O CEO que Eu Paguei

73 Noites de Quarta com Você


Helena nunca imaginou que se arrumar para um jogo de futebol fosse dar tanto frio na barriga.

Mas lá estava ela.

De short justo até a metade das coxas — que marcava cada curva da perna forte e definida. A camiseta verde da Vans, mais larguinha, caía com um charme despretensioso, e nos pés, o tênis bordô combinando de forma quase acidental com as cores do time que ela tinha pesquisado.

Ela não era torcedora.

Mas se era importante pro Heitor, então ela aprenderia.

E aprenderia bem.

Arrumou o cabelo, deixou as ondas mais definidas, soltando algumas mechas emoldurando o rosto. A maquiagem era leve, mas valorizava exatamente o que ela mais gostava: as sardinhas no topo do nariz, o olhar escuro e expressivo, os cílios longos, e aquele toque de brilho nos lábios cheios, bem desenhados, com sensualidade e suavidade equilibradas.

Quando passou o hidratante nas pernas e nos braços, finalizando com um perfume fresco e envolvente, ouviu a voz de Dona Olívia da cozinha:

— Vai matar alguém hoje, Helena?

Ela riu.

— Tô só indo ver futebol, vó.

— Vai nada. Tu vai é deixar esse rapaz doido.

O som da buzina veio em seguida.

Helena desceu com calma, o coração acelerado.

Mas nada preparou Heitor Monteiro pra o que viu.

Ele saiu do carro já todo no clima — camisa do Fluminense, calção e chinelo — como se fosse só mais uma quarta de jogo. Os ombros largos à mostra, o peitoral estufado sob o tecido, os braços fortes marcando nas mangas.

Mas quando viu Helena…

Errou o passo.

Teve que se apoiar no carro pra não cair. Literalmente.

Parou. Olhou de cima a baixo. Passou a mão no queixo. Mordeu o lábio.

O olhar dele a comeu inteira.

Helena cruzou os braços, com um sorriso debochado nos lábios.

— Gostou?

— Cê quer me matar, p0rra… — ele diz colocando a mão no peito — Desse jeito tu mata o pai aqui e enterra no fundo do campo.

Ele foi até ela. Uma mão na cintura, a outra escorregando pela coxa dela, firme.

E beijou.

Aquele beijo quente, com gosto de desejo engolido por horas.

Helena se afastou sorrindo.

— Segura sua onda, Monteiro. Ainda nem começou o jogo.

— Se o jogo for você, eu já perdi.

Ele abriu a porta do carro com um gesto cavaleiro — o costume já virando rotina.

No caminho, Heitor dirigia, mas não tirava o olho dela. De canto de olho, língua passando nos lábios, a mão firme no volante e a outra na coxa dela. O volume no calção não deixou nada pra imaginação.

Helena riu, provocando:

— Vai ter que se controlar hoje, tá? Não é só você que sente t3são, não. E eu tô vendo essa barra no calção aí, hein.

— Você me aparece desse jeito… De short colado, com esse cheiro bom, essa boca brilhando… E quer que eu assista o jogo?

— É o mínimo. — ela piscou.

— Mínimo é você sentar no meu colo e a gente ver o jogo abraçado. Que é pra ninguém duvidar que você é minha.

— Eu adoro quando você fala essas coisas, sabia?

— É porque você adora saber o efeito que tu tem em mim. E eu tô no limite, Helena. No limite.

Ela virou o rosto, mordeu o lábio.

Ela adorava aquilo.

Se sentir desejada. Olhada. Admirada.

Mas do jeito certo.

Do jeito intenso e firme que só Heitor tinha.

Ela podia se acostumar fácil com aquilo.

Chegaram ao bar. Não estava cheio — o Fluminense não era o mais popular ali na região, mas Heitor já chegou como se fosse um embaixador do clube.

O barman o reconheceu e acenou. Eles pegaram uma mesa boa, com visão perfeita da televisão.

Helena sentou, ajeitou o cabelo e deu uma cruzada de pernas que fez Heitor perder o foco por três segundos.

— Foco no jogo, Monteiro.

— Difícil focar quando meu maior troféu tá sentada do meu lado.

Ela riu.

— E você vai me ensinar quem é quem?

— Vou te ensinar tudo. Nome, número, posição... Mas hoje, minha posição preferida é você colada em mim comemorando gol.

Ela rolou os olhos e sorriu, pegando o cardápio.

— Me diz aí. O que é escanteio?

Heitor a olhou como se tivesse acabado de se apaixonar de novo.

— Helena… você vai me casar comigo no Maracanã, é isso?

— Só se você fizer gol de bicicleta.

