O Brilho Da Lua
4 Sequestro Relâmpago
Notas iniciais
Sua respiração era ofegante e suas pernas já doíam, mas o que lhe deixava confuso era não saber o motivo porque insistia em correr para lugar nenhum.
– Master, não corra... Eu irei ajudá-lo. — a voz de Cid soava por aquele lugar...
– Não, criança maldita, desta vez não. — a voz rouca era branda, mas o assustava — Porém concordo que não deve correr... — a pausa pareceu eterna — Ully!
– Seu sangue gelou na mesma hora e foi como se um buraco abrisse em sua frente e seu corpo caísse em queda livre, um abismo sem fim.
– Ully? — sua voz era vazia como se nem percebesse a queda livre mortal.
" – Vamos Ully, — esta voz era forte e determinada — você consegue! Somente mais essa.
– Mas, pai, hoje é meu aniversário — dizia um garoto tristonho de sete anos.
– Sim — estava triunfante — e amanhã é seu grande dia. Mas termine hoje estes exercícios — seu sorriso iluminava o ambiente — não há presente maior que a vitória, filho! "
Cada célula do seu corpo foi petrificada como se houvesse encontrado a Medusa naquele buraco. E uma voz rouca o tirou do transe.
– Ully, acalme-se. — seu tom era firme.
" – Ele é apenas uma criança, Odisseu!
– Mas um dia será um adulto — o mesmo parecia indignado — e quero que seja o melhor! Será que não quer dizer nada a você tudo isso?
– Quero que ele seja feliz! — a mulher era dura.
– Este garoto já é quase um adolescente e já tem potencial para ter diploma de curso superior.
– Ai meu deus, você quer transformar nosso filho num monstro... — começaram a escorrer lágrimas que logo secaram-se.
Um adolescente de treze anos ouvia tudo escondido no seu quarto, fingindo que dormia. "
Ullisses endireitou-se e a queda livre parou. Se viu firme com os pés no chão e do escuro dois olhos gigantescos apareceram no escuro.
– Acho que te dei muito açúcar, está com olhos maiores do que faróis de caminhão. — estava recuperado do choque.
– Siga minha luz, master! — sua voz ressoava pelo lugar.
– Claro, por quê não? Sonhos... — virou-se — vam... — finalmente viu a Medusa e a encarou nos olhos.
Mas desta vez o efeito da petrificação foi durante toda uma eternidade. A Medusa tinha um metro e noventa dois de altura, muito magro, feições ossudas, barba grossa colada ao rosto e olhos negros. Negros como carvão que pareciam roubar a luz ao seu redor.
– Até quando vai me ignorar Ully? — seu sorriso era um misto de diversão e desapontamento.
Cid berrou e afastou a figura que se prostrou de joelhos com as mãos no ouvido tentando impedir o som de destruí-lo.
Ullisses acordou. Ele chorava como se houvesse gastando todas as lágrimas que um dia tentou suprimir em quase três décadas de vida. Cid o observava. Ele ficava amuado num canto escuro como se tivesse medo da fragilidade de seu dono. E ficaram assim e pela primeira vez Cid não sorria.
Já havia amanhecido no outro lado da cidade e Erika lutava contra o sol que a incomodava. Uma das poucas coisas que tinha em comum com Ullisses era sua predileção por hábitos noturnos e um grande gosto pela lua.
– Sim, Ullisses — sua voz era calma e paciente — Por que não me contou antes sobre este pesadelos? — aguardou a resposta — Ah, não achou importante? Irei dormir com você então quem sabe eu possa descobrir algo importante.
O calor ainda a irritava. Ullisses ainda a irritava. Aquela história a irritava, mas algo não parecia Erika. É como se outra pessoa houvesse levado o rapaz acidentado ao hospital e a velha Erika morrido com sua cabeça esmagada pelo caminhão. Bem, algo era certo muita coisa mudou e ainda vai continuar mudando.
– Está bem, levo suas camisinhas, tenho que passar na farmácia mesmo, agora: tchau! — estava realmente brava — Homens parecem crianças com seus problemas — pôs seus óculos escuros e colocou-se a caminhar.
– Sabe que açúcar pela manhã faz mal, não é, garoto? — uma linda voz suave.
– Não se preocupe meu corpo queima calorias bem rápido, Samantha. — sem tirar os olhos do sorvete lançou um sorriso fascinante, cheio de dentes brancos.
– Por que tanta auto confiança? Terminou o que lhe pedi? — a linda mulher de cabelos castanhos sentou-se.
