O Bardo e a Jornada
1 A Jornada
Ano de 640 terra média.
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A Harmonia pairava sobre o reino de Salamim. Os camponeses, os servos, a nobreza e todo o clero viviam sobre o comando do grande Rei Tétran Salamim. Era cedo, e o sino da igreja tocou, avisando a todos que aquele dia seria muito especial. No entanto nem sempre foi assim, essas terras já sofreram na mão de Salmor um antigo comandante e conquistador de reinos. E todos evitam falar sobre esse terrível passado, um mundo obscuro tomava conta de Salamim, era uma época de exploração, sofrimentos, e guerras. Salmor tinha um grande poder de persuasão era chamado de “O manipulador” aproveitando-se disso manipulou pessoas, aniquilou fortalezas, exércitos e foi odiado por muitos, pela ganancia de Salmor o reino de Salamim sofreu, grande parte dos feudos foram tomados por desertores e uma rebelião foi organizada por seus inimigos e pela população de Salamim , houve muitas perdas mas no fim, Salmor foi banido para uma terra proibida.
Os pequenos e belos campos pareciam tapetes, um verde nunca visto em terras distantes e suas flores deixavam um belo aroma. Naquela manha carroças traziam leites e pães para o banquete de mais tarde.
Torneios e lutas eram comuns entre os cavaleiros. As multidões e comidas fartas já rodeavam a mesa do rei. Era aniversário de Salamim e segundo a tradição haveria competições e muita musica. Rei Tétran demonstrava alegria, porém havia uma tristeza profunda em seu coração. Sempre sentia falta de sua falecida esposa naquela época. Para seu consolo, sua filha Yasmim era a pureza e delicadeza de sua mãe; bondosa. Por onde passava sempre tratava todos com muito carinho.
Enquanto isso nas praças, crianças corriam e se divertiam ao som de Redmont, o Bardo. Sua música animava a todos. Sempre com um sorriso no rosto, aprendeu na infância a tocar e a cantar com seu pai que por motivo desconhecido havia o deixado há alguns anos atrás. O rapaz sempre quis saber o motivo, mas nunca teve uma oportunidade para procurar seu pai.
Todos estavam cantarolando, comendo, bebendo, e de repente a musica para sendo substituída pelo som imponente das trombetas que anunciavam de forma sublime a presença do Rei. Na hora do discurso, Tétran coçava a barba branca a procura de alguém que deveria estar ao seu lado observou que sua filha não estava presente. “Ela deveria estar aqui...”, pensou. Mas não tinha muito tempo para esperar então fez o discurso sem muitas delongas, festejou um pouco com seu povo e logo se retirou para seus aposentos. Já não tinha mais o pique de antigamente, apesar de manter a boa forma, treinando regularmente, com espadas, flechas e até luta corpo a corpo, seu corpo cansara rápido mesmo que ainda demostrasse força, seus braços e ombros eram rígidos e bem definidos pela sua idade que beirava os 60 anos, não só por ser o rei mas sua aparência também empunhava respeito. Suas vestes douradas com detalhes pretos arredondados nas mangas fora um presente de sua amada mulher. ela o presenteou no seu aniversario de 50 anos, após sua morte o rei sempre veste como uma forma de carinho ao lembrar que sua mulher ainda esta com ele, em seu coração, um misto de alegria pelo reino e tristeza pela lembrança de perda da esposa, invadia o seu peito sem pedir licença, mas sempre a tristeza o derrubava, o vencia, mas Tétran nunca deixou transparecer, o que ele achava uma fraqueza de sua parte expondo-a. No caminho ao seu quarto, ordenou para um dos empregados que procurasse sua filha, sua ausência já estava começando a incomoda-lo. Assim que estava chegando em seu quarto, um soldado do castelo todo machucado, mancando mas ao mesmo tempo vindo depressa ao encontro do rei em prantos e quase sem ar:
