Krissy e V subiram as escadas e chegaram no segundo andar, tudo branco dessa vez, entraram num quarto lindo, tudo lembrava a França, ou a ideia da França que V tinha, que parecia ser a mesma de Krissy – Você já foi pra França ? – Perguntou V – nunca, mas minha mãe disse que é magnífica, ela estudou muito tempo lá, assim que casou com meu pai ela nunca mais voltou. – O pai de Krissy, V não tinha coragem pra perguntar, afinal algumas pessoas ficam chateadas, lembrou que também não tinha pai, algo que ela sempre lidou com naturalidade, se sua mãe nunca a disse nada, talvez não valesse a pena.

Elas tiraram fotos e provaram várias roupas, o quarto era fabuloso as janelas de vidro davam de frente pro lindo jardim onde de longe V podia ver Robert e Katherine tomando chá – Você gosta do meu tio – as palavras soaram dramaticamente no ouvido de Victoria – Bom, o que ? – Vem cá, você já me falou algumas vezes dele, me fala, por favor ! – Krissy disse se sentando no tapete felpudo que ficava na frente da cama – eu acho ele muito educado – sussurrou V mexendo nos cabelos – e bonito né ? Não precisa sussurrar Vicky, não tem uma escuta no meu quarto. – Desculpe, é porque não é muito certo achar isso de um professor – Krissy sorriu – Bom, eu acho que você gosta mesmo dele e ele olha tanto pra você- Krissy gargalhava – Não é engraçado, ok ! Se ele não fosse seu tio, você acharia o mesmo ! – Então que bom que ele é meu tio, porque “ECA” ! – As duas riram e caíram no tapete que se moldava em seus corpos – Ai não , que horas são ? Eu tenho que ir pra casa ! – E você vai como ? – Droga, eu não faço a mínima – Krissy teve uma ideia espetacular – vamos descer então, pra ver o que posso fazer.

As duas chegaram até a sala, Victoria calçou os sapatos que estavam na sala de jantar e ao se levantar acabou tropeçando – Cuidado Victoria ! – Robert segurou seu braço a impedindo de espatifar no chão – Obrigada Sr. Fo.. Robert – se ela fosse branca estaria com as bochechas rosadas, pensou, ficou feliz por isso. – Então, a Kris pediu que eu a levasse até em casa – Oh a Krissy, bom eu, eu não pedi mesmo, sei que é um trabalho – Mas fica no caminho do mercado e eu preciso comprar umas frutas pra Kath – Disse gentilmente Robert entregando o casaco branco em suas mãos – Eu acho que esse é seu, Victoria – Obrigada Robert – com um sorriso no rosto.

Katherine deu um abraço em V e sussurrou – Espero mesmo que volte, querida – Foi maravilhoso vir aqui, muito obrigada – disse V encarando Krissy que ria do outro lado da porta, já chegando no jardim – Parabéns Krissy e obrigada pelo jantar – Sem problemas senhorita – Robert já estava na porta do carro, esperando a garota e pensando nos minutos que teriam sozinhos no carro, no que ele falaria pra ela, se iria poder abraçá-la quando ela chegasse em sua casa, Robert se sentia um doente ao pensar assim – Vamos Victoria – sussurrou enquanto abria a porta do passageiro , entraram no carro, e Robert se preocupou em não andar muito rápido, para passar mais tempo ao lado de Victoria – Você quer ouvir algo ? – disse Robert quebrando o silêncio – Não, obrigada, prefiro só conversar, se quiser, é claro. – Claro que sim Victoria – ela realmente não sabia o que falar muito menos ele que pensava o quanto aquele vestido branco ficaria em sua cabeça, talvez uma eternidade – Porque vocês vieram pra cá ? – Perguntou V – Bom, eu realmente não sei ao certo, como um irmã adotado não faço muitas objeções onde não me chamam – Disse Robert sorrindo – Estou brincando querida , – Querida, pensou Victoria – Na verdade elas só queriam sair da última cidade em que estávamos porque alguns moradores achavam a nossa casa lá muito suspeita – Suspeita, mas porque ? – Porque o prefeito roubava muito do banco municipal e como ele teve um pequeno relacionamento com a Kath, disseram que tudo era da cidade. As garotas pegaram suas coisas, venderam a casa e estamos aqui.

Dez metros, apenas em dez metros ela já estaria em casa, e a última coisa que ela queria era deixar o carro, — Estamos quase lá, em uns dez metros chegamos na minha casa – Ah, sim – disse Robert fingindo estar concentrado no caminho – Você está descalça novamente, sapatos pequenos ? — Oh, desculpe é porque eu não gosto muito de ficar calçada – Espírito livre – disse Robert – Acho que sim – sorriu – Chegamos – Robert queria poder dar um beijo no rosto de Victoria mas seria muito ridículo para um professor, talvez Victoria achasse desconfortável – Tchau Robert – Victoria lhe deu um beijo no rosto, ela não podia nem se mexer quando sentiu o calor dela passando pra ele e o perfume da vida entrando por suas narinas – Desculpe professor – era quase impossível mas as bochechas de Victoria estavam avermelhadas – Está tudo bem Victoria, te vejo amanhã, certo? – Sim, Robert e obrigada pela carona – ela fechou a porta e entrou em casa, Robert então fingiu ir até ao mercado, ficando estacionado lá por alguns minutos, inebriado por Victoria, que petulância fazer isso com seu professor, passou mão nos cabelos negros e acelerou de volta pra casa, passando pela varanda de V- que estava arrumando as cadeiras lá fora, buzinou pra ela e recebeu um sorriso de volta,- bela Victoria- pensou.