O restaurante H. Monteiro estava silencioso naquela noite, reservado só para eles, e ainda assim Heitor sentia o ar mais pesado do que gostaria.

Desde que Helena tinha saído para trocar a fralda do Humberto, ele havia notado. A mudança sutil no tom de voz. O modo como Ana Alice cruzava a perna devagar, calculado, a fenda do vestido vermelho escorrendo até a virilha, como se fosse um acidente.

Mas ele conhecia esse tipo.

Desde que a conheceu na filial de Minas, Ana Alice sempre foi a mulher “gostosa do escritório”. Aquela que sabia como andar, onde olhar, o que vestir para arrancar atenção. Não era novidade. O que era revoltante era vê-la tentando repetir o mesmo teatro ali, à mesa, com o próprio namorado sentado ao lado.

Isaac estava rindo de algo que ele mesmo contou, encantado com o próprio entusiasmo. Heitor o observava com um misto de carinho e pena, Isaac era um bom garoto, inteligente, esforçado, mas ingênuo. Muito novo ainda. E cego.

— Cara, eu nunca imaginei que você ia abrir um restaurante — disse Isaac com empolgação sincera. — Tipo… a Monteiro Inc é gigantesca, e aí você me aparece com isso aqui. Que loucura boa.

Heitor relaxou o semblante e assentiu com um sorriso orgulhoso.

— A Monteiro Inc é o império que meu avô começou e meu pai ampliou. Eu tenho muito orgulho de tocar isso hoje. Mas o restaurante.. A história dele começa em mim. — Ele olhou em direção ao corredor por onde Helena havia sumido com o bebê. — Queria algo construído do zero para não depender exclusivamente da Monteiro Inc.. Pra deixar pros meus. Pra ela. E pro nosso filho.

Ana Alice girava a taça, observando-o com atenção demais.

— E ficou impecável… tudo aqui tem a sua cara. Forte. Elegante. — Ela passou a mão pela taça como se acariciasse a borda. — Poucos homens teriam visão pra algo assim. Ainda mais vindo de um império da construção.

Heitor desviou os olhos da mesa e encarou Isaac, não a ela.

— É que você é esse tipo de homem, né? — ela continuou, sem ser convidada. — De visão. Determinado. E com uma presença... — ela baixou o tom, quase como um sussurro íntimo — ...difícil de ignorar.

Isaac riu, inocente.

— Assim como o meu pai, você também é exemplo de que dá pra ter poder e ainda assim ser família. Eu quero isso também… com a Ana Alice, com tudo, sabe?

Ana Alice sorriu. Mas havia algo tenso nos olhos. Um brilho enviesado que Heitor não ignorou.

Ela virou o corpo para Isaac, inclinando-se levemente.

— E você vai conseguir, amor… Só que não é todo homem que tem esse… — ela buscou a palavra, os olhos cravados em Heitor — instinto. Esse olhar firme. Essa coisa de saber conduzir. Os homens hoje em dia… não sabem ser líderes como você, Heitor.

Heitor sequer olhou na direção dela. Bebeu seu vinho com calma. Era nítido para ele o jogo que Ana Alice fazia. Disfarçada de admiração, vinha a insinuação. E aquilo, na frente de Isaac, o enojava.

— Conduzir é saber onde se pisa, Ana Alice. — disse ele, por fim. — E principalmente saber com quem se anda. Não é qualquer caminho que vale a pena.

Isaac riu. Ainda sem entender a tensão.

— É isso aí! Esse é o Heitor. Metade CEO, metade filósofo.

Ana Alice forçou uma risadinha e tocou no ombro de Isaac, tentando distrair o namorado da resposta dura que acabara de receber. Mas Heitor viu a tensão no maxilar dela.

Ainda assim, ela não se deu por vencida.

— E como anda a filial da Califórnia, Heitor? Li sobre o lançamento no site. Parece promissora…

Heitor se ajeitou na cadeira, retomando o tom profissional.

— Tá indo bem. Estamos finalizando a construção de um rancho hotel luxuoso, todos os quartos já estão alugados para a inauguração.

