O Boneco de Plastico
25 O outro lado VIII
Notas iniciais

VINTE E QUATRO
O OUTRO LADO VIII
Edward Cullen
Para mim foi uma surpresa encontrar o numero do telefone de Alicia em minha roupa, e enquanto olhava para aquele numero fora impossível não pensar de quanto tempo eu desejei isso, quanto tempo eu desejei ter a oportunidade de ter algum contato com ela, eu até me lembrei de como varias vezes eu quis tentar conversar com ela, ter a oportunidade de pedir desculpas por ter sido tão duro naquela época, confesso que fui egoísta e imaturo, e isso fora algo que me perturbou por muito tempo, mas também hoje já consigo entender que naquela época éramos muito novos, eu não imaginei que tudo que fiz iria trazer consequências tão graves.
Mas eu não consegui me explicar e o tempo passou e o mundo continua girando, embora eu tenha ficado muito tempo preso nesse passado, agora muitas coisas haviam mudado, eu vi que Alicia parecia estar bem, pelo pouco que a vi antes de adormecer foi essa a impressão que tive, com certeza havia se recuperado, e isso já me aliviava. Talvez agora eu pudesse me livrar dessa culpa.
Sorri para mim mesmo, enquanto ainda olhava aquele numero de telefone, eu estava tão surpreso que voltei para o quarto e sentei em minha cama. Se fosse outro momento, com certeza já estaria correndo e pegando o telefone para ligar para ela, talvez eu até implorasse por uma segunda chance, cogitando a possibilidade de recomeçarmos.
Mas agora... Não, eu não pensava assim. Fora difícil, mas agora eu estava bem do jeito que estava, e saber que ela está bem já era o suficiente para mim, eu não queria ligar, eu não queria voltar para trás, e principalmente, eu não queria teria problemas com Bella.
Por isso rasguei o papel e joguei-o no lixo, tomei o meu banho e decidi deixar esse assunto para trás, eu estava disposto a recomeçar, fiquei muito tempo preso num passado, sem se envolver de uma forma mais intensa com ninguém, porém com Bella, acabou meio que sendo de forma natural, não fora planejado, mas fora acontecendo lentamente, como se fosse inevitável, e eu não queria cometer uma burrada que estragasse tudo, não queria mais para frente ficar me culpando por ter perdido alguém que gosto por atitudes impulsivas, que nem aconteceu com Alicia, eu tinha que aprender com meu erro e tentar não errar mais, e fora isso que decidi tentar fazer, agir da forma certa para não me arrepender mais tarde.
Fiquei a noite toda pensando em tudo que aconteceu e tentei decidir o que faria daqui em diante, depois de alguns minutos, decidi que primeiro eu tentaria esquecer o que houve, e segundo eu tomaria uma atitude que eu já tinha que ter tomado antes, eu estava disposto a contar toda verdade a Bella, a verdade que digo é como que conheci Alicia e como nos envolvemos e como tudo terminou, não era algo que gostava de falar, mas eu sabia que seria necessário, já que é um assunto que eu não poderia evitar para sempre, e também ela já me sondou com varias perguntas e fora eu que sempre evitei falar. Agora, isso estava tornando-se impossível de esconder. Eu precisava contar a verdade.
Então no outro decidi procurar Bella, preferi ir atrás dela na hora do almoço, já disposto a chama-la para conversar. Eu planejei leva-la para minha casa e lá poder falar com ela sobre a Alicia, tentei manter a calma, pois eu não sabia como ela iria reagir com toda a história, mas no fundo era impossível não sentir certo incomodo, em pensar no assunto.
Enquanto a procurava nos corredores, ouvi alguém me chamar, pela voz automaticamente, eu já reconheci quem era a pessoa, respirei fundo antes de me virar para trás e encará-lo, ele se aproximou, olhando-me com um olhar sério.
— Oi! – Jacob falou, com as mãos no bolso da calça e dando alguns passos em minha direção.
— Oi! – eu falei, a voz quase não saiu.
— É eu queria saber se depois que tudo que rolou, ainda você me considera um inimigo?... – Jacob perguntou.
