Notas iniciais
SAHH NA ÁREA Boa tarde, pessoal! Hoje trago a 3° one-shot da “Saga dos Sete Reinos”, dessa vez, focando no Reino de Tori e no nosso amado shipp KageHina ♥️ Espero que gostem dessa one tanto quanto eu gostei, AMEI fazê-la ❤️ Lembrando que deixarei o link das primeiras one-shots da saga nas notas finais, ok? Sem mais delongas, apreciemos nossos amados corvos ♥️ Capítulo revisado em: 09/04/2024

O Bobo da Corte

por Sahh

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O Reino de Tori, comandado pelo egocêntrico rei Kageyama Tobio, é uma das nações mais abrangentes e populosas do continente, desenvolvida em sobremaneira após a ascendência de Kageyama ao trono. O único revés, porém, é a quantidade absurda de corvos na região; entretanto, a população já adquiriu costume à presença das aves.

◘◘◘

— Estou morto, mortinho! Ah, quando isso vai acabar?

Hinata Shouyou, largado em uma pequena colina de grama verde e macia, pressionava as mãos nos olhos. Às vezes, as pessoas o viam nessa situação quando ele acabava de ser confundido com uma criança por causa de sua altura, mas nesse dia não era esse o fator que originava sua frustração, longe disso.

O problema era que ele simplesmente odiava sua profissão.

— Bobo da Corte? Bobo da Corte? — repetia, inconformado. — Por que me meti numa dessas?

Ah, sim. Lembrou-se de que não fora bem ele que se colocara nessa situação, mas seu rei.

Irritado, Hinata descobriu os olhos e mirou o céu azul. Quem o conhecia acharia surpreendente vê-lo zangado, mas quem observara a semana dura que ele tivera, trabalhando como um condenado, acharia compreensível. O casamento do jovem rei de Tori, Kageyama Tobio, se aproximava, e o reino inteiro corria para terminar os últimos preparativos. O castelo em particular estava uma loucura infernal, e Hinata agradecia as poucas horas que tinha antes de voltar — ou ser arrastado — para lá.

Levantou-se e pôs-se a caminhar, sem rumo, pelos extensos jardins a alguns quilômetros do castelo. Quando percebeu, parara em frente a dois grandes armazéns, e lembrou-se de que era ali que guardavam o armamento de caça. Um cercadinho de madeira circundava os armazéns, havendo um espaço considerável para a passagem de cavalos e carroças. O lugar parecia vazio, o que deu a Hinata a segurança de que não seria repreendido por se escorar no cercado para uma pausa para o almoço. Assim o fez, e tirou do interior do colete uma trouxinha que continha alguns onigiris que pegara nas cozinhas mais cedo. Pôs-se a comer. Precisava recobrar as forças, afinal a qualquer momento o chamariam de volta ao castelo para continuar a praticar seus exercícios mais umas cem vezes.

Era difícil para Hinata lidar com o pessoal do castelo, mas não tão difícil quanto se dar conta de que agora era um deles. Sentia-se melancólico cada vez que cogitava o fato, pois sentia falta de morar na vila… Hinata sempre fora um simples camponês, e desde jovem ingressava no primeiro trabalho que aparecia se isso significava trazer mais dinheiro para casa. Sua mãe se esforçava muito costurando as roupas das pessoas da vizinhança, e sua irmã, Natsu, era pequena demais para praticar algo que lhes trouxesse algum lucro.

Em uma tarde, enquanto passava o tempo com seus amigos de infância — Izumi e Kōji —, Hinata foi desafiado a pegar uma maçã de um galho muito alto de uma frondosa macieira.

Na época, ele sorriu com confiança.

— Espero que não me subestimem, pois vou alcançá-la!

Dito isso, Hinata, em meio às exclamações dos amigos, deu um salto monstruoso e conseguiu se agarrar ao galho em questão, que era grosso o suficiente para sustentá-lo. Ainda mais ousado, ele se balançou para frente e para trás e teve o êxito de trocar o apoio das mãos pelas pernas, pendurando-se de ponta cabeça. Após rir e se contentar com a perplexidade de seus amigos, Hinata simplesmente impulsionou o torso para cima e pegou a maçã.