— No mínimo. E depois do jogo, eu te mostro mais umas posições táticas… Em casa.

Ela mordeu o canudo da bebida e piscou.

Ia ser uma noite interessante.

O bar não estava lotado, mas tinha um clima animado.

Helena olhou ao redor, observando os homens de chinelo e camisa de time, os gritos vindo da televisão, a espuma dos chopes e a empolgação que ela ainda não entendia — mas que achava bonito nos olhos de Heitor.

Ele puxou a cadeira para ela sentar, com um sorriso preguiçoso no rosto e o olhar todo orgulhoso.

— Pode pedir o que quiser, amor. Hoje é você que manda.

— Amor? — ela arqueou a sobrancelha.

— Opa… escapou. Mas se tu quiser ouvir de novo, eu repito.

Ela fingiu desviar, sorrindo. Não era a primeira vez que ele a chamava assim. E ela não diria ainda que gosta disso. Mesmo gostando.

— Um chope de vinho, por favor.

Heitor chamou o garçom com o dedo no ar.

— Uma cerveja artesanal pra mim e… o melhor chope de vinho da casa pra minha mulher aqui.

Helena se ajeitou na cadeira, cruzou as pernas devagar e sorriu com gosto.

Ela tava gostando daquilo.

Do ambiente, da energia, do olhar dele nela.

Enquanto esperavam as bebidas, Heitor pegou o celular.

— Olha aqui pra mim.

— Heitor…

— Só uma, vai. Tu tá linda demais. Tenho que registrar.

Ele tirou uma dela rindo com o copo na mão, uma outra dela olhando pro telão com cara de concentração — e depois virou a câmera e tirou uma selfie dos dois juntos. Ele colado nela, barba por fazer, camisa do Flu, e ela sorrindo meio tímida, mas entregue.

Helena pegou o celular também. Tirou dele de perfil, observando o jogo.

Tirou uma dos dois brindando os copos.

E uma boba: ele com a mão na coxa dela, depois ela rindo enquanto empurrava ele.

As fotos seriam lembranças de um começo sem aviso.

De um tipo de noite que ela nunca soube que ia gostar.

A partida começou.

Helena prestava atenção, embora estivesse boiando em metade das regras.

— Esse é o André. — Heitor explicou. — Joga muito. Esse aqui que tá na lateral é o Guga. E aquele ali é o Cano. O cara que resolve.

Helena assentia, tentando gravar tudo.

Mas percebeu o olhar de alguns homens do bar pra ela.

Ela já estava acostumada com isso em outros lugares, mas com Heitor do lado, tudo parecia mais… intenso.

E ele viu também.

Sem dizer nada, puxou a cadeira dela mais pra perto, fez ela sentar no colo dele e passou o braço pela cintura dela, apoiando a cabeça no ombro dela.

— Que foi, Monteiro?

— Você é muito gostosa pra ficar ali sozinha.

— Aqui no meu colo ninguém olha duas vezes.

Ela riu.

— Grudento demais, sabia?

— Você me deixou viciado, ué. Agora aguenta.

Helena se acomodou no colo dele, com o copo na mão, sentindo o calor do corpo dele, a barba roçando de leve no ombro dela, o braço firme envolvendo a cintura.

O jogo estava 0 a 0. Tenso.

E Heitor também.

A mão dele apertava a coxa dela de tempos em tempos, como se descarregasse a tensão ali.

Os olhos grudados na televisão, concentrados.

Helena torcia junto, mesmo sem entender completamente o que era impedimento ou falta.

Mas ela sabia o básico: se o time dele perdesse, a noite seria amarga.

E ela não queria ver aquele brilho nos olhos dele apagar.

Faltando poucos minutos para acabar o segundo tempo…gol.

O Fluminense marcou.

E o bar inteiro reagiu — mas ninguém como Heitor.

Ele gritou como se tivesse ganhado na Mega-Sena, levantou da cadeira com Helena no colo, deu um giro e pulou abraçado com ela.

— Caralho, amor! TU É MUITO PÉ QUENTE!

Ele a beijou com vontade, ali mesmo no meio do bar.

Ela riu, ainda com os braços em volta do pescoço dele.

— Eu nem sabia o que tava acontecendo direito.

— Mas tava do meu lado. É isso que importa. Ganhou o jogo, ganhou a noite. Ganhou tudo.

Helena encostou o rosto no peito dele e sorriu.

Ali, no bar, com Heitor rindo alto, o time ganhando, e as mãos dele segurando ela com firmeza…

Ela entendeu.

Aquelas podiam ser suas noites de quarta dali pra frente.

E não parecia nada mal.