>>o Ponto de vista: Logan

Embora eu tivesse acordado, não queria abrir os olhos. Emily estava enroscada em mim, cada pedacinho do corpo dela encostava-se ao meu e eu não queria me mexer para que ela não se mexesse. E ao estar assim com ela, eu tinha certeza de que estava me apaixonando. Eu não queria que isso acontecesse, mas o amor era um jogo e eu tinha apostado todas as minhas fichas.

— Eu sei que está acordado. – falou Emily me tirando do meu devaneio sem se mexer.

— Como sabe?

— Sua respiração mudou. Está mais controlada, menos relaxada. – eu sorri.

— Sempre observadora. – a senti rir sobre mim.

— Acho que temos que levantar, não?

— Não, não temos. Porque sei que no instante que sairmos daqui você vai fugir de mim, então, por favor, Emily, me deixa ficar mais uns minutos. – ela suspirou, mas se enroscou ainda mais em mim. Nossos pés estavam entrelaçados e ela me abraçou, me fazendo prender a respiração.

— Solta o ar, Logan Blake. – sua voz era um sussurro rouco, de quem acabou de acordar, não me ajudando a soltar a respiração.

— Não quero que você fuja... – confessei.

— Não vou a lugar nenhum. – acho que ela não fazia ideia do poder daquelas palavras em mim. E eu sinceramente esperava que ela as cumprisse.

>>o Ponto de vista: Emily

No instante que as palavras saíram da minha boca, eu me arrependi. Não poderia prometer isso pra ele, não agora, não desse jeito. Eu ainda não estava pronta pra entregar o que ele queria de mim, mas também não estava pronta pra negar a mim mesma o prazer de estar ali com ele.

— Pelos próximos minutos, é claro... – meu Deus, Emily, como você é tapada!

Logan me apertou ainda mais e me manteve firme, com ele. Enquanto uma mão fazia círculos na minha cintura, sua outra mão fazia carinho na minha cabeça. Respirei fundo e deixei aquele momento penetrar cada cantinho de mim.

— Estou com medo, Emily... – sua voz estava tão baixa que por um momento, achei que ele não tinha dito nada. Demorei pra processar sua informação.

— Eu também... – eu ouvia minha própria voz distante, como se tivéssemos debaixo d’água.

— Mas mesmo assim, eu quero arriscar... – não consegui responder a isso, o que ele queria que eu dissesse?

— Hum... – claramente foi a coisa errada, porque ele se mexeu pra levantar.

— Vou ao banheiro. – disse apenas e eu me senti péssima.

Por que eu tinha que ficar estragando tudo? Logan estava expondo seu coração com muita facilidade, mas eu não era assim, não conseguia. Eu gostava de me proteger do mundo, eu ainda não podia me entregar tão facilmente, mesmo que no fim eu fosse acabar com tudo.

Aproveitei que Logan tinha ido ao banheiro pra ir também, escovei os dentes e joguei bastante água gelada no rosto para conseguir pensar direito. Eu não podia o deixar chegar tão perto, sei que eu tinha beijado ele em um impulso... Argh! Por que tudo tinha que ser tão complicado?

— Ovos mexidos e bacon? – perguntou ele quando voltei pra sala.

— Claro, por favor.

— Então faz os ovos que eu faço o bacon.

Embora ele sorrisse o sorriso não chegava aos olhos. Eu queria que seus olhos cinza se escurecessem de novo, que ele não tivesse aquele ar derrotado, porque só tornava tudo pior.

— Sábado, hein. Quais seus planos pra hoje? – perguntei tentando tornar o ar mais leve.

— Tenho que estudar, infelizmente e você?

— Eu preciso escrever. Semana que vem começam as minhas provas e depois tem o feriado, então, eu vou ter pouco tempo pra parar pra escrever.

— Acredito que a gente se veja menos, não é? – a voz dele estava estranha, como se ele estivesse forçando para mantê-la no lugar.

