O Cântico Das Lagartas
1 As Lagartas
Notas iniciais
As Lagartas
Somos lagartas em casulos eternos
Observamos todos em suas vestes de borboleta
Enquanto a nossa hora da estrela nunca chega
O que há de errado conosco?
O que há de errado conosco?
As moscas pousam sobre nós
Pois a nossa alma está podre
A inveja está nos corrompendo
Não é culpa nossa!
Apenas queremos ser beijados e abraçados
Mas a beleza nunca nos quis para um raio de sol
Nós somos os monstros que a espada do cavaleiro não conseguiu atingir.
Agora perecemos sob o castelo das princesas brancas e limpas
Somos feios e sujos
Apenas queremos subir no palco e cantar dentro do tom
Provar que valemos a pena
Mas não fomos abençoados, somos desafinados
Disseram-nos que todos que sofreram bullying teriam o seu grande dia
Oh, eles nos enganaram, eles nos enganaram!
Onde está o nosso grande dia?
Onde está o nosso grande dia?
Nunca provaremos aos nossos inimigos que somos bons o bastante...
Porque somos insuficientes...
Nós não somos ninguém...
E no dia em que subirmos a grande encosta do sofrimento
No dia em que fizermos a fonte da beleza secar completamente
No dia em que ninguém nascer mais com lábios bem delineados
Olhos claros, pele clara, nenhuma gordura fora do lugar
No dia em que assassinarmos a sangue frio todo e qualquer estúpido estereótipo de beleza
No dia em que todos forem feios e puderem ver o mundo sob os nossos olhos
Eles finalmente saberão o que sentimos
Porque estamos cansados de ouvir mocinhas magras e perfeitas dizendo que nos entendem
É tão simples, afinal elas são belas, inteligentes e talentosas
Se você nunca esteve sob a nossa pele, não despeje sobre nós o seu veneno da falsa compreensão!
Não tente entender a sujeira se você sempre foi tão limpo!
Oh, não nos iluda...
Tão somente não nos iluda!
O que você sabe sobre ser menosprezado e diminuído?
O que você sabe sobre ser sempre o fracassado da classe?
O que você sabe sobre morrer tentando provar aos outros que você pode ser algo?
Sendo que você sabe lá no fundo que nunca será!
Então não finja nos amar, não finja!
Estamos mortos.
E só agora, com os nossos nomes impressos em lápides, você saberá a verdade.
Mas aí será tarde demais...
Grave as minhas palavras:
“É tarde para amar.
Cedo para odiar”.
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