— Viram como foi fácil? Não foi nada complicado, né, Kōji, Izumi?

Não houve resposta, o que Hinata estranhou — ouvia a risada dos amigos segundos antes até um súbito silêncio os dominar.

Hinata soltou o corpo para trás, ainda se sustentando pelas pernas, e se engasgou ao dar de cara com o rei. E não, não se confundiu, pois o manto real, a coroa na cabeça e o pequeno grupo de cavaleiros alguns passos atrás do jovem monarca lhe deram todas as respostas de que precisava: se encontrava na presença do soberano de Tori. Hinata já vira pinturas da família real, mas nenhuma conseguiu retratar a frieza nos olhos azuis-escuros de Kageyama Tobio, no momento próximos dos castanho-claros arregalados.

Hinata não foi capaz de conter o espanto, então desequilibrou-se e despencou para o chão, desmaiando imediatamente com a pancada na cabeça. Mais tarde, despertou no centro médico da vila tonto igual a um peão, mas mesmo assim não se viu livre de mais surpresas ao reconhecer as feições sérias e marrentas que viu antes de cair da árvore.

Era o rei. Outra vez. Parado ao lado de sua cama. Sem oferecer a menor preocupação, ele disse:

— Você será o Bobo da Corte do reino — decretou. — Seus familiares e você partirão para o castelo esta noite.

E foi isso. Simples assim, de um instante ao outro a vida de Hinata virou pelo avesso. No começo ele até ficou otimista com a ideia de viver no castelo e ter um emprego não só permanente, mas também importante, que consistia em trazer alegria ao rei e às demais figuras da nobreza, mas não demorou para ver as desvantagens. Hinata submeteu-se a treinamentos e aprendizados intermináveis como a dança, o canto, a recitação de poemas e anedotas e tantas outras coisas. Além disso, aprendia a tocar diversos instrumentos musicais, havendo vezes em que quase enlouquecia no exercício de decorar as notas rápida e perfeitamente e pela dor vinda dos calos que agora faziam morada em suas mãos.

Não que Hinata não gostasse de ser divertido. Em tese, o trabalho de Bobo da Corte era divertido e, em tese, perfeito para ele, que sempre foi uma criatura alegre e de bem com a vida. Dançar, se manter em movimento, nada disso era desafiador para Hinata, que desde pequeno enfrentava dificuldade em permanecer quieto. O emprego, portanto, deveria ter caído como uma luva em sua mão apesar das partes difíceis voltadas às artes, como os poemas e o piano, mas restava também considerar outra parte do problema: Kageyama Tobio.

A população de Tori, em sua maioria, não conhecia essa faceta complicada do jovem rei, mas os habitantes e funcionários do castelo a conheciam e interagiam com ela até demais. Hinata por exemplo se chocara ao descobrir que seu rei era uma pessoa terrível de se lidar. Kageyama exigia a mais pura e absoluta perfeição de tudo, seja lá o que fosse, desde as refeições, as vestimentas e as músicas até a proteção do castelo, e o pior de tudo era que desde que chegara Hinata cultivava a impressão de que Kageyama parecia pegar mais em seu pé do que no de qualquer outro. No último ano, Hinata perdera a conta de quantos “idiota” e “imbecil” recebera na cara e de quanta pressão recebia não só do rei, mas de outros membros da corte.

Pois é, não bastasse o rei em sua cola, havia uma pessoa que não lhe dava sossego: o Conselheiro Real, Tsukishima Kei, a pessoa mais irritante e irônica que Hinata conhecia. Para sua má sorte, Tsukishima também não foi com sua cara no primeiro encontro deles, então sempre que possível ele movia alguns pauzinhos a fim de ver Hinata se dar mal, como se esquecer “acidentalmente” de o avisar sobre o horário das aulas de piano e flauta ou sobre quando Kageyama solicitava sua presença. Hinata sabia que o próprio Kageyama desgostava profundamente de Tsukishima, mas infelizmente para ele o reino, em grande parte, caminhava numa linha próspera por causa das intervenções do ardiloso conselheiro, então aguentar seu sarcasmo e malícia era um dos preços a se pagar.

