O CEO que Eu Paguei
234 Sem Volta
— Agora foi.
Ana Alice soltou a frase quase num sussurro, mas o coração martelava forte demais dentro do peito para parecer calma. As mãos ainda vibravam daquela adrenalina nervosa, daquela sensação ruim de estar atravessando um ponto sem volta.
A fotógrafa, ajoelhada perto da mala aberta sobre a cama, soltou um riso curto enquanto separava câmera, lente e flash.
— Eu falei. Tiro e queda.
Na poltrona, Heitor permanecia imóvel.
Mesmo desacordado, parecia ocupar espaço demais para aquele quarto corporativo apertado e impessoal, daqueles feitos para executivos cansados passarem uma noite antes de uma reunião. Ombros largos, pernas longas e presença demais.
Até apagado ele parecia difícil de ignorar.
Aquilo irritou Ana Alice.
Respirou fundo e caminhou até ele.
Agora não tinha volta.
Agachou devagar diante da poltrona e segurou o rosto dele entre as mãos, sentindo o peso relaxado da cabeça inclinar minimamente. A barba curta raspou de leve seus dedos. A pele estava quente.
Quente demais.
Por um instante, aproximou o rosto do pescoço dele quase sem pensar, como se precisasse entender alguma coisa. Encostou o nariz na pele e puxou o ar.
Cheiro limpo. Masculino. Um perfume discreto misturado à própria pele.
Bom.
Mas…
Estranhamente comum.
Nada daquela química absurda que ela imaginava.
Nada daquilo que justificasse Helena Ribeiro Campos agir como se tivesse encontrado o último homem da Terra.
E, para sua própria irritação, outro pensamento surgiu.
Isaac.
O cheiro dele que ela adorava depois do banho. O abraço fácil. O jeito doce, paciente, quase irritantemente gentil.
Ana Alice fechou os olhos um segundo.
“Droga”.
Não era hora de pensar em Isaac.
Desde a ligação do Gaspar, tudo tinha mudado.
Ela ainda lembrava da risada do outro lado da linha.
“Monteiro pediu pra eu ficar de olho em você.”
Aquilo tinha queimado por dentro.
Então era isso?
Heitor Monteiro não estava atrás dela porque a desejava.
Era vingança.
Pela Helena.
Pela confusão.
Pela humilhação.
E ela? Tinha perdido tudo.
Emprego.
Cidade.
Dinheiro.
O namorado.
A própria vida parecia escorrer pelos dedos.
Se ninguém fosse protegê-la, ela teria que fazer isso sozinha.
— Me ajuda a levar ele pra cama.
A fotógrafa largou o equipamento e veio.
Tentaram levantar Heitor uma vez.
Depois outra.
Nada.
O peso do corpo parecia impossível de mover.
Ana Alice puxava pelo braço enquanto a outra tentava empurrar.
Ele mal saía do lugar.
— Meu Deus, esse homem pesa uma tonelada — a fotógrafa resmungou, já ofegante.
Ana Alice passou a mão no cabelo, irritada.
— Vai ter que ser aqui mesmo.
A fotógrafa voltou para a mala.
— Dá pra improvisar.
Enquanto ela montava a câmera, Ana Alice se inclinou outra vez sobre Heitor e abriu dois botões da camisa social. O tecido deslizou, revelando parte do peito ainda firme sob a respiração pesada.
Pesada demais.
Franziu a testa.
Aquilo não parecia exatamente normal.
Ele estava suando frio.
A testa levemente franzida.
A pele parecia estranhamente pálida sob a luz branca do quarto.
Ele não lembrava um homem bêbado dormindo.
Parecia alguém passando mal.
A fotógrafa percebeu também.
— Você tem certeza disso aqui?
Ana Alice evitou olhar.
— Tenho.
A fotógrafa cruzou os braços, desconfortável.
— Porque ele não tá com cara de bêbado. Tá com cara de homem zoado.
Ana Alice engoliu seco.
O estômago apertou de leve.
— Vamos acabar logo com isso.
Subiu cuidadosamente no colo dele, ajeitando a posição do corpo, tentando criar alguma imagem íntima, sugestiva.
