O Cálice do Desejo e o Retorno do Passado - 5ª Tem
14 A Presença
* * * Centro – Atenas, Grécia * * *
Hotel Primórdio – Térreo – Área Externa
Respirei de alívio! Pelo menos eu havia evitado um problema maior entre dois deuses.
Olhei para o cavaleiro de Hades, vestido todo de preto na minha frente. Ele era de uma beleza única. Falei calmamente, mas firme.
(Atenas) – Não sei se é do seu conhecimento, mas Poseidon está adormecido no corpo do Julian e qualquer ameaça a vida dele, Poseidon despertará. Até o momento de levá-lo para o Império, eu não quero que isso aconteça. Poderá ficar perto dele, vigiá-lo como Hades o ordenou, mas nada além disso.
Ele permaneceu do mesmo jeito que estava.
(Lune) – É do meu conhecimento a situação do irmão do meu senhor. Farei apenas o que me foi ordenado.
Supondo que isso seja uma resposta positiva da parte dele, me comuniquei com os meus cavaleiros.
“(Atena) – Cavaleiros, Hades veio buscar o Poseidon, pedi a ele alguns dias e ele aceitou na condição de que o seu cavaleiro ficasse de olho no seu irmão. Preciso que não entrem em conflito com o cavaleiro de Hades nesses dias, a última coisa que eu preciso e ter problemas com mais um deus.”
Todos concordaram com o meu pedido.
Olhei para o cavaleiro de Hades.
(Atena) – Vamos entrar, o deixarei na mesa reservada para o Julian. Eu o trarei ao seu encontro.
Voltando para dentro do hotel, fomos em direção ao salão onde os meus cavaleiros aguardavam o leilão. As recepcionistas olharam para o cavaleiro que me acompanhava e uma delas perguntou enquanto olhava a lista dos convidados.
(Recepcionista) – Ele também será leiloado?
(Atena) – Não, não irá, ele é um convidado especial que veio de muito longe, ele não estará na lista repassada a vocês, mas ficará durante todo o evento.
Elas sorriram concordando.
Entramos no salão. Me dirigi para a mesa reservada perto do palco.
(Atena) – Por favor, aguarde aqui. Logo o Julian lhe fará companhia.
Ele se sentou e olhou para mim.
(Lune) – Eu o aguardo.
(Atena) – Com licença.
Saí e fui para trás do palco. Ao me verem, me rodearam e Kanon foi o primeiro a chegar perto de mim. Olhou para o meu pescoço, onde há pouco Hades havia me tocado.
(Kanon) – Por que foi sozinha? Faz ideia do risco que correu!
Ele deslizava o polegar no meu pescoço, massageando.
(Atena) – Estou bem, Kanon. Eu só quis evitar algum tipo de atrito com o Hades.
(Kanon) – Não concordo em nada com esse tipo de estratégia onde se coloca em risco!
Saga se aproximou e com o ombro empurrou o irmão para dar espaço para ficar perto de mim e estava sério.
(Saga) – O que foi aquilo??? Por que ficou sozinha com ele???
Respirei fundo.
(Atena) – Precisava conversar com o Hades sem que ele achasse que eu o estava incitando para uma batalha.
Saga olhou para o meu pescoço.
(Saga) – O que foi isso???
Levei a mão ao pescoço.
(Atena) – Não se preocupe, isso não foi nada.
(Saga) – É claro que foi!!!
Ele tirou a minha mão no pescoço.
(Saga) – É claro que a machucou! E essa marca???
(Atena) – Não, estou bem!
(Saga) – Atena, seja sincera, ele machucou você?
(Atena) – Não, não machucou, estou bem
Saga estava se alterando.
(Saga) – Não, não está não!!!
“(Atena) – Saga, olha para mim! Estou bem!”
“(Saga) – Está bem porra nenhuma!!! Olha essa marca no seu pescoço!!!”