— Isso importa para você? – perguntei, arqueando as sobrancelhas, surpreso com a pergunta de Jacob.
Ele coçou a cabeça, olhou-me por alguns segundos, antes de me responder:
— Cara, eu nunca quis ser seu inimigo, você sabe disso, na verdade, nunca consegui te odiar, eu sempre achei que um dia você iria entender e... – ele se calou por alguns segundos, parecia estar se enrolando nas palavras. – E que conseguiríamos um dia, ser amigos de novo...
Olhei para ele por alguns segundos, sinceramente eu não acreditava que um dia ouviria mais isso da boca dele, depois de tudo que aconteceu entre ele, Alicia e eu, eu sempre imaginei que o nosso ódio seria eterno e reciproco, mas talvez eu estivesse enganado por todo esse tempo, parece que o único que ficou guardando rancor e amargura fui eu.
Sem perceber eu acabei sorrindo para ele, e Jacob ao mesmo tempo também sorriu para mim, ele parecia ter percebido que eu havia entendido, e finalmente eu havia mesmo conseguido entender, ou melhor, eu havia conseguido superar. Eu não precisei dizer uma única palavra para Jacob saber que estava tudo bem, mesmo com o passar do tempo, ele ainda parecia me conhecer muito bem, o que é natural para duas pessoas que foram grandes amigos de infância.
***
Depois de falar com Jacob fui para os corredores onde havia os armários, e logo encontrei Bella ali, em seu armário, guardando alguns livros. Eu respirei fundo, olhei-a por alguns segundos e me aproximei da forma mais natural o possível.
Abracei-a por trás então eu falei:
— A gente precisa conversar...
Ela olhou para mim e então notei o quanto ela estava bem maquiada, estava até com o rosto diferente, já que ela não tinha esse costume de se maquiar, mas a maquiagem não fora o suficiente para esconder que ela ficou um tanto pálida, e sua expressão não fora uma das melhores, tive a impressão de que ela ficou um tanto assustada, o que eu não entendi, afinal, eu tinha dito apenas que preciso conversar com ela.
— Que cara é essa? – perguntei.
— Ah foi á maquiagem que a sua irmã fez em mim... – ela falou.
— Não, não estou falando da maquiagem, aliás, você ficou bonita mesmo com ela, mas eu estou falando que você ficou pálida, tá passando mal? – perguntei, e agora ela ainda estava mais pálida do que antes e isso começou a me preocupar, tanto, que eu até a segurei.
— Você quer terminar comigo? – ela soltou do nada, achei a pergunta um tanto estranha, e então franzi as sobrancelhas.
— Não! – falei, e então no mesmo momento eu me lembrei do numero da Alicia, e comecei a me perguntar, se ela não estava assim porque ela sabia que eu havia visto Alicia de novo, aquilo me preocupou. – Mas perai, o que você sabe? – perguntei.
Agora ela que franziu as sobrancelhas.
— Como assim o que eu sei? Tá legal, então é isso você quer terminar comigo! – ela falou.
— Não, mas pelo jeito que você me falou, é como se soubesse de alguma coisa... – eu tentei despistar, agora que eu havia me dado conta de que eu estava enganado e ela não sabia de nada.
— Eu tinha que saber de alguma coisa? Perai, o que você está me escondendo?
Ficamos nos encarando com olhares confusos, e então vi o quanto estávamos nos confundido fazendo essas perguntas um para o outro, e então puxei-a pelo braço, decidido a ir embora agora mesmo, para termos logo a conversa e acabar com essa confusão toda.
— Aonde vamos? – ela perguntou, enquanto eu ainda a puxava pelo braço.
— Vamos cabular a aula e ir para minha casa... – respondi.
— Mas por que não esperamos as aulas terminarem? – ela perguntou.
— Porque se não posso mudar de ideia e falo mais nada! – falei, afinal, era melhor falar logo enquanto estou decidido, para não acabar mudando de ideia.
