O Boneco de Neve (completa)
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Estava uma fria manhã de dezembro e Fred e George observavam, pela janela da Toca, a neve caindo copiosamente no quintal, pintando tudo de branco. Estavam sentados à mesa, acompanhados por seus irmãos mais velhos. Percy lia um livro qualquer aborrecido, com seu irritante ar atento. Bill e Charlie tinham os olhos encovados de terem jogado snap explosivo durante toda a noite. O prato à frente deles estava quase vazio, com restos de panquecas e salsichas. Mas não podiam sair da mesa sem terminarem sua refeição, embora quisessem desesperadamente ir brincar lá para fora.
Sua mãe estava de pé e embalava o pequeno caçula, Ron, enquanto ele amamentava debaixo de um fino cobertor. Seu irmãozinho parecia que nunca comia, estava sempre chorando de fome, o que estava cansando sua mãe, notavam perspicazmente.
Com rapidez, terminaram o café da manhã e perguntaram, ao mesmo tempo:
— Mamãe, a gente pode ir brincar lá fora? — Molly olhou distraidamente pela janela e recomendou:
— Agasalhem-se bem. — Os gêmeos saíram rapidamente da mesa e galgaram as escadas em direção ao quarto, com risinhos de felicidade. Tiraram os pijamas e vestiram roupas quentes, para se protegerem do frio e não ficarem doentes.
— Vou fazer um boneco de neve maior que o seu. — Zoou Fred, enquanto vestia o casaco — Vai ter o maior nariz. E os maiores braços. E uma cabeça do tamanho do mundo.
— Mentira! — Reclamou George, acabando de abotoar seu casaco e saindo a correr do quarto — Meu será ainda maior. Sua cabeça vai chegar no céu!
Galgaram as escadas e saíram correndo de casa. Bill e Charlie olharam a felicidade de seus irmãos e pensaram como era bom ser criança, sem ter nenhuma responsabilidade. Por momentos, os invejaram. Só queriam brincar, sem pensar em redações de Poções. Fred se ajoelhou na neve fofa e gelada, fazendo uma bola em suas mãos. George o imitou, amontoando um pouco de neve nas suas, mas uma ideia lhe surgiu. Amassou o melhor que pode a pequena bola de neve e a atirou para a cabeça de seu irmão, que soltou um grito, ultrajado:
— Fred! — Limpou com a luva os resíduos de seu gorro e na orelha e decidiu se vingar. Pegou em um pedaço de neve, moldando até formar uma bola e atirou de volta, acertando em seu irmão, que gritou em resposta. Quando deram por eles, já estavam tendo uma batalha amigável, mas muito renhida. Soltavam risadas sempre que uma bola os atingia. Corriam de um lado para o outro, soltando risadas. Quando se cansaram, se deitaram na neve e formaram pequenos anjos, deixando várias figuras no chão.
Pela janela, Molly, de cabelo desalinhado e ar cansado, continuava embalando Ron. Tinha sido uma noite difícil, seu bebê tinha chorado por causa de cólicas. Arthur não tinha dormido nada e a tinha tentado ajudar. Seu marido a ajudava no que podia. Olhou para seus filhos, que estavam saindo da mesa e suspirou. Ainda não lhes tinha contado, mas estava novamente grávida. E, ao fazer o teste, tinha descoberto que seria uma menina. Ela e Arthur tinham tentado tanto por uma menina e, finalmente, seu desejo se realizaria. Sua filha. Já estava pensando em nomes, queria que tivesse o nome mais lindo. Sua bebê seria uma linda bruxinha.
Sabia que iria ser difícil, com Ron ainda bebê e o resto das crianças tão pequenas, mas tinha fé em Merlin que tudo iria ficar bem. Mas, mesmo que não fosse uma menina, seria o ultimo bebê. Os medibruxos já a tinham avisado que seu corpo não aguentaria mais nenhuma gravidez. E, com o avançar da idade, era cada vez mais arriscado para ela. Não queria deixar seus filhos orfãos de mãe. Pousou Ron, adormecido, no berço e fez um rápido chocolate quente. Seus filhos deveria estar com frio. Voltou à janela e gritou:
— Venham tomar um chocolate quente! — Fred e George se levantaram com um salto e correram até sua mãe, na janela, que tinha duas xícaras fumegantes em suas mãos. Pegaram, animados, enquanto Molly reclamava:
— Vossas roupas estão molhadas. — Com um rápido aceno de varinha, secou-os rapidamente. Olhou-os amorosamente, orgulhosa de seus meninos — Pronto, agora não ficam doentes.
— Obrigado, mamãe! — Agradeceram, em uníssono, enquanto entregavam suas xícaras vazias e Molly lhes limpava a boca com um guardanapo. Ouviu Bill, Charlie e Percy descendo as escadas, também querendo um pouco. Viu Fred e George com grandes sorrisos e seu coração se aqueceu de felicidade. Viu Fred e George correndo para o jardim, onde se juntaram para fazerem — cada um — um enorme e maior boneco de neve de sempre. Pousou as xícaras no lava loiça e fez mais um pouco para seus outros filhos.
Eles empurraram grandes bolas de neve, que iam crescendo até se formarem três partes perfeitamente empilhadas. Fred, ao tentar colocar a cabeça do boneco de neve, a bola rolou para o chão. Soltaram gritos de desilusão, sua mãe aparecendo à janela para ver o que estava acontecendo, sobressaltada com tanta gritaria, mas não desistiram.
Com a ajuda de George, voltaram a fazer uma bola, colocando-a cuidadosamente no topo, formando um boneco de neve. Deixando o boneco incompleto de George, procuraram pedrinhas no chão, fixando no rosto. Enquanto Fred procurava ramos para os braços, George corria até casa, pedindo à sua mãe uma cenoura para o nariz, que lhes deu a mais deformada e grande que conseguiu arrumar. Empurraram a cenoura no meio do rosto do boneco de neve e puseram os ramos em cada lado, formando os braços. Fred tirou seu cachecol, colocando em redor do pescoço. Se sentaram na neve, olhando orgulhosamente para o boneco que tinham construído. O boneco de George estava meio construído, abandonado no canto.
— Meninos, venham lanchar! — Gritou Molly e os gêmeos se levantaram, correndo até casa. A neve começou caindo lentamente, formando um manto fofo e branco. Aos poucos, um montinho se formava no topo do boneco de neve, formando um pequeno chapéu. Dentro de casa, os gêmeos se aqueciam em frente à lareira, comendo uns biscoitos de gengibre e bebericando mais uma xícara de chocolate quente. Com seus rostos ruborizados pelo frio, escutavam os resmungos de seu irmão caçula sem saberem que, muito em breve, iria haver mais um bebê para amar e mimar na família.
FIM
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