* * * Centro – Atenas, Grécia * * *

Hotel Primórdio – Restaurante — Terraço — Área Externa

Eu estava imersa em apenas observar meu mundo desmoronar em minha mente. Me sentia em um universo próprio onde não haviam sons, luzes, cores ou cheiros, existia apenas a minha sensação de estar anestesiada e absorta na mais profunda escuridão e não encontrava a saída deste lugar... sinceramente eu não sabia se isso seria realmente possível...

Eu estava sentada no meio do nada abraçada a mim mesma, para onde eu olhasse era a mesma coisa, a mais perfeita escuridão, mas não era ruim, ali era o lugar onde eu estava a salvo das emoções, o lugar onde não havia dor.

A minha frente observei uma pequena luz branca que se destacou em meio a escuridão, talvez ali fosse a saída, mas eu não iria querer descobrir, eu sei o que me esperava depois que eu saísse, eu não estava pronta para isso.

Eu tinha a impressão que a luz aumentava ao longe, mas conforme eu continuava a observar a claridade na verdade se expandia conforme ela se aproximava.

Mantendo meus olhos em direção a luz que só crescia, minha vontade era de me afastar, de correr para longe, onde eu sabia que estaria segura se eu seguisse para dentro da escuridão. Foi quando eu senti o cheiro delicioso e familiar de baunilha, rosas e canelas, que me fizeram ficar sentada, parada e absorvendo esse perfume que eu adorava. Ao longe, o universo onde os sons não existiam, deu lugar a uma única palavra que ecoou: “Linda”. Então, os meus olhos estavam vendo imagens turvas, mas consegui detectar novamente as cores a minha frente, azul escuro e um azul-esverdeado. Senti o calor da sua mão quando ele tocou o meu rosto, ouvi sua voz agora claramente.

(Milo) — Linda...

Pisquei algumas vezes e senti as lágrimas descerem, me permitindo ver mais nitidamente. Ele estava ajoelhado à minha frente, me olhava com os olhos preocupados, enquanto acariciava o meu rosto e o enxugava devido as lágrimas. Foi quando percebi os sons do ambiente, os cheiros e a temperatura da noite agradável do terraço, ou seja, agora eu estava no mundo real.

(Milo) — Ei, Linda, consegue me ouvir?

Senti meu coração acelerar, assim como a minha respiração, meus lábios começaram a tremer e os meus olhos se encheram de lágrimas. Eu mal conseguia falar, então com a voz embargada, sussurrei baixinho.

(Atena) — Milo...

(Milo) — Ai, caralho! Vem cá!

Então ele me puxou para os seus braços onde comecei a chorar copiosamente, sentindo o calor do seu corpo e o seu delicioso cheiro. Ele passava a mão nos meus cabelos me consolando.

(Milo) — Que vontade de socar a cara daquele idiota! Escuta, Linda, eu sei o que aconteceu para você estar assim, sei que você viu o Saga sair junto...

Ouvir o nome dele foi como se mais uma vez empurrassem a flecha que estava cravada no meu peito, pressionando ainda mais a ferida, me fazendo chorar além do que eu estava. A dor foi maior que a surpresa de saber que ele sabia o motivo da minha dor. Ele me abraçou.

(Milo) — Ah, merda! Me desculpe, eu só queria que soubesse que não precisa falar sobre isso, eu já sei de tudo, não precisa me contar para se sentir pior, como agora, entende?

Eu só balancei positivamente a minha cabeça que estava apoiada no seu ombro direito. Enquanto eu chorava, eu também o abracei, precisava tanto disso. Ele me abraçou mais forte.

(Milo) — Estou aqui. Vamos superar isso juntos.

Não sei como ele soube do acontecido, mas eu era muito grata por não ter que falar nada sobre o ocorrido. Afundei o meu rosto no seu pescoço, agora eu só queria estar escondida neste mundo chamado Milo. Ele então encostou a sua boca no meu ouvido e falou carinhosamente.

(Milo) — Sabe, neste exato momento o único poder que eu queria ter era o de arrancar o que está te ferindo por dentro.

Eu o abracei mais forte, eu ainda soluçava nos seus braços, então se eu tentasse falar a minha voz não estaria clara.

“(Atena) — Mas você já tem esse poder, Milo. Está fazendo isso agora, me permitindo estar nos seus braços. Aqui estou me sentindo protegida e amada. Assim abraçada a você, estou me conectando ao seu coração, o lugar que você está me permitindo ficar, então eu não preciso de mais nada agora.”

(Milo) — Meu coração é todo seu, Linda!

“(Atena) — Te amo tanto!”

Ele beijou a lateral do meu rosto que estava exposta e ali repousou o seu rosto no meu.

(Milo) — Também te amo, Linda!

Meu corpo recebia o calor dos braços dele como uma fortaleza onde eu estaria protegida, e eu sei que estava. Chorei abraçada a quem eu amava, não tinha noção do tempo que fiquei, mas coloquei para fora toda a angústia e a dor que me apertava por dentro. Meus batimentos acompanhavam os dele. Ele passando a mão nas minhas costas disse com cuidado.

