O CEO que Eu Paguei
183 O Sangue Que Grita
Helena ainda estava se espreguiçando, os pés descalços tocando o chão frio e liso do quarto. A cidade estava calma, o sol entrando em filetes pelas frestas da cortina. Ela abriu o celular, o rosto ainda inchado de sono, e lá estavam as mensagens de Heitor — um misto de bom humor, zelo exagerado e paixão cafona.
Heitor🥰💖:
Boomm diiiaaa, dorminhoca 😏
Deixei você descansar, meu amor. Finalmente estamos dormindo em casa, e você tá carregando meu mundo aí dentro.
Fiz café. Tá na garrafa (não vale reclamar que tá frio, era pra você dormir mais um pouco). Você fica tão linda dormindo que eu quase cheguei atrasado só pra continuar olhando. Se o Humberto puxar você, tô ferrado... dois teimosos lindos na minha vida 😅
Te amo, amor da minha vida. Não demora pra me responder, senão eu invento desculpa pra passar em casa só pra te ver.
Ah! e lembra de comer alguma coisa decente, nada de café puro e bolacha, ouviu?
Esquece, eu fiz o café da manhã, até eu contratar o cheff, vai ter que lidar com o seu cheff Heitor, que faz a melhor comida que você já levou na vida 🫦🫦
Beijo nessa sua boca gostosa e nesse meu pequeno aí ❤️
Amo vocês!!! ❤️ ❤️
Ela sorriu. Aquele homem era um idiota… mas era o seu idiota.
Depois foi tomar o café da manhã que ele preparou, as panquecas de carne nobre que ele aprendeu no YOUTUBE e o café mal tampado — como sempre — era por isso que o café vivia frio, mas ele nem brigava, adorava até os detalhes imperfeitos. Helena se jogou no sofá. As pernas cruzadas por cima do encosto, o celular na mão, o controle remoto na outra. A barriga dava pequenos sinais de desconforto, mas era gostoso — como se o bebê estivesse ali dentro dizendo "Oi mamãe, não esquece que tô aqui".
Ela respondeu as mensagens de Heitor com um tom irônico, do jeitinho dela.
Helena:
Acordei agora, seu romântico de novela 🙄
Humberto tá aqui dentro fazendo festa, deve tá igual no ultrassom.
O café tava frio, óbvio, mas eu bebi, porque não quis “desrespeitar o cheff Heitor” 🙃
Sobre “olhar eu dormindo”, você é um idiota, mas é o meu idiota. Seu idiota!!
Já comi, antes que você pergunte de novo. E essas panquecas são deliciosas, vale todo o trabalho de fazer parte por parte da receita.
Na verdade, esse braço não melhora mais não??? Quando chegar em casa, sua mulher tá necessitada aqui.🍆💦
E sim, te amo também. Mas não vou te dar muita moral agora, porque senão você se acha. 😏
Mandou vídeos fofos de bebês no TikTok, riu sozinha e se emocionava só com a música que tocava de fundo.
— Bebeto… — ela passou a mão pela barriga — Olha esse apelido carinhoso é bem fofinho, o que acha filho? Melhor ele, antes que seu pai invente algo pior, hein?
O telefone vibrou. Era uma mensagem de Lorena Medeiros.
Helena hesitou, como sempre. Aquela mulher mexia com ela. Não de forma racional, mas emocional. Havia algo estranho em como se sentia perto dela — uma sensação quente, quase… familiar.
Lorena Medeiros:
Bom dia, minha querida. Como estão você e meu netinho? Estou com saudades… Não estávamos nos falando com frequencia.
Helena digitou devagar, olhando para o texto, o nome. O peso.
Helena:
Tô bem. O bebê também. Obrigada por tudo que tem feito. Senti que paparicou mais a mim que o Heitor com aquelas Cestas de Café diárias que eram entregues no hospital.
Lorena:
Sou suspeita. Adoro o Heitor, mas você é uma mulher grávida. Você sempre terá um espaço no meu coração. Sempre. Se precisar de mim pra qualquer coisa, estou a um telefonema de distância.