***
Quando temos algo no passado que não gostamos de ficar nos lembrando, sempre é difícil de falar dele, conversar sobre isso sempre me irritava, talvez fosse porque eu não conseguia aceitar o que eu havia feito, é como Jacob sempre falou e eu nunca quis concordar, eu precisava me perdoar, e como não conseguia queria culpar os outros para assim tentar me sentir melhor.
E somente agora, pouco a pouco, eu estava me dando conta disso, talvez ter ficado perdido no meio da estrada com Jacob não tivesse sido tão ruim assim.
— Senta na cama... – eu pedi, assim que Bella e eu entramos no quarto, mas ela continuou em pé e ainda com um olhar assustado. – Pode se sentar eu não vou te agarrar e nem te violentar se é esse seu medo...
Ela revirou os olhos e então tirou a mochila das costas, colocou-a no chão e sentou na cama.
— Eu não estou com medo disso... – ela falou agora me olhando.
— Certo, então está com medo do que? – falei, pegando a cadeira da escrivaninha para ficar sentado em frente a ela.
— Tá, o que você quer me falar? – ela perguntou, olhando para o chão.
— Eu não vou terminar com você Bella... – falei, ao notar que talvez esse fosse o medo dela, já que desde que falei a seguinte frase: “precisamos conversar”, ela começou a agir de uma forma estranha, como se estivesse com medo, ou preocupada com alguma coisa.
— Sério? – ela falou.
— É você é muito insegura, deveria confiar mais no nosso relacionamento... – eu disse, embora soubesse que talvez até eu fosse um pouco culpado pela insegurança dela, afinal, não deve ser nada fácil para ela se parecer com minha ex.
— É que, é que... Eu sei que eu não sou ainda a melhor namorada do mundo, mas pouco a pouco eu estou tentando melhorar sabe, é que... – ela dizia, mas logo a interrompi, dando-lhe um beijo de leve, na tentativa de relaxá-la, afinal, eu não estava ali para discutir nossa relação, que para mim, embora ainda estivéssemos nos acostumando a agir como casal, estava sendo o bastante, estávamos bem.
— Relaxa, não estou aqui para discutir nosso relacionamento, eu vou falar é sobre o meu passado... – falei, e os lábios dela no mesmo momento se entreabriram, ela pareceu ter ficado surpresa por eu ter decidido por mim mesmo entrar nesse assunto.
— Sério? – ela perguntou.
Segurei a mão dela e olhei para baixo, respirei fundo, tentando encontrar as palavras certas para começar a falar:
— Eu quero que você saiba como Alicia e eu terminamos e por que ela foi embora... – falei.
— Antes, seja sincero comigo com uma coisa... – ela falou, deixando-me intrigado, olhei para ela com um olhar surpreso.
— O que? – perguntei.
— Você... É... Você ainda sente algo por ela Edward? Por favor, não minta para mim, você gosta dela ainda? – ela perguntou, logo notei que ela ficou um tanto nervosa com a pergunta.
Realmente aquela pergunta havia me pegado de surpresa, eu não costumava pensar muito nisso, o que me fez ficar calado, afinal, nem eu mesmo tinha parado para me fazer essa pergunta, mas por sorte, não precisei pensar por muito tempo, para logo a resposta surgir e eu responder de forma automática:
— Não Bella, eu tenho que admitir que gostei muito dela e fiquei mal quando ela foi embora, mas não foi só pelo fato dela ter sido minha namorada, mas sim por ter sido minha amiga, ela foi alguém especial na minha infância, e quando ela foi eu não perdi só uma namorada, eu perdi uma amiga, a melhor que eu tive na minha infância... – falei, e aquilo parece ter aliviado ela, ela esboçou até mesmo um leve sorriso.
— Certo Edward, então pode começar a história! – ela falou, e então comecei a contar toda a história para ela.
***
Não fora fácil, mas confesso que me senti aliviado em poder contar tudo aquilo para alguém, ainda mais para ela, que reagiu até bem com toda a história, ela fora compreensiva e falou palavras que até mesmo me confortou. E acredito que pela história ter saído mais fácil do que imaginei que sairia, eu estou mesmo superando e deixando finalmente tudo para trás, Bella estava sendo essencial para essa minha virada de página, e eu estava até mesmo começando a me questionar o tamanho da intensidade do meu sentimento por ela.