– Sim. Não sabe nada — desfez o sorriso — não lembra de nada. Nem de você.
– Ótimo, melhor assim — lançou-lhe um olhar caloroso — pronto para segunda parte do plano? Acha que ele realmente gosta da garota?
– Por que pergunta isso? — estava confuso — Ele parecia estar envolvido com ela.
– No nosso primeiro encontro ele pareceu meio egoísta em relação ao bem estar dela. — fitava o nada.
– Se for mesmo, predi uma grande oportunidade. — começava a soar preocupado.
– Não podia se arriscar aquela é uma habilidade e tanto nunca vimos nada igual — apesar das palavras preocupadas, ela sorria.
– Refere-se à criança? — apertou os olhos — Como era mesmo o nome?
– Cid. O nome era Cid, Bernard — deu-se ao luxo de um sorriso sincero — E não me referia a ele e sim ao fato dele enxergar Break.
– Por sorte Break não é de falar muito — olhou para seu lado e uma garotinha em trajes militares e atitudes rígidas estava firme em sua postura — alguns feelings tem o costume de desabafar perigosamente quando podem ser ouvidos.
– É... — não tirava os olhos do sorvete que já estava derretendo. Break surgiu ao seu lado e cumprimentou a garotinha com um aceno.
– Anime-se — a mesma levantou da cadeira — sei que não desapontará ninguém. Ah, e seja rápido, Shot!
Samantha caminhou até o carro onde uma versão sua com sardas e vinte centímetros a menos a esperava na porta.
– Conte comigo e o Memphis, mesmo que não nos veja estaremos lá.
– Até mais, Sam, cuide-se.
Ullisses estava afogado em seus sonhos, não saia de casa para se divertir há muito tempo. Cid voltou com seu sorriso assassino de sempre e brincava com o ursinho.
– Esse negócio de dar nomes é legal — ninguém sabia se daria uma facada ou um abraço no urso — Teddy. Este será o seu. Gostou, mastert? — esqueçam as facas, ele só iria abraçá-lo mesmo.
Isso fez com que o rapaz saísse do transe e desse conta que a farmácia deveria estar mais longe do que de costume. Resolveu ligar para Erika, mas para sua surpresa uma voz metálica atendeu.
– Como demorou para notar a falta dela — era computadorizada, distorcida.
– Quem é você e onde está a Scarlet? — estava ficando nervoso.
– Ela está bem, venha com cem mil em dinheiro vivo — começou a rir — é um sequestro relâmpago.
– Onde estão? — agora era certeza que estava completamente nervoso — Diga-me! — urrou.
– Nos rastreie senhor Zephyr. A graça é descobrir sozinho! — desligou.
Realmente com alguns contatos que mexiam com tecnologia ele finalmente descobriu o galpão onde ela estava, chegando até ele com o dinheiro.
– Deixe a maleta ai e afaste-se dela ou a garota sofre as consequências. — o homem vestia negro e uma máscara que tampava seu rosto.
– Como tenho certeza que ela está bem? — era precavido e já havia esfriado a cabeça.
Uma luz acendeu iluminando uma garota amarrada e amordaçada. Ullisses deixou a mala no chão e afastou-se. Na mesma hora ela levantou-se a um metro e vinte do chão e começou a ir sozinha até um canto escuro. O sequestrador confirmou com um comparsa que o dinheiro estava certo.
" — Telecinesia. — Ullisses pensou."
– Sabe que para minha família isso é para comprar doces — agora tinha na face o sorriso irônico na face e um garoto com sorriso sádico em seus ombros — quando vai revelar o real motivo do sequestro da sua amiga, Shot?
Várias risadas ecoaram no galpão. E o sequestrador, vulgo Shot, revelou seu rosto e um belo sorriso. Esticou um braço.
– Digamos que nem verá o que lhe acertou, Ullisses. — e na direção de seu punho, a cem metros, um murro acertou o estômago de seu adversário.
O sorriso continuava ao ritmo que os golpes aumentavam e quem analisasse a olhos nus a situação imaginaria que era encenação, pois parecia que Shot nem se mexia, mas Ullisses sentia os golpes de verdade. E muitos deles, até que não aguentou um gancho no fígado, ajoelhou-se e vomitou seu café da manhã. Só houve tempo para levantar sorrir e limpar o resto do canto de sua boca.
Notas finais
Quem diria que Shot seria um espião traidor e que laços ele tem com Samantha, ou além, que laços Samantha tem com ULLISSES?
Tudo isso e mais em: Capítulo IV - SILHUETAS DE UM ACIDENTE!
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