O barulho do chuveiro se misturava à voz grave de Heitor, que parecia estar no palco de um show particular, repetindo em loop a mesma música:

— “Ahh ah ahhh, pensa nos fio bonito que a gente vai dar... Eu vou soltar foguete se sair seu clone... cê entra com a beleza e eu com o sobrenome...”

Helena, deitada no sofá, apertou os olhos, rindo sozinha e balançando a cabeça.

— Meu Deus… que vexame. — murmurou, embora o sorriso não desgrudasse dos lábios.

Passou as mãos devagar pela barriga ainda lisa, a sensação nova deixando suas bochechas coradas. Tomou coragem, era a primeira vez que falaria com o bebê.

— Olha só, bebê… seu pai é um bobão. — suspirou, os olhos teimando em ficar marejados. — Pelo visto, eu não vou ter que aturar ele mais sozinha. Agora somos nós dois.

Fez uma pausa, como se buscasse forças dentro de si. Acariciou com mais firmeza a própria pele e deixou a voz sair, suave mas convicta:

— Eu vou cuidar bem de você, só tenha um pouquinho de paciência comigo. Eu ainda vou aprender a ser sua mãe… mas pode ter certeza, vou ser a melhor mãe que você poderia ter.

Enquanto falava, os olhos dela brilhavam entre o medo e a doçura. O coração parecia bater em outro ritmo, acompanhando a lembrança daquele tum-tum-tum do ultrassom.

O celular iluminou a tela na mesinha ao lado. Helena piscou, surpresa. Tinha deixado no silencioso durante a surpresa de Heitor e não checou desde então. Se sentou devagar, respirando fundo antes de pegar o aparelho.

A tela acendeu, revelando várias notificações de um mesmo contato no Instagram.

Isaac.

Eram vários reels que ele havia enviado no Instagram, um atrás do outro. Helena arregalou os olhos e apertou os lábios, ela ainda nem tinha visto todos que ele mandou no dia anterior.

Ela percebeu outra notificação do WhatsApp. O nome que apareceu fez seu peito apertar: Lorena Medeiros. Hesitou um instante antes de abrir.

As mensagens estavam lá, alinhadas em verde:


Lorena Medeiros:

Boa tarde, Helena! Mil perdões pela demora na resposta, fiquei tão emocionada lendo suas mensagens! Sempre que precisar pode contar comigo, tá bem? Os meninos gostam muito de você e Heitor só teceu elogios hoje.


Lorena Medeiros:

Eu adorei a sua foto de perfil! Você é uma mulher tão linda, Heitor tem que se cuidar 🤭


Lorena Medeiros:

Desculpa, é que sou cercada de rapazes… fiquei feliz em saber que finalmente teria uma mocinha na família.


Logo abaixo: Mensagem apagada. Mensagem apagada. Mensagem apagada.


Rolou a conversa de cima a baixo. As mensagens apagadas chamaram sua atenção mais do que as que estavam ali. Três espaços em branco, três frases que Lorena decidiu esconder. Por quê? Seu coração deu um aperto. Devia deixar quieto, não responder mais. Mas algo dentro dela — talvez empatia, talvez simples curiosidade — a fez suspirar e abrir o teclado.

Olhou para Mel, que dormia tranquila no tapete com o jacarezinho de pelúcia entre as patas. Passou a mão pela barriga, instintivamente, como se pedisse conselho ao bebê.

Que tipo de mãe eu quero ser? Uma que ignora? Ou uma que estende a mão, mesmo que a pessoa pareça estranha?

Com um suspiro decidido, digitou:


Helena:

Oii!

Desculpa a demora. Sai com o Heitor de tarde, então nem mexi no telefone.


Nem teve tempo de largar o celular, a resposta já chegou.


Lorena Medeiros:

Sem problemas! Você tem que aproveitar a sua vida.


Logo em seguida, mais uma notificação.


Lorena Medeiros:

Como seus amigos te chamam?