A fotógrafa suspirou e ergueu a câmera.
O flash piscou.
Uma.
Duas.
Na terceira, tudo saiu do controle.
A mão de Heitor se moveu abruptamente.
Forte.
Instintiva.
Empurrando Ana Alice para o lado sem nem abrir os olhos.
Ela perdeu o equilíbrio e caiu torta no carpete.
— Caralho!
A fotógrafa abaixou a câmera na mesma hora.
Heitor franziu ainda mais a testa.
O maxilar tensionou.
A voz saiu rouca, baixa, quase perdida entre respiração pesada.
— Helena…
Silêncio.
Ele engoliu seco.
Mexeu minimamente os ombros, como se lutasse contra algo invisível.
— Humberto…
A respiração falhou um pouco.
— Eu levanto… dorme mais…
Aquilo acertou Ana Alice num lugar que ela odiou reconhecer.
Mesmo assim.
Mesmo apagado.
Mesmo mal.
Ainda era Helena.
Ainda era o filho.
A fotógrafa soltou um palavrão baixo.
— Ana… eu tô falando sério. Isso tá muito estranho.
Ela apontou discretamente.
— Olha ele.
E agora, olhando de verdade, Ana Alice viu.
O suor frio.
A respiração irregular.
A palidez.
A tensão no rosto.
O corpo pesado demais.
Errado demais.
A fotógrafa começou a guardar equipamento rápido.
— Não tô gostando disso.
— Você conseguiu as fotos ou não?
— Consegui umas. Mas sinceramente? Tá parecendo homem passando mal, não escândalo.
Fechou a mala depressa.
— Se esse cara morrer aqui, a gente tá ferrada.
A frase fez o estômago de Ana Alice afundar.
Morrer?
Não.
Claro que não.
A mulher estava exagerando.
Heitor se mexeu de novo.
Mais forte dessa vez.
A respiração mudou.
Os ombros tensionaram.
E, abruptamente, ele tentou se sentar direito na poltrona.
A fotógrafa arregalou os olhos.
— Puta merda.
Heitor levou a mão pesadamente ao rosto.
Confuso.
A cabeça latejava como se alguém estivesse batendo por dentro.
Ana Alice sentiu o sangue gelar.
Porque ela esperava horas. Não vinte minutos.
Heitor abriu os olhos assustado, puxando o ar com força, como se tivesse acabado de emergir debaixo d’água. O coração batia rápido, pesado no peito, um ritmo estranho que o deixava inquieto sem entender por quê. A visão demorou alguns segundos para parar de nadar; tudo parecia desfocado, lento, como se ele tivesse dormido mal por dias.
Piscou algumas vezes, sentiu a própria pele quente, úmida de suor em seus dedos. O corpo inteiro parecia pesado. Braços, pernas e pescoço. Até respirar exigia esforço.
A lembrança veio embaralhada. Helena. O bilhete.O energético. O remédio para gripe.
“Porra. Misturar energético com remédio… que ideia idiota.”
A cabeça latejou. Passou a mão pelos cabelos, tentando organizar os pensamentos, quando finalmente percebeu quem estava na frente dele.
Ana Alice.
O cenho fechou automaticamente.
Ela parecia nervosa. E vestida de um jeito que imediatamente fez uma náusea amarga subir pela garganta dele. Virou o rosto instintivamente, quase querendo escapar da cena, quando percebeu outra mulher perto da cama, fechando uma mala às pressas.
Alguma coisa nela parecia familiar.
De onde eu conheço essa mulher?
Franziu a testa.
Ficou alguns segundos tentando encaixar as peças, mas a cabeça parecia funcionar em câmera lenta.
Fechou os olhos por um instante e massageou a têmpora com movimentos lentos.
Nada fazia sentido.
Nada.
— Ana Alice… — a voz saiu rouca, pesada — cadê a Helena?
Ana Alice engoliu seco.
— Ela não tá aqui.
O estômago dele afundou.
Tentou se ajeitar melhor na poltrona, puxando o ar devagar enquanto o quarto ameaçava girar de novo.