(Milo) — Sei que está machucada por dentro, mas vocês dois vão precisar conversar sobre essa merda toda. E o lugar não é aqui, eu sei que isso é muito claro para você, mas para ele eu não tenho tanta certeza, então me promete que se ele tentar resolver isso aqui, você vai me chamar?

Acenei com a cabeça que sim. Ele respirou aliviado.

(Milo) — Obrigado. Eu sei que você é forte, mas agora não está pronta para essa batalha.

O abracei mais. Ele tinha razão. A última coisa que eu precisava era querer resolver isso com essa ferida tão aberta, falar com o Saga requeria muito da minha energia, e agora eu estava esgotada emocionalmente. Além do mais, precisava me fortalecer, para mim e para meus amados.

(Milo) — Vai ficar tudo bem, Linda! Prometo.

Minha cabeça ainda estava apoiada no seu ombro, queria inalar seu cheiro diretamente do seu pescoço, amava esse cheiro. Ele deslizava a mão pelas minhas costas. Sentindo o calor da sua pele, me senti melhor para finalmente conseguir falar, eu disse calmante, mais para mim do que para ele.

(Atena) — Agora eu só queria ir embora... na verdade, desde a hora em que pisei aqui, estou com vontade de sair, acredito que o que eu tanto temia que pudesse acontecer esta noite, simplesmente foi muito pior do que qualquer pensamento que eu tive... Eu nunca passei tanto ciúme e tanta insegurança em uma noite só, cada um de vocês que subia naquele palco, me deixava aflita, desesperada... eu só queria esconder vocês de todas e todos, dos outros olhares que não fossem os meus... eu queria protegê-los, mas era a mim mesma quem eu queria proteger no fim de tudo... eu simplesmente estava desejando o impossível esta noite...

Ele me abraçou mais forte.

(Milo) — Você tem a nós, sempre terá!

Afundei meu rosto no seu pescoço de novo.

(Atena) — E sou grata por cada um de vocês.

(Milo) — Acho que se eu tivesse o poder de teletransportar, eu já estaria na mansão com você agora, queria te levar para longe de tudo isso!

(Atena) — Ah, Milo, eu adoraria que tivesse esse poder, e eu estivesse longe com você deste lugar.

(Milo) — Mas tem um jeito de conseguirmos isso, você quer?

Fiquei surpresa.

(Atena) — Como?

Ele aproximou a sua boca na minha orelha e falou baixinho como se fosse um segredo precioso, mas disse em tom de brincadeira.

(Milo) — Vamos chantagear o Shaka ou Mu. Eles nos levam embora daqui e está tudo certo!

Comecei a rir e ele riu junto, ainda sorrindo falei no seu ouvido devolvendo o segredo.

(Atena) — Não vai dar certo! Eu já tentei isso, e ofereci muita coisa em troca, mas ainda assim eles não cederam!

Milo gargalhou.

(Milo) — Caralho! Eles são foda mesmo! Admito que eu não tenho forças para resistir a você! Comigo teria funcionado!

Ainda sorriamos.

(Atena) — Bom, ainda posso tentar chantageá-lo a chamar a limousine para irmos embora...

(Milo) — Bom, mas nesse caso, agora eu vou ter que fingir que sou forte aos seus encantos, não posso decepcionar meus colegas de trabalho me fazendo de fácil!

Sorri nos seus braços.

(Atena) — Sabe, o “não” eu já tenho mesmo...

Ele sorriu e beijou meu rosto.

(Milo) — Pode olhar para mim? Prometo que meus braços também são todos seus.

Com relutância eu me afastei do aconchego dos seus braços. Olhei nos seus olhos azul-esverdeados. Ele tirou um lenço do seu smoking e me deu, sequei o meu rosto, sei que deveria estar com o rosto todo borrado da maquiagem, fora que deve estar vermelho e inchado de tanto chorar.

(Atena) — Desculpe.

(Milo) — Por que me pede desculpas? Por chorar?

Acenei que sim.

(Milo) — Não me importo com isso. Me importo com o motivo delas estarem aqui e eu sei o porquê, agora se está preocupada com a aparência, você é linda de qualquer forma, eu ainda caio fácil nos seus encantos.

Sorri. Olhei para o lenço e acredito que retirei toda a maquiagem do rosto. Milo era encantador, adorava aquele sorriso puxado dele, era muito sexy, na verdade tudo nele era. Vê-lo assim ajoelhado tão pertinho era um privilégio e uma tentação também.

(Atena) — Tudo bem se eu quiser que você use smoking todos os dias?

Ele puxou ainda mais o sorriso mostrando os dentes brancos.

(Milo) — Se o motivo vai ser porque você irá tirá-lo todos os dias, eu não me importaria...

Puxei um sorriso.

(Atena) — Essa é a ideia.

(Milo) — Então, adorei a sua ideia.

Sorrimos juntos. Olhei para o seu rosto, adorava o contraste da sua pele bronzeada com a cor dos olhos azul-esverdeados e os dentes brancos. Eu sabia exatamente o sabor daqueles lábios. Sussurrei.

(Atena) — Quero tanto beijar seus lábios...