Helena franziu a testa, confusa. Os dedos pairaram sobre a tela. Digitou devagar, com um emoji no meio, tentando deixar leve:


Helena:

😅

Como assim?

kkkkk


A notificação voltou quase instantânea:


Lorena Medeiros:

😳

kkkkkk


Lorena Medeiros:

Desculpe, estou nervosa. 🙈


Helena arqueou as sobrancelhas, mordendo o canto do lábio. Nervosa? Com ela?


Helena:

🤨

Pq? kkkkk


A bolinha digitando piscou.


Lorena Medeiros:

🙈

É que quero que goste de mim.


Helena piscou várias vezes, surpresa. Estava começando a achar aquilo um pouco demais. Ainda assim, os dedos dela correram pelo teclado, tentando aliviar a situação.


Helena:

🤔

Pq eu não gostaria? kkkkkk


Lorena Medeiros:

Não sei kkkkk

Só um sentimento.


Helena deixou o celular cair um pouco no colo, olhando para o teto.

— Ela é bem carente, hein? — murmurou sozinha, enquanto a voz de Heitor, lá do banheiro, ainda ecoava cantando a mesma música em loop.

Com paciência, voltou a digitar:


Helena:

Não tem pq eu não gostar.

É a mãe dos amigos do Heitor.

Além de ser considerada como parte da família.


A resposta foi quase imediata, carregada de emojis:


Lorena Medeiros:

🥹🥹

Você me considera?


Helena mordeu o lábio inferior, hesitante. Escreveu, apagou, reescreveu. Queria ser gentil, mas aquilo começava a pesar.


Helena:

Bom… o Heitor considera todos vcs.


Pausa. A notificação voltou.


Lorena Medeiros:

Me fala mais de você.


Helena arregalou os olhos.

— Uma entrevista agora? — resmungou baixinho, digitando em seguida:


Helena:

É tipo uma entrevista? kkkk

Bom, meu nome é Helena, tenho 29 anos, nasci em uma cidade no interior de MG, tenho um ótimo emprego e um excelente namorado.


Dessa vez, Lorena respondeu com palminhas:


Lorena Medeiros:

👏👏👏


Lorena Medeiros:

Você é formada?


Helena respirou fundo, se endireitou no sofá, e escreveu mais devagar, como quem não queria se estender muito:


Helena:

Sou, tenho pós também.

Agora que consegui um novo emprego, quero fazer inglês.


Assim que enviou, largou o celular de lado, passando novamente a mão pela barriga.

— Ai, bebê… espero que essa mulher só queira ser simpática mesmo. — murmurou, com um meio sorriso, tentando afastar a estranheza que começava a crescer dentro dela.

A tela do celular brilhou de novo.


Lorena Medeiros:

Você parece mesmo ser uma menina bem inteligente.

Fico muito orgulhosa!

De verdade.


Helena respirou fundo, os olhos cansados. Arrastou a notificação para o lado sem nem abrir. Não estou com humor pra isso agora.

Mal deu tempo de apoiar o telefone no braço do sofá, outra mensagem surgiu.


Lorena Medeiros:

Eu posso treinar inglês com você. O que acha??


Helena deixou escapar um riso curto e irônico.

— Essa mulher é muito estranha — murmurou, sacudindo a cabeça. Com um gesto rápido, jogou a notificação pro lado e abriu os reels de Isaac, preferindo distrair a mente.

Mas a paz durou segundos. O celular vibrou novamente.


Lorena Medeiros:

????


Revirou os olhos. “Pronto, agora ela quer sair do vácuo”, pensou, clicando quase sem vontade.


Helena:

É que eu nem sei falar inglês kkkkkk


Helena:

Quando eu aprender, eu te procuro.


A bolinha digitando piscou de imediato.


Lorena Medeiros:

Eu te ensino. Vou te recomendar um professor e treino com você.


Logo em seguida, o contato de um homem apareceu na tela, salvo com uma descrição formal. Helena ajeitou-se no sofá, os olhos fixos naquele número. Suspirou. A ideia fazia parte dos planos dela, era verdade… mas agora, com o bebê, parecia impossível se concentrar em algo tão prático.

