Abri a porta de casa com cautela. Eu ainda não acreditava que eu tinha mesmo oferecido pra ele ficar na minha casa e que ele tinha mesmo aceitado.

— Bom, fique a vontade.

Logan parecia estar ligeiramente desconfortável, o que me fez ficar desconfortável na minha própria casa. Isso tinha tudo pra não acabar bem, mas mesmo assim cá estávamos.

— Sinto muito por a casa está fria, eu esqueci de programar o aquecedor. Mas isso vai se resolver logo. – comentei.

— Tudo bem, sem problemas.

— Você já sabe onde fica o banheiro, sinta-se a vontade se quiser tomar um banho quente. As toalhas ficam no armário embaixo da pia. Não tenho quarto de hóspedes, mas você pode dormir aqui na sala. O sofá é retrátil, então pode puxar a parte de baixo, se ficar mais confortável, assim você vai ter mais espaço. Fica a vontade pra pegar o que quiser na geladeira e...

— Por que será que você não consegue relaxar nem na sua própria casa, Emily Taylor? – suspirei.

— Desculpa, eu não queria que ficasse sem jeito.

— Não se preocupe. E sim, eu aceito tomar um banho.

— Tá bem. Você quer uma calça de moletom emprestada? Eu tenho uma que era do meu irmão e que eu trouxe sem querer quando me mudei.

— Sim, claro. Obrigado.

— Disponha. – forcei as minhas pernas a andarem normal até o closet e não saírem correndo. – Pronto. Acredite que dê em você.

— Mais uma vez, obrigado.

— Sem problemas. Eu vou tomar um banho também. – comentei.

— Então, até daqui a pouco. – como ele conseguia sorrir de um jeito tão confiante?

Entrei no meu quarto e tranquei a porta antes de me jogar na cama com o rosto no travesseiro. Eu não ia conseguir relaxar com ele ali, tão perto, afinal aquele beijo estava absurdamente vívido na minha cabeça e seu abraço e a dança e aquela noite incrível. Soltei um suspiro de frustração. Seja como for, agora estava feito. Levantei e fui tomar um banho.

>>o

Antes de sair do quarto me olhei no espelho mais uma vez. Prendi o cabelo em um coque para não molhar e achei melhor não soltá-lo, fiquei na dúvida se eu deveria realmente sair com o short de moletom e não uma calça. Era o que eu usava pra dormir, mas agora não estava sozinha, então o que fazer?

No instante que ouvi a porta do banheiro abrir, respirei fundo e me preparei psicologicamente para encará-lo. E eu e minha consciência sabíamos que não era uma tarefa fácil. Abri a porta e dei de cara com ele dobrando os casacos e colocando em cima da poltrona. Para meu azar (ou sorte?) ele estava sem camisa.

— Ah, olá. – o Adônis a minha frente sorria sem nenhuma preocupação. Cretino!

— Olá. – respondi meio receosa e saí do quarto. Caminhei em direção à cozinha e mesmo sem querer, podia sentir seus olhos em mim. – Está com fome?

— Um pouco.

— Eu vou fazer um sanduíche. Quer um?

— Sem dúvida. Quer ajuda? – ele parou do meu lado e eu tinha que me concentrar muito para manter meus olhos no seu rosto, o que também não adiantava nada porque seus olhos cinza me encaravam com curiosidade.

— Tudo bem. – para minha infelicidade, minha voz era um sussurro.

— Só me dê um minuto que eu vou avisar ao Jeremy que estou aqui. Provavelmente ele está dormindo, mas uma hora ele vai descobrir que eu não morri.

— Claro, eu também vou mandar uma mensagem pra Katie. Ela me pediu pra avisa-la quando chegasse, imagino que ela também esteja dormindo essa hora.

Peguei meu celular e digitei a seguinte mensagem de texto:

Cheguei faz alguns minutos e amanhã te conto tudo o que quiser saber. Logan está dormindo aqui, mas não, não fizemos sexo. Ele só dormiu aqui por causa da hora e não, não deveria acontecer. Te amo, até!

Voltei para a cozinha e coloquei todas as coisas necessárias pra preparar o sanduíche em cima da bancada. Segundos depois, Logan apareceu e parou atrás de mim.