Mesmo vivendo essa rotina infernal por um ano, Hinata não se acostumou. O acordeão, um instrumento complicadíssimo, seguia sendo seu último e maior desafio, e infelizmente era o instrumento que Kageyama decidira o cobrar a dominar com excelência. Hinata também não gostava das fantasias e maquiagens que usava em serviço — se livrava das roupas espalhafatosas fora das épocas de evento, mas o delineado em volta dos olhos, os riscos que cortavam de suas pálpebras às bochechas e os pequenos símbolos de copas em sua pele deixavam rastros contínuos. Assim, dia e noite, ele ficava parecendo, bem, um Bobo da Corte.

Hinata não compreendia o rei Kageyama, embora, com o tempo, tivesse adquirido o hábito de saber o que agradaria ou não o monarca. Mas não nas últimas semanas, ah, com certeza não nas últimas semanas. De repente não entendia nem uma das atitudes de Kageyama. Quer dizer, em poucos dias ele iria se casar e mesmo assim parecia dedicar toda sua atenção ao desempenho de Hinata!

Quais eram as reais intenções de Kageyama, afinal?

— Olhe só se não é o Shouyou!

Hinata levantou a cabeça mastigando o último pedaço de onigiri bem a tempo de ver duas figuras se aproximarem montadas em cavalos da guarda real. Apenas quando elas saltaram dos animais e tiraram os capacetes que Hinata as reconheceu.

— Nishinoya e Tanaka, os caçadores da guarda... — murmurou consigo mesmo e então se levantou: — Ei, há quanto tempo!

O sorriso em seu rosto era sincero. Quando chegou ao palácio, Hinata encontrou dificuldade em fazer amigos, mas com aqueles dois rapazes não teve problemas, não com ambos sendo tão animados e extrovertidos quanto ele. O primeiro a se aproximar e lhe oferecer um doloroso tapa no ombro foi Nishinoya, um jovem muito energético e, por vezes, temperamental. Não importava onde estava e com quem estava, ele sempre atraía as atenções para si. Seus olhos, castanhos e oblíquos, encaravam Hinata com uma selvageria realçada pelos cabelos arrepiados. Para seu consolo, ele era mais baixo.

O outro, que chegou o cumprimentando com a mesma camaradagem de Nishinoya, se tratava do explosivo e empolgado Tanaka Ryūnosuke. Ele era consideravelmente maior que os amigos e tinha a cabeça raspada como um bico de viúva, e seus olhos azuis acinzentados eram quase tão impetuosos quanto os de Nishinoya. Quando o conhecera, Hinata cogitou que arrumar briga com ele não devia ser a mais inteligente das decisões.

De toda forma, Hinata podia se considerar amigo deles, então não demorou para colocarem a conversa em dia.

— Não temos tirado uma folga há semanas. — Nishinoya largou o rifle no chão e flexionou os braços. — Esse casamento chegou para desgastar todo mundo.

— Ao menos vai ser bom termos uma rainha. Só nunca pensei que o rei Kageyama fosse aceitar se casar com uma camponesa do reino — disse Tanaka com um sorriso irônico.

Hinata não escondeu sua preocupação.

Yachi Hitoka — pronunciou o nome que não dizia há muito tempo. — Não acredito que ela foi azarada o suficiente para ser escolhida como esposa do rei. Ele vai apagar o brilho dela na primeira semana com aquele… jeito dele.

Nishinoya pareceu se interessar.

— Bem que você tinha falado que conhecia a garota escolhida para se tornar a rainha — comentou. — Vocês eram amigos, não?

Hinata assentiu.

— A mãe dela é a modista da vila, e como minha mãe trabalhava com roupas e tecidos, às vezes eu visitava o comércio dos Yachi. Eu e a futura rainha nos conhecemos desde pequenos. Ela é muito bondosa, mesmo que muito ansiosaAh, que tristeza o destino ter reservado esse futuro horrível para ela!