Helena respirou fundo. Aquilo a deixava desconfortável — como um carinho que ela não sabia receber. Mas gostava, mesmo que não quisesse admitir.
Iria chamar Heitor para comprarem um presente para os Medeiros, fazer uma visita em agradecimento por todo o suporte que todos eles forneceram. Até uma poltrona para gestante eles mandaram para o hospital. Finalmente era o momento de conhecer aquela Lorena, seu coração ainda doía um pouco, sua cabeça teimava em relacionar aquela Lorena à Lorena que a abandonou anos atrás. Inspirou e expirou, estava tudo bem, era uma nova pessoa, uma pessoa boa que igual a maioria que ela conheceu nos últimos meses, uma pessoa que ela podia contar.
Ligou a televisão. Deixou no jornal por inércia, o volume baixo, enquanto voltava pro TikTok. Mandou um vídeo de duplo sentido para Heitor e um meme engraçado para Isaac.
Mas então parou.
A voz do apresentador chamou sua atenção:
— …e agora, uma notícia bombástica. Uma denúncia envolvendo a Primeira-Dama do Estado, Lorena Medeiros, caiu como uma bomba na manhã desta quarta. Fontes confirmam que Lorena teve uma filha fora do casamento, mantida em segredo por quase três décadas…
Helena girou a cabeça devagar para a televisão. O coração batia rápido.
— …o mais surpreendente? A filha de Lorena é ninguém menos que Helena Ribeiro Campos, analista de riscos, noiva de Heitor Monteiro, herdeiro da Monteiro Inc…
As imagens invadiram a tela. Uma montagem lado a lado: Lorena e Helena. Os mesmos olhos, o mesmo queixo, o mesmo contorno do rosto. Era inegável. Era uma cópia mais nova da mulher.
Helena largou o celular. Sentiu o chão sumir sob os pés.
— Não… não pode ser… — sussurrou, sem ar.
O corpo se entortou, cambaleante. Ela apoiou as mãos na parede, tentando respirar. O celular vibrou. Era Lorena.
O nome dela na tela parecia gritar.
Helena desligou. Depois tocou Heitor. Depois Isaac. Depois Paulo.
Todo mundo sabia?
Não… não!
Ela agarrou as chaves, abriu a porta quase caindo, ligou para o motorista com a voz trêmula.
— Vem agora. Me busca. Preciso ir na casa dos Medeiros. Agora!
O motorista hesitou, preocupado, sugeriu levá-la ao hospital.
— NÃO! — gritou. — Me leva pra lá ou eu vou de táxi. Escolhe.
Ela desceu no elevador em choque. Os espelhos refletiam um rosto pálido, de olhos arregalados, perdido. O telefone tocava sem parar. Lorena. Heitor. Renato. Celina. Paulo. Jonas.
Ela não atendeu ninguém.
Ao entrar no carro, o motorista arregalou os olhos.
— A senhorita está… pálida. Tem certeza que não quer que eu a leve para…
— A casa do governador. Agora.
Ele engoliu seco. O carro arrancou.
No silêncio, Helena abraçou a barriga. O mundo havia desabado e ela não fazia ideia de como juntar os cacos.
O carro deslizou pela larga rua da residência do governador, parando na guarita.
O som do motor parecia distante, abafado, como se o mundo inteiro tivesse mergulhado debaixo d’água.
O motorista suava. O nó na garganta o sufocava. Ele se lembrava demais da última vez em que não o permitiram entrar na residência dos Monteiro.
Não queria que ela passasse por aquilo outra vez.
Antes que o motorista pudesse falar com o guarda, Helena falou se inclinando entre os bancos
— Avise a esposa do governador que Helena está aqui. — disse ela, a voz rouca, trêmula, quase sem ar. — Eu preciso falar com ela. Agora!
O segurança hesitou, o olhar rígido. Falou algo no rádio. Não demorou muito.
O portão se abriu.