— Então, o que eu posso fazer?

— Quantos sanduíches vai querer? – perguntei.

— Dois.

— Pois bem, comece cortando o bacon, por favor. Espero que não seja contra bacon a essa hora da madrugada.

— Nunca sou contra bacon. – sorri.

— Então vamos nos dar bem.

Enquanto eu torrava os pães na frigideira, via ele trabalhando pelo canto de olho e não conseguia deixar de sorrir. Parecia estranhamente natural ele estar tão à vontade na minha cozinha quase quatro da manhã.

— O que vai fazer amanhã? – perguntou.

— Pela manhã, nada, graças a Deus. Mas a tarde eu tenho aula e claro, espero escrever bastante e você?

— Tenho que preparar uma apresentação. Infelizmente é o suficiente para me ocupar boa parte do dia.

— Sinto muito. De verdade.

— Não, tudo bem. Não é de todo ruim.

— Se você diz. Sei que você agora gosta do Direito, mas você sempre quis fazer isso?

— Na verdade não, eu decidi só no último ano do Ensino Médio.

— Sério? E o que te fez tomar a decisão?

— Acredito que depois de muita pesquisa sobre a área com uma mistura de maratonas de Law & Order. — soltei uma gargalhada.

— De fato é uma série muito boa.

— Mas e você? Sempre soube que seria escritora? – dei de ombros.

— Sempre amei os livros e sempre gostei de escrever. Cartas, contos e histórias. Foi algo praticamente natural.

— Cartas, é? Pra quem?

— Pra mim mesma. Pra Emily do futuro, ás vezes. – Logan virou pra me encarar

— E o que você disse pra Emily do futuro?

— Infelizmente não poderei te dizer, pois ainda não quero matá-lo.

— Espero que nunca queira. – andei em sua direção para pegar o bacon, mas ele não se mexeu.

— Com licença, gostaria de pegar o bacon.

— Você é a única pessoa que eu conheço que consegue ser educada e arrogante ao mesmo tempo.

— Considero um dom.

— Deveria se orgulhar.

— E me orgulho, agora o bacon.

— Deixa que eu frito.

— Você está sem camisa, vai acabar se queimando todo.

— Não seria a primeira vez que eu frito o bacon sem camisa.

— Tudo bem. Á vontade. – peguei os pães e comecei a montá-los enquanto ele fritava o bacon.

— Como era seu primeiro namorado? – perguntou assim, do nada.

— Ah... Um nerd de química.

— Não diga...

— Pois é, Kevin era viciado em café e tinha as covinhas mais lindas do mundo, mas infelizmente ele gostava mais da menina do clube de matemática.

— Que droga.

— Ah... tudo bem, eu estava no segundo ano, faz tempo que eu superei. E a sua, como foi?

— Se você conversar com o Jeremy ele vai te contar isso de uma forma bem diferente. Mas minha primeira namorada foi Hailey, último ano. Era um relacionamento dado ao fracasso, mas eu não via assim porque estava apaixonado. Ela amava os animais, muito mesmo. Era carinhosa e gentil, mas para alguém que come bacon com prazer e amor como eu, deveria saber que não rolava namorar uma amante dos animais. – ri com gosto.

— Ai, sinto muito.

— Não, tudo bem. Eu estava vindo pra Nova York e ela continuou em Los Angeles, sabe? Então vamos dizer que a distância nos separou.

— Certo. E esse bacon aí? Vai ficar pronto quando?

— Agora, mademoiselle.

— Pode colocá-los no pão. Quer beber alguma coisa?

— O que tem aí?

— Refrigerante, suco, água.

— Pode ser um refrigerante.

— Você que manda.

Sentamos na bancada com nossos sanduíches e refrigerantes de uma maneira tão natural que me assustava, claramente o constrangimento inicial tinha passado.

— Me conta aí sobre seu histórico de amores. – falei.

— Hailey foi a minha primeira e única namorada.

— Não?!

— As garotas que eu queria namorar, nunca queriam namorar comigo. – eu estava em choque.

— Por quê?