— Sim, creio que sim. Tenho que focar na faculdade também, sei que tenho essa mania de querer fazer tudo ao mesmo tempo, mas não posso deixar a peteca cair.

— Certo. Eu também tenho que priorizar a faculdade.

— Além de conversar com a Katie, ontem foi o encontro dela e eu quero saber como foi e como ela está.

— Espero que as coisas tenham sido diferentes. Talvez aquele cara tenha sido legal com ela. – dei de ombros.

— Talvez, mas não consigo pensar que o Nate tenha essa capacidade.

Continuamos fazendo o café da manhã em silêncio, eu não sabia muito bem o que dizer e ele menos. Com um aperto, percebi que estávamos vivendo em uma montanha-russa e eu sabia que era culpa minha, embora eu não conseguisse evitar.

— Vamos comer? – perguntou e eu assenti levando as coisas para a bancada.

— Logan, eu... – eu não sabia como explicar.

— Ou você me dá uma chance, Taylor ou não dá. Porque sinceramente eu não sei o que quer de mim. – pronto, ele simplesmente jogou o elefante na sala.

— Eu sei que é um pouco confuso. Mas é que caramba, estamos indo muito rápido. Nós só saímos poucas vezes e você quer que eu entre de cabeça em um relacionamento. – Logan suspirou.

— Acho que porque as coisas começaram de modo tão incomum, apressei as coisas. De fato, a gente não se conhece a muito tempo, mas caramba, você nem me conhecia e me fez uma proposta um tanto inusitada, não é? – dei de ombros.

— Acredite quando eu digo que foi mais fácil do que tentar algo de verdade. – ele sorriu.

— Quando se trata de encarar a verdade, você não é tão corajosa. – engoli em seco, eu sabia que ele tinha razão, mas ouvi-lo dizer me incomodou.

— Não sou boa expondo meus sentimentos. Não é pessoal.

— Eu entendo que isso possa funcionar pra você, Em e eu não quero te pressionar e estragar tudo, mas vai chegar uma hora que você vai ter que dizer, vai ter que decidir. Eu não tenho bola de cristal, não tenho como saber o que está pensando, o que sente. – respirei fundo.

— Eu sei que está certo. Eu sei disso, só... me dê algum tempo. Tudo bem? – ele deu de ombros.

— Posso fazer isso, mas não estamos na Disney, Em. Não vou te esperar a vida inteira. – com esse belo tapa na minha cara, Logan começou a comer calmamente.

>>o

Logan estava terminando de se arrumar pra sair e uma parte de mim, queria pedi-lo pra ficar. Tornar o dia agradável, como tinha sido a noite anterior, mas isso só deixaria as coisas mais confusas e eu não podia fazer isso com ele.

— Obrigada pela companhia e pela noite incrível. – falei um tanto constrangida, Logan abriu um sorriso e me abraçou.

— Eu que agradeço. Acredito que seja possível que a gente se veja só depois do feriado.

— Acredito que sim, mas de qualquer maneira, a gente pode ir se falando.

— Sem dúvida. Quero saber como vai ser a reação da sua família diante o seu mais novo namorado. – fiz uma careta e me afastei dele.

— Ainda não acredito que você contou pra ela.

— Ah, mas é que foi tão divertido. Eu vou contar a minha mãe também, se você se sentir melhor. – minha careta não melhorou.

— Meu Deus, seus pais... Não quero lidar com isso, sinceramente.

— Relaxe, Taylor. Eles são legais, não vão te encher de perguntas nem nada. Talvez quando você os conhecer pessoalmente... – mais uma vez eu não sabia como responder, então só o encarei.

Alguns segundo se passaram, suas pupilas dilataram e eu sabia que ele queria me beijar, fiquei esperando que ele assim fizesse. Senti que as coisas passavam em câmera lenta, sua mão acariciava meu rosto com carinho e eu prendi a respiração. Logan se inclinou em minha direção, mas beijou o meu rosto demoradamente e se afastou com um sorriso.