A mulher da mala hesitou antes de falar. Claramente nervosa.
— Olha… antes de qualquer coisa, eu não quero confusão, beleza? — disse ela rápido — Ela me contou que você tava enrolando ela. Que prometeu um monte de coisa, depois largou ela por outra mulher…
Heitor virou o rosto devagar na direção da mulher.
Confuso primeiro e depois irritado e por fim ficou genuinamente revoltado.
— O quê? — A voz baixa, perigosa.
Ana Alice abaixou os olhos imediatamente.
A fotógrafa respirou fundo, insegura agora.
— Ela disse que você tava atrás dela fazia tempo… que usou ela, prometeu ajudar, prometeu dinheiro… depois sumiu. Ela tá ferrada por sua causa.
Heitor olhou para Ana Alice como quem encara alguém completamente fora da realidade.
O coração bateu ainda mais forte.
Mas agora tinha raiva misturada.
— Você contou isso? — perguntou entre os dentes.
Ana Alice começou a chorar.
— Eu…
A fotógrafa largou a mala no chão e segurou a mão dela, como se precisasse sustentá-la.
— Você é só mais um rico escroto abusando de mulher que depende do emprego — disparou, a coragem surgindo junto do nervosismo. — Não adianta intimidar ela.
Ele soltou uma risada curta, incrédula.
Sem humor nenhum.
— Você tá de sacanagem comigo.
Tentou levar a mão ao bolso.
Nada.
Outro bolso.
Nada.
O celular. A Helena.
— Meu celular. — a irritação cresceu instantaneamente — Cadê meu celular?
Ana Alice hesitou.
A fotógrafa pareceu recuar um passo.
Aquilo bastou.
Com esforço, Heitor apoiou a mão na poltrona e tentou levantar. As pernas falharam, mas ele conseguiu ficar parcialmente de pé.
— MEU CELULAR! — gritou.
As duas se assustaram.
O esforço cobrou na hora.
Uma tontura brutal atravessou sua cabeça e as pernas cederam. Heitor caiu torto contra a lateral da poltrona.
— CARALHO…
Passou a mão no rosto, respirando pesado, tentando segurar a própria irritação e a sensação absurda de estar funcionando errado.
A fotógrafa assustada olhou rapidamente para Ana Alice.
Depois puxou o próprio celular.
— Esse filho da puta rico não vai sair impune. — apontou a câmera para Heitor. — Você gosta de pagar de pai de família pras câmeras e comer funcionária escondido? Então vamos mostrar quem você realmente é.
Heitor desviou o rosto e levantou uma mão colocando na frente, tentando proteger a sua identidade.
Antes que pudesse dizer qualquer coisa, Ana Alice avançou e abaixou o celular da mulher.
— Chega, Flavinha. — disse Ana Alice tensa. — Vai embora. Ele não vai me machucar.
— Mas—
Heitor soltou um riso curto, desacreditado, ainda arfando.
— Eu odeio essa mulher. — a frase saiu rouca. Sincera num nível quase ofensivo. — nunca encostei nela nem se minha vida dependesse disso.
A fotógrafa piscou, estava confusa e perdida.
Heitor passou a mão no rosto outra vez, respirando fundo.
A cabeça latejava. O coração parecia bater errado. Mas alguma coisa dentro dele começava a juntar peças.
Olhou direto para a mulher.
— Então, “Flavinha”… — a mandíbula travou. — Você talvez queira pensar muito bem no motivo de eu ter acordado num quarto com vocês duas. A polícia vai querer saber de todos os detalhes.
Ela engoliu seco.
— Foda-se a grana.
Pegou a bolsa rápido.
— Eu não vou responder por uma merda dessas.
Virou e saiu quase correndo, deixando a mala para trás.
O silêncio pesou no quarto. Quase sufocante.
Heitor respirava rápido demais agora.
O peito apertava de um jeito estranho, desconfortável, enquanto a cabeça parecia lenta, atrasada alguns segundos do próprio raciocínio. O corpo inteiro funcionava errado.
Ergueu os olhos devagar para Ana Alice.