— Algumas meninas me disseram que eu era legal demais, acredita? Outras me falaram que eu era bonito demais e isso era desconfortável, fora que as mulheres estavam sempre me olhando e isso deixava as minhas pretendentes irritadas. E eu sei que isso soa muito narcisista, mas não é minha intenção, só é a verdade.

— Nunca pensei que ser bonito fosse ser um problema.

— É a minha sina, Emily Taylor. – soltei uma gargalhada.

— Deve ser melhor do que ser feio.

— Não sei dizer. – dei um soco de leve no seu braço.

— Que engraçadinho.

— As mulheres hoje em dia querem a liberdade sexual que as foi negada por muito tempo e aí elas procuram caras como eu porque deduzem que não queremos namorar.

— Mas é porque caras bonitos fazem o estilo garanhão, sabe?

— Pois é, nós os românticos estamos em extinção por causa de vocês.

— Quem diria que os homens passavam por isso. Pense pelo lado bom, acredito que você tenha se aproveitado bastante dessa liberdade sexual feminina. – ele deu de ombros e me lançou uma piscadela.

— Um homem tem suas necessidades.

— Foi o que eu pensei.

— Mas vamos falar de você, seus namoros. – fiz uma careta.

— Namorei dois caras na minha vida, o Kevin durante o segundo ano e Andrew no último ano. E eu só terminei com ele porque eu vinha pra Nova York e ele foi pra Florida.

— E depois aproveitou a liberdade sexual feminina? – me permiti enrubescer.

— Com certeza não.

— Esqueci que você é apaixonada por Jane Austen. – dei de ombros.

— Você não é o último da espécie dos românticos. – ele sorriu.

— Que bom. Embora você quisesse me tratar como gigolô.

— Que exagero. Eu não queria te pagar pra fazer sexo comigo. – Logan pareceu que ia dizer algo, mas parou.

— Eu confesso que pensei em uma pequena gracinha, mas não quero que fique constrangida, então não vou responder. – o que não adiantou nada porque fiquei constrangida da mesma forma.

— Certo... – Logan soltou uma gargalhada e voltou a comer em silêncio.

Terminamos de comer ás 04h45min da manhã e eu comecei a ficar com sono de verdade, acho que a única coisa que me fez ficar acordada até àquela hora foi o vinho e a adrenalina.

— Vamos dormir? – perguntei.

— Sim. Estou começando a ficar com sono.

— Eu também. Deixa a louça aí na pia que eu lavo pela manhã.

— Tudo bem.

— Vou pegar as coisas pra você dormir. – peguei um travesseiro, uma coberta e dois lençóis. Forrei o sofá com um e deixei o outro dobrado em cima do travesseiro. – Prontinho.

— Muito obrigado, Emily.

— Não por isso. Se quiser, tem escovas de dente novas no mesmo lugar onde pegou a toalha, sinta-se a vontade.

— Peguei a dica. Obrigado.

— Ótimo. – Logan soltou uma gargalhada.

— Vou escovar os dentes e volto pra te dar boa noite.

— Por que não me dá boa noite agora? – ele não respondeu, mas seu sorriso me deu um frio na barriga de novo.

A medrosa em mim pensou seriamente em me esconder no meu quarto e dar boa noite pela porta trancada, mas agora eu era uma mulher adulta e responsável, então precisava agir como tal. Escovei os dentes, lavei o rosto e respirei fundo.

Logan estava olhando pela janela quando eu voltei pra sala, seu olhar parecia longe e pensativo. Me aproximei de fininho e parei atrás dele, queria ver o que ele tanto olhava. Mas antes que eu pudesse falar alguma coisa, ele se virou e me girou pra ficar de costas pra janela, por alguns segundos ele só me olhou. Seus olhos estavam mais escuros e seu rosto estava sério, eu conseguia sentir sua respiração no meu rosto e meu corpo se arrepiou com sua aproximação repentina, eu não conseguia nem piscar.

— Logan... – comecei, mas ele colocou o dedo na minha boca.

— Não estraga tudo com suas contestações, Emily Taylor. – tirei a mão dele gentilmente.

— Sinto muito, Logan Blake. Enquanto estamos lá fora saindo e dançando somos Ryan e Jane. Aqui como Emily e Logan as coisas são diferentes.