Helena se ajeitou no banco, o corpo rígido, o estômago revirando.
A cada metro, o carro avançava e o coração dela batia descompassado, como se quisesse escapar do peito.
O suor escorria pela nuca. A respiração curta.
Um gosto metálico subiu pela garganta.
— Vai mais rápido… — murmurou.
E então, um barulho atrás. Outro carro.
O motor rugindo e o veículo se emparelhando com o dela.
Ela virou o rosto — e viu Jonas ao lado, a janela abaixada, o rosto aflito.
— HELENA! — ele gritava. — ENCOSTA O CARRO! POR FAVOR, A GENTE PRECISA CONVERSAR!
Ela ignorou. Não abaixou o vidro.
As mãos apertavam o banco como se fosse a única coisa que a mantinha viva.
— HELENA! VOCÊ TÁ GRÁVIDA! POR FAVOR!
O carro parou em frente à mansão.
Helena abriu a porta antes mesmo de o motorista frear completamente.
Saiu cambaleando, os pés descalços, o corpo trêmulo ainda vestido com o pijama, o coração descompassado.
Deu três passos e quase caiu. Suas pernas pareciam moles.
O som de pneus derrapando ecoou atrás.
Jonas saiu do carro e correu até ela.
— Helena! Porra, não me escutou?!
Ela continuava andando, em transe, hiperventilando.
— Hey, hey… calma. Me escuta, por favor… — ele tentou segurá-la.
— ME SOLTA! — o grito dela rasgou o ar.
Uma voz aguda, dolorosa, cheia de desespero.
Ela se debatia, as mãos empurrando o braço dele, as unhas cravando fundo na pele.
— Helena, por favor… para. Me escuta.
— EU NÃO QUERO TE ESCUTAR! ME SOLTA AGORA!
Jonas a segurava com força, mas o corpo dela parecia feito de fogo.
Ela tremia, chorava sem lágrimas, como se algo dentro estivesse queimando.
— Jonas, pode soltar ela.
A voz veio de lado.
Isaac.
Helena virou o rosto devagar, os olhos marejados, dilatados, o peito arfando.
— Está tudo bem. — ele disse, com calma. — Estamos entre família.
Aquilo… aquilo a destruiu.
Família. Família? Família!
A palavra ecoou como eletricidade.
Helena se soltou de Jonas, o olhar em brasa.
Ergueu a mão, tremendo, pronta para esbofetear Jonas.
Mas ele não se moveu.
Ficou ali, parado, deixando-a decidir.
A mão dela tremeu no ar e ela a abaixou.
Baixou os olhos raivosos e feridos.
Seus olhos se encheram de água, Jonas sabia de tudo. Ela havia confiado nele, o considerou seu amigo.
Passou por ele, subindo os degraus tropeçando nos próprios pés.
Quando chegou à entrada, Isaac estava parado na porta.
Helena o empurrou com as duas mãos.
— COMO VOCÊ PÔDE?! — gritou. — Achei que fosse meu amigo! VOCÊ MENTIU PRA MIM!
Ela o empurrou de novo.
Isaac abaixou a cabeça.
Não respondeu.
Porque não havia resposta.
Helena respirava com dificuldade.
Doía respirar.
Doía existir.
Cada segundo era uma lembrança de que a vida inteira dela era uma mentira.
Deu três passos pra dentro.
E parou.
Ali, a poucos metros de distância, estava Lorena.
Com o rosto inchado de choro.
Os olhos…
Os mesmos olhos.
Helena levou uma mão ao peito. O coração parecia um tambor. Ela apertou a pele por cima da regata como se pudesse segurar o próprio coração.
A respiração ficou irregular.
Lorena deu um passo à frente.
Helena, um para trás.
— Helena... oi. — a voz dela tremia. — Eu sou a sua mãe.
Silêncio.
Helena a encarou. O rosto pálido, os olhos secos, o corpo quebrado.
Não havia lágrimas. Só incredulidade.
E ódio.