Ela passou a mão na barriga, o pensamento rodando em silêncio. Talvez fosse bom, no meio de tanta novidade, manter uma meta só dela.


Helena:

Certo.


Helena:

Vou mandar mensagem para ele.


A resposta veio em rajada de emojis festivos:


Lorena Medeiros:

🎉🎉🎉


Lorena Medeiros:

Então agora somos parceiras de inglês?


Helena bufou, o riso sarcástico escapando de novo.


Helena:

Isso kkkkkk


Largou o celular ao lado, virou de lado no sofá e abraçou a almofada, tentava pensar em alguma coisa, mas em seus pensamentos, só existiam o som do coração do bebê.

A música ecoava pelo apartamento, a voz de Heitor saindo alta do banheiro, como se estivesse em um show particular:

— "...Só quero que você seja feliz... com ou sem mim..."

Helena, deitada no sofá, arregalou os olhos. Assim que ele apareceu enrolado apenas na toalha, cantarolando o refrão, ela pegou a almofada mais próxima e atirou nele com força.

— Que isso?! — ele riu, pegando a almofada no ar.

— Eu que pergunto, Heitor Monteiro. Que música é essa? — a sobrancelha arqueada dela já denunciava a irritação.

— Lembrei dela, veio na cabeça. — ele deu de ombros, divertido.

— Vou arrancar essa cabeça sua se continuar. — ela retrucou, emburrada.

Heitor gargalhou, avançando alguns passos ainda de toalha.

— São os hormônios, é?

— Tá com saudade da ex, é isso? — Helena retrucou, desviando o olhar.

— Nada a ver, Helê! — ele tentou se aproximar para beijá-la, mas ela recuou, levantando o queixo com firmeza.

— Pois presta atenção no que anda cantando.

Ele sorriu de canto, inclinando o corpo na direção dela com aquele olhar de pura malícia.

— Ôh coração... amor da minha vidinha... — cantarolou baixinho, se aproximando.

Helena bufou e correu para o outro sofá.

— Desculpa, princesa, é só uma música chiclete.

— Música chiclete é uma ova! — ela respondeu, cruzando os braços.

Heitor não resistiu e começou outra, aumentando o tom de brincadeira:

— "...Primeiramente, guarde suas armas... já me machuca tanto as suas palavras... eu tô querendo uma conversa civilizada..."

Outra almofada voou na direção dele.

— Você tá pedindo! — ela ameaçou.

Ele seguiu, rindo:

— "...Você com raiva me atacando... e eu, só com um beijo dou o troco..."

Antes que ela pudesse jogar mais uma almofada, Heitor a alcançou, segurando-a firme no sofá. Helena ainda tentava se soltar, o cenho franzido e o rosto irritado.

— Relaxa, meu amor. Foi só uma música, eu não canto mais. — murmurou, colocando um selinho rápido nos lábios dela.

Helena fez bico, emburrada.

— Assim espero.

Heitor sorriu satisfeito, passando o polegar pela bochecha dela.

— Você é linda até quando tá de mal comigo.

Ele se afastou um pouco.

— Bebê, conversa com a sua mãe para não ser malvada com o seu pai. — Heitor murmurou encostando o rosto na barriga dela, como se falasse com o filho, tentando quebrar o clima tenso de antes.

Helena ia retrucar com algum comentário sarcástico, mas o celular acendeu a tela ao lado. Por reflexo, Heitor olhou para a tela. Seu semblante se transformou quando leu o nome que aparecia iluminado: Lorena Medeiros.

Ele arregalou os olhos, e a voz saiu seca:

— Por que ela está te mandando mensagem?

Helena suspirou, já prevendo a reação dele.

— Ela é uma senhora carente, Heitor. Eu agradeci pela forma como me recebeu e... desde então, ela me manda um monte de mensagens.

— E o que exatamente ela quer com você? — ele insistiu, a voz grave, quase desconfiada.

