O CEO que Eu Paguei

61 Coração de Portão


Helena mal tinha terminado de fechar o portão, ainda com a chave na mão, quando Heitor disparou:

— Eu passei o caralho do dia inteiro em reunião, Helena! Com RH, com jurídico, com coordenador, com analista de contrato, com compliance, com um véio que nem sei de qual setor era, só porque eu falei que tava com você!

Ela arregalou os olhos.

— Falei na frente de TODO MUNDO! Assumi pra empresa inteira! Eu disse que você é minha mulher! A minha! A que eu como com vontade, que geme com a boca encostada no meu pescoço, que me arranha as costas e me chama de…

— HEITOR! — ela gritou, vermelha, tampando a boca dele com a mão. — Pelo amor de Deus! Tem gente ouvindo!

— E tem mesmo! — respondeu um dos PMs lá do portão, com o braço apoiado na grade, segurando o riso. — A rua inteira, inclusive.

— E o senhor tem razão, viu? — completou o outro. — Cê fez tudo isso pela moça, e ela some? Tá errada mesmo, uai.

Helena virou o rosto, em choque.

— Vocês tão do lado dele agora?!

— Uai, minha filha… o doutor moveu os céus por você, e você some? Eu também ia pular para saber o que tá acontecendo.

— E ele tá com cara de quem não dorme desde o último beijo.

— E desde a última sentada também — murmurou Heitor, alto o bastante pro universo ouvir.

— HEITOR, PELO AMOR DE DEUS! — Helena enfiou a cara nas mãos. — Você quer me matar de vergonha?

— Quero te matar é de prazer, de novo. — ele respondeu, encostando na parede com cara de bandido sem arrependimento. — Mas se a polícia me levar, só vou poder lembrar daquele gemido que você soltou quando eu...

— CHEGA! — ela berrou. — Eu mudei de ideia, PODEM PRENDER ELE!

Os PMs já tavam se dobrando de rir, segurando na viatura com uma das mãos.

— Moça… sinceramente? A senhora tem sorte. É só doido que ama assim.

Helena apontou pra ele.

— É. Doido.

Heitor abriu os braços.

— E mesmo doido, fui eu quem te trouxe pão de queijo, suco natural, e te fez gozar na sala da tua vó sem fazer barulho nenhum.

— HEITOR!

— Cê acha que eu esqueci? Eu lembro de cada posição, Helena. E das palavras que tu falou tremendo. E agora? Tu me some, me deixa no vácuo, não atende, não responde, e ainda me vê quase ser preso?!

Ela respirou fundo, tentando conter o riso e o caos.

— Entra logo, antes que eu mude de ideia.

— Só se tu prometer que vai atender da próxima vez. E que não vai me deixar dormir sem saber onde tu tá.

— Prometo. Juro. Por tudo. Só entra.

— E me dá um beijo. Aqui. — apontou pra boca.

Ela hesitou.

Os PMs continuavam assistindo.

— Beija logo, moça. Senão ele escala o telhado da próxima vez. — disse um.

Ela bufou, puxou ele pela gola e tascou um beijo rápido.

— Pronto.

Heitor sorriu de canto, vitorioso.

— Agora sim.

E virou pros PMs.

— Valeu, senhores. E se ela sumir de novo… eu ligo pro 190 antes. Mais rápido.

Um deles fez continência de brincadeira.

— Qualquer coisa, tamo aí. Só não pula mais portão, não. A gente quase atirou no senhor.

— Pode deixar. Mas o único tiro que eu levei… foi o de amor.

Helena puxou ele pelo braço pra dentro antes que falasse mais merda.

Totó latiu. Ele respondeu com assobio.

Helena revirou os olhos. Depois suspirou.

— Anda logo. Mas entra quieto. E se o Totó rosnar, eu não vou te defender de novo.

Ele sorriu. Um sorriso cansado, vitorioso e meio idiota.

— Valeu, delegada Helena.

— Cala a boca Heitor.

E quando a porta da casa fechou… a noite lá fora continuou calma.

Mas por dentro daquela casa?

Tinha um furacão de desejo, orgulho, e um homem pronto pra perder a razão.

Tudo por ela.