Ele olhou para a minha boca e aproximou seus lábios dos meus que roçaram ao falar baixinho.

(Milo) — São todos seus...

Diminui a pequena distância dos nossos lábios e o beijei. Deslizei a minha língua em busca da dele e gemi baixinho quando senti o sabor delicioso na minha boca. Enquanto eu o beijava calmamente para desfrutar do seu sabor. Deslizei minha mão pelo seu pescoço até chegar a sua nuca e o trazia, se possível, para mais perto de mim. Como eu adorava seus beijos, meu corpo se excitava com tanta informação deliciosa: seu cheiro, seu gosto, sua temperatura.

(Atena) — Milo...

(Milo) — Já me convenceu, quer que eu chame a limousine?

Sorri nos seus lábios. De repente, caiu a minha ficha da realidade, olhei ao redor e me levantei sem pensar.

(Atena) — Pelos deuses, cadê o Julian?

Milo se levantou devagar e sorrindo ficando de frente para mim.

(Milo) — Ele foi resolver algumas coisas, vai demorar, me pediu para te fazer companhia enquanto isso.

Por mais que eu estranhei a situação, lembrei que se o Julian tivesse me falado algo a respeito enquanto eu estava no “meu mundo”, eu não teria escutado. Respirei de alívio, então apesar de tudo o que aconteceu, a noite prosseguia normalmente, dentro do possível. Olhei para o meu lindo cavaleiro de 1,85m, me aproximei dele e o olhei nos olhos azuis mais sensuais que conheci, deslizei a minha mão no seu pescoço,

(Atena) — Então tenho que me lembrar de agradecer ao Julian por chamar o MEU noivo para cuidar de mim na ausência dele.

Milo puxou um sorriso de menino maroto.

(Milo) — Mal sabe aquele idiota que sou EU quem tem que dar permissão para ele estar aqui com você.

Sorri.

(Atena) — Sim, afinal sou SUA noiva.

Ele colocou as duas mãos na minha cintura.

(Milo) — Sim, MINHA! A noiva mais linda e gostosa de todas!

Ele aproximou o seu rosto do meu e indo para a lateral deslizou seu nariz pelo meu pescoço e mordiscou minha orelha, me fazendo arrepiar. Falou sussurrando no meu ouvido.

(Milo) — E esse noivo aqui é todo seu!

(Atena) — E eu te amo demais meu noivo!

De olho fechado sentindo o deslizar do seu nariz na minha pele, fazendo meu corpo arrepiar e aquecer, eu disse baixinho.

(Atena) — Milo...

Ele voltou a sussurrar no meu ouvido.

(Milo) — Caralho! Que vontade de te tirar daqui! Me deixa chamar a limousine?

Sorri, abri os olhos e olhei para ele, e sim os olhos dele estavam cheios de desejo. Deslizei o polegar na boca macia dele, ele começou a mordiscar meu dedo. Respirei fundo, como eu queria que ele fizesse isso.

(Atena) — Você sabe que eu iria adorar que fizesse isso...

Eu estava tão envolvida nos olhos azul-esverdeados do Milo que não percebi ele se aproximar de mim.

(Julian) — Me desculpe pela demora, Saori.

Em forma de reflexo tirei minha mão dos lábios do Milo. Sem jeito pela surpresa de vê-lo eu arrumei meu cabelo e vestido.

(Atena) — Julian, hãm, não se preocupe, Milo estava me fazendo companhia.

Julian me olhou nos olhos e puxou um sorriso amigável.

(Julian) — Sim, eu mesmo solicitei ao senhor Milo que fizesse a gentileza de acompanhá-la em minha ausência, não queria vê-la enfastiada aguardando o meu retorno.

Ainda sem jeito respondi.

(Atena) — De forma alguma, Milo me proporcionou uma companhia extremamente aprazível, gentileza sua em chamá-lo.

Julian puxou um sorriso.

(Julian) — Fico feliz em saber que acertei em minha escolha.

Ele olhou para o Milo.

(Julian) — Como pode perceber, senhor Milo sou bem concernente com meus horários, não queria que se dispusesse além do necessário com o seu tempo.

Milo olhou para mim e puxou um sorriso voltando a olhar para o Julian.

(Milo) — Relaxa, na verdade não percebemos os minutos passarem na sua ausência.

Julian esticou a mão para cumprimentar o Milo e ele a apertou.

(Julian) — Agradeço pela sua presteza em atender ao meu pedido. Não esperava menos, senhor Milo.

Milo puxou um sorriso.

(Milo) — De nada, senhor Solo, foi um prazer! Estou sempre à disposição quando o assunto for cuidar da MINHA deusa!

Milo soltou a mão do Julian e se aproximou de mim novamente, aproximou seu rosto do meu e me deu um beijo no rosto pegando uma parte dos meus lábios. Disse baixinho.

(Milo) — Já sabe o que tem que fazer caso queira uma limousine.

Eu apenas acenei que sim.

Milo olhou para nós dois.

(Milo) — Com licença.

Ele saiu me deixando na companhia do Julian.

* * *

Notas finais
Continua...