O Cálice do Desejo e o Retorno do Passado - 5ª Tem
6 A Dependência
* * * Mansão Kido – Atenas, Grécia * * *
Depois de caminhar lentamente, sentindo o frio da madrugada na sua pele e o frio da grama nos pés, ele sentia um vazio enorme no caminho de volta para a mansão.
Casa Principal, Andar Superior
Saga andava pelo corredor silencioso do andar superior, a ideia de voltar para os seus aposentos sozinho, não lhe parecia uma boa ideia, de longe era o que queria, mas sem ter outra opção, abriu a porta do seu quarto e como ele esperava, estava tudo escuro, apenas a luz da lua iluminava a sua cama vazia. Um cenário, aos seus olhos, nada convidativo, definitivamente ele não queria entrar. “Droga”.
Pegou a maçaneta e fechou a porta. Indo para à esquerda, ficou de frente para o quarto da Atena. Encostou a sua cabeça na madeira maciça a sua frente e disse baixinho “o que é que eu estou fazendo?”. Respirou fundo e olhou para a maçaneta e quando ia tocá-la viu que ela girava, a porta se abriu e ele viu a figura do seu irmão apenas de calça. Kanon olhou para o irmão parado e ficou surpreso.
(Kanon) – Saga? Está tudo bem?
Saga olhou para o chão.
(Saga) – Está sim, desculpe se eu o acordei.
(Kanon) – Não, você não me acordou, eu levantei porque ia pegar a água do meu quarto, porque a água daqui acabou... e você não está nada bem, o que houve?
Kanon fechou a porta atrás de si e ficou olhando para o irmão, esperando a resposta.
(Saga) – Olha, deixa para lá, são coisas da minha cabeça, só isso...
Kanon olhava para os olhos do irmão tentando entender o que acontecia.
Saga respirou fundo e olhou para a porta atrás do irmão.
(Kanon) – Por acaso vocês dois brigaram?
Saga olhou para o irmão.
(Saga) – Não, não brigamos, é exatamente o contrário... como eu disse, não se preocupe...
(Kanon) – Eu estava mesmo querendo fazer um lanche, se importa em cuidar dela para mim?
Saga olhou surpreso para o irmão.
Kanon colocou a mão no ombro do Saga.
(Kanon) – Tudo bem, pode fazer companhia para ela pelo resto da noite, acredito que ela não vá se importar, afinal, suponho que você também seja o futuro marido dela, não é?
Saga sorriu.
(Saga) – Nem acredito nisso ainda, para falar a verdade...
Kanon sorriu.
(Kanon) – Eu também acho que estou sonhando, então... boa noite, irmão.
Kanon passou pelo Saga.
(Saga) – Obrigado, Kanon... de verdade...
(Kanon) – De nada, mas se você brigar com ela, eu te mato!
Kanon saiu em direção as escadas para ir a cozinha.
Saga abriu a porta do quarto e com apenas a luz da lua passando pelas cortinas viu o corpo dela de lado e de costas para ele, o lençol cobria da cintura para baixo e seus longos cabelos estavam soltos.
Ele respirou fundo e fechou a porta atrás de si devagar. Sem fazer barulho, se aproximou da cama dela e por alguns instantes ficou parado e se permitiu contemplar o semblante tranquilo da amada dormindo. A olhou por inteira, e como suspeitava, ela estava nua, deitada de lado e com as mãos unidas na frente dos seios. Sem fazer barulho, ele começou a tirar a sua roupa, queria sentir cada canto do seu corpo, preenchido por aquela pele suave e macia, que ele tanto amava. Deitou-se devagar no colchão e se cobriu até a cintura, ficando de lado e de frente para ela, a olhou dormindo, admirava tamanha beleza e a paz que ela transmitia para sua alma turbulenta. Suavemente deslizou a o indicador no rosto macio dela e disse baixinho, mais para si mesmo.
(Saga) – Como posso amar tanto alguém como eu amo você?