— Mas eu sei que você quer. Sua pele se arrepia ao meu toque, sua respiração fica ofegante e seu coração acelera é a adrenalina tomando conta da situação. Seus lábios ficam entreabertos e suas pupilas dilatam. Você quer isso tanto quanto eu. – respirei fundo.

— Não importa. Não vou estragar tudo levando as coisas pro lado pessoal. – Logan se afastou devagar.

— Já está tudo no lado pessoal, Emily. – antes que eu pudesse responder ele pegou o travesseiro e deitou de costas pra mim no sofá. – Boa noite, senhora Taylor.

— Boa noite, senhor Blake. – fui pro meu quarto e fechei a porta. Eu estava frustrada e irritada, mas não tanto quanto minha consciência que gritava comigo: Você não sabe nada sobre o amor, Emily Taylor.

Sei o suficiente para respeitar os limites.

Pena que não percebe a hora exata de ultrapassá-los. — infelizmente não pensei em nada para contestá-la e com esse pensamento feliz, caí no sono.

>>o

Um cheiro delicioso me despertou, virei para o lado e vi o relógio. Eram 12 hrs, eu já tinha perdido toda a minha manhã. Respirei fundo pronta pra levantar quando lembrei: Logan Blake estava na minha casa. A noite não terminou como eu esperava. Eu queria que ele entendesse que não éramos de fato namorados, porque será que era tão difícil pra ele entender?

Pra alguém tão esperta, ás vezes você é bem burra, Emily. — estava muito cedo pra dar voz pra minha consciência, então eu só a ignorei.

Levantei, fui ao banheiro e fiquei apresentável o suficiente para encará-lo. A gente precisava conversar, embora eu não quisesse ter essa conversa com ele. Abri a porta devagar e Logan estava na cozinha de costas pra mim preparando algo no fogão. Andei lentamente até ele e por um segundo eu quase o abracei, mas me contive e sentei na bancada da cozinha.

— Bom dia. – ele se virou com um sorriso nos lábios, mas seus olhos estavam um pouco distantes.

— Bom dia, senhora Taylor. Espero que não se importe, mas estou preparando o café da manhã.

— Com certeza eu não me importo. O que você está fazendo?

— Panquecas. – sorri.

— Eu amo panquecas.

— As minhas são as melhores. Sente-se e relaxe que daqui a pouco vai estar pronto.

— Obrigada. – ficamos alguns instantes em silêncio e eu achei que era a hora de começar a falar. – Logan, é... sobre ontem...

— Não, eu não quero falar sobre isso.

— Mas a gente precisa.

— Por quê? – ele tinha ficado de costas pra mim, o que me dava mais coragem pra soltar o que eu queria falar.

— Porque eu queria mesmo te beijar, você tinha razão e eu sinto muito por isso. Mas isso não muda nada porque se eu me envolver dessa maneira com você todo o meu plano vai por água abaixo.

— E Deus me livre sair do plano, não é? – isso era muito difícil.

— Eu não pretendia me desviar dele. E, bom, você concordou com isso. – Logan largou a espátula e a frigideira, desligou o fogão e virou pra mim.

— Sabe, Emily Taylor, eu concordei com isso porque eu queria ficar perto de você, queria te ajudar porque você me convenceu a isso. Mas eu não fazia ideia que ia ser tão difícil. – prendi a respiração.

— Você quer desistir?

— Não, claro que não. Eu falei que ia te ajudar e farei isso, só que me pergunto como você consegue... – ele caminhava na minha direção, o que não me ajudava em nada nesse negócio de respirar.

— Consigo o que? – minha voz era um sussurro. Ele me ofereceu sua mão e me colocou de pé. Enquanto uma mão fazia carinho na minha bochecha, a outra me puxava cada vez mais pra perto.

— Como consegue desassociar uma coisa da outra. Ontem a noite foi especial, Emily Taylor, eu sei que você sentiu isso também. Como consegue ignorar isso e seguir como se não tivesse acontecido?

— Eu... é...

— Emily, deixa eu me aproximar de você, por favor... – sua voz também era um sussurro. Seu corpo estava quente e seus olhos escuros como ontem. Eu estava prestes a ceder quando a campainha tocou fazendo que eu me afastasse em um susto.