Tanaka riu.

— Horrível? Ela vai ser a rainha, Hinata! Mesmo que o casamento seja péssimo, ainda tem todo o luxo para ela usufruir. — Após pensar um pouco, acrescentou: — E, convenhamos, quem não gostaria de ter uma dama de companhia como a que reservaram para ela? Eu trocaria de lugar com nossa futura rainha em segundos se isso significasse ficar perto da linda Kiyoko-san!

Nishinoya soltou uma gargalhada derrotada.

— Tinha me esquecido disso. Droga, que sorte a dela!

Hinata não ficou tão animado quanto eles, mas abriu um pequeno sorriso. Se havia uma beldade por quem todos do reino eram apaixonados era, sem sombras de dúvidas, Kiyoko Shimizu. A jovem era filha da antiga Dama de Companhia da mãe de Kageyama, e agora seguiria os passos da mãe.

Ante seu silêncio, Tanaka e Nishinoya trocaram um olhar breve.

— Me diz, Shouyou — começou Nishinoya, aproximando-se e apoiando o cotovelo na cerca —, tem tido muito trabalho?

Hinata suspirou. Seu cansaço era tão óbvio?

— Não aguento mais esse trabalho de bobo — admitiu encarando os próprios pés. — Estou pressionado demais, e só piorou desde os preparativos para o casamento. O rei não larga do meu pé, parece que tudo o que faço não é o suficiente. Na semana passada, achei que ele fosse me matar de tão raivoso que ele ficou!

Os dois caçadores assentiram em compreensão, pois escutaram boatos sobre o ocorrido. Às vezes, quando Kageyama recebia visitas especiais, Hinata, cumprindo seu trabalho de entretê-los, tornava os jantares mais leves e divertidos dançando ou tocando alguma coisa. Na última vez, porém, Hinata estava tão desanimado e sem cabeça para isso que mal se percebeu tocando uma melodia triste em seu alaúde durante todo o jantar, e foi só ao fim da refeição que notou que estava encrencado. Todos já haviam se retirado, mas Kageyama continuava em seu lugar com as mãos entrelaçadas sobre a mesa e a expressão completamente fechada.

No momento em que Hinata abriu a boca para pedir permissão para se retirar, calou-se com o olhar maligno de Kageyama. Hinata se assustou tanto que tombou do banquinho no qual se sentava; seu coxis dolorido, entretanto, não foi nada em comparação às broncas sem fim que escutou de seu rei.

De volta ao presente, Hinata suspirou.

— Eu não entendo. Queria que ele me despachasse logo, pois eu definitivamente não posso abandonar esse emprego por conta própria. Quem empregaria uma pessoa que deu às costas a um trabalho dado pelo próprio rei? Me achariam arrogante demais… E eu não quero dar essa impressão só por causa daquele… daquele… Bakageyama!

Assim que soltou as palavras, tapou a boca como se tivesse jogado uma praga em alguém. Olhava os dois caçadores com olhos arregalados.

— Minha nossa… E-Ei, não falem para o rei que chamei ele assim, ok?

Para seu alívio, tanto Nishinoya quanto Tanaka apenas gargalharam.

— Sabe, você pode até não gostar do trabalho, Shouyou — disse Nishinoya, afastando-se da cerca e colocando uma mão em seu ombro, chacoalhando-o enquanto limpava uma lágrima no canto do olho. — Mas uma coisa é certa: você é perfeito para ele.

— Pequeno, magrelo, animado, divertido — foi listando Tanaka. — Você é completamente apto. Além disso, é o único no castelo que pode falar o absurdo que quiser, até mesmo ao rei, e não sofrer consequência alguma, pois é assim que os bobos são.

— E, acredite — continuou Nishinoya —, se você não tivesse talento algum para isso, o rei Kageyama teria te despachado na primeira semana. Se ele está te segurando até agora é porque realmente vê potencial em você. É só olhar para aqueles saltos monstruosos que você dá, por exemplo!