Tudo havia acontecido muito rápido. Por um tempo agíamos como cão e gato, mas ao mesmo tempo em que brigávamos e agíamos como dois inimigos, nós cobrávamos um do outro coisas e explicações que apenas namorados tinham que dar.
Mas fora devido a isso que num gesto impulsivo, eu simplesmente senti vontade de tentar ter um relacionamento com ela. Eu não tinha certeza se iria dar certo, mas, eu estava começando a me surpreender, estávamos nos apegando, tanto que eu comecei a me perguntar em que momento aconteceu toda essa mudança de sentimentos, pois eu me perdi, eu ainda não sabia em que momento ela parou de ser apenas a garota que eu sentia uma forte atração e gostava de provocar, para ser algo maior, algo mais intenso.
Sorri para mim mesmo, enquanto pensava nisso. Eu não sabia nem como, quando, mas eu estava sentindo-me melhor, diferente, e a medida em que eu fui me sentindo assim, eu fui me esforçando mais com Bella, tentando contribuir para que nossa relação tornasse cada vez melhor, comecei a visita-la mais, ajuda-la, até mesmo aceitei a ideia maluca dela de se tornar “a garota da toalha” em vez de líder de torcida, lhe dei também um cachorro de presente, por saber que ela gostava muito do meu.
E tudo parecia estar indo muito bem, até que algo precisava acontecer para virar nossas vidas de cabeça para baixo novamente.
***
Lá estava eu, na escola, dentro do banheiro, quando ouvi o meu novo celular tocar, vi que se tratava de Bella e eu estranhei porque como eu estava na escola e estávamos perto um do outro não era normal ela me ligar, só se tivesse acontecido algo, então imaginando que deveria ser algo importante, eu atendi.
— Alô?
— EDWARD CULLEN ONDE VOCÊ ESTÁ?! – ela já foi gritando, o que me assustou, eu precisei até mesmo tirar um pouco o celular do ouvido.
— No banheiro... Por que? – perguntei, tentando manter a calma e ignorar o fato de que ela havia surtado segundos atrás. Ela não me respondeu e isso me preocupou. — Bella você está com raiva? – perguntei.
— Eu com raiva? – ela falou, sai do banheiro e encontrei ela parada próximo onde eu estava, logo me aproximei, guardando o celular no bolso ao mesmo tempo que ela.
— Bella, o que foi? – já fui perguntando.
— Por que a Alicia está aqui? – ela perguntou e sua pergunta me estranhou. Afinal, como assim Alicia está na escola? Eu não entendi nada.
— Alicia? – falei, franzindo as sobrancelhas. – Bella, a gente não tinha decidido deixar ela para trás? Afinal, como eu já tinha te falado... – fui falando, afinal, depois que contei toda a verdade para Bella tínhamos decidido não entrarmos mais nesse assunto, esquecer, deixar ela para trás, no passado.
— Você tem que dizer isso para ela, que está aqui atrás de você... – ela falou, aparentando estar muito irritada, e aquilo me deixou ainda mais confuso.
— Ela não está aqui Bella...
— Está sim!
— Não, ela não está não...
— Ela esta sim! – ela falou mais alto, no mesmo momento senti meu rosto esquentar, afinal, muito olharam para nós com olhares curiosos. Então, eu respirei fundo, olhei para os lados, e depois me aproximei de Bella, colocando a mão na testa dela, para mim não fazia sentido o que ela estava falando, e já imaginei que ela deveria estar vendo coisas, quem sabe estivesse com febre.
— Bella, você não está...
— Não! – ela logo me interrompeu. – Não me venha dizer que estou com alucinações! Se eu estou Mike também está, porque ele a viu também! – ela falou agora me deixando mais surpreso.
— Mas... Como? – falei agora mais confuso do que antes e também preocupado, pois se isso for verdade, eu não fazia ideia do que Alicia estava fazendo aqui.
Continua...
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