A mandíbula travou.
— O que você fez? — perguntou baixo, rouco, cheio de raiva.
Tentou levantar outra vez.
Deu alguns passos, mas as pernas falharam antes mesmo do corpo obedecer e ele perdeu equilíbrio, caindo torto no chão. O ombro bateu com força.
— PORRA!
A dor atravessou o corpo inteiro. Por alguns segundos, ficou imóvel, respirando pesado, tentando juntar os próprios pensamentos antes que a irritação explodisse junto da náusea e da tontura.
Precisava sair dali.
Precisava ir embora.
Mas Helena…
A Helena não podia encontrar ele daquele jeito.
Não naquele estado.
Não num quarto de hotel.
Não sozinho com Ana Alice.
A cabeça dela iria longe demais.
E, pior, ela ia sofrer.
Quando ergueu os olhos outra vez, viu Ana Alice se aproximando cautelosamente.
O celular dele estava na mão dela.
Aquilo acendeu outra irritação instantânea.
Se apoiou no chão e conseguiu se sentar, respirando fundo antes de estender a mão.
— Me dá.
Ela hesitou por uma fração de segundo.
Depois entregou.
O celular estava desligado.
Merda.
Uma irritação quase violenta atravessou seu peito.
Apertou o botão para ligar enquanto tentava controlar a própria respiração.
O coração ainda batia rápido demais.
— Heitor… por favor…
Ana Alice deu um passo.
Depois outro.
— Sai de perto de mim.
Ela parou, mas continuou olhando.
— Me deixa te levar pro hospital…
A explosão veio antes que ele conseguisse segurar.
— SAI DE PERTO DE MIM!
A voz cortou o quarto.
Ana Alice se assustou.
As lágrimas vieram na mesma hora.
Heitor fechou os olhos um instante, respirando fundo, apoiando a mão na poltrona enquanto forçava o corpo a levantar.
As pernas ainda tremiam.
A cabeça girou.
Mas conseguiu ficar de pé.
Parcialmente.
Instável.
Apoiando peso demais no braço.
Virou o rosto lentamente para ela.
— O que aconteceu comigo? — a voz saiu mais baixa dessa vez. Mais perigosa. — E não mente pra mim.
Ana Alice engoliu seco.
— Aquela mulher…
— Sem mentira.
A frase veio firme.
Ele finalmente conseguiu se endireitar minimamente.
O olhar pesado nela.
— Sem teatro. Sem historinha.
Ela começou a chorar de novo.
— Você tirou meu emprego!
Heitor soltou uma risada curta e cruel.
— Não.
Puxou o ar devagar.
Tentando ignorar o próprio corpo falhando.
— Você destruiu todas as oportunidades que teve.
Passou a mão no rosto, cansado, irritado, confuso e profundamente puto.
— E sabe de uma coisa?
Fez um gesto pequeno com a mão, impaciente.
Como se já estivesse cansado da conversa.
— Nem importa.
Olhou rapidamente para o celular ainda reiniciando.
Helena.
Voltou os olhos para Ana Alice.
— Meu único interesse agora é entender o que você fez comigo.
A mandíbula travou.
— E te ver presa.
O rosto dela desmoronou.
Ana Alice passou as mãos no rosto rapidamente, desesperada, respirando entrecortado.
Foi quando uma batida seca soou na porta.
Uma vez.
Depois outra.
O silêncio do quarto mudou imediatamente.
Enquanto isso, Helena praticamente saiu do carro antes mesmo de ele parar completamente. O coração batia tão forte que parecia que iria sair do peito.
No colo, Humberto resmungava, virando o rostinho e procurando o peito com a boquinha, inquieto daquele jeito típico de quem estava cansado, com fome e sentindo a tensão da mãe sem entender o motivo.
Mas Helena mal conseguia olhar para ele.
A cabeça estava inteira em Heitor.
As mensagens estranhas.
A ligação atendida sem resposta.
A respiração do outro lado.
O silêncio.
E então…
O celular em caixa postal.
Aquilo não parecia Heitor.
Nada daquilo era algo do Heitor.