__ Vossa Majestade... meu senhor... A princesa... Ela... ___Calma meu rapaz! interrompeu o Rei. Respire e me conte o que aconteceu com minha filha!? ___Estávamos na torre oeste, fomos atacados e surpreendidos pelas costas, eles eram rápidos e usavam um tipo de magia negra, uma fumaça os envolvia a cada movimento, conseguimos derrubar alguns, mas os próprios companheiros os mataram, eles usavam adagas, e lanças bem afiadas, não tivemos chance estavam em maior numero e quando pensamos que iriam nos matar, eles simplesmente pararam em nossa frente, ficamos paralisados, não sabíamos o que fazer, parecia que tinham lançado o mesmo tipo de magia que usavam, para nos atacar, mas agora estava sobre nós, aparentemente o que parecia estar no comando começou a rir e com uma faca cheia de sangue pôs a lambe-la dizendo: “__ Nos divertimos muito com vocês, mas agora temos que ir haha...” Ele zombara da gente, ao sair ele se virou novamente. “__ Ahh... Olha que descuido o meu, quase ia me esquecendo haha... Pegamos um brinde de recordação, avise o seu querido rei... Hahaha, acho que essa lindeza pertence a ele... Nesse momento o magricelo líder puxou-a pelos cabelos tirando a princesa de uma roda que os capangas faziam para esconde-la, estávamos lutando sem ao menos saber que eles já tinham a pegado, eles estavam brincando com a gente o tempo todo. “__ Nossa como você é linda... hum... ele tem sorte... disse o líder deles ao pegar no seu queixo em quanto a princesa Yasmim tentava se desvencilhar das amarras ao virar o rosto. __Não podíamos fazer nada, ela estava assustada e se fizéssemos algo, eles a matariam sem pensar duas vezes, antes de partir o chefe deles finalizou dizendo: “__ Diga a “Vossa Majestade” que o seu tempo esta acabando... hahaha...”
Ao ouvir essas ultimas palavras dita pelo soldado que agora estava cabisbaixo, rei Tétran sentiu um abalo enorme em seu coração, por um instante sentiu novamente o mesmo sentimento ruim que havia sentido na época em que sua amada esposa faleceu. “ Agora minha filha?” se indagou internamente angustiado sem poder transparecer toda a dor de perda que sentira outra vez.
__Sinto muito meu senhor, repetiu o rapaz, agora menos ofegante porém, mais abalado.__ Não sinta, a culpa não é de nenhum de vocês... Eu sei quem são! novamente os Cavaleiros Negros nos assolam, querendo tirar tudo de nós, Ah anos que estavam extintos mas agora retornam...
__ Meu senhor! O que devemos fazer, posso montar uma busca agora mesmo com a permissão de vossa majestade...
__ Não, Não é assim que funciona com eles...Uma coisa que poucas pessoas sabem é que os Cavaleiros negros podem sentir a presença de seus inimigos, caso eles já tenham tido contato. Infelizmente não posso mandar ninguém do meu exercito... seriamos massacrados, ha alguns anos nos enfrentamos, uma antecipação de ataque ou perseguição da nossa parte contra eles seria uma burrice, saberiam tanto se estivéssemos esperando como se armássemos uma emboscada. A unica forma seria convocar guerreiros andarilhos... Nesse momento Tétran começava a ter uma ideia e a se sentir mais aliviado, nem tudo estava perdido.
__ Soldado! peço que não espalhe essa noticia, do rapto de minha filha, avise também ao demais que estavam com você. Claro Senhor! Respondeu o rapaz sem questionar.
Naquela mesma tarde o Rei fez um anuncio breve, dizendo a todos que sua filha estava em uma viagem de parentes distantes, não deu muitos detalhes pois as poucas palavras ditas já serviriam para a população. O Reino de Salamim era pequeno, as noticias corriam rapidamente, mas Rei Tétran não pudia deixar que o assunto sobre o rapto de sua filha tomasse conta das cidades, sendo assim com a ajuda do conselho central e das demais localidades conseguiram ofuscar essa terrível noticia.
O bardo gostava de sair e ver o entardecer, lhe inspirava para criar novas canções, seu alaúde o acompanhava sempre. Ao descer no jardim avistou o rei Tétran cabisbaixo e pensativo, não pode deixar de reparar.