— Ah... hum... vou abrir a porta. – saí praticamente correndo e não me virei pra ver o rosto de Logan. Abri a porta como um raio e era Katie.

— Olá, meu raio de sol. – falou, mas olhou bem pra mim e franziu a testa. – O que aconteceu?

— Nada, nada. Entra aí.

— Você está meio ofegante, Emily Taylor. O que aconteceu, estava correndo? – e antes que eu respondesse, ela o viu. – Logan?

— Oi. – sua cara não era a das melhores, então não foi difícil fazer a ligação.

— O que eu perdi?

— Você, acredito que nada, já eu... – falou ele com ar ressentido.

— Ah, entendi. Eu posso voltar mais tarde.

— Não, não precisa. Fica aí, Logan fez panquecas. – Katie olhava de mim para ele o tempo todo, sem saber se ela deveria mesmo ficar.

— Fica, Katie. As panquecas estão mesmo boas. – falou meu Adônis.

— Certo. – respondeu ela, embora não parecesse nada certo. – Então, como foi ontem à noite? Vocês se divertiram?

— Muito. Logan me fez invadir um parque. – falei e ele sorriu.

— Ela gostou, até dançamos Sinatra.

— Emily ama Sinatra.

— Eu sei. – respondeu apenas e voltou a cozinhar.

— Está bem, já chega. O que está acontecendo aqui? – seu ar era decidido, mas eu não sabia como responder.

— Aparentemente, sua amiga Emily só quer mesmo me usar. – revirei os olhos.

— Não é bem isso.

— É exatamente isso, porque quando se trata de sair do mundo da fantasia, ela foge.

— Você não está sendo justo, Logan Blake, eu não estou fugindo. Só estou me atendo ao plano, a gente já tinha combinado.

— Mas as coisas mudam, Emily Taylor. Certas coisas acontecem e...

— Como o que? O que aconteceu? – estávamos praticamente gritando um com o outro, mas nesse momento ele pareceu perdido.

— Eu acho que... eu...

— Você parecia cheio de coisa pra falar e agora perdeu a fala?

— Não é isso, é só que... se eu admitir isso terei que ir embora e mesmo você me deixando muito irritado, eu não quero ir embora.

— O que você quer dizer com isso? – ele apenas suspirou e se virou pra pegar as panquecas.

— Que eu estou com fome. Vamos comer? – demorei alguns segundos pra perceber que ele estava mudando de assunto, mas o deixei fazer isso em parte porque estava com medo de voltar para o assunto anterior.

— Uau. – falou Katie, eu já tinha me esquecido que ela estava ali. – Isso é o que eu chamo de drama.

— Ah, desculpe, é... quer comer? – perguntei.

— Com certeza, isso aqui está muito divertido. – revirei os olhos e sentei na bancada enquanto Logan servia panquecas pra nós três.

— Sinto muito pela novela, Katie. – falou ele.

— Não se preocupe, eu estava gostando.

— Mas por que veio aqui? – perguntei.

— Pra saber se você está bem e ouvir sobre a noite anterior.

— Depois a gente pode conversar, se quiser.

— Com certeza eu vou querer, mas no momento vou me contentar com essas panquecas com um cheiro maravilhoso feitas pela personificação de Hércules. – Logan soltou uma gargalhada.

— Obrigado, eu acho.

— Não por isso.

>>o

Comemos em silêncio, de vez em quando eu e Logan trocávamos alguns olhares meio sem querer e eu sentia que a culpa era minha por estragar tudo. Depois do café da manhã, peguei pra lavar a louça e Logan juntou suas coisas.

— Obrigado por me deixar ficar, Emily.

— Sem problemas, quando quiser e precisar.

— Infelizmente não quando eu quiser.

— O que você...

— Não se preocupe com isso. – ele beijou o topo da minha cabeça, acenou para Katie e saiu.

— O que foi isso? – perguntei e Katie soltou uma gargalhada.

— Você é meio burra, Emily.

— Parece que eu já ouvi isso antes. Mas ainda não entendi o que quer dizer.

— Oras, ele está se apaixonando por você. – parece que por um segundo a Terra parou de girar.

— O QUÊ?!