Heitor já não conseguia pensar.

Cada movimento do corpo da Helena, cada rebolada lenta, cada gemido sussurrado com o nome dele…

Tudo aquilo queimava por dentro como se o corpo estivesse em chamas.

Ela estava tão quente, tão molhada, tão entregue, que parecia feita sob medida só pra ele.

E ela rebolava ainda.

— Aí, porra… Continua… Isso… engole meu pau assim com sua bucetinha, vai…

A mão dele ainda segurava os cabelos dela, puxando com firmeza, forçando a nuca pra trás.

O outro braço envolvia a cintura dela, puxando contra si com cada investida.

Helena gemia o nome dele.

E Heitor perdeu o controle.

— Vai… Tu vai me fazer gozar, amor…

Mais fundo.

Mais forte.

— Isso… caralho… Toma. Toma tudo. Toma meu gozo, porra.

O corpo dele estremeceu.

A respiração falhou.

O peito bateu contra as costas dela com força.

E ele gozou.

Ali mesmo.

Dentro.

Fundo.

Quente.

Heitor ficou um tempo parado, colado nela, os braços em volta do corpo pequeno e quente dela, ofegando alto, o queixo encostado no ombro dela.

— Caralho… Agora que a gente pode sem camisinha… É outro nível.

Helena bufou, ainda sem fôlego.

— Nem começa. Não é pra se acostumar com isso.

Heitor deu um riso lento, suado e satisfeito, passando a mão pelas costas nuas dela.

— Ué…Você que nunca mais pediu pra eu colocar. Desde aquela noite, tá só… me recebendo.

Ela empurrou ele devagar, ainda ofegante.

— Você é impossível.

— E você é irresistível. Aí f0de meu juízo mesmo.

Ele a abraçou por trás mais uma vez, com a respiração voltando ao normal, o corpo ainda colado no dela, a testa suada encostada na curva do pescoço.

Ali, suados, ofegantes, colados…

Heitor sentia que não era só o corpo que tinha gozado.

Era ele inteiro.

Heitor ainda estava com Helena no colo quando subiu os degraus da entrada com facilidade.

— Agora você vai conhecer minha caverna secreta.

— Você é o Batman agora? — ela debochou, com o queixo no ombro dele.

— Se eu for, você é a única que conhece meu esconderijo.

Ele abriu a porta com o ombro, empurrou e acendeu as luzes. O hall era amplo, os móveis sofisticados, piso claro de pedra polida, escada com corrimão escuro em curvas suaves.

— Dois andares, quartos demais pra pouca gente, uma sala de estar enorme, cozinha americana, um escritório que nunca usei e um closet que você vai adorar mexer.

— Olha só… — Helena comentou, olhando ao redor. — E eu achando que você era sem-teto.

— Tenho casa em quase todas as cidades com filial da Monteiro Inc.

— Meu avô fez questão. Tem gente que cuida de cada uma, mantém em ordem, mesmo sem a gente estar lá.

— Então cê tem casa pra car4lho?

— Tenho onde te levar quando quiser fugir do mundo. Mas se for pra atrapalhar a gente dormir junto, faz de conta que eu nem mostrei essa aqui.

Ela riu. Ele a colocou no chão suavemente, segurou o rosto dela com uma das mãos e deu um beijo calmo, quente.

— Vou pegar uma coisa pra gente beber, beleza?

Ela assentiu e foi explorando a casa enquanto ele sumia pela cozinha.

As paredes tinham quadros discretos, a mobília era elegante e moderna — tudo muito sóbrio, mas com personalidade.

Helena caminhava devagar, absorvendo cada detalhe até que seus olhos pararam em uma prateleira de madeira escura, onde repousavam algumas fotos emolduradas. Pequenas janelas para um passado que ela não conhecia, mas agora fazia parte.

A primeira era preto e branca, antiga, quase desbotada pelo tempo. Mostrava uma jovem mulher de cabelos aparentemente claros presos com cuidado, olhos que, mesmo sem cor revelada, transpareciam uma firmeza serena. O rosto era suave, gentil, como alguém que sabia escutar o mundo sem pressa.

Helena se aproximou instintivamente, como se quisesse ouvir o que aquela mulher teria a dizer.

“A avó dele…” pensou, sentindo um calor estranho no peito. Havia algo ali… algo do Heitor.

Ao lado, uma foto já com cores do casal já mais velho. O avô de Heitor era uma figura imponente — cabelos escuros já encanecido nas laterais, olhos azuis tão escuros que quase pareciam cinzentos, que contrastavam com o olhar sereno da esposa ao lado.

Ele parecia um homem que nunca sorria à toa. Ela, alguém que sorria mesmo quando não era vista.

“Pelo jeito Heitor não será calvo, ainda bem” Helena riu com o pensamento.

Mais adiante, uma foto do casamento dos pais de Heitor. O pai, de terno preto, alto, sério, com o rosto muito parecido com o do avô: traços duros, maxilar forte, cabelo negro perfeitamente penteado e olhos azuis escuros como o aço.

Ao lado dele, a esposa, mãe de Heitor — loira, elegante, com os mesmos olhos azuis médios que Heitor carregava hoje, usando um vestido delicado e uma tiara de pérolas nos cabelos ondulados.