Redmont sempre teve uma certa intimidade com o rei, seu pai e ele eram amigos desde a adolescência, depois do desaparecimento de seu pai, Tétran o adotou como seu filho, mas sempre manteve isso entre eles assim como Redmont que nunca expôs isso ao povo e por esse motivo sempre se colocou no seu lugar de camponês comum, sempre pensou que sua única característica fosse ser um musico e trazer felicidade e alegria para as pessoas com seus poemas e canções, isso sempre lhe deixara feliz e satisfeito. Chegando perto lhe perguntou:__ Esta tudo bem Vossa Majestade? Posso tocar algo que queria para que possa se sentir melhor? completou o garoto com um sorriso. Tétran o olhou com um ar de tristeza e de primeiro momento não conseguiu falar nada, mas se lembrou o quanto era amigo de seu pai, na vida adulta lutaram em batalhas sangrentas que decidiram o destino do Reino de Salamim. O Rei o olhou e retribuiu o sorriso balançando com a cabeça positivamente e voltando para sua posição inicial, pensativo...
A musica era suave, tranquila e começara a acalma-lo, naquele momento, o Bardo acompanhava aquela linda melodia com uns assobios harmoniosos, que combinavam perfeitamente com as notas dedilhadas por seus dedos habilidosos. Tetran estava com o pensamento longe, mas se permitiu a gostar do que ouvira. Os assobios pararam dando lugar para a voz do musico.
"Quando seu coração, se por a chorar
Olhe para o céu, eu estarei lá!
Não importa o caminho nem o lugar
Nos campos, nas colinas, eu estarei lá
Serei seu guia, sua luz
Para que possa descansar
Serei sua lua, seu sol
Para que possa retornar..."
Que linda canção! Disse o rei, agora um pouco mais presente mentalmente. __Você que a escreveu? __Não, haha quem dera! respondeu o garoto abrindo um imenso sorriso enquanto coçava o centro da cabeça, em um gesto de vergonha. __Minha mãe! Ela sempre cantava essa canção para o meu pai, antes de suas viagens, antes de sua morte, eu a aprendi, mas nunca pude tocar para meu pai. __Sinto muito Redmont... __ Haha que isso imagina! Esta tudo bem meu senhor, é uma honra poder toca-la para o senhor... se reverenciou o bardo. __ Hehe, não precisamos de toda essa cordialidade meu rapaz. levante-se, sente ao meu lado preciso lhe dizer algo. O garoto se ajeitou, e fitou seus pequenos olhos no que o rei iria lhe falar.
__Você sempre se preocupou com todos e isso é muito bom Redmont , vejo em você um grande potencia para ser um líder algum dia. Nesse momento você, é a unica pessoa em quem eu possa confiar, e preciso que confie em mim também... Claro! Claro! meu senhor, sempre confiarei, eu lhe devo minha vida. Disse o menino atento ao que o rei estava prestes a dizer.
__Preciso de você para uma missão, minha filha foi raptada pelos Cavaleiros negros! O bardo olhou assustado e engoliu seco naquele momento, não esperava tal confiança assim do rei. Mas sem demostrar essa surpresa ele disse: __ Sinto muito meu rei, eu pensei que... __ É...aquilo...precisávamos informar a populaçao que ela estava bem, tínhamos que arrumar uma distração para o povo, não podíamos deixar que a situação saísse do controle, eu sei que eles não vão mata-la até eles terem o que procuram. Já encarreguei um grupo e quero que faça parte dele, eu sei que você não é nenhum guerreiro esplendido e deve estar se perguntando o porque de eu ter te escolhido, você tem características importantes Redmont, eu sei que tem muitas perguntas agora e tenho certeza que suas perguntas serão respondidas com o tempo, mas como eu disse anteriormente preciso que confie em mim... Redmont ficou entusiasmado com a proposta do seu rei e claro, que ele aceitaria, à muitos anos esperava por essa oportunidade, mas ao mesmo tempo, não sabia se seria capaz de tal proeza, resgatar uma princesa, isso nunca lhe passou pela cabeça, não era herói, muito pelo o contrario, sua função era encoraja-los de alguma maneira, com canções e poemas... Emocionado agradeceu o por acreditar em seu potencial... ___Claro Vossa majestade, eu confio plenamente e será uma honra meu senhor, irei traze-la não importa o que aconteça!