— Sério? Isso é enorme! — Isaac disse sorrindo.

— É. E eu tô doido pra abrir logo. — Os olhos de Heitor se acenderam. — A equipe tem se virado muito bem, mas eu gostaria de estar lá. Tenho passado dias intensos. Trabalho dobrado. Mas vale a pena.

Ana Alice observava. Não as palavras. O tom. O magnetismo de um homem que carregava um império nas costas — e ainda assim sorria ao falar da família.

— E você que vai supervisionar tudo?

Heitor percebeu o tom. O brilho nos olhos dela. Aquela pergunta não era só sobre negócios. Era sobre onde ele estaria. Onde dormiria. Quem o acompanharia.

— Sim. Eu. E a Helena, ela vai comigo. Não viajo sozinho há muito tempo. — Ele sustentou o olhar com firmeza, cortando qualquer ilusão.

Ana Alice mordeu o lábio inferior por um segundo, depois abaixou o olhar para o próprio prato.

— Você é incansável… — disse, em tom suave. — Não sei como a Helena dá conta de dividir você com o mundo.

Heitor finalmente olhou para ela. O olhar era calmo, mas havia um aviso ali.

— Ela não divide. Ela comanda esse mundo comigo.

— É... a Helena tem sorte mesmo.

Heitor se inclinou para frente com os antebraços apoiados na mesa.

— Na verdade, eu que sou o homem mais sortudo do mundo.

Isaac entrelaçou a mão dele com a da Ana Alice.

— Mano, você é, mas eu também sou.

Ana Alice soltou uma risadinha.

— Eu que sou em ter você. — ela disse deitando a cabeça do ombro dele.

— E vocês, já pensaram em viajar juntos? Pegar uma semaninha só pra vocês? — Heitor perguntou enquanto comia.

— A gente pensou sim, né, Ana? — Isaac sorriu, confiante — Tava vendo um resort no sul da Bahia. Só que aí veio a proposta da nova campanha no banco e tive que adiar…

— Não precisa ser tão longe, que tal Búzios? É um lugar perfeito para se divertirem. Paraty é bem romântico, mas o que combina mesmo com você é Itaipava — Heitor disse sorrindo para Isaac — Temos uma casa de campo na serra, se quiserem emprestada. Podem curtir o final de semana.

— Melhor Búzios, nunca ouvi falar de Itaipava. — Ana Alice disse segurando a mão de Isaac.

Isaac riu, divertido.

— Amor, Itaipava é um lugar excelente, é discreto e bonito, além de parecer a Suíça. Heitor, lembra quando o Jonas sumiu para lá com umas modelos? — Isaac apoiou a mão na mesa.

Heitor riu junto.

— Como esquecer. — ele disse passando a mão na nuca — Tiveram que mudar a data do Rio Fashion Week. O Paulo ficou furioso.

Heitor não conseguiu segurar a risada ao lembrar de Jonas ligando para ele falando que estava enrascado.

— Porém, hoje não vamos falar do Jonas — Heitor deu um sorriso maldoso — Vamos falar das suas “artes”, o que acha?

Isaac ficou corado e encarou Ana Alice. Para Heitor, era nítido, mesmo crescido, Isaac ainda era um garoto, ainda queria provar que merecia o espaço que estava conquistando. Para ele, Isaac nunca seria apenas “o cunhado”. Era quase um irmão mais novo. Sempre foi e sempre será. Mesmo Heitor tendo uma opinião sobre Ana Alice, ela era namorada de Isaac e ele respeitaria a escolha do jovem.

Algo então puxou a atenção de Heitor, um contato inesperado. Era leve demais para ser um esbarrão. O dorso de um pé deslizando lentamente pela perna dele, subindo alguns centímetros, insistente o suficiente para ser sentido e entendido.

Heitor travou por um segundo.

O corpo reagiu antes da mente.

Ele afastou a perna de imediato, a cadeira fazendo um ruído seco no piso, e virou o rosto com o cenho fechado, os olhos indo direto para Ana Alice.