— Você... esteve aqui esse tempo todo. — disse, num fio de voz.
— Helena, por favor...
— MEU PAI SE MATOU POR SUA CULPA! — gritou, a voz rasgando o peito e ecoando pelo saguão. — Eu cresci sem pai e sem mãe POR SUA CULPA!
Lorena soluçou.
Helena ainda não chorava. Ainda não conseguia.
— Enquanto eu crescia sendo julgada, apontada como a filha da mulher que abandonou o próprio bebê... você tava aqui! — ela abriu os braços, a voz carregada de rancor. — Cercada de luxo, de conforto, de outra família!
— Helena...
— Enquanto eu chorava todo dia por não ter uma mãe, você tava aqui sendo mãe pra outros filhos!
Lorena levou as mãos ao rosto. As lágrimas escorriam, pesadas.
E então, passos firmes soaram no topo da escada.
— Helena... — era a voz de Paulo Medeiros. A mão dele tocou o ombro de Helena.
Helena virou de súbito.
— NÃO TOCA EM MIM! — gritou, recuando.
Paulo parou. O olhar firme, mas tomado de culpa.
Cruzou o salão e pousou a mão nas costas de Lorena, um gesto protetor.
Aquilo foi a gota.
Helena riu — uma risada amarga, doída.
— Porra... eu sou mesmo parecida com você. — sussurrou.
As lágrimas, enfim, vieram grossas, quentes e libertas.
— É por isso que meu pai não aguentou viver olhando pra mim.
— É por isso que a minha avó me odiava tanto.
Ela chorava como quem desabava, soluçando sem ar.
— Helena, eu posso te explicar. — Lorena deu um passo à frente.
— COMO?! COMO VOCÊ VAI EXPLICAR ISSO?! — ela gritou, o som rasgando a garganta. — Você me abandonou, fez uma nova família, nunca me procurou...
Lorena chorava abertamente agora.
— Sua mãe te procurou, sim. Mas seus avós não quiseram incluí-la. — Paulo disse.
— ISSO É MENTIRA! — Helena esbravejou. — Eu duvido, DUVIDO que minha avó não teria me entregado se você tivesse aparecido!
Lorena enxugou as lágrimas com as costas da mão.
— Você era tudo o que eles tinham, Helena. Eu não podia te tirar deles. Principalmente depois do que aconteceu com seu pai.
Helena começou a respirar em soluços curtos, quase engasgando.
As pernas tremiam.
O corpo dela parecia se desfazer.
— Onde você estava, porra... — a voz saiu rouca. — Por que você não me amou? Por que me deixou? Por que não fui o suficiente para você?
Todos estavam em silêncio. O ar parecia denso demais, como se o mundo tivesse parado para assistir à ruína de uma mulher.
Helena girou o rosto, olhando um por um. Primeiro Jonas, depois Isaac, depois Paulo… e por fim, Lorena.
A voz dela saiu rouca, embargada e partida.
— Todo mundo sabia…? — perguntou, num fio de voz. — Todos vocês sabiam que você… é minha mãe?
Ninguém respondeu.
O telefone dela não havia parado de tocar, apenas aquele som e os soluços preenchia o ambiente.
Helena respirou fundo. Pegou o celular no bolso.
A tela estava acesa.
Heitor.
A foto dos dois juntos sorrindo com as bochechas coladas.
Ela o encarou por um segundo — o único homem, não, a única pessoa em quem ela confiava cegamente.
O único que ela acreditava que nunca mentiria.
Ergueu o olhar até Lorena. A respiração dela era curta, vacilante.
— Ele sabia… — Helena sussurrou, mostrando a tela para ela. — Não sabia?
Lorena hesitou.
Baixou o olhar.
E fez que sim.
O ar saiu dos pulmões de Helena num soluço carregado de dor.
Ela levou as duas mãos ao rosto e chorou.
Mas não era um choro comum — era um som bruto, ferido, que vinha de dentro, como se o corpo inteiro dela estivesse gritando.