Ele se aproximou do corpo quente do seu grande amor e a abraçou, seu corpo relaxou com o contato da sua pele quente, deixando o calor do corpo dela aquecer a sua pele fria, ele podia sentir o suave perfume que ele tanto amava, rosas vermelhas e morango. Ela se aconchegou nos seus braços, unindo mais os seus corpos. Ele deu um beijo no topo da sua cabeça e disse sussurrando.
(Saga) – Boa noite, meu amor...
Ele ouviu ela sussurrar bem baixinho, quase inaudível, no seu peitoral.
(Atena) – Saga...
Ele a apertou mais nos seus braços, com a voz entrecortada, sussurrou.
(Saga) – Sim... sou eu...
♊
— Atena -
Naquele momento que eu não sabia se estava sonhando ou acordada. Senti braços fortes me abraçando, sua pele estava fria, eu sentia seu cheiro de maçã-verde e sândalo. Ouvi, baixinho, ao longe: “Boa noite, meu amor”. Eu sussurrei baixinho:
(Atena) – Saga...
Meu corpo reconhecia aquele abraço forte e apertado, como se eu fosse sumir. Um abraço que me fazia sentir protegida e amada ao mesmo tempo... sim, era ele, eu não tinha dúvidas... deslizei a ponta do meu nariz no seu peitoral, amava o seu cheiro... quietinha nos seus braços que me apertavam, ouvia seu coração batendo... eu ainda estava absorvendo o seu calor, quando eu ouvi, nada além de um sussurro ao longe.
(Saga) — Sim... sou eu...
Deslizei o meu nariz até o seu pescoço, ele deslizou o seu rosto no meu, eu disse baixinho.
(Atena) – Meu amor...
Ele me puxou, se possível, para mais perto do seu corpo.
Eu só não entendia como isso foi possível... sem tirar a minha cabeça do seu pescoço, eu disse baixinho, com a voz de sono, no meu sonho ou na realidade, ainda não havia me situado:
(Atena) – Saga?
(Saga) – Hum...
(Atena) – Estou sonhando com você?
Ouvi ele respirar fundo.
(Saga) – Não, amor... estou mesmo aqui com você...
Beijei seu rosto, não era um sonho, ele estava ali comigo. Eu disse sonolenta, me aconchegando no seu corpo.
(Atena) – Eu te amo...
Ele me abraçou apertado, com a voz entrecortada ele me disse.
(Saga) – Também te amo, meu amor...
Eu o abracei.
(Atena) – Saga... está tudo bem?
Senti ele me abraçar, mas não me respondeu.
(Atena) – Meu amor, o que houve?
Ele respirou fundo.
(Saga) – Shiii... eu só preciso ficar assim, abraçado com você...
(Atena) – Estou aqui, amor...
Não iria discutir, me aconcheguei nos seus braços fortes e quentes e relaxei, deixando o sono chegar.
(Atena) – Boa noite...
(Saga) – Boa noite, meu amor...
♊
Sentia sua respiração no meu pescoço e as sua mão deslizava nas minhas costas. Ainda de olhos fechados, deslizei a minha mão pela sua nuca sentindo seu cabelo macio entre os dedos. Adorando o carinho e o seu nariz na minha pele, me permitindo sentir seu cheiro maravilhoso de maçã-verde e sândalo, eu disse baixinho, manhosa:
(Atena) – Kanon...
Senti que ele parou com o carinho e afastou seu rosto do meu.
(Saga) – O que disse?
Abri meus olhos na mesma hora que ouvi a voz incrédula dele e vi o seu rosto intrigado olhando nos meus olhos.
(Atena) – Saga...
Ele balançava a cabeça em negativa me olhando com um sorriso de indignação.
(Saga) – Me confundiu com o meu irmão???
Passei a mão no rosto dele.
(Atena) – Me desculpe... eu apenas fiz uma confusão é que...
(Saga) – Pensei que isso nunca aconteceria...
Ah, minha nossa!
Segurei o seu rosto com as duas mãos para que ele não desviasse o seu olhar do meu.
(Atena) – Saga, por favor, me desculpe, eu falei sem pensar, é que a noite o Kanon que estava aqui comigo... eu sei que no meio da noite você apareceu, mas parecia mais um sonho... eu havia esquecido disso, e como não abri os olhos, falei de modo automático, por ainda estar sonolenta... falei sem pensar...