— Quer fazer amizade comigo. — respondeu sem rodeios, tentando soar despreocupada, mas por dentro também se sentia incomodada.

Heitor fechou a expressão. O maxilar trincou. Ele respirou fundo, lembrando das palavras da médica: “O primeiro trimestre é frágil. Cuidado com estresse.” Ele precisava se controlar.

— Acho que não é bom pra você se aproximar muito dela.

Helena franziu o cenho.

— O que quer dizer com isso?

— Só acho... — ele hesitou, escolhendo as palavras com cuidado — que não vai ser bom pra você se envolver com ela.

Um arrepio estranho percorreu a espinha de Helena. As palavras dele a atingiram de um jeito torto, como se houvesse algo escondido ali.

— Você a viu hoje, não viu? Como foi? — a firmeza na voz dela não deixou espaço para fuga.

Heitor desviou o olhar. Helena sentiu o coração afundar com aquele gesto, como se algo tivesse se quebrado por dentro.

— Foi tranquilo. Eu vi meu padrinho, o Jonas... e me encontrei com ela um pouco também.

— Mas você disse que nem lembrava do rosto dela. Como foi quando a viu? — Helena insistiu, o peito apertado.

Ele passou a mão pelos cabelos, claramente desconfortável.

— Ela é bem diferente do que eu lembrava.

— E o que isso significa? — a pergunta veio como uma flecha.

— Nada. Eu nem conversei muito com ela. — a resposta saiu rápida, defensiva.

Helena o encarava como se quisesse atravessar cada camada dele. O ar estava pesado.

— Heitor... você já teve algo com ela?

Ele se virou bruscamente para encará-la, incrédulo, a expressão quase ofendida.

— Nunca! — respondeu firme, a voz carregada de repulsa. — Que horror, Helena... — fez até uma careta de nojo, como se a ideia fosse absurda demais para ser cogitada.

Mesmo assim, a dúvida já queimava dentro dela. Helena ergueu as mãos e segurou o rosto dele, obrigando-o a olhar nos olhos dela. O gesto foi doce e desesperado ao mesmo tempo.

— Heitor... você tá me escondendo alguma coisa?

A pergunta saiu mais difícil do que parecia. Uma faca de duas pontas. Ele sentiu o peito apertar. Não queria mentir para a mulher que amava, mas também não sabia como protegê-la daquela verdade sem destruí-la.

— Heitor... não faz isso comigo. — As lágrimas encheram os olhos de Helena, a voz embargada.

Ele fechou os olhos por um instante, respirando fundo, e falou como quem pede perdão:

— É que... ela tem o mesmo nome da sua mãe. Eu não quero que se machuque, não quero que fique com lembranças dolorosas.

Helena prendeu o fôlego, piscou rápido para conter as lágrimas e, num gesto de alívio, deixou escapar um sorriso trêmulo.

— É isso...?

— É. — ele assentiu, sério. — Eu só não quero que você se estresse com lembranças da sua mãe. Isso não faz bem pra você... nem pro bebê.

Helena soltou uma risada nervosa, passando a mão pelo rosto.

— Ai, que susto. Eu já tava achando que você tava me traindo.

— Credo, Helena! — ele recuou um pouco, genuinamente ofendido, os olhos azuis faiscando. — É isso que você pensa de mim?

— Não... — ela respondeu rápido, mordendo os lábios. — Eu confio em você. Mas o seu jeito de falar... tava estranho.

Heitor se endireitou, firme, a voz baixa mas cheia de convicção.

— Eu nunca prestaria um papel tão ridículo. Eu já te falei: eu escolhi você. Vai ser você pra sempre. Ponto.

O rosto dela esquentou, o vermelho subindo pelas bochechas. Helena esfregou as mãos nervosamente nas pernas, envergonhada.

— Você tem razão... eu exagerei. Não precisava de tudo isso.