“(Atena) – Amor, não precisa se preocupar, estou aqui.”
“(Saga) – O problema é que EU não estava lá, Atena!”
“(Atena) – Saga...”
Que vontade de abraça-lo e beijá-lo para acalmá-lo! Mas isso não era possível, não ainda!
“(Atena) – Sei que está bravo comigo, mas eu nunca o colocaria em perigo!”
Ele ainda me olhava com os olhos azuis sérios e respirou fundo.
“(Saga) – Se vai se colocar em perigo de nada adianta a sua preocupação, Atena!”
Kanon voltou a se aproximar de mim e olhou sério para o irmão o advertindo que estava se excedendo. Tornando a sua atenção para mim senti a sua mão macia tocar no meu pescoço.
(Kanon) – Por que foi para lá sozinha? Sabe muito bem que o Hades não é confiável! E ainda por cima ele deixou o Lune aqui!
Olhei para o meu lindo cavaleiro.
(Atena) – Me desculpe, a ideia não era preocupá-los... você conhece o cavaleiro dele?
Kanon estava sério.
(Kanon) – Sim, tive o desprazer de conhecê-lo. Mas nada que tenha me causado algum problema na época. Eu havia prometido que derrotaria o maior número de espectros que eu pudesse, e ele foi um deles.
Deslizei a mão no seu rosto.
(Atena) – Obrigada por ter me ajudado naquele momento delicado.
Ele puxou um sorriso.
(Kanon) – E faria tudo de novo para protegê-la, Atena.
“(Atena) – Te amo, Kanon!”
“(Kanon) – Também te amo, Princesa!”
Respirei fundo e olhei para os meus cavaleiros ao meu redor.
(Atena) – Tenho que inventar alguma desculpa para o Julian, que justifique a presença do guerreiro de Hades aqui. Logo retornarei para ficar com vocês.
Olhei para meu doce cavaleiro de lindos olhos verdes.
(Atena) – Mu, poderia me levar ao encontro com o Julian?
Ele se aproximou de mim.
(Mu) – Sim, posso.
Falei baixinho no seu ouvido.
(Atena) – Nos deixe de frente para o elevador, por favor. Quero ficar esses minutinhos com você.
Ele sorriu mostrando as covinhas no rosto.
(Mu) – Será um prazer acompanhá-la.
(Atena) — Obrigada.
No mesmo instante desapareci junto com o Mu.
*
Dentro do elevador, o abracei me aconchegando nos seus braços. Ele retribuiu me trazendo para mais perto dele.
(Atena) – Como eu amo o seu cheiro...
Falei em tom de súplica.
(Atena) – Mu, quero ir embora... não vou sobreviver a essa noite...
Ele tocou no meu rosto me fazendo olhar para ele, como meu Mu era lindo! Com sua doce voz que acalmaria um leão, ele disse.
(Mu) – Prometo que a levarei assim que tudo isso acabar.
Fiz biquinho.
(Atena) – Promete?
Ele sorriu docemente.
(Mu) – Prometo, Anjo.
Olhei nos seus olhos verde-escuros e toquei no seu rosto sentindo a maciez nas minhas mãos. Me aproximando dos seus lábios eu sussurrei.
(Atena) – Preciso do seu beijo, Mu...
Ele então diminuiu a distância dos nossos lábios e me beijou. Como sempre, o beijo doce de cerejas maduras era viciante, não dava vontade de parar. Eu aproveitava cada canto da sua boca, me deliciava com cada deslizada que nossas línguas faziam ao roçar uma na outra.
Mu desconectou os nossos lábios, estávamos ofegantes, ele sussurrou.
(Mu) – Anjo... o elevador... vai abrir.
Lambi meus lábios.
(Atena) – Mu... como eu queria ficar presa nesse elevador com você...
Ele sorriu, com as maçãs do rosto rosadas pelo calor do nosso beijo.
(Atena) – Como eu te amo, Mu...