Ela parecia… inalcançável. Como se tivesse nascido para flutuar acima das coisas comuns.

Logo abaixo, havia uma foto emoldurada com mais cor e vida. Helena se deteve.

Heitor, parecia ter por volta de oito anos.

Ele usava uma roupa social infantil, camisa branca com suspensório, cabelos negros alinhados e aquele olhar azul intenso já tão presente — entre a timidez e o fogo.

Ao seu lado, a mãe, de vestido longo azul-petróleo, e a avó, com um conjunto creme discreto e colar de pérolas.

As três gerações lado a lado. E por um instante, Helena não soube dizer quem era mais bonita.

— Ele parece tanto com a mãe aqui… — sussurrou, quase sem perceber.

E então, no canto da prateleira, a foto mais simples.

Um garotinho com camiseta do Fluminense, cabelo preto desgrenhado, sorvete derretido no queixo e os olhos azuis mais expressivos que ela já tinha visto.

A boca suja, com uma janelinha, o riso aberto.

Helena sorriu.

— Essa bagunça aqui, sim… é o Heitor — murmurou com carinho.

Se encostou levemente na estante e observou de novo cada olhar, cada traço herdado.

— Eu nem sabia que existiam tantos tons de azul — pensou, com um sorriso calmo — O dele… é o mais bonito.

Parou novamente na foto do pequeno Heitor e deu um lindo sorriso.

— Que isso… — ela sussurrou — …Fofo demais.

— O quê que você achou aí? — a voz dele veio pela porta da cozinha, já com uma tábua e uma garrafa na mão.

— A prova de que você já foi puro.

Ele olhou de longe, riu e veio até ela. Pousou a tábua na mesa de centro e largou a garrafa sobre um suporte de madeira.

— Se o nosso filho puxar a mim, vai ser fofo assim também.

Helena travou. A bochecha esquentou.

— Você falando de filho agora?

— Ué, e por quê não? Mas pra falar a real, eu preferia que puxasse tu. Sua boca, seus olhos, seu nariz, seu cabelo e sua teimosia. — ele continuou empolgado e com um sorriso sonhador — Queria uma cópia sua na verdade. Eu vi uma foto sua criança, muito lindinha, uma bonequinha.

— Heitor…

— Imagina uma mini Helena mandona com esse olhar? Vai destruir qualquer homem que olhar torto. Inclusive eu. Bom que nós dois vamos bater nos meninos.

Ela disfarçou o sorriso com um gole de ar.

— Você tá ficando mole.

— Não. Tô ficando seu.

Ele voltou pra cozinha e pegou uma garrafa da adega. Colocou ao lado da tábua montada com presuntos finos, queijos cortados em cubos perfeitos, uvas dispostas com capricho.

— Isso aqui é um Château Margaux.

Helena olhou pra garrafa como quem encara uma joia.

— Chato o quê?

— Margaux. — ele falou com o sotaque francês preciso, a voz aveludada.

— Como é?

— Margô.

— Você tem sotaque?

— E essas mãos cortando queijo? Cê estudou isso?

— Não. Mas… sei fazer com cuidado. Queria que você achasse bonito.

— Eu não achei só bonito, achei incrível Heitor… Você é muito caprichoso.

Helena olhou o gesto todo — o vinho servido com precisão, os olhos atentos, o cuidado com a borda da taça.

Heitor estava… vermelho.

Envergonhado.

De um jeito raro, vulnerável.

— Você fica fofo assim. Sabia que você fica sem jeito quando eu te elogio?

— Eu não.

— Você sim. E vou fazer mais vezes.

Ela pegou a taça. Levou à boca com cuidado.

— Parece até pecado beber um vinho desses sem ter lido um manual.

— Só sente. Se gostar, tá certo.

Ele tomou um gole também. Helena observou, os olhos mais brilhantes.

— Você tem noção de como você é bonito, né?

Heitor riu.

— Depende. Bonito de rosto ou de corpo?

Ela não respondeu. Pegou uma uva da tábua, se aproximou e, devagar, colocou na boca dele.

Depois deslizou os dedos pelo peitoral dele, subiu pelos ombros e passou pelos braços fortes.

— De tudo. Mas esse corpo aqui… Isso não é corpo de executivo. Isso é corpo de um homem gostoso, delicioso na verdade… que eu derreto só de tá perto.

Heitor riu, o rosto ficando vermelho de novo.

— Tu vai me matar, mulher. Já me f0de com o olhar, agora quer elogiar minha carcaça?

— Sua carcaça é arte.

— Sua boca é crime.

Ela sorriu, encostando o rosto no peito dele, sentindo o calor do corpo grande e firme.

Heitor baixou a cabeça, beijou o topo da cabeça dela com carinho. Ficaram ali em silêncio por um segundo. Só o som do vinho sendo girado dentro da taça, só o calor, só os dois.

— Obrigado. — ele disse, baixinho.

— Pelo quê?

— Por deixar eu te mostrar quem eu sou. O meu mundo. E por querer ficar nele.

Helena não respondeu. Só encostou mais o corpo.

E ficou.