O CEO que Eu Paguei
59 Galera do Trabalho
— Ai, eu tava esperando essa pergunta! — disse Hugo, já com a terceira porção de batata em mãos. — E que colo, né? Porque vou te dizer… o homem é um armário e parece ter um documento bem extenso ... e olha... o jeito que ele agiu na boate com a Helena.
— Do que tá falando? — Clara franziu o cenho.
— Ah, tu não viu? — Hugo perguntou. — Tá rolando no Tik Tok, o nosso CEO dando barraco com o tatuado que a Helena tava pegando..
— E você tem certeza que era o Heitor? — Clara ergueu a sobrancelha.
— Tenho. Reconheço aquela geladeira ELETROLUX de longe. A mulher é a Helena, dá até para ver o rosto — ele olhou pra Helena, teatral.
Helena afundou o rosto nas mãos.
— Ai, meu Deus… Isso de novo não
— Relaxa, amiga. — Júlia deu um gole na cerveja e sorriu. — Eu achei romântico. Ele parecia... ciumento, ui!
— Tem a sua boca tremendo na minha, ele que falou em alto e bom som — Hugo emendou, teatral.
— Hugo! — Helena tentou cortar.
— “MAS NÃO DEIXA DE SER MINHA POR ISSO!” — disse ele, imitando a voz de Heitor com um sotaque carioca arrastado. — EU GOSTO DE HOMENS ASSIM, GRITANDO POSSE NO PÉ DO OUVIDO DA PESSOA!
— Hugo, pelo amor de Deus… — Helena pediu, mas já estava rindo envergonhada.
Clara, até então sóbria, arregalou um pouco os olhos.
— Ele fez essa cena por você?
Helena só assentiu. Lentamente.
— Caralho. — murmurou Clara, encarando o copo. — Eu achei que fosse uma daquelas cenas contratadas para vale-night.
— CLARA! — Helena exclamou, com as bochechas queimando.
— Amiga… — disse Júlia, segurando a risada —...você tem noção do que é fazer um homem daquele tamanho quase sair na porrada com outro? Ele parecia um urso com crise de ciúmes. Um urso gostoso, claro. Opa, com todo o respeito Helena.
— Ai, meu Deus… — Helena sussurrou, enterrando o rosto no braço.
— E como foi o depois? — perguntou Hugo, inclinando-se na mesa como quem vai ouvir uma fofoca quente. — Ele te levou pra casa? Pro hotel? Tava de carro? Tinha cama? Ou foi... improviso?
Helena levantou a cabeça com um olhar mortal.
— Não vou responder isso.
— Já respondeu com esse silêncio! — gritou Ana Alice, que até então só observava com os braços cruzados. — Pela cara dela, foi na matinha. Aposto. Ela tem cara disso.
Helena ficou tão vermelha que até o ombro ficou corado.
— Ou foi no carro, né? — insistiu Hugo. — Foi sim. Ahhh, que delícia. Sentada no colo, o banco recuado, o vidro embaçando, os peitos batendo na buzina… naquela Audi preta.
— Eu vou embora. — Helena ameaçou levantar.
— Não vai não. — disse Clara, rindo pela primeira vez. — Vai aguentar até o fim, Helena. Você destruiu a produtividade da empresa essa semana, o mínimo que pode fazer é contar como conseguiu fazer o diretor mais gelado da Monteiro Inc. parecer um adolescente apaixonado.
Helena tapou os olhos com as mãos.
— Ele não é gelado...
— Agora a defensora fala. — disse Hugo. — Aí tem apego, hein. Tem sentimento, tem fogo, tem suspiro no banho depois.
— Não tem nada. — rebateu Helena, rápido demais.
Silêncio.
— Não tem? — perguntou Clara, com calma.
Helena hesitou. Suspirou. E soltou, baixinho:
— Tem. Eu gosto dele…de verdade — as palavras saem como se estivessem entaladas — Mas eu tô tentando não deixar isso me engolir. Porque com ele tudo é... demais.
— E você gosta. — disse Júlia.
— Eu tenho medo. — respondeu Helena, mais sincera do que queria.
A mesa ficou quieta. Mas dessa vez, era outro tipo de silêncio. O tipo que escuta.
Helena mexeu no copo devagar. Depois murmurou:
— É como se ele enxergasse tudo. Até o que eu tento esconder. E aí me desmonta. Me desafia. E me protege no mesmo segundo.
— E quando ele te pega... — começou Hugo, mas levou um tapa da Júlia antes de terminar.
— CHEGA, HUGO!
Todos riram.
Clara ergueu a latinha outra vez.
— Vamos brindar.
— De novo? — perguntou Helena, já sorrindo.
— Agora é por você. Pela coragem de gostar de um homem intenso... e continuar com ele mesmo quando o mundo inteiro tá olhando.
— Mesmo quando o mundo inteiro tem redes sociais. — murmurou Hugo.
— Mesmo assim. — repetiu Clara.
As latinhas se encontraram no ar, tilintando sob a luz amarelada do bar. E Helena, ainda corada, ainda tímida, mas mais leve, brindou com eles.
Porque ali, entre piadas indecentes e olhos curiosos, ela sabia: estava cercada.
E mais do que isso… estava sendo cuidada.
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