— Até mais, Em. – não sabia o que responder, nem como, portanto apenas o deixei ir.

No instante que fechei a porta soltei o ar. Eu o desejava, isso era claro e óbvio, mas eu sabia que pra ele era mais do que isso, portanto eu não poderia avançar sem ter certeza de que eu estava andando pelo mesmo caminho, não era justo com ele. Logan era um cara incrível e gentil, merecia ser correspondido.

Antes que eu pudesse pensar muito nisso, a campainha tocou e pela hora eu já sabia quem era, até que demorou mais do que eu achei que seria.

— Katie. – falei com um sorriso e ela retribui com aquele olhar perdido. Droga, a porcaria do Nate ataca novamente.

— Oi, posso entrar?

— Claro, desde quando precisa de permissão? – ela deu de ombros.

Katie caminhou em direção ao sofá e deitou, abraçada a almofada ela suspirou e deu um meio sorriso. Toda vez que eu a via assim, eu queria triturar cada pedacinho daquele imbecil.

— Logan dormiu aqui? – eu não esperava por isso.

— Como é?

— Logan, seu Logan, ele dormiu aqui?

— Sim... – Katie sorriu.

— O sofá e a almofada estão com o cheiro dele. – não consegui evitar o constrangimento.

— É... bem... isso é uma história pra outra hora.

— Não, vamos começar por você porque toda vez que eu falo do Nate você deixa o clima pesado. – suspirei.

— Acredite quando eu digo que é o próprio Nate que faz isso.

— Certo, pois é, me conte sobre sua noite.

— Ah, bem... nós fomos patinar no gelo, comemos, ele veio pra cá, conversamos, ele leu um pedaço do meu livro, nos beijamos, vimos filme e dormimos juntos. – Katie arregalou os olhos.

— Vocês...

— Não, Katie, nós dormimos. Literalmente.

— Detalhes, Emily, detalhes. – e eu contei cada pedacinho do meu tempo com o Logan pra ela, no fim, ela pareceu murchar.

— Ah, só isso?

— Claro. O que mais você acha que poderia ter acontecido? – seu rosto se transformou.

— Acho que você tem idade pra saber... – provavelmente eu estava vermelha.

— Katie...

— Sabe? Quando duas pessoas se amam, ou ás vezes não, elas começam um processo conhecido como...

— Ok, ok, eu entendi. Mas não, não aconteceu. Nem sei se vai acontecer. – ela apenas revirou os olhos.

— Certo, minha cara amiga que não sabe se divertir, porque está com essa cara preocupada se não aconteceu nada de interessante?

— Eu não disse que não aconteceu nada de interessante, apenas que não... sabe... nós não fizemos... hum...

— Sexo, Emily. Esse é o nome. Pode falar, não é uma palavra proibida.

— A questão não é a palavra...

— Eu entendi. Dizer sexo pra você é como dizer Voldemort. Tem medo da palavra, vai que ela chama. – revirei os olhos.

— Piadas com Harry Potter, acho que você ia se dar bem com o Logan. Mas não é bem assim, é só que pensar nisso com o Logan, é...

— Excitante?

— Estranho.

— Impossível. – o risinho saiu sem querer.

— Pensar nisso me deixa nervosa.

— Você fala como uma garota virgem de filme adolescente.

— Você bem sabe que eu perdi a virgindade com o Andrew e ele também era virgem. Foi perfeito porque bom, era confortável. Mas o Logan... e se eu for péssima nisso? – meus receios saíram da minha boca e eu me arrependi de ter falado, mesmo sendo a Katie.

— Fala sério, Emily. Se você não fizer sexo nunca, nunca vai saber o que está fazendo. Além de que você não precisa ser expert, não é uma prostituta. E outra coisa, ninguém nasce sabendo, isso não é um livro de romance adulto onde a boa menina virgem encanta o rapaz problemático com o sexo incrível.

