Estavam o apartamento de Maya, o cárcere que quase nenhum amigo conhecia. Claro, eram amigos e era bem comum. O loiro não estava lá em bom estado, depois do cigarro e na quase tentativa de beber nem que quisesse recuperaria o equilíbrio mental e a organização das ideias todas embaralhadas naquela altura.
Adentrava o recinto seguido pelo moreno que fechava a porta em seguida. Observava com atenção a trajetória do menor que, por sinal, apenas teve a brilhante decisão de jogar-se sobre o sofá mesmo estando completamente molhado.

- Maya, desse jeito você fica resfriado e depois vai ficar todo manhoso ai. - Meevs disse em tom de brincadeira mantendo um sorriso amigável e com ar de irmão mais velho. — Anda, vai trocar essa roupa e vestir seu pijaminha dos Power Rangers. Seja um menino comportado, prometo fazer seu chocolate quente e...

Falava todo sério, obviamente segurava uma risada nada discreta, mas não podia perder a pose autoritária. Sem compreender, o rapaz jogado sobre o sofá colocou uma almofada sobre o rosto na falha tentativa de se esconder naquele estado nada apresentável em que se encontrava. \'\' Justo na frente dele, bem que eu poderia ter ficado no Bar \'\' — pensou resmungando mentalmente.

- Não precisa dar uma de irmão mais velho, seu bundão. – reclamava o próprio naquele seu tom de deboche, mesmo com a situação desconfortável.

Claro que o insultava por brincadeira, estavam acostumados com aquilo. Obediente, Maya seguiu para o quarto chamando o outro com a mão. Do guarda-roupas retirou seu pijama e jogou uma calça jeans e blusa para que o amigo mudasse as vestes também molhadas.

- Myv, você pode se trocar aqui. Eu vou tirar esses trapos lá na sala. Há toalhas por ai, só procurar.

Nem quis esperar por uma resposta, somente fechou a porta e saiu jogando a roupa sobre a cadeira enquanto tratava de secar-se. Estava com fome, pensava no que seria o jantar e talvez um café forte fosse uma boa opção. Olhava para a porta do quarto onde \'\'ele \'\' ficou... Por momentos, foi bom tentar esvaziar a mente e pensar o rosto alheio quando o mesmo lhe resgatou da chuva incessante daquela noite. Era mágico. Anestesiado graças a sua fértil imaginação ele não via outra saída que não fosse pensar naquele que tanto amava. E estavam tão próximos!

- Mayaaaaaaaa! Cadê a tolha, cara?

Notavelmente reconhecia aquela voz que o fez correr até a porta num quase desespero. Dali ele somente encostou o rosto próximo a madeira e ouviu rangir um pouco devido a pouca pressão que fez ali.

- Myv, vou entrar.

E o silêncio se fez presente no quarto. Uma ponta de curiosidade superou aquilo que o mantinha pétreo na porta com atenção em quaisquer sons. E não somente por desejar saber o motivo de toda a calmaria e nenhum ruído ali, mas também por preocupação adentrou o compartimento quase partindo com uma passagem direto para o mundo dos mortos quando Miyavi pulou em cima dele. De repente, apenas sentiu os braços dele que estavam impedindo seus movimentos, pois estavam lado a lado com sua cabeça presa entre estes. Os olhos alheios eram tentadores, por vezes e incontáveis vezes Maya tentou até controlar a própria respiração falha quando sentia que o peito do outro estava muito próximo... O peito, os rostos. Á proximidade dos lábios que não lhes pertenciam era um convite ao próprio deslize mais desejado.

- Hey nee, quer um beijo?

Aquela voz... A mesma de antes, a mesma que ecoava em sua cabeça e fez com que esquecesse o som da chuva. O corpo esmoreceu, escorregava aos poucos pela parede. Começou a congelar, mas a temperatura no ambiente permanecia a mesma. O loiro ficou inerte, o amigo notava a mudança e a nítida palidez em seu rosto quando os orbes castanhos dele ficaram realmente apáticos.

- Cara! Não fica tirando uma comigo! — retrucou com certa violência ao tentar escapar dos braços do maior, em vão obviamente.

- Ei, ei ei... Calma. - pediu franzindo o cenho ainda um tanto confuso embora os sinais fossem mais que óbvios. - Nee, você me ama?

Notas finais
Continuação no capítulo 03, em breve nas bancas. /parei
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.