O Cálice do Desejo e o Retorno do Passado - 5ª Tem
25 A Intuição
* * * Centro – Atenas, Grécia * * *
Hotel Primórdio – Térreo — Palco/Bastidores
Olhei para o meu penúltimo cavaleiro que esperava ansioso pela sua vez e como todos os demais estava lindíssimo! Camus ajeitava sua gravata. Dois produtores falavam com ele, provavelmente passando alguma orientação e ele escutava com atenção.
Como se o Dite adivinhasse meus pensamentos nós dois levantamos juntos do sofá e fomos na direção dele. Ao nos aproximarmos eu disse sinceramente.
(Atena) — Está impecável, Camus! Não se preocupe.
Ele puxou um sorriso sem jeito.
(Camus) — Obrigado, Atena.
Dite olhou para ele.
(Afrodite) — Você não me parece nem um pouco nervoso, mas está empolgado para subir ao palco, estou certo?
Ele concordou com a cabeça sem jeito.
(Camus) — Não sabia que estava tão evidente.
(Atena) — Qualquer um no seu lugar ficaria.
Como se ele dissesse mais para si do que para mim, respondeu:
(Camus) — Não posso criar expectativas.
(Afrodite) — Querido, acha mesmo que a Lyfia viria sozinha?
(Atena) — Bom, eu concordo com o Dite.
Camus tentava esconder a reação de alegria ao nos ouvir.
Ouvimos a voz da apresentadora que mostrava no telão a foto dele de costas, onde era possível ver o seu lindo rosto de perfil, o que gerou muitos aplausos e assobios.
(Apresentadora) — Vamos conhecer o nosso próximo candidato!!! Pode subir o Cavaleiro de Aquárioooo!
(Atena) — Boa sorte.
Ele acenou com a cabeça concordando.
(Camus) — Obrigado, Atena.
Ele subiu as escadas que levavam ao palco e ao aparecer para a plateia os barulhos de euforia aumentaram.
Olhávamos para o telão para acompanhar o que aconteceria no palco quando uma mulher da equipe de apoio se aproximou de nós dois.
(Mulher) — Senhor Afrodite e senhorita Saori, preciso que aguardem aqui, vocês serão os próximos.
Concordamos e ficamos ali mesmo. Olhei para o Dite.
(Atena) — Está nervoso?
Dite olhou para as unhas.
(Afrodite) — Não, nem um pouco! Diria que estou ansioso para subir logo para aquele restaurante.
Sorri.
(Atena) — Eu também! Ficar aqui longe deles, só piora as coisas. A imaginação não para por um segundo e estou aflita!
Dite olhou para mim.
(Afrodite) — Se estiver acontecendo dez por cento do que a minha mente está imaginando, eu me tornarei viúvo!
Passei a mão na nuca, imaginar o que poderia estar acontecendo com eles naquele restaurante estava me deixando agitada demais.
Voltamos à atenção para o telão no momento em que a apresentadora terminava os lances e chamava a ganhadora para o palco.
(Apresentadora) — Arrematado por 42 mil! Pode subir a felizarda ou felizardo!!
Tudo o que eu precisava olhar para saber quem era a ganhadora era para a expressão do Camus. A expressão dele mudou na hora de ansioso para felicidade, ele respirou fundo e sorriu ao ver seu grande amor subir ao palco. Hilda estava lindíssima e da mesma forma não se continha de alegria ao ir na direção dele. E como esperado, ela segurou o rosto dele e o beijou, e ele a segurou pela cintura e retribuiu o beijo da amada. O barulho da plateia era ensurdecedor ao vê-los beijando!
*
Ainda com o rosto pertinho do dele, ela sussurrou:
(Hilda) — Estava com saudades?
Ele sorriu.
(Camus) — Desde o primeiro segundo em que você partiu.
*
Olhei para o Dite e ele disse exatamente o que eu iria dizer.
(Afrodite) — É, eu sei, dói estar longe de quem amamos.
(Atena) — É, dói sim... eu só queria estar assim com quem eu amo, mas acho que isso é pedir demais no momento...