— Mas...

— Eu não quero te forçar a nada, só estou dizendo que quando você estiver pronta e confortável, com os hormônios prestes a explodir, deixa-se levar pelo momento, sem muita neura que vai dar tudo certo.

— Certo...

— Confia em mim.

— O fato de ele gostar de mim me preocupa também. Como eu posso fazer algo assim com ele sem gostar dele da mesma forma?

— É mais comum do que você imagina. – pensei se ela estaria pensando na sua própria situação.

— Mas não tenho essa coragem.

— Bem, a decisão é sua, mas acho que ele deveria opinar a respeito. Talvez ele queira você do jeito que ele poder ter e isso baste. – agora eu tinha certeza que não era apenas sobre o Logan que estávamos falando.

— Mas não é justo...

— Paixão nunca é. São sempre brutais.

— Vou pensar a respeito. Mas fale pra mim da sua noite. – o rosto de Katie se transformou em uma careta.

— Você não vai gostar.

— Eu imagino que não, mas quero saber mesmo assim.

— Certo. A gente foi jantar e ele me deu esse cordão, Nate foi gentil e charmoso, carinhoso e... devotado. – fiz o possível pra não fazer cara de nojo.

— E depois? – em cada parte da história, eu fazia força para não sair correndo atrás do idiota encantador por fazê-la ter esperança.

— Ele disse que me amava. – Katie parecia que estava nas nuvens e eu queria muito, muito que fosse verdade.

— Ele disse, é? Ele vai pedir você em namoro, pelo menos?

— Sabe que não é tão simples... – tive que controlar toda a minha fúria para manter a conversa civilizada.

— Certo e depois...

— Ele foi lá pra casa e nós transamos.

— Como sempre, ele ficou para o café?

— Ele teve que sair cedo porque tinha uma reunião... – estava cada vez mais difícil.

— Reunião, claro...

— A empresa do pai dele tem uma filial aqui.

— Sim, eu sei. Então quando vão se ver de novo? – ela deu de ombros.

— Não sei, ele não falou nada.

— Claro que não. E por acaso ele está ficando com aquela loira ainda, do Instagram? – parecia que Katie queria se enfiar no sofá.

— Não sei...

— Katie...

— Talvez, Emily, mas não significa nada. Ele se sente sozinho em Seattle e eu entendo.

— Você... – faltava muito pouco para eu explodir. – Katie, ele está usando você.

— Ele me ama, Emily. Só não pode ficar comigo no momento, e fala sério, ele tem razão. Relações à distância não resistem.

— Só porque ele não consegue manter o pênis dentro da calça. – seus olhos se arregalaram e até eu fiquei surpresa comigo mesma, mas caramba o Nate era um imbecil.

— Você não sabe... – sua voz era um sussurro.

— Claro que eu sei. Meu Deus, Katie, você merece alguém que te dê o mundo, caramba. Que queira estar com você o tempo todo, não só quando convém.

— Mas é ele que eu quero! Ele é o meu mundo, Emily. Ele é a minha vida, não consigo viver sem ele.

— Claro que você consegue. Não existe essa de alma gêmea, Katie. Nate está roubando sua felicidade e a oportunidade de você ser você por inteiro. Coloca uma coisa na sua cabeça: você é autossuficiente e não depende de homem nenhum, muito menos de um imbecil como o Nate. – Katie levantou e me encarou com o rosto vermelho.

— Você não tem o direito de ficar apontando o dedo pra mim e me dizendo que eu devo ou não fazer. Eu não consigo perdê-lo, no instante que ele se foi a dor foi insuportável, então sim, eu prefiro ter metade dele do que não ter nada. Pelo menos é melhor do que ter medo do amor, de se entregar para as pessoas, mesmo quando ele está na sua frente, Emily Taylor. – parecia que eu tinha levado o segundo tapa do dia. Fiquei sem reação, enquanto ela saía porta afora com lágrimas iguais as minhas.