Ela apertou o celular, já sem forças, mas mesmo assim, o arremessou com força.
O estalo foi seco — o iPhone vermelho se espatifando contra a parede. Mas, ainda tocava.
— Como ele pôde…? — ela soluçava, a voz carregada de dor. — Como ele pôde fazer isso comigo?
Ela tremia. O rosto molhado, o corpo fervendo.
— Nós éramos um time... — sussurrou entre soluços. — Se ele foi capaz de esconder algo assim... o que mais ele é capaz de esconder?
Lorena estava de cabeça baixa. As lágrimas caiam sem som, molhando a camisa.
Nada do que ela pudesse dizer mudaria o que via diante de si: a filha que ela sonhou abraçar… desmoronando por culpa dela.
Foi então que Lorena percebeu uma poça vermelha se formar no chão.
Ela levantou o olhar.
— Helena…?
Os olhos dela baixaram — e o mundo parou.
O short que Helena usava estava com a parte interna toda suja de sangue que escorria pelas pernas e pés dela.
Um tom vermelho começava a se espalhar de forma irregular.
— MEU DEUS! — a voz de Lorena quebrou o ar. — PAULO! ELA TÁ SANGRANDO!
Paulo correu. Jonas e Isaac correram se aproximando dela por trás.
Helena tremia, o rosto pálido, as mãos tentavam apoiar o rosto dela, uma tentativa inútil de não desabar.
— Porra! Ela tá mal! — Isaac gritava, apavorado. — Pai, o que a gente faz?!
— Chama o médico da família AGORA! — Paulo rugiu. — Eu quero ele aqui em dez minutos, nem que venha de helicóptero!
Jonas se abaixou e pegou helena no colo. Helena tentava, em vão, sair do colo dele, porém ela não tinha mais forças;
— Eu vou levá‑la pro sofá!
O sangue escorria pelo antebraço dele que estava por baixo dos joelhos dela.
Lorena seguia atrás, as mãos trêmulas. Sem saber o que fazer, como resolver o que ela mesma causou.
Helena gemia, fraca, os olhos pendiam para seu próprio corpo, aterrorizada.
— Não… por favor… Meu filho… não…
Jonas a deitou no sofá, tentando acalmar a respiração dela.
— Ei, calma, calma, olha pra mim... respira comigo. Respira.
Mas ela não conseguia.
A dor não era só física — era o mundo inteiro se partindo dentro dela.
Isaac tremia, estava em pânico, o celular nas mãos, errando o número do médico.
— Droga... droga, eu não consigo… — sua voz saiu chorosa e trêmula.
Paulo arrancou o telefone da mão do filho, ligou para o contato e gritou para o outro lado da linha, ordenando uma equipe, helicóptero, o que fosse necessário. Era uma EMERGÊNCIA.
Lorena ficou paralisada.
O corpo rígido, o olhar fixo, como se o mundo tivesse parado de girar.
Mas ele girava — lento e distorcido — enquanto o som do choro da filha enchia o ar.
Um choro que ela reconheceria em qualquer tempo.
O mesmo som que, um dia, marcou sua partida — o choro de um bebê que ela deixou para trás.
Agora, era o choro de uma mulher adulta, rasgado, desesperado e doloroso…
E naquele momento, Lorena entendeu o castigo da vida:
aquele som, que a perseguiu por anos…
O choro da filha que um dia perdeu, e que agora, finalmente, a encontrava.
Helena esticou a mão até sua intimidade, num gesto desesperado de segurar o sangue.
Jonas se sentou na beirada do sofá.
Segurou Helena contra o peito, o rosto colado aos cabelos dela, a voz falhando.
— Vai ficar tudo bem, tá ouvindo? Eu prometo, vai ficar tudo bem...
Mas Helena chorava sem consolo.
— Não, não... o meu filho não. Por favor, Humberto.
E a casa inteira dos Medeiros se encheu daquele som.
O som de uma mulher que descobria, no mesmo dia, que tinha mãe, mas talvez perdesse o próprio filho no processo.
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