Ele deslizou o polegar suavemente na maçã do meu rosto.
(Mu) – Eu também te amo, Anjo...
Respirei fundo e beijei a mão dele que estava no meu rosto.
(Atena) – Não quero sair, Mu... quero ficar aqui com você...
(Mu) – Eu também adoraria, mas temos um leilão para fazer.
Fechei a cara ao me lembrar do que vinha pela frente.
(Atena) – Um leilão que com certeza eu jamais faria na vida!
Ele me abraçou novamente.
(Mu) – Logo vai terminar.
Respirei fundo.
(Atena) – Sim, logo terminará...
A porta do elevador se abriu e nos deixou de frente para o restaurante.
Mu me abraçou por trás e falou no meu ouvido.
(Mu) – Tudo bem?
Encostei no seu corpo aproveitando esses segundos preciosos.
(Atena) – Sim, vou ficar bem.
(Mu) – Certeza?
(Atena) – Se eu ficasse a noite toda abraçadinha com você, teria certeza, Mu...
Ele deu um beijo no meu rosto e deslizou o nariz pela minha pele.
(Mu) – Em breve, Anjo.
Hotel Primórdio – Cobertura – Restaurante
Entramos no restaurante, eu procurava pelo Dite e o Julian. Os achei conversando perto dos músicos e juntamente com o sr. Otávio.
(Atena) – Mu, poderia voltar com o Dite, por favor? Preciso conversar com o Julian.
Conforme eu ia me aproximando, Dite já havia me visto e resolvi falar com ele.
“(Atena) – Alguma ameaça do Poseidon voltar?”
“(Afrodite) – Não, ele estava muito eufórico com o beijo, o que deve ter ajudado muito!”
Julian veio na minha direção e ao ficar de frente para mim, pegou na minha mão.
(Julian) – Está tudo bem, Saori?
(Atena) – Sim, me desculpe na demora.
Ele beijou a minha mão.
(Julian) – Não se preocupe com isso, o senhor Otávio estava nos contando sobre algumas curiosidades do hotel.
Sorri.
(Atena) – Que bom que não ficou entediado na minha ausência.
Ele me devolveu o sorriso e falou baixinho.
(Julian) – Mas nada que se compare a sua presença!
(Otávio) – Se me derem licença, tenho que continuar a organizar o restaurante, fiquem à vontade.
(Julian) – Nos falamos depois, senhor Otávio.
(Otávio) – Será um prazer convencê-lo a se tornar um dos acionistas do hotel, senhor Solo.
O senhor Otávio se retirou.
Respirei fundo.
(Atena) – Julian, preciso conversar com você, à sós.
Ele ficou pensativo, tentando adivinhar do que se tratava.
(Julian) – É claro, vamos ficar lá fora, será melhor para conversarmos.
(Atena) – Sim, será.
Olhei para o Dite.
(Atena) – Dite, pode voltar com o Mu, logo o Julian e eu estaremos no salão também.
(Afrodite) – Ok, se precisar de mim é só chamar.
(Julian) – Obrigada pela companhia, Dite.
(Afrodite) – Foi um prazer, Julian.
(Mu) – Se nos derem licença.
Os dois desapareceram da nossa frente.
Julian colocou a mão na minha cintura.
(Julian) – Vamos?
Confirmei com a cabeça.
Saímos para a parte externa do restaurante. Da cobertura do hotel, a vista era impressionante. A noite estava escurecendo, mostrando algumas estrelas. O vento estava suave e a temperatura agradável.
Me apoiei no parapeito, e olhei para a frente, a vista era incrível, dava para ver toda a cidade ao longe acendendo as luzes.
Julian ficou do meu lado.
(Julian) – Pensei ter ouvido você dizer que estava tudo bem.
(Atena) – E está.
(Julian) – É sobre nós dois?
Olhei para os olhos claros que tentavam desvendar o que se passava.