Dite me abraçou.
(Atena) — Eu queria tanto dizer para eles que eu os amo...
Ainda abraçada ao Dite eu o olhei.
(Atena) — Acha que eu devo ou posso fazer isso?
Dite colocou uma mecha dos cabelos azul-celeste atrás da orelha.
(Afrodite) — Bom, mal não vai fazer, né? E além do mais, poderia fazer o mesmo para mim? Dizer para o meu marido que apesar da vontade de matá-lo por estar com aquela mulher, eu ainda o amo e estou com saudades?
Sorri.
(Atena) — Sabe que eu não vou dizer isso ao Mask.
Dite puxou um sorriso.
(Afrodite) — É, eu sei, então por favor traduza a ele.
Sorri.
(Atena) — Está bem.
Ainda com um sorriso no rosto eu me concentrei.
“(Atena) — Mask?”
“(Máscara da Morte) — Minha deusa? Aconteceu alguma coisa?”
“(Atena) — Não, Mask, é que o Dite gostaria que eu te passagem uma mensagem, ele está com muitas saudades de vocês e não vê a hora de você ser todo dele! Ele te ama muito!”
“(Máscara da Morte) — Eu o amo mais! Diga que eu sou dele, sempre fui!”
(Atena) – O Mask disse que ele o ama mais e que ele é seu, sempre foi!
Dite respirou fundo e olhou para mim.
(Afrodite) — Obrigado, eu precisava disso!
Sorri.
(Atena) — De nada, Dite.
(Afrodite) — Bom, é a sua vez! Como eu sei que não será algo rápido, acho melhor você se sentar, não se preocupe, o próximo a chamar ao palco será eu, terá tempo suficiente para falar com eles.
Concordei com a cabeça.
(Atena) — Está bem, Dite. Boa sorte!
(Afrodite) — Não se preocupe comigo, se preocupe em falar com todos antes da sua vez chegar.
(Atena) — Serei rápida.
Dite sorriu de incredulidade.
(Afrodite) — Boa sorte com isso, Mocinha! Vai precisar!
Eu não iria discordar, realmente seria algo um pouco demorado.
Dei um beijo no seu rosto e fui para o sofá de frente para a TV.
Me sentei e respirei fundo, era mais fácil repassar recados! Mas eu precisava disso também, qualquer conexão seria melhor do que nenhuma conexão! Então só deixaria o meu coração falar. Segurando as minhas mãos, em sinal de apoio a mim mesma, eu comecei.
“(Atena) — Mu?”
“(Mu) — Meu lindo anjo, está tudo bem?”
Ouvir a sua voz suave fez meu coração se apertar na hora. Meus sentimentos ficaram à flor da pele, senti meus olhos lacrimejarem, a voz embargou. Foi a reação que o meu corpo achou para dizer o tanto que eu precisava dele!
“(Mu) — Anjo?”
Certo!!! Eu sabia que estava emocionalmente abalada, só não sabia que era tanto! Não conseguiria prosseguir com isso! Todas as emoções que segurei até agora saíram de um só vez, como se de fato estivessem esperando apenas por uma oportunidade para fugirem!
Hotel Primórdio – Cobertura – Restaurante
Eva olhou para o cavaleiro a sua frente e notou a diferença em seu rosto angelical.
(Eva) — Mu, está tudo bem?
Mu olhou para a sua acompanhante loira, pegou o guardanapo a sua frente e tocou nos seus lábios enquanto se levantava devagar.
(Mu) — Sim, está... Eva, se me permite, eu poderia me ausentar por um momento?
Ela confirmou com a cabeça e disse:
(Eva) — Sim, Mu, claro que sim.
Ele fez uma pequena reverência com a cabeça.
(Mu) — Agradeço à sua gentileza, não irei demorar. Com licença.
Ele foi andando calmamente em direção ao banheiro.
Hotel Primórdio – Térreo — Palco/Bastidores
Fechei os olhos e respirei fundo, não podia deixá-lo preocupado.
“(Atena) — Mu, eu...”
