O Bosque da Primavera
5 Watashitachi
Watachitachi.
Sasuke acordou depois do seu encontro consigo mesmo. A sensação de peso no coração havia desaparecido, uma sensação de paz e completude tomara o seu lugar. Abriu seus olhos lentamente, a sua visão que ainda estava turva foi se tornando mais nítida. Olhou ao seu redor, parecia estar dentro de uma árvore, vagalumes iluminavam o lugar, havia poucos móveis, mas possuíam formas que ele nunca havia visto.
Percebeu que sua cabeça descansava sobre duas pernas foi então que ele virou o rosto e encontrou uma mulher de cabelos rosados e sorriso cativante, não teve nenhuma reação a não ser arregalar os olhos e se sentir invadido por um sentimento estranho, uma mistura de paz e completude num momento, em outro seu coração batia forte e se descobriu apaixonado por aquela mulher na primeira vez que a viu. Era como se a conhecesse e a esperasse desde sempre. Sem dizer uma palavra Sasuke a tomou em seus braços, beijou-lhe os lábios. Os dois se despiram e se amaram sem trocar uma palavra.
– Eu nunca vou deixar você sair do meu lado. – disse para desconhecida.
– Sasuke-kun – a mulher sorriu – meu nome é Sakura.
– Sakura – repetiu para si – É um belo nome.
Ela sorriu tristemente sabia que amar um homem a enfraqueceria, seria mais ainda enfraquecida quando se deixou tocar, mais enfraquecida ainda se ele a amasse de volta. Sabia que tê-lo em seus braços era assinar sua sentença de morte. Mas havia experimentado a ternura e luxúria nos braços daquele homem e seu coração doía como se fosse partir, ela não sabia que tinha um coração até encontrar aquele homem ainda menina. No momento em que o viu soube que não teria uma vida tão longa quanta a da sua mãe que vivera 200 anos, ela só viveria 20. Mas esqueceu de suas preocupações ao observar o belo homem ao seu lado que a envolvia em seus braços toda a sua angústia se apaziguou naquele momento. E desejou que durasse uma eternidade.
Mas o momento como aquele não poderia durar uma eternidade. “Sakura” Sasuke a chamava em seus sonhos. Ela se aconchegou naqueles braços que naquele momento eram o escudo mais poderoso do mundo e adormeceu.
Para seu espanto, Sasuke encarava com naturalidade, aquele encontro pouco convencional. Era assustadora a paixão que tomava conta dele quando olhou aquela mulher, quando eles fizeram amor com ternura, inquietação, desejo, como se cada vez que estivessem juntos fosse a única e última vez.
–
–
–
O fogo se alastrava ao redor da grande cerejeira, o céu estava nublado, choveria, mas Sasuke se inquietava. O fogo estava tão alto que ele não conseguia se aproximar da cerejeira. Sentia-se frustrado, continha as lágrimas não era de seu feitio chorar, gritou desesperado o nome dela.
– Sakura.
Ela surgiu caminhando entre as chamas, tinha o semblante da morte, mas ao contrário do que seria a face da morte, ela parecia sublime, irradiava uma luz forte. Correu em sua direção, caiu a seus pés, ele não conseguia falar. Sakura o ajudou a levantar, mas ela sentiu as pernas enfraquecer e se segurou em Sasuke, ele a conteve com o seu abraço, deitou-a no chão com a cabeça dela apoiada sobre as pernas dele. Ela sorriu fracamente:
– Que ironia. Nosso último encontro igual ao primeiro.
– Não diga bobagens, você vai ficar bem.
Ela sorriu, agradeceu por ele ser teimoso a ponto de quebrar a sua barreira e vir a seu encontro, ficou mais feliz ainda, pois não viveria mais que uma vida humana. Era forte, mas não o bastante para viver sem ele. Ela acariciou o rosto dele.
– Você é mais bonito do que eu lembrava.
Ele corou e desviou o olhar.
Sasuke sentia-se culpado por não poder salvá-la e mais por estar feliz por sentir-se preenchido por estar ao lado dela.
– Eles dizem que uma pessoa sozinha é completa, eu era feliz, estou feliz e miserável agora como jamais estarei em toda minha vida. Eu não sei se vou aprender a viver sem você. Com você eu aprendi o que é a vida, o mundo ficou um lugar mais bonito pelos seus olhos. É como se amar você me conectasse ao mundo.
– Eu tinha uma existência tranqüila até te conhecer naquele dia. Eu viveria centenas de anos, mas te conhecer foi como me atirar num abismo. Com você eu aprendi o que era amor, aprendi como era sentir a vida nas minhas entranhas, eu me tornei humana e isso me enfraqueceu.
Sasuke a olhava como se pedisse perdão.
– Se a gente nunca tivesse ficado junto, você..
– Shh! – ela o interrompeu – eu poderia continuar viva, mas eu preferi que nossa filha fosse humana. Não a culpe. Eu experimentei a alegria de ser mãe, não fui sábia como minha mãe em esperar duas centenas de anos. Você mudou os planos, eu podia esperar você envelhecer, mas meu egoísmo e minha urgência me fizeram querer seu primeiro amor. Estou pagando minha vida com isso, outro espírito tomará conta da floresta, outra mulher tomará conta do seu coração.
– Nunca.
– Não diga besteiras, você sabe que eu posso ver o futuro, aquela a quem você está destinado cruzará o seu caminho, eu desafiei o destino, eu trapaceei para ser primeiro amor, me perdoe, se meu egoísmo vai te causar tanta dor, mas eu não poderia viver centenas de anos sem o teu amor.
A luz ao redor de Sakura se enfraquecia, os dois ficaram em silêncio, Sakura sentia o calor das lágrimas de Sasuke sob o seu rosto, ele segurava uma das mãos dela com força, ela sabia que sua hora chegava. Levantou-se com ajuda dele, beijou-lhe os lábios, fechou os olhos.
Um grande clarão, um raio atingira a cerejeira. Sakura começava a desaparecer em seus braços, se desfazendo em pequenas luzes, pequenas estrelas.
– Viva e cuide da nossa filha.
A chuva caiu densa como se o céu chorasse.
–
–
–
Quando retornou a casa, viu uma raposa branca na entrada.
– Minha missão está cumprida e minha maldição quebrada.- ela percebeu o olhar de desconcerto de Sasuke – meu castigo foi a forma humana. Engraçado a forma humana é um castigo para uns e uma benção para outros. Eu devia te odiar moleque por ter levado a Primavera-sama embora, mas você foi a força dela, essas terras nunca foram tão férteis, saudáveis e pacíficas como enquanto a Primavera-sama te amou. E talvez enquanto você viver será assim, então viva uma vida longa e adeus.
Ela desapareceu como que por encantamento. Deu-se conta da menina que havia deixado com a mãe. “Será que ela também vai desaparecer?” Correu até a casa, a menina dormia no colo de Mikoto tão pacificamente. Pegou a menina do colo dela:
– Nossa filha.
Fim.
Fale com o autor