— O que você está fazendo? — perguntou, a voz baixa, dura, sem espaço para dúvida.

Isaac piscou, perdido.

— Como assim?

Heitor não desviou o olhar dela nem por um segundo.

— Ela estava esfregando o pé na minha perna. Agora.

O silêncio caiu pesado sobre a mesa.

Ana Alice arregalou os olhos, levando a mão ao peito numa encenação rápida demais para ser natural.

— Meu Deus, Heitor! Claro que não! — disse, apressada. — Eu nem percebi… eu tenho pernas longas, devo ter encostado sem querer.

Sem querer.

Heitor sentiu o maxilar endurecer.

Ele conhecia bem a diferença entre um acidente e uma intenção. Aquilo não tinha sido um movimento desatento. Tinha sido lento, pensado e invasivo.

— Não foi sem querer — respondeu, seco. — Não foi um esbarrão.

Isaac endireitou o corpo na cadeira, o sorriso sumindo.

— Alice… — ele falou, confuso. — Que história é essa?

Ela virou-se para ele imediatamente, a voz mais suave.

— Amor, juro que não fiz nada demais. Foi só um movimento bobo, eu nem percebi onde estava o pé…

Isaac franziu a testa, claramente desconfortável agora.

— Mesmo assim — disse, sério. — Isso pode ser mal interpretado. O Heitor é da família. Mas e se fosse outro cara? Não é uma coisa legal de fazer.

Heitor respirou fundo, controlando o impulso de dizer mais do que devia. A raiva estava ali por tamanho desrespeito.Desrespeito com ele. Com Isaac. Com Helena.

— É exatamente esse o ponto — disse, firme. — Aqui não é lugar pra esse tipo de coisa. Muito menos na frente do seu namorado. E principalmente comigo.

Ana Alice assentiu rápido demais.

— Claro… você tem razão. Me desculpa. Foi inadequado.

Heitor não respondeu. Apenas desviou o olhar, buscando instintivamente a direção do corredor que levava ao banheiro familiar.

O único toque que fazia sentido para ele era o de Helena.

O único corpo que ele desejava era o dela.

E qualquer tentativa de atravessar esse limite despertava repulsa.

Quando voltou a atenção para a mesa, sua postura já era outra. Mais fechada. Mais distante.

Ele não daria corda.

Nunca deu.

Nunca daria.

A tensão na mesa era clara, todos estavam visivelmente desconfortáveis. Isaac quase não tocou na comida depois do ocorrido.

Aquilo doeu.

Não porque desconfiava dela.

Mas porque a situação tinha sido humilhante.

Para ele.

Ele terminou o jantar em silêncio. Um sorriso político e uma postura impecável.

Mas por dentro, estava profundamente chateado. Não faria cena ali. Não daquele jeito.Ele tocou de leve na mão de Ana Alice.

— Amor… vamos lá fora um minuto?

O tom era calmo. Mas sério.

— Já voltamos Heitor, um momento. — Isaac completou se levantando.

Eles caminharam até a área externa do restaurante, onde o ar da noite trazia um silêncio mais íntimo. Isaac esperou alguns segundos antes de falar. Ele precisava organizar o que sentia.

Ele não era Jonas.

Ele não reagia no impulso.

Mas também não engolia nada.

— Eu preciso falar sobre o que aconteceu na mesa.

Ana Alice já começou a se defender.

— Isaac, foi um acidente, eu juro. Eu tenho as pernas longas, a cadeira estava muito perto…

Ele levantou a mão, pedindo espaço para falar.

— Eu não estou te acusando. Eu estou te dizendo como eu me senti.

Ele respirou fundo.

— Foi desconfortável pra mim. Muito.

Ela ficou em silêncio.

— Eu cresci num ambiente onde postura é tudo — ele continuou. — A gente pode errar em qualquer coisa… menos em público. E menos ainda quando envolve respeito.

Ele a olhava nos olhos, mas não com frieza, nunca seria.

— Eu te amo. — disse, sem hesitar. — E por isso mesmo eu preciso ser claro com você.