A primeira coisa que senti foi o delicioso cheiro de lírios, a segunda a sensação calorosa do seu abraço que me aconchegou nos seus braços, o terceiro foi o sussurro da sua doce voz no meu ouvido.
(Mu) — Estou aqui.
Com a minha cabeça no seu peitoral, eu o abracei apertado. Não queria que ninguém me arrancasse daquele momento! Meu corpo entrou em processo de relaxamento ao sentir o seu calor, o seu cheiro, Mu era tudo o eu precisava.
(Atena) — Te amo tanto, Mu...
Ele beijou a minha cabeça.
(Mu) — Eu também te amo, com toda a força do meu ser.
Não tinha coragem de abrir os olhos, tinha medo que ele desaparecesse se eu o fizesse. Fiquei ouvindo seu coração bater, eu sabia que logo o meu estaria batendo no mesmo ritmo, ou seja, logo eu estaria tão calma quanto ele.
(Atena) — Não quis te preocupar, Mu... eu só queria dizer que te amava... que estava com saudades... mas, eu só não sabia que ao fazer isso eu precisaria tanto de você... como agora... me desculpe...
Ele falou com sua linda e calma voz.
(Mu) — Não me peça desculpas, por acalentá-la, Anjo. Da mesma forma preciso de você... sempre.
Pelos deuses! Como é que eu não choraria?
Delicadamente, ele afastou o meu rosto do seu corpo para me olhar. E sim, eu estava com os olhos cheios de lágrimas. Ele as secou com o polegar. Eu jamais me acostumaria com a beleza dele.
(Atena) — Você é lindo, Mu...
Ele puxou um pequeno sorriso tímido que me mostrava a covinha no rosto.
(Mu) — Você é linda...
Aproximou o seu rosto do meu e me deu um selinho.
(Mu) – Te amo.
(Atena) — Eu também te amo.
(Mu) — Fico feliz que seu cosmo tenha se acalmado.
(Atena) — Graças a você, Mu.
Ele sorriu e olhando nos meus olhos me disse o que eu não queria ouvir.
(Mu) — Preciso ir, Anjo.
Minha expressão mudou no mesmo instante, eu sabia que ele não poderia ficar, mas isso não mudava em nada o fato de que eu o queria ali, comigo, afinal ele era meu, nada mais justo! Estava cansada de me privar! Com esse instinto de posse, rapidamente colei o meu corpo no dele, coloquei minhas mãos no seu lindo rosto e o puxei para mim, precisa do seu sabor e queria agora!
Como sempre, ele me entregou o que eu tanto precisava. Pude sentir sua língua na minha, e apreciar o doce sabor de cerejas maduras que me enlouquecia. Eu era viciada neste sabor. Seus beijos eram deliciosos! Cada fricção que nossas línguas davam, aquecia o meu corpo! O que só fazia aumentar o meu desejo por ele! Meu corpo sabia que ele era tão delicioso quanto o seu beijo! Eu aumentava o ritmo do beijo, o puxava para mais perto e ele me acompanhava me oferecendo todo o seu sabor! Sentia ele pronto para mim, assim como eu estava pronta para ele. Gemi nos seus lábios.
(Atena) — Mu...
(Mu) — Anjo...
Estávamos ofegantes, olhei ao redor e estávamos em um banheiro. A toalha, sabonete, jarro de flores, enfim, tudo o que era leve estava levitando. Provavelmente ele nos teletransportou assim que eu o beijei, mas não me importava, o lugar era oportuno.
Olhei para ele que estava corado, adorava vê-lo assim, os lábios rosados pelo nosso beijo. Eu só precisava saber de uma coisa.
“(Atena) — Dite, sua vez chegou?”
“(Afrodite) — Bom, em uns três minutos acredito que será a minha vez. Não se preocupe, mocinha, terá tempo o suficiente para curtir seu marido!”
“(Atena) — Então, não se importa?”
“(Afrodite) — Eu faria o mesmo, querida!”
“(Atena) — Obrigada, te amo!”
“(Afrodite) — Eu também!”
Voltei a minha atenção para o meu Mu.
(Atena) — Preciso de você!
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