Hinata abriu um sorriso encabulado pelo reconhecimento. Era verdade que seu salto era o culpado para hoje estar onde estava, afinal naquele dia Kageyama o viu alcançar aquele galho sem esforço algum. Mesmo que agora se contentasse com esse emprego, sentia muito orgulho de sua habilidade única, e Kageyama, desde que o empregara, buscava de todas as formas aproveitar os talentos físicos de Hinata.

Enquanto Hinata pensava em tudo isso, Tanaka disse:

— Mas não se perturbe tanto, Hinata, pois todos sabem que o rei só está exigindo demais de você por causa do bobo do Reino de Aoba.

Hinata concordou. Quando começou seu trabalho como bobo, ele logo teve a resposta que explicava o motivo para seu rei exigir tanto dele, e ela tinha nome e sobrenome: Oikawa Tooru.

Oikawa era o rei de Aoba, e, ao que parecia, ele e Kageyama possuíam uma rixa desde garotos. Assim que começou no emprego, Hinata descobriu sobre a rivalidade dos reis e a razão para Kageyama o pressionar tanto para ser impecável: o bobo de Oikawa, Kentarō Kyōtani, era denominado como “único”. Ele podia não ter o mínimo senso de humor, mas as coisas que fazia eram tão incríveis e inacreditáveis que todos ficavam embasbacados. Ao que parecia, atuações envolvendo movimentos inusitados com o corpo constavam na lista de coisas que Kyōtani conseguia fazer, e considerando isso não era surpresa Kageyama apostar suas fichas no azarado Hinata.

— Querem saber? — disse Nishinoya, trazendo a atenção de Hinata e Tanaka para ele. Nishinoya tinha os olhos longe, um lampejo de satisfação dominando-os. — Mesmo nosso rei tendo esse jeito marrento, eu realmente admiro a conduta dele. O rei Kageyama cuida bem de todos nós.

Hinata fez uma expressão incerta.

— Bem, isso pode até ser verdade, mas eu não posso dizer que me sinta cuidado por ele. Às vezes só quero jogar tudo para o alto e começar uma vida nova... Preferiria estar no Reino de Fukurō participando dos festivais a me matar por um cargo que nem quero.

Tanaka sorriu.

— Realmente é tentador… — disse com ar meditativo. — Mas veja o lado bom de estar aqui e as coisas que o rei fez por você. É uma honra poder viver no castelo, e ele ainda autorizou sua irmã e sua mãe virem junto com você. Olha, o rei Kageyama pode ser um completo tirano — disse ele, pouco ligando que a escolha de palavras tivesse surpreendido os outros dois —, mas não podemos nos esquecer que é graças a ele que tanto nós, quanto o Reino de Tori, usufruímos desta paz e prosperidade. Apenas isso já é motivo suficiente para ficar agradecido. — Deu de ombros.

Após o discuso espirituoso, Tanaka se irritou com as batidas nos ombros dadas por Nishinoya: “Quando você ficou espirituoso assim, Tanaka, seu miserável” enquanto Hinata refletia.

É. Tanaka até tinha razão. Havia muito a agradecer a Bakageyama, seu rei tirano…

Mais alguns minutos de conversa jogada fora, e então Hinata se preocupou com o horário; deveria voltar ao castelo ou Kageyama mandaria guardas atrás dele. Apostava que Tsukishima agora mesmo estava comentando com o monarca sobre sua ausência, e ferveu com pensamento. Despediu-se dos amigos e disparou para o castelo.

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No fim das costas, ninguém estava à sua procura, por mais surpreendente que fosse. Mas todos estavam ocupados demais finalizando os preparativos para o casamento, então deveria ser isso.

Hinata se animou: ainda tinha um tempinho livre! Não desperdiçaria nem um segundo, então atravessou o terreno ao redor do castelo até os fundos da Cozinha Real. Foi do lado de fora que ele encontrou quem queria, abaixada na grama e brincando com um conjunto de panelas inutilizadas.

Sua versão mais nova e feminina, sua irmã Natsu.

Com sua aproximação, Natsuo levantou a cabeça, e seu rosto resplandeceu ao ver seu irmão.