Os olhos dela suavizaram.

— Eu nunca, nunca faria nada pra te desrespeitar — ela respondeu, aproximando-se um pouco. — Eu amo você. Foi sem querer.

Isaac a observou.

Ele queria acreditar e ele acreditava.

Mas ele precisava dizer.

— Ana Alice… você sabe o quanto é importante pra mim que você se dê bem com a minha família.

A voz dele mudou ali. Ficou mais profunda.

— A Helena é minha irmã. O Heitor é praticamente meu irmão. A gente passou a vida inteira junto. Eu quero você com a gente. Integrada. Feliz. Parte disso.

Ele tocou o rosto dela com carinho.

— Eu não quero tensão na mesa. Não quero desconforto. Não quero ninguém olhando pra você de forma errada. Muito menos por causa de algo que possa ser mal interpretado.

Ela segurou a mão dele.

— Eu jamais faria isso, Isaac. Eu amo você. Você acha mesmo que eu pisaria na sua honra por qualquer provocação boba?

Honra.

A palavra ficou entre eles.

Isaac manteve o olhar firme.

— Eu sou um homem orgulhoso, Ana Alice. E eu nunca perdoaria traição. Nem desrespeito.

Ele não disse aquilo para a assustar.

Disse porque era verdade. Era o seu limite.

— Mas eu também sou um homem que confia. — completou.

Ela se aproximou mais, a voz mais suave.

— Então confia em mim.

Ele fechou os olhos por um segundo.

Confiava.

Era isso que o tornava vulnerável.

— Eu confio. — disse por fim. — Mas me ajuda. Me ajuda a proteger o que a gente está construindo.

Aquilo não era um pedido fraco.

Era um pedido de parceiro.

— Eu quero casar com você um dia. — ele soltou, sem planejar. — Quero filhos. Quero te ver sentada na mesa da minha família como minha esposa. Eu não apresento qualquer mulher pra eles.

O silêncio ficou mais pesado agora.

Ela tocou o peito dele.

— Você é o homem da minha vida, Isaac. Eu jamais colocaria isso em risco.

Ele respirou fundo.

O orgulho dele ainda estava ali. Mas o amor era maior.

Ele puxou Ana Alice para perto e a abraçou com firmeza.

— Então cuida disso comigo. — murmurou. — Porque eu estou completamente apaixonado por você… mas eu nunca deixaria ninguém me fazer de bobo.

Ela assentiu contra o peito dele.

Ele ainda estava com os braços em volta dela quando sentiu o corpo dela ficar mais quieto.

Isaac abriu os olhos devagar.

Ele não suportava a ideia de deixá-la chateada.

— Ei… — murmurou, afastando-se só o suficiente para olhar o rosto dela. — Não faz essa carinha.

Ela tentou sorrir, mas ele conhecia aquele sorriso. Era contido demais.

O coração dele apertou.

Ele tinha sido firme. Precisava ser. Mas não queria que aquilo virasse uma sombra entre eles.

Isaac levou as mãos ao rosto dela, segurando com cuidado.

— Eu falei aquilo porque eu te amo. Não porque eu quero te moldar.

Ele encostou a testa na dela.

— Se eu não me importasse, eu ficava quieto.

A voz dele estava mais suave agora.

— Você acha que eu não gosto quando todo mundo olha pra você? Eu gosto. — ele deu um meio sorriso. — Eu fico orgulhoso. Eu fico pensando “essa mulher tá comigo”.

Ela ergueu os olhos para ele.

Isaac respirou fundo.

— Só que eu também penso em futuro. Penso na nossa imagem. Penso no meu pai sendo atacado por qualquer coisa. E eu não quero que usem você pra isso.

Ele deslizou o polegar pela maçã do rosto dela.

— Você é importante demais pra virar comentário de coluna social.

Ela ainda parecia um pouco mexida.

Isaac não aguentava ver aquilo.

Então ele fez o que sabia fazer quando queria quebrar um clima pesado.

