O Bosque
1 Capítulo 1
Uma manhã ensolarada em sua cidade, Victoria acordava com a brisa fresca da manhã, escolhia uma roupa, um sapato, tomava banho, se vestia e esperava sua mãe chegar do plantão para ir até a escola, no caminho havia um bosque, V o temia, então esperava sua mãe para ir de carro.
No caminho ela via várias plantas e então chegava a parte mais escura da estrada, que passava pelo bosque, dentro dele havia um lago muito grande, lago Katanoki, ali antigamente os índios que habitavam sua cidade faziam sacrifícios, na maioria das vezes ligados até ao canibalismo, V sentia arrepios só de pensar o que ocorria ali alguns anos atrás, na verdade centenas de anos, mas aquelas árvores, aquelas pedras talvez já estivessem ali, testemunhas mudas que também haviam presenciado os assassinatos ocorridos há dois anos, cinco meninas foram assassinadas brutalmente no lago no intervalo de uma semana, quando encontraram seus corpos foi um horror, uma delas era Susana Jones, vizinha de Victoria, sua mãe logo depois se matou e o pai de Susana foi embora, alguns dizem que ele se matou, outros que ele foi internado em uma clínica para doentes mentais, V mesma achava que até hoje o pai de sua vizinha procurava o assassino de sua filha única que nunca tinha sido encontrado.
A escola ficava perto do bosque, depois que terminava a extensão do mesmo, depois de 20 metros lá estava a escola, uma estrutura grandiosa, na verdade duas, a escola “antiga” estava fechada pois foi condenada por muitos engenheiros após alguns acidentes, mesmo assim ela parecia nova, o diretor cuidou para que a carcaça não parecesse assustadora ao ponto que adolescentes pensarem em entrar lá para pregar trotes em novatos ou em alguns outros que eram vítimas eternas de piadas, mesmo assim, sempre ocorriam alguns casos todos os anos.
O prédio “novo” era magnífico, o que era estranho pra uma cidade pequena como a dela, parecia mais uma faculdade em sua extensão, o paraíso estudantil, V nunca teve muitos amigos muito menos amigas, sua mãe dizia que essas americanas podres não suportavam sua beleza latina, não se sabia se era verdade, ou se o problema mesmo era o de Victoria, que adorava ficar sozinha, ela tinha medo de acabar chateando as pessoas, se achava chatinha e entediante, era melhor não ter amigos do que ser antipática com todos.
A beleza de Victoria realmente criava barreiras com as garotas da escola,a cidade era fria quase o ano todo, quase não se via o sol, as garotas eram pálidas e gastavam dinheiro para obter a cor de V, que tinha uma pele como dizia sua mãe, beijada pelo sol, a mãe de V também era a rainha da beleza, Ana Santos,foi transferida de sua cidade pra trabalhar como enfermeira chefe nos Estados Unidos, faziam cinco anos que elas não voltavam ao Brasil, a lembrança da praia perseguia Victoria e sua mãe como uma assombração, elas foram embora tão rápido e tão drasticamente que sua mãe não lhe disse o porque, V tinha 12 anos e sempre foi madura mas sua mãe não quis dizer nada e até hoje nunca lhe disse uma palavra. Elas sempre foram sozinhas, sem avó, sem tias, sem parentes, ninguém, o que fez com que sua mãe não quisesse voltar nunca pra seu país.
Ela andava pelos corredores da escola sempre só, a medida que os garotos reviravam as cabeças as meninas reviravam os olhos – Louca ! – gritou a garota loira que sempre que via V fazia o mesmo, todos riam, ela talvez fosse a fêmea alfa daquela droga de escola – pensava V – olhou pra ela e disse – Obrigada – respirou fundo e continuou seu caminho, assistia todas as aulas ao lado de Krissy, a pessoa que chegava mais perto de ser chamada de amiga, Krissy era magra e pálida como todas as garotas mas não se bronzeava artificialmente, ela tinha uma mãe rígida, viúva, que em alguns conceitos parecia com a mãe de Victoria – Posso te chamar de Vicky ? – sussurrou Krissy – Pode sim – Você quer ir na minha casa hoje ? É meu aniversário e as minhas amigas moram em outra cidade, elas não podem vir, não queria ficar só. – Krissy tinha se mudado com sua mãe para Fortlight um pouco mais de um ano, e por sua aparência fraca, não fez muitas amigas – Mas é claro que sim ! – Disse V sorindo, talvez fosse a hora pra elas serem amigas, Krissy não iria ignorá-la já que não tinha amigas ali, não tonha nada a perder.
A aula de literatura começou, uma das únicas duas aulas que V não estava com Krissy, Robert era o homem mais lindo do mundo para V, seu maxilar quadrado contrastava com a camisa de gola alta que ele sempre usava, Robert era forte mas não como um halterofilista, ele era perfeito, tinha olhos azuis grandes e o cabelo negro, ele era branco mas não pálido, parecia saudável, eles estavam começando a ler as obras de Edgar Allan Poe, um dos escritores favoritos de Victoria, o que lhe deu uma chance de falar mais em suas aulas, pra Robert Ford Victoria também não era muito diferente, ela chamava atenção e se diferenciava tanto dos outros alunos, era como se tivessem feito uma colagem na sala e aquela garota tinha saído de uma revista totalmente diferente, ela era alta, tinha a pele delgada e cabelos longos e negros, seus olhos eram profundos e seu sorriso indescritível. Robert não podia pensar muito nela, afinal ele tinha quase 30 anos e V tinha apenas 17.
A aula começou cinco minutos mais tarde, depois dos pensamentos profundos de Robert quebrados pela voz de Victoria – Sr. Ford ? Leremos o corvo hoje ? – Robert acordou dos pensamentos que estavam lhe afogando – Ah não, senhorita, vou passar um trabalho manuscrito sobre a obra, passaremos agora pra terceira geração romântica – V lamentou saber que não poderia mais ficar ficar alguns minutos após a aula falando sobre Poe, mas já sabia que isso aconteceria – Capítulo sete, por favor.
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