(Atena) – Não, não é, mas estamos bem? Eu já pedi desculpas!
Ele sorriu.
(Julian) – Estamos ótimo, Saori!
Ainda o olhando disse.
(Atena) – Na verdade tem a ver com a minha descida para térreo agora pouco.
Olhei para a paisagem a frente.
(Atena) – Estou precisando ir nos próximos dias a um encontro muito importante, que sinceramente não gostaria de fazer. E para garantir a minha presença nesse evento nesses dias teremos a companhia de um outro cavaleiro na minha mansão. Espero que não se importe com a presença dele nesses dias.
(Julian) – Não me importo com a presença de mais alguém na sua casa, desde que a sua atenção não tenha que ser dividida com mais ninguém, eu não me importo.
Sorri.
(Atena) – Não, não tenho, terá a minha atenção como sempre
Ele sorriu.
(Atena) – Essa noite ele ficará na mesa reservada para você.
(Julian) – Não se preocupe, eu não me importarei em dividir a minha mesa com ele.
Sorri. Olhei para ele.
(Atena) – Obrigada pela compreensão, Julian.
(Julian) – Eu que agradeço por dividir isso comigo.
(Atena) – É melhor voltarmos para o salão.
Ele sorriu.
(Julian) – Vamos?
(Atena) – Sim.
Ele colocou novamente a mão na minha cintura.
Fomos em direção ao elevador do hotel.
Hotel Primórdio – Térreo – Salão
Chegando ao salão, fui apresentar o Julian ao “segurança particular” dele.
O lindo cavaleiro de Hades se levantou elegantemente da mesa ao notar a nossa chegada.
(Atena) – Julian, esse é um cavaleiro de que te informei, e por alguns dias ficará conosco.
Julian estendeu a mão e o cavaleiro loiro retribuiu.
(Julian) – Seja bem-vindo.
(Lune) – Obrigado.
Olhei para o Julian.
(Atena) – Preciso ir para atrás do palco, logo começará o leilão, se me derem licença.
Saí em direção ao palco.
*
Cheguei atrás do palco e além dos meus cavaleiros haviam várias outras pessoas juntas a eles, equipes de fotógrafos, maquiadores, entrevistadores, e outras pessoas que não identifiquei.
Em uma parede branca estava posicionado o meu lindo cavaleiro de escorpião que pousava para os fotógrafos. Ele estava uma tentação vestido com aquele smoking.
Seus olhos azuis se cruzaram com os meus e ele puxou um sorriso sexy para mim. Ele tinha que ser tão lindo e sedutor desse jeito? E esse magnetismo era natural dele!
“(Atena) – Ah, Milo, como é que elas vão resistir a isso tudo?”
Ele sorriu e piscou para mim.
“(Milo) – Quem sabe eu consigo arrecadar um bom valor para você, Linda!”
Respirei fundo.
“(Atena) – Para o meu desespero, eu não tenho a menor dúvida disso, Milo.”
Ele fez uma cara de surpreso.
“(Milo) – E isso não vai ser bom?”
Cruzei os braços.
“(Atena) – Isso vai ser péssimo! Não quero ninguém nos seus braços, Milo!”
Ele segurou um sorriso mordendo os lábios.
“(Milo) – Linda, sou todo seu!”
Vi pela minha visão periférica, que a mesma entrevistadora que entrevistou o Julian e eu, se aproximava de mim com um sorriso.
(Miriam) – Senhorita, Kido! Prazer em revê-la!
Tentei sorrir de volta.
(Atena) – Igualmente, Miriam... saberia me dizer o que está acontecendo aqui?
Ela explicou sorridente.
(Miriam) – Estamos registrando os bastidores do leilão, tirando fotos e colhendo informações pessoais deles, e logo faremos o mesmo com você também!
Me esforcei para sorrir.
(Atena) – Que maravilha...
(Miriam) – Essa noite será incrível!
(Atena) – Sim... será...
* * *
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