O coração de Heitor se apertou vendo a fragilidade dela. Ele não pensou duas vezes, puxou-a contra o peito e a envolveu num abraço forte, quente, que parecia blindar os dois contra qualquer coisa.Principalmente de Lorena.

— A culpa foi minha. — murmurou no cabelo dela. — O jeito que eu falei foi esquisito mesmo.

Helena fechou os olhos, respirando fundo o cheiro dele, e apertou-o ainda mais, como se quisesse grudar nele para sempre. Ultimamente o cheiro dele estava tão bom, a deixava tão tranquila.

Helena ainda estava encolhida no abraço dele, o coração começando a se acalmar. Heitor afastou só o suficiente para segurar o rosto dela entre as mãos e a olhou nos olhos.

— Você não tem ideia de como eu amo essa sua carinha emburrada. — ele sorriu de canto. — Mas sabe o que eu amo mais ainda? Quando você me olha daquele jeito… como se eu fosse o único homem do mundo.

Ela tentou não rir, mas os lábios já se curvavam.

— Você é muito convencido, Monteiro.

Ele fingiu um ar de ofensa.

— Convencido? Eu? — esticou o dedo indicador e cutucou de leve a barriga dela. — Quem vai nascer aqui dentro que vai confirmar isso: “mamãe, ele é mesmo incrível”.

— Heitor! — ela segurou a mão dele, rindo, corada.

Ele aproveitou o descuido dela e a puxou para o colo, de repente. Helena deu um gritinho surpreso.

— Tá maluco? — ela olhou para o peitoral largo, a toalha já meio frouxa na cintura. — Daqui a pouco essa toalha cai.

— Se cair, melhor ainda. — ele deu uma risada safada, colando a testa na dela. — Aí vai ser você, eu… e que tal a gente sussurrar para o bebê não escutar? Posso jogar uma toalha na sua barriga também para ele não ver nada.

Ela empurrou o peito dele, tentando parecer brava, mas já ria alto.

— Idiota!

— Relaxa, amor. — ele levantou as mãos em rendição, mas os olhos brilhavam de diversão. — Eu só tava testando se os hormônios estavam mesmo à flor da pele. E olha… confirmadíssimo.

Helena balançou a cabeça, ainda rindo, e se aconchegou no colo dele.

— Você não presta, Heitor.

— Talvez não. — ele beijou o topo da cabeça dela. — Mas vou ser o melhor pai e o melhor homem da sua vida, isso eu prometo.

Helena ajeitou-se melhor no colo dele, encostando a cabeça em seu peito, o sorriso ainda preso nos lábios. Mel veio de mansinho e se aninhou aos pés do sofá, como se fizesse parte daquele abraço coletivo.

— Tá vendo? — ela murmurou com preguiça doce. — Não precisa de drama, Monteiro. A gente só precisa se amar e cuidar um do outro.

Ele beijou os cabelos dela, fechando os olhos por um instante.

— É só isso que eu quero, Helê. Você, eu, a Mel… e nosso bebê.

Ela suspirou, entregue ao aconchego, enquanto os dedos dele traçavam círculos lentos nas costas dela. A respiração de Helena logo foi ficando mais calma, quase sonolenta. Heitor sorriu, mas dentro dele havia um peso que ela não podia ver.

Porque a verdade queimava em sua garganta: ele sabia quem era Lorena Medeiros. Sabia o quanto aquele nome estava ligado às dores que Helena tanto tentava enterrar. E, por mais que quisesse ser honesto, revelar tudo, não conseguia. Não agora. Não com o bebê a caminho, não com o brilho de esperança que Helena carregava nos olhos.

Ele olhou para o teto, tentando controlar o aperto no peito. O segredo o corroía, mas acreditava, com cada fibra do corpo, que estava protegendo a mulher que amava.

Apertou Helena contra si e pensou: “Eu vou carregar esse peso sozinho, se for preciso. Eu não vou deixar nada estragar a felicidade dela.”

Ele precisava de ajuda para afastar Lorena e para isso. E para isso, ele só conseguia pensar em uma pessoa.