Puxei o seu rosto para encostar a minha testa na dele e fechei os olhos, falando do fundo do meu coração para que ele entendesse.
(Atena) — Me perdoe, amor... você sabe que eu jamais confundiria vocês dois... são únicos para mim...
Abri meus olhos e ele afastou o seu rosto do meu, não me respondeu.
(Atena) – Saga, por favor, diz que você me entendeu.
Tentei tocar o seu rosto novamente e ele segurou a minha mão impedindo de tocá-lo.
(Atena) – Amor.... não faz isso...
Com os azuis intensos me olhando, estava sério quando falou, mas seu tom era de brincadeira.
(Saga) – Não é a mim que você quer, é o Kanon.
Respirei de alívio. Graças aos deuses, ele entendeu! Para me aproximar mais dele, coloquei a minha perna direita nos seus quadris e o puxei para cima de mim, dava para sentir sua ereção na minha barriga. Eu disse manhosa.
(Atena) – Eu já pedi desculpas, meu amor...
Ele puxou um pequeno sorriso de canto e com a sua mão, ele tirou a minha perna dos quadris dele e se levantou da minha cama, vestiu a sua calça, e que cena linda vê-lo em pé na minha frente se vestindo.
(Saga) – Você está me confundindo, moça.
Sorri. Me sentei na cama e o olhei. Eu disse sensualmente.
(Atena) – Tenho certeza que não estou... e eu quero você...
Ele me olhou por completo e cruzou os braços.
(Saga) – Você não sabe ao menos o meu nome!
Desnudei-o com olhos e mordi meu lábio inferior.
(Atena) – Independente de como se chame, tenho certeza que eu te quero...
Comecei a engatinhar pela cama para me aproximar dele, ele me devorava com o olhar, e deu para perceber que ele ficou excitado, olhei para a sua grande ereção sob a calça.
(Atena) – Posso tentar me desculpar de uma forma mais prazerosa...
Estiquei a minha mão para tocá-lo e ele bateu na minha mão com força.
(Atena) – Aiii...
(Saga) – Eu já disse que está me confundindo, vai atrás do meu irmão, é ele que você quer.
Certo, hora de mudar a abordagem. Olhei para ele com uma cara de injustiçada.
(Atena) – Não é justo me culpar por isso, vocês dois são idênticos em tudo, como quer eu não me confunda com vocês dois?
Ele me olhou com um sorriso de incredulidade.
(Saga) – Eu não ouvi isso, Atena... não sabe diferenciar eu do meu irmão?
Olhei para todo o corpo lindo dele na minha frente e disse fingindo inocência.
(Atena) – Desculpe, mas vocês são exatamente iguais para mim... não sei como não troquei o nome de vocês mais vezes...
Me levantei do lado oposto dele da cama e peguei o meu roupão de seda e enquanto eu o vestia o olhei e fiz uma cara de desistência.
(Atena) – Tem razão... Não consigo diferenciar um do outro, então estou de saída, mas fique à vontade.
Ele disse sério.
(Saga) – Venha aqui.
Cruzei os braços.
(Atena) – Não vou, já desisti de te convencer...
Ele falou firme de novo.
(Saga) – Atena, vem aqui!
Continuei andando em direção a porta.
(Atena) – Desculpe, mas estou de saída...
Ele rapidamente, deu a volta na cama, vindo na minha direção, ficando de frente para mim me ergueu com facilidade e me colocou no seu ombro, me dando um tapa forte na lateral da minha bunda, que ardeu na hora.
(Atena) –Aiiii...
Indo em direção a minha cama, o ouvi perguntar.
(Saga) – Aonde pensa que vai, Atena?
Que cheiro delicioso ele tinha!
(Atena) – Você disse para eu ir atrás do seu irmão, então era exatamente isso que eu estava fazendo, senhor.
Me jogando na cama, fazendo meu roupão abrir, ele subiu em cima de mim e disse com o olhar possessivo:
(Saga) – Eu vou te mostrar a nunca mais me confundir com mais ninguém, Atena...
Pelos Deuses, eu estava torcendo por isso.
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