No dia seguinte, acordou mais cedo do que de costume,até mesmo antes do combinado com o rei. Não tinha conseguido dormir bem, sua mente estava focada em achar a princesa e quem sabe descobrir algo sobre seu pai. Arrumou suas coisas em uma mochila velha, roupas, comidas, livros de poemas... e claro seu inseparável alaúde, ganhou de seu pai quando tinha 5 anos de idade, nunca mais se separou dele, e quando pega o para tocar, não deixa de pensar em seu pai, ”aonde ele está?”... fica se perguntando o rapaz.
O Rei Tétran pediu para que se apresentasse perto das torres de vigia do castelo, assim que amanhecesse, ali seria o ponto de partida. Ao chegar encontrou 4 guerreiros à sua espera.
Um grande Orc que mantinha uma longa trança que situava-se sobre seus peitos. Era Kalarram da Floresta de Orcavam estava ao lado de uma enorme pedra, sua pele bem esverdeada destacava bem sua boa forma física, de longe se via em seu rosto cicatrizes de batalhas anteriores, guardava consigo nas costas sua espada, a famosa “Sword horn” ela tinha esse nome pois, ele à ganhou em uma sangrenta batalha, contra “O Chifre do pântano” das terras de Pântagonios.
Logo adiante sentado em um tronco de arvore estava Abrahum o anão da cidade de Rondrórian, mais conhecida como: A cidade dos anões, sua ingente barba tocava em suas mãos, e ao mesmo tempo limpava as laminas de seu machado, dava pra ver manchas de sangue já secas, pelo jeito ele estava tentando tirar essas marcas a algum tempo, fumava um cachimbo inacabado, mantinha um semblante de desdém mas ao mesmo tempo ameaçador.
Uma grande sombra se moveu de traz de uma arvore, era Élfelus o elfo de Telfênia, sua roupa se camuflava diante das folhas baixas, e de qualquer mata que estivesse. Em seus braços levava um arco e flecha foi um presente de seu falecido pai, sua arma era como um companheiro de viagem. Para lutas corpo a corpo, mantinha consigo uma pequena espada que estava sempre guardada em sua bainha, pouco usava, foi banhada sobre escamas de serpente uma forma unica que os elfos usavam para forjar suas armas. Havia tatuagens em seu rosto, umas das marcas de sua terra, isso os diferenciavam dos Aréfos uma antiga linhagem de Elfos que dominavam as terras de Telfênia à tempos, mas devido terem traído o Rei, suas tatuagens foram removidas como forma de punição e tiveram que deixar suas terras como desertores do reino.
O último a se apresentar era o mago Guilmor das terras distantes de Salmar. Seu semblante estava dominado por uma estranha calma. Conhecido como: “O Sábio Branco”. Muito experiente era o mais velho entre os demais guerreiros, nunca esteve tão disposto para mais uma de suas jornadas. Seu cabelo longo acentuava bem o seu rosto magro e seu queixo pontiagudo, a barba comprida e branca como a neve, se estendia até tampar um cachecol de lã, que o protegia daquela manhã fria, sua vestimenta se resumia a uma túnica num tom de bege e sobre uma grande manta preta , com uma mescla de cinza em sua parte superior, mangas longas, num cinto estava um espada velha que quase não usara em suas batalhas.
Rei Tétran se juntou ao grupo para desejar sorte, e avistou que Redmont não tinha nenhuma espada ou algo para se defender, então retirou sua própria espada e o entregou.___Leve essa espada, meu rapaz, minha alma estará nela, onde estiver estarei te guiando para que possa encontrar minha filha, serei grato a você Redmont. Olhando ao seu redor complementou.___ E a vocês! Os guerreiros lendários darei o que desejarem além de ter toda minha gratidão eternamente. Redmont já teve treinamento com espadas na época que estava na escola, não era muito bom com armas nunca se viu empunhