitante, reverberava como o de alguém que não pertencia ali.

Ainda assim, havia algo magnético naquela entrada: a sensação de que Helena estava prestes a atravessar não apenas uma porta, mas uma fronteira invisível — uma que poderia mudar tudo.

Helena não precisou de muito para perceber: os olhares dos empregados, discretos mas insistentes, pousavam sobre ela com algo mais do que simples curiosidade. Havia uma pontada de desconforto, como se sua presença quebrasse a ordem natural daquele lugar.

Ela ajeitou a bolsa no ombro, tentando ignorar, mas sentiu o peso. Estava sendo julgada.

Jonas, percebeu. Estreitou os olhos, girando levemente o corpo em direção a eles.

— Mantenham os bons modos. — disse firme, o tom autoritário — Ela é minha convidada, a tratem como ela merece.

Os empregados desviaram os olhos imediatamente. Jonas suspirou, e se voltou para Helena com um sorriso breve, quase constrangido.

— Desculpa. Eles não costumam agir assim.

Um dos homens se adiantou, curvando a cabeça.

— Perdão, senhora.

Helena piscou, desconcertada, e murmurou um “tudo bem” que saiu mais baixo do que gostaria.

Jonas, então, assumiu o comando como se fosse natural:

— Preparem um banho para ela no aposento três da ala oeste. E providenciem tudo que for necessário.

Os empregados assentiram de imediato. Jonas se inclinou levemente para uma emprega e sussurrou algo no ouvido dela. A empregada corou e saiu apressada em direção ao corredor.

Helena respirou fundo, incomodada.

— Não precisa de tudo isso, Jonas. — disse firme. — Eu já disse que tô bem.

Ele sorriu de lado, irônico.

— Você diz que tá bem, mas quase desmaiou no meio da rua. — respondeu, a voz baixa, quase divertida. — Vai descansar um pouco no quarto depois do banho. Não é um pedido, Helena.

— Esse tom não funciona comigo Jonas.

O rapaz deu uma risada gostosa.

— Eu sei, mas fazer o que, faz parte do meu papel de amigo seu — Helena sorriu com a afirmação.

Jonas estendeu a mão.

— Me dá o celular.

Helena o olhou franzindo o nariz.

— Pra quê?

— Só me dá. — insistiu, com aquele tom de quem não aceitava “não”.

Com relutância, ela entregou. Jonas pegou o aparelho com naturalidade e ergueu as sobrancelhas.

— Desbloqueia.

Ela o fitou, incrédula.

— Você tá de sacanagem.

— Desbloqueia, por favor. — repetiu, firme.

Ela bufou, mas encostou o dedo na tela. Jonas sorriu satisfeito, digitou algo e devolveu.

— Pronto. — disse, a voz leve. — Agora você tem meu contato. Quando estiver descansada, me manda uma mensagem.

Helena ergueu o queixo, desconfiada.

— E pra quê, exatamente?

— Pra eu saber que você tá bem. — respondeu sem piscar. — O Heitor tá na empresa. E você pode usar esse tempo pra descansar… e repensar as suas atitudes.

Helena arregalou os olhos, quase rindo de nervoso.

— Para com isso, Jonas. Ou eu vou contar tudo pro Heitor. Vou dizer que você tá me perseguindo.

Por um segundo, Jonas pareceu engolir seco. O rosto dele se fechou por instantes, mas logo o sorriso reapareceu, ainda que mais contido.

— Talvez eu também não conte pra ele… sobre você e sua saidinha. — disse devagar, o olhar preso ao dela.

— Isso é uma troca? — ela arqueou a sobrancelha.

— Isso é … algo entre nós, cunhados.

— Gostei disso.

— Os aposentos já estão prontos. — anunciou a empregada, com um leve meneio de cabeça.

Jonas sorriu e fez um gesto largo com a mão.

— Levem-na até lá.

A funcionária assentiu e deu um passo à frente, convidando Helena a segui-la. Helena olhou para Jonas, surpresa com o ar de solenidade, e ele apenas levantou a mão num tchauzinho debochado, como se dissesse “relaxa, confia em mim”.

Atravessaram o corredor principal da mansão. Helena tinha a sensação de estar andando por dentro de um palácio. O piso de mármore branco refletia o brilho dos lustres de cristal que pendiam do teto abobadado, altos o bastante para fazer qualquer visitante se sentir pequeno. Quadros enormes de governadores e personalidades históricas do Rio de Janeiro revestiam as paredes, cada moldura dourada pesando como se fosse um pedaço de passado e poder pendurado ali.

As janelas iam do chão ao teto, revelando jardins internos com fontes ornamentadas e esculturas clássicas. O ar-condicionado central trazia um frescor agradável, contrastando com o calor sufocante da cidade do lado de fora.

Finalmente, chegaram à ala oeste. A porta de madeira maciça foi aberta, revelando um quarto luxuoso.

O ambiente era amplo, com cortinas de seda azul-marinho que caíam pesadas sobre os vidros, deixando a luz entrar apenas o suficiente para iluminar o espaço de forma elegante. Uma cama enorme, com lençóis brancos bordados e almofadas bem alinhadas, ocupava o centro. Havia um tapete persa de tons profundos que abafava o som dos passos, e, no canto, uma escrivaninha com detalhes em ouro velho.

A empregada fez uma reverência discreta:

— Sinta-se à vontade, senhorita. Qualquer coisa que precisar, basta apertar o botão na parede. Uma de nós virá imediatamente.

Helena agradeceu num tom contido, ainda atônita com tanta sofisticação. Quando a mulher saiu, fechando a porta com suavidade, ela respirou fundo, como se tivesse espaço para realmente perceber o lugar.

Sobre a escrivaninha, notou uma cartela de remédios ao lado de uma garrafa de vidro com água gelada e um copo de vidro. Na cama, algumas trocas de roupas estavam dispostas com cuidado — tecidos leves, finos, na medida para o calor carioca — e, entre elas, discretamente, pacotes de absorventes.

O coração de Helena disparou. Só então baixou os olhos para a própria calça creme. Uma mancha, pequena, mas nítida, denunciava sua situação. Um rubor quente tomou-lhe o rosto. As empregadas viram…

Ela suspirou, tentando se consolar. Ao menos tinham sido apenas elas. E, pelo jeito, cuidaram de tudo antes mesmo que ela pedisse.

Engolindo a vergonha, tomou o comprimido para cólica — não estava forte como o habitual, porém talvez fosse o motivo de seu mal-estar, deixou que a água fria acalmasse a garganta e seguiu para o banheiro. O espaço parecia uma suíte de filme: azulejos de mármore bege, toalhas felpudas bordadas com o brasão da família Medeiros, sabonetes artesanais perfumados com essência de lavanda.

Helena deixou a água quente cair sobre si, lavando não apenas o corpo, mas o peso daquela confusão toda. Vestiu-se com uma das roupas deixadas para ela — um vestido leve, elegante e confortável. Ao voltar para o quarto, encontrou uma bandeja prateada sobre a mesa de canto: frutas cortadas em cubos perfeitos, uvas, melão e morangos dispostos como uma pintura; ao lado, um copo de cristal e uma jarra de suco fresco.

Ela se aproximou devagar, sentando-se na poltrona estofada próxima à janela. Pegou uma fatia de melão e mordeu, deixando o sabor doce acalmar a mente. Pela primeira vez naquele dia turbulento, Helena se permitiu um instante de silêncio, cercada pelo luxo de uma casa que não era dela, mas que, curiosamente, a tratava como se fosse.

Terminou o pedaço de melão e enxugou os dedos com a toalhinha de linho deixada sobre a bandeja. Caminhou até a janela e, quando afastou a cortina pesada, prendeu a respiração.

O jardim parecia infinito. Caminhos de pedra clara formavam desenhos simétricos, margeados por fileiras de roseiras impecáveis. Fontes de mármore lançavam água em arcos perfeitos, refletindo o sol como se fossem joias líquidas. Mais adiante, pequenos lagos abrigavam cisnes brancos, e os gramados se estendiam como um tapete verde-escuro que não deixava espaço para imperfeições.

Era difícil acreditar que ainda estava no Rio. Aquilo não parecia uma casa, parecia um palácio — como se tivesse atravessado para dentro de um filme de princesa.

Respirou fundo e soltou devagar, como quem tenta se convencer de que ainda estava acordada. Abriu a porta do quarto. O corredor amplo, silencioso, com tapetes persas e arandelas douradas, a convidava a explorar.

“Não preciso descansar”, pensou. “Vou encontrar o Jonas e depois volto pro Heitor”.

Mas o corpo não colaborou.

Primeiro foi uma pontada leve de cólica, depois uma tontura súbita. Helena levou a mão à testa, apoiando-se na moldura da porta. O coração acelerou.

Tentou dar um passo para fora, mas as pernas vacilaram. Voltou rapidamente e deixou-se cair sobre a cama. A porta estava entreaberta, mas ela não tinha forças para voltar e fecha-lá.

O colchão a recebeu com tanta maciez que parecia engoli-la. Os lençóis de algodão egípcio exalavam um perfume discreto, limpo, quase doce. Helena fechou os olhos por instinto, sentindo o mundo girar.

“Só um pouco… só vou deitar um pouco.”

O silêncio do quarto a envolveu, e, mesmo contra sua vontade, seu corpo começou a ceder e ela adormeceu.

Já era noite, Jonas estava largado no sofá da sala principal, um dos pés jogados displicentemente sobre o braço de couro caramelo. O celular vibrava sem parar, e ele ria sozinho das mensagens, alternando piscadelas rápidas e respostas que só aumentavam o brilho malandro em seus olhos.

O som dos saltos ecoou pelo hall amplo, firme mas sem pressa. Lorena surgiu pelo corredor, com sua presença que nunca precisava ser imposta — era naturalmente respeitada. Vestia um simples, porém elegante, vestido bege que caía com leveza sobre o corpo, os cabelos castanhos impecavelmente penteados. A luz dourada das arandelas ressaltava os traços que Jonas herdara dela: os olhos expressivos, o cabelo castanho claro que se rebelavam em ondas. Ainda assim, o rosto do rapaz lembrava muito o do pai.

— Jonas. — disse ela, abrindo um sorriso caloroso. Aproximou-se e se inclinou para beijá-lo na testa, um gesto quase sempre recorrente. Ele aceitou, ainda com o celular na mão. — Como foi o seu dia, meu filho?

— Ótimo. — respondeu no automático, os olhos fixos na tela, o tom leve, divertido, típico dele.

Lorena entregou a bolsa para uma empregada, enquanto observava o filho com aquele misto de carinho e preocupação que só mães conseguem ter.

— Fiquei sabendo que temos visitas. Uma moça.

Jonas enfim bloqueou o celular e deixou-o escorregar até o colo, relaxando ainda mais no sofá.

— Tá tudo bem, mãe. É a namorada do Heitor.

Lorena piscou os olhos uma vez, surpresa. A expressão mudou, um arco de atenção atravessando-lhe o rosto.

— Heitor está aqui também?

Jonas riu curto, balançando a cabeça.

— Não. Ela tava passando mal, sozinha. Eu resolvi trazer pra cá.

O semblante de Lorena se fechou de leve. A preocupação surgiu em sua voz baixa, carregada de ternura.

— Jonas, isso pode ser perigoso. Você devia ter me avisado antes. Se ela não está bem, era para ter chamado o médico da família.

Ele deu de ombros, sorrindo do jeito moleque, mas havia uma fagulha de seriedade escondida no olhar.

— Relaxa, mãe. Tá tudo sob controle.

Lorena suspirou, mas não insistiu. Apenas ergueu a mão e afagou os cabelos do filho, como fazia desde quando ele ainda era pequeno. O gesto foi acompanhado de um sorriso doce, carregado de amor genuíno.

— Eu vou ver como ela está. É a namorada do Heitor… quero que ela se sinta em casa.

Jonas levantou uma sobrancelha, devolvendo o celular para as mãos e girando-o entre os dedos com um sorriso enviesado, quase debochado.

— Tudo bem, mãe. Conto com a senhora para salvar o dia, como sempre. — a expressão malandra dele se desfez surgindo uma expressão curiosa percorrendo o rosto da mãe.

— Que cara é essa garoto? — ela perguntou divertida.

Havia algo intrigante nela hoje, algo que ele não sabia explicar. Ele examinou mais um pouco e chegou a conclusão que sua mãe está a cada dia mais linda. Ele não esperava menos, já que ela é a mãe dele.

— Não é nada mãe. — ele voltou a sorrir e mandou um beijo para ela — Vai lá salvar a moça! Minha heroína.

Lorena apenas balançou a cabeça, rindo de leve do jeito do filho, e seguiu pelo corredor. Seus saltos ecoaram até desaparecer, deixando Jonas outra vez imerso em sua própria bolha de notificações.

Enquanto seguia para a ala oeste, pensava no que Jonas havia dito, que a moça era a namorada de Heitor — e isso por si só já bastava para despertar sua curiosidade.

Ela conhecia Heitor desde menino, desde os dez anos, quando corria pela casa dos Monteiro com o mesmo olhar obstinado que carregava até hoje. Viu aquele garoto se transformar em homem, e agora queria entender quem era a mulher que havia conquistado seu coração.

Um sorriso pequeno surgiu nos lábios dela. Celina, sua melhor amiga, expressava preocupação nos últimos anos sobre o filho estar solteiro, ela sempre fora muito exigente com as escolhas amorosas do filho e talvez por isso fosse raras as vezes que ele apresentou alguma namorada… Lorena nutria por Heitor um carinho especial, como se fosse também seu próprio menino. “Será que essa jovem era forte o suficiente para andar ao lado dele? Para aguentar as exigências de Celina?”

Ainda havia outra preocupação: Jonas era relaxado demais. Se a moça não estava bem, ele deveria ter chamado o médico da família, não apenas acomodado a garota de qualquer jeito e sem assistência. Lorena esperava que estivesse tudo bem com ela, iria se desculpar pelo comportamento do filho.

Ela parou diante da porta semiaberta, respirou fundo e ajeitou discretamente os cabelos, como quem se prepara para um encontro importante. Então bateu de leve, mas a porta já cedia.

— Licença… — murmurou, entrando devagar.

Seus olhos pousaram na cena: sobre a cama, deitada contra os lençóis claros, estava a moça. Parecia estar dormindo.

Lorena parou por um instante, observando. O coração acelerou em silêncio. “Então é ela… a mulher de Heitor”.

A curiosidade a puxava para mais perto, não como primeira-dama, nem como esposa do governador, mas como amiga da mãe e como alguém que queria, de verdade, conhecer a mulher que agora fazia parte da vida de um rapaz que ela sempre quis proteger.

Lorena entrou no quarto com passos contidos, encostando a porta atrás de si num gesto delicado. Seus olhos logo se voltaram para a moça deitada na cama, rendida ao descanso. A respiração suave de Helena preenchia o silêncio, e a cena despertou em Lorena um impulso instintivo: o de cuidar.

Jonas podia ser descuidado, mas ela não era. Se a namorada de Heitor estava em sua casa, queria que se sentisse acolhida — como faria com qualquer pessoa que amasse. Afinal, Heitor era quase um filho para ela, crescera diante de seus olhos desde a infância, e só o fato de alguém ter conquistado o coração dele já bastava para despertar nela ternura.

Aproximou-se com calma, e um pequeno sorriso brincou nos lábios.

“Então é isso… Heitor foi conquistado por uma mulata.”

Deixou escapar uma risadinha curta, um comentário íntimo, sem malícia. Parou ao lado da cama e se inclinou com a naturalidade de quem sabe cuidar. Tocou suavemente a testa da moça, como faria uma mãe. A pele era quente, mas não febril. Macia. Jovem. Lorena franziu levemente o cenho, admirada com a delicadeza.

Os dedos deslizaram sem pensar, afastando com carinho os cabelos castanho-escuros que caíam em desalinho. As mechas rebeldes revelaram melhor o rosto de Helena.

E então… Lorena congelou.

A expressão leve se desfez, os olhos castanhos se estreitaram. Havia algo ali — algo que atravessava o véu da curiosidade. Ela ficou parada, estudando cada linha do rosto. Os traços não eram estranhos, pelo contrário… eram familiares, íntimos, como se estivesse voltando no tempo.

Foi só então que percebeu por que demorara tanto a notar. Os cabelos castanhos escuros em um formato rebelde, a pele mulata… detalhes que distorciam a semelhança. Mas agora, com o rosto limpo e próximo, a familiaridade se impôs como uma revelação silenciosa.

Lorena recuou a mão lentamente, os dedos ainda tingidos da lembrança da pele da moça. O coração acelerava, contradizendo a postura elegante.

Aquele não era apenas o rosto da namorada de Heitor.

Era um rosto que ela conhecia.

Um rosto que, de algum modo, era parte dela.