Ela tinha ligado para a polícia ainda no carro. Na verdade, mal conseguia explicar direito o que estava acontecendo. A voz tremia, as palavras saíam emboladas, e em algum momento Oséias assumiu a ligação com a calma prática de quem sabia lidar com emergência.
Porque Helena tinha começado a chorar.
Desesperada.
Jonas tentou acalmá-la de todas as formas possíveis.
E foi só quando Humberto começou a chorar junto — aquele choro aflito, assustado — que ela precisou respirar fundo e se recompor minimamente para acalmar o filho.
Mesmo agora, parado no colo, ele esfregava o rostinho pequeno contra ela, inquieto.
O peito de Helena doía.
Doía porque a sensação ruim parecia crescer desde cedo.
Naquela manhã, antes de sair de casa, ela tinha pedido ao Jonas para pegar a bolsa branca do Humberto.
E ele, genialmente, pegou a errada.
Segundo Jonas:
“ Você disse branca. Essa é a branca, a outra era off-white. Não é a mesma coisa.”
Ela só percebeu o engano quando chegou ao prédio da campanha.
O celular tinha ficado na outra bolsa.
Na hora, pensou em mandar Carlos voltar e buscar.
Mas Jonas, todo cheio da própria razão, riu e falou:
“— Você e o Monteiro são grudados demais. Deixa o homem respirar, Helena. Ele tá trabalhando, você tá na campanha… vive um dia sem falar com ele.”
Ela ainda tentou argumentar.
Tentou.
Mas acabou cedendo.
Pediu para Jonas mandar uma mensagem avisando Heitor.
Agora, olhando para trás…
Tinha quase certeza de que ele não mandou porcaria nenhuma.
E Jonas ainda passou a manhã inteira eufórico porque ela finalmente conheceria a namoradinha dele.
Fiou quase infantil de tão animado.
E, quando a mulher não conseguiu ir trabalhar naquele dia, ele tinha ficado num drama silencioso, andando pelos cantos daquele jeito cabisbaixo e ofendido.
Só que agora nada daquilo parecia engraçado.
Nada.
O estômago embrulhou quando viu uma viatura parada perto do hotel.
— Helena, calma.
Jonas apareceu rápido, quase correndo, entrando na frente dela com os braços abertos.
Pela primeira vez naquela noite, ele parecia realmente assustado.
— Se tiver alguma coisa errada, você não pode subir assim. Você tá com um bebê.
Oséias parou ao lado dela.
A mão pousou de leve no ombro dela.
— Dona Helena, deixa eu ir primeiro. — a voz saiu tranquila e profissional.
— Eu verifico o que tá acontecendo. A senhora espera aqui.
Helena virou na direção dele imediatamente.
Os olhos já cheios outra vez.
— Esperar?
A voz falhou.
— Como é que eu vou esperar enquanto o Heitor pode estar em perigo?
— E a senhora também não pode entrar em perigo — respondeu Oséias sem alterar o tom. — Meu trabalho é justamente evitar isso.
Jonas se aproximou de novo, mais cuidadoso agora.
— Lelê…
A voz saiu mais baixa.
Apontou minimamente para Humberto.
— Pensa no Humberto.
O bebê fazia um biquinho pequeno, esfregando os bracinhos no rosto, claramente confuso e assustado.
Jonas suspirou.
— Ele tá sentindo tudo isso.
Aquilo quebrou alguma coisa dentro dela.
Helena olhou para o filho e o apertou mais perto do peito.
Queria correr.
Queria subir.
Queria encontrar Heitor naquele segundo.
Mas Humberto precisa dela.
Os olhos encheram de lágrimas.
Ela respirou fundo, tentando segurar o choro.
Depois olhou diretamente para Oséias.
A voz saiu pequena, frágil, mas firme.
— Então vai.
Engoliu seco.
— Traz o Heitor pra mim.
Oséias segurou o olhar dela por um instante.
Então assentiu.
Um sorriso pequeno, tranquilo.
Daqueles de quem estava acostumado a resolver problema.
— Pode deixar comigo.
E virou para entrar no hotel.
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