Ele sorriu daquele jeito dele — meio charmoso, meio juvenil.

— Além disso… — inclinou levemente o rosto, o tom ficando mais leve — eu prefiro que só eu veja você assim.

Ela piscou.

— Assim como?

Ele desceu o olhar discretamente, depois voltou para os olhos dela.

— Desse jeito que me deixa sem conseguir pensar direito.

O clima mudou ali.

A tensão virou outra coisa.

— Você me desarma fácil demais. — ele confessou, rindo baixo. — E eu ainda tenho que manter postura na frente do Heitor.

Ela deixou escapar um sorriso de verdade agora.

Era isso que ele queria.

Isaac aproximou os lábios da testa dela e beijou com calma.

— Eu não quero que você mude quem você é. Eu me apaixonei por você do jeito que você é. Forte. Linda. Intensa.

Ele tocou o colar que havia dado a ela.

— Eu só quero que o mundo te veja como eu vejo. Com respeito.

O tom dele não era de imposição.

Era de cuidado.

— E se você ficar chateada comigo… eu vou passar a noite inteira tentando compensar.

Ele deu um sorriso enviesado.

— Inclusive, eu ainda estou devendo um passeio no shopping. Ou talvez… — inclinou o rosto perto do ouvido dela — eu tenha um plano melhor.

Ela riu de leve.

Isaac ainda estava com a mão na cintura dela quando respirou fundo e olhou para a porta do restaurante.

— Eu vou ao banheiro rapidinho… — disse, tentando manter o tom leve. — E aproveito pra ver a Helena. Ela tá demorando demais com o Humberto.

Ele sorriu de canto.

— Capaz de estar fazendo sessão de fotos no trocador.

Ana Alice soltou um pequeno riso.

Mas Isaac ainda não tinha terminado.

Ele passou o polegar devagar pela mão dela antes de completar:

— Enquanto isso… talvez seja bom você falar com o Heitor.

Ela ergueu o olhar.

— Falar o quê?

Isaac não mudou o tom. Não acusou. Não pressionou.

— Nada demais. Só deixar claro que foi um mal-entendido. Ele é direto. Eu também sou. Mas ele é meu cunhado… e eu quero que tudo fique bem.

Ele fez questão de dizer “eu quero”. Não “você precisa”.

— Eu não gosto de clima estranho. — acrescentou, sincero. — Principalmente entre quem eu amo.

Ela estudou o rosto dele por um instante.

— Você acha que ele ficou incomodado? — ela perguntou.

Isaac inclinou levemente a cabeça.

— Eu acho que ele reagiu como qualquer homem reagiria. — respondeu com honestidade. — Ele protege a Helena. Eu protejo você. É assim que funciona.

Ele segurou o rosto dela com carinho, como já tinha feito antes.

— E eu sei que você nunca faria nada pra me desrespeitar. Então falar com ele só reforça isso. Mostra postura. Mostra que você se importa.

A palavra postura era importante para ele. A alta sociedade ensinava isso desde cedo.

Ana Alice respirou fundo.

— Eu não quero que ele pense nada errado.

Isaac suavizou o olhar.

— Então resolve. Simples.

Ele inclinou o rosto e deu um beijo leve na testa dela.

— Eu confio em você.

E ele confiava mesmo.

Antes de se afastar, ainda disse com um meio sorriso:

— E não precisa pedir desculpa demais. Só seja você. Educada. Clara. É o suficiente.

Ele se afastou alguns passos e, antes de entrar novamente no restaurante, virou-se por um segundo.

O olhar dele dizia muito mais do que as palavras.

Enquanto caminhava pelo corredor em direção ao banheiro, Isaac sentiu o coração mais tranquilo.

Estava fazendo o certo.

Cuidando da mulher que amava.

Cuidando da própria honra.

E cuidando da família.

Ele só queria equilíbrio.

Nada mais.

Notas finais
Oie! Os capítulos estão um pouco mais lentos porque estou me recuperando de uma cirurgia. O próximo acredito que não irá demorar tanto. Agradeço por estarem acompanhando 😊.