— Shouyou! — exclamou ela. — Você ficou sumido por um tempão!

Hinata amoleceu.

— Oh, Natsu... — Aproximou-se e abaixou-se na frente dela. — Cada vez que te vejo parece que você fica mais crescida... Preciso pedir uma folga dos meus serviços.

A menina negou com a cabeça como se o consolasse.

— Você trabalha para o rei, irmão! — disse animada. — Isso é incrível, então não se preocupe comigo!

Hinata sentiu vontade de chorar. Sua irmãzinha era tão legal e boazinha… Era emocionante vê-la adquirindo maturidade para sua pouca idade.

Apesar disso, o que importava era que Natsu estava a sua frente e que ele finalmente estava com tempo disponível para dedicar a ela! Começou a perguntar do que ela gostaria de brincar quando uma voz insensível e trovejante disse a suas costas:

Hinata.

Hinata arregalou os olhos.

Alarmado, levantou-se e virou-se para seu rei, Kageyama Tobio. Encararam-se por vários segundos. Normalmente, diante do olhar duro, Hinata se intimidaria e recuaria na mesma hora, mas, neste momento, só sentiu irritação. Quando finalmente tinha um tempo para gastar com Natsuo, vinha o rei para estragar seus planos! O desagrado em suas feições não passou despercebido a Kageyama, que arqueou uma sobrancelha, mas Hinata não se importou.

Não estava com a menor paciência para ele.

— Natsu, vai ver se a mamãe está precisando de ajuda — disse Hinata, abaixando-se novamente na altura da pequena e sorrindo. — Ficarei ocupado de novo, mas prometo vir ver você assim que puder, ok?

Os grandes olhos da menina iam dele para Kageyama, chocados. Felizmente ela logo se recuperou e sorriu gigante.

— Seja um bom Bobo da Corte, Shouyou! — gritou enquanto corria para dentro da cozinha. — Sei que você está fazendo um ótimo trabalho!

Hinata reprimiu a careta. Ótimo trabalho? Até parece…

Deu-se conta da presença de seu rei, que continuava ali, e, sendo prudente não o ignorar por mais tempo, ajeitou a postura e se voltou para ele, pronto para receber duras reprimendas. Mas Kageyama não o olhava, e sim as portas duplas da cozinha, pelas quais Natsuo acabara de passar. Por algum motivo, a expressão séria no rosto dele parecia suavizada, permitindo a Hinata analisá-lo. Kageyama nesse dia não usava a coroa e o manto vermelho, apenas uma blusa branca e sua espada na bainha da calça preta.

— É sua família? — perguntou ele, pegando Hinata de surpresa.

— Hum, é sim. É a Natsu, minha irmã — esclareceu. — Tem minha mãe também, ela trabalha aqui na cozinha...

A voz de Hinata morreu quando se lembrou de que era má ideia tagarelar com o rei. Mas Kageyama não parecia aborrecido; olhava Hinata como se seus pensamentos estivessem longe.

Ele apenas disse:

— Venha comigo.

▪️▪️▪️

Hinata mentiria se dissesse que não estava super intrigado. Mas o pedido de seu rei não o surpreendeu mais que descobrir que, para chegar ao lugar para o qual Kageyama planejava levá-lo, seria necessária uma curta viagem a cavalo.

Pegaram os cavalos trazidos por alguns criados e, em poucos minutos, estavam no topo da colina mais alta, de frente ao vilarejo lá embaixo. Hinata desmontou de seu cavalo e, sem se aguentar, correu para a borda da colina, tentando localizar o contorno de sua antiga casa.

— Ei, consigo ver a minha casa daqui! — exclamou.

Kageyama nada disse enquanto desmontava do cavalo e arregaçava as mangas da camisa. Infelizmente para Hinata, o olhar dele voltou a transmitir certa exigência.

— Hinata. — A voz dele fez Hinata desviar os olhos para ele. — Responda-me com sinceridade: qual é, para você, a verdadeira função de um Bobo da Corte?

