O Brilho do Corvo, a Explosão da Argila

1 Capítulo 1: O Impacto Visual


O sol da Terra do Rio estava impiedoso, mas nada queimava tanto quanto o orgulho de Deidara. Para ele, a vida era uma contagem regressiva para a próxima explosão. Cada escultura de argila C1 que ele moldava com suas mãos — as bocas nas palmas sugando o material com uma fome voraz — era uma promessa de um espetáculo que duraria apenas um milésimo de segundo, mas que ecoaria na eternidade do céu.

— A arte é o estalo! — ele costumava gritar para as paredes de seu esconderijo.

Mas ali, diante daqueles três homens de mantos negros com nuvens vermelhas, o "estalo" parecia ter falhado. Entre eles, um se destacava. Não pelo tamanho, como o tubarão humano ao seu lado, mas por uma aura de silêncio que parecia devorar todo o som ao redor.

Itachi Uchiha.

Deidara sentiu um arrepio que não era de medo, mas de uma irritação profunda. Ele odiava aquele olhar. Olhos vermelhos que pareciam ver através de suas camadas de argila, através de sua pele, direto para o núcleo de suas inseguranças.

— Venha conosco, Deidara — disse a voz de Itachi. Era uma voz calma, desprovida de qualquer emoção barulhenta. Era uma voz que não conhecia o caos.

— Eu não recebo ordens de quem não entende a beleza do brilho! — Deidara respondeu, moldando rapidamente um pássaro de argila. — Vou mostrar a vocês o que é arte de verdade. Vou transformar esse deserto em um museu de cinzas!

O combate foi rápido. Para Deidara, foi uma dança frenética de movimentos e explosões calculadas. Ele lançou suas criações, rindo com o êxtase da destruição iminente. Katsu! O som deveria ter sido música para seus ouvidos, mas, no momento em que a fumaça se dissipou, a realidade se dobrou de uma forma que ele não conseguia processar.

Itachi não tinha se movido. Nem um centímetro.

O Uchiha estava parado sob uma luz que parecia não pertencer àquele lugar. O sol refletia em seus cabelos negros e nos detalhes metálicos de seu protetor de testa riscado. Mas eram os olhos... o Sharingan girava em um padrão hipnótico, uma geometria perfeita que desafiava a natureza efêmera de tudo o que Deidara acreditava.

— O que é isso? — Deidara sussurrou, a voz falhando.

Ele tentou ativar sua argila novamente, mas percebeu, com um horror crescente, que estava enrolado em suas próprias criações. Ou era apenas uma ilusão? O mundo ao redor dele começou a perder a cor, tornando-se um negativo fotográfico onde apenas Itachi permanecia nítido, real e insuportavelmente belo.

Nesse momento, a raiva de Deidara foi substituída por um vazio avassalador. Ele sempre disse que a arte era a beleza de um momento que se apaga. Mas ali, diante de Itachi, ele estava vendo uma arte que se recusava a morrer. Era uma estética de ordem, de poder absoluto e de uma tristeza silenciosa que ele nunca tinha visto em suas explosões coloridas.

"Maravilhoso... isso é arte!", uma voz gritou dentro de sua mente, e ele odiou a si mesmo por esse pensamento.

— Você perdeu — disse Itachi, aproximando-se. A distância entre eles diminuiu, e Deidara pôde sentir o cheiro de incenso e de algo metálico que emanava do Uchiha. — Sua arte é impressionante, Deidara. Mas seus olhos ainda estão fechados para a verdade.

Deidara olhou para cima, encontrando aquele olhar carmesim. Pela primeira vez na vida, ele não queria explodir o que estava à sua frente. Ele queria entender como algo poderia ser tão estático e, ao mesmo tempo, tão vibrante.

O coração de Deidara martelava contra as costelas, um ritmo descompassado que nenhuma de suas bombas jamais tinha provocado. Ele não era apenas um prisioneiro da Akatsuki agora; ele era um prisioneiro daquela visão. O brilho de Itachi tinha ofuscado seu próprio fogo.

— Eu vou te matar um dia, Itachi Uchiha — Deidara rosnou, embora sua voz não tivesse a convicção de antes.

Itachi apenas inclinou levemente a cabeça, um gesto quase imperceptível de reconhecimento, e se virou, caminhando em direção ao horizonte. As nuvens vermelhas em seu manto pareciam sangue contra o céu.

Deidara se levantou, limpando a poeira das roupas. Ele ainda estava furioso, sim. Mas, enquanto seguia os passos silenciosos do homem que o derrotou, ele sabia que sua busca pela "arte definitiva" tinha acabado de ganhar um novo nome. E ele faria de tudo para que Itachi, aquele ser de gelo e sombra, um dia sentisse o calor de sua explosão.

O nascimento do sentimento não foi doce. Foi uma combustão espontânea de admiração mascarada de ódio.