Hinata sentiu-se murchar. Será possível que o rei nunca lhe daria um descanso? Ainda mais insistindo com a pergunta que Hinata mais ouviu desde que chegou ao castelo…

— A função do bobo é dar alegria e humor a seu rei e rainha e aos demais membros da nobreza — disse a resposta já ensaiada.

— Está correto — disse Kageyama. — O Bobo da Corte é basicamente uma distração; alguém feito para atrair e transmitir descontração às pessoas e ao ambiente em geral.

Hinata assentiu. Ainda não sabia onde o rei queria chegar com isso, como sempre, então apenas aguardou.

Kageyama continuou:

— Agora, eu te pergunto... por que não gosta desse trabalho?

Hinata engoliu em seco. Sabia que estava com problemas.

— M-Meu rei, com toda a sinceridade…

— Você não gosta de ser uma distração? É esse o problema?

Hinata desviou o olhar.

— Hum… sim — admitiu. — E-Eu não gosto, majestade. Na verdade, eu sempre gostei, sabe, de outras profissões, como a de soldado!

Kageyama arqueou uma sobrancelha.

— A guarda real, no caso.

Hinata se animou. Pela primeira vez estava sendo compreendido?

— Eu poderia ser? — perguntou com esperança. — Um guarda do palácio? Sabe, eu sempre quis ser como o chefe da guarda, Azumane Asahi, e…

Kageyama revirou os olhos.

— Mas é claro que não — disse ele. — E até parece que alguém do seu tamanho seria capaz de portar um rifle ou uma espada.

Hinata gelou.

Ali estava o insensível rei tirano de sempre.

Parecendo cansado do assunto, Kageyama continuou:

— Você quer uma posição chamativa. Sim, ser bobo significa ser chamativo, mas você quer que as pessoas te olhem, não com comicidade, mas com respeito. No entanto, um verdadeiro bobo, se executar seu papel com excelência, atinge esse objetivo, Hinata. Ele deixa de ser uma simples distração para ser alguém importante. Respeitado.

Hinata franziu o cenho. Não estava conseguindo acompanhar a lógica do rei, mas Kageyama não parecia preocupado com isso. Ele se voltou ao próprio cavalo e tirou de uma bolsa amarrada à cela uma maçã. Sem oferecer explicações, Kageyama ergueu a mão que segurava a fruta na altura máxima e se virou para Hinata.

— Pegue a maçã de mim.

Foi a vez de Hinata arquear uma sobrancelha. Ainda não sabia o que estava acontecendo, mas tinha ciência, não, tinha certeza de que o rei sabia que a altura que alcançava com seus pulos era muito superior à do desafio proposto. Mas entrou num breve impasse. Pegar ou não a maçã? Hinata não sabia o que aconteceria caso tivesse êxito na tarefa, uma vez que vencer do rei não parecia um plano convidativo. E se Kageyama perdesse a cabeça e o expulsasse do castelo à flechadas e espadadas?

A pergunta era uma só. Kageyama estava o testando?

Ou…

Hinata deu um passo à frente.

— Tudo bem — disse. — Aceito o desafio, Vossa Magestade.

Caminhou até Kageyama e parou a sua frente. Como sempre acontecia, Hinata se ofendeu um pouco; era humilhante ser tão mais baixo que os outros, ainda mais do que o Bakageyama!

Mas consolou-se com o pensamento de que, bem, sabia saltar!

Assim, tomou impulso e pulou, mas assim que seus pés deixaram o chão, seu braço, estendido para pegar a fruta, foi segurado.

Arfou. Kageyama conseguiu deter seu desequilíbrio puxando o braço de Hinata um pouco mais para cima, deixando-o na ponta dos pés. Quando Hinata desceu os olhos da mão que o segurava para os de Kageyama, percebeu que seus rostos estavam escandalosamente próximos.

Paralisou.

— M-Meu rei? — balbuciou.

Kageyama não respondeu. Seu olhar era tão firme quanto o aperto no antebraço de Hinata, que continuava o olhando com olhos arregalados. Os de Kageyama, por outro lado, estavam firmes, mas havia algo de diferente neles. Era como se ele lutasse para repreender não Hinata, mas ele mesmo.

Então Hinata sentiu o coração disparar quando Kageyama avançou o rosto e o parou rente ao seu, narizes se tocando de leve e respirações cruzadas. A essa altura, Hinata virara uma estátua, mas sentia uma quentura avassaladora subir por seu rosto.

O que estava acontecendo? Não era o que estava pensando, era?

Não foi capaz de decidir o que era ou não era aquilo, porque Kageyama avançou em direção aos seus lábios. Um toque efêmero, quase um nada, aconteceu, mas no próximo segundo eles saltaram para longe um do outro com o relincho agudo dos dois cavalos.

Hinata percebeu que a única coisa que lhe oferecia equilíbrio era o aperto de Kageyama em seu braço até se ver sem ele e cair de costas no chão. No céu azul, alguns metros acima deles, um bando de corvos voava e grasnava, tomando a responsabilidade por assustar os cavalos.

Hinata estava surpreso demais. Seu coração martelava seu peito enquanto ele tentava respirar. A alguns metros dali, Kageyama, cujo peito subia e descia ofegante, disse, rápido e bruto:

— Vamos voltar. — E, após acalmar o cavalo, subiu nele e cavalgou colina abaixo.

Hinata precisou de mais tempo para retomar o foco, montar no cavalo e seguir o rei. Minutos mais tarde, deixaram os cavalos nos estábulos enquanto o pôr do sol pincelava o horizonte. Hinata engoliu em seco enquanto observava Kageyama caminhar em direção ao castelo. Estava atônito, mas não significava que não desejava uma explicação para o que aconteceu entre eles na colina.

Mas talvez fosse melhor que não houvesse uma explicação.

Quando se preparava para seguir a direção oposta à de Kageyama, Hinata parou à voz dele.

— Espero que tenha entendido a importância do papel de bobo. — Ele virou-se e olhou Hinata com seriedade. — Se ainda não for capaz de reconhecer o talento que tem, permito então sua demissão do cargo.

E então foi embora.

Hinata permaneceu parado por cinco minutos inteiros. Buscava várias interpretações para as palavras de Kageyama, e, quando se deparou com a que melhor explicava o acontecido na colina e o que ele lhe disse, ruborizou.

Distração? Talento de prender e atrair as atenções?

Droga. Isso queria dizer que Hinata atraiu o interesse de seu rei? Inacreditável. Ter Kageyama satisfeito com seu trabalho era uma péssima notícia, pois seria mais fácil largar o emprego caso Kageyama não reconhecesse seu talento.

Isso era péssimo. Totalmente péssimo. Mas… por que de repente Hinata não sentia mais vontade de largar a posição de bobo? Na verdade, não pensou em nada disso exceto no rosto de Kageyama, tão próximo ao seu, pelo resto do dia. E continuou pensando nisso pelos dias e semanas seguintes, até obter novas oportunidades, encontros que lhe permitiram novas lembranças, cada uma mais importante que a anterior, até perceber que anos haviam se passado e continuava como o Bobo da Corte de Tori ao lado de seu egocêntrico rei Kageyama Tobio.

Notas finais
Gostaram?? Eu particularmente AMEI essa obra, KageHina me derrete e me atrai por inteira, eles são perfeitos DEMAIS ❤️ E o que acharam do “Egocêntrico rei, Kageyama Tobio?”. Confesso que algumas vezes ri do sofrimento do Hinata, trabalhar para Kageyama não é pra qualquer um, não E esse final? Kageyama, Kageyama, o que estava pensando em fazer, hein? Só sei que lamentei o fato dos corvos terem interrompido esse momento entre eles Espero que tenham gostado, e logo mais a próxima one-shot desse projeto ?” o qual estou AMANDO fazer ?” sairá: dessa vez, focando no Reino de Aoba, e no shipp... Bem, já está ?“BVIO, não? Link da Lista de Leitura: “Saga dos Sete Reinos”: https://www.spiritfanfiction.com/listas/-saga-dos-sete-reinos-haikyuu-6925697 (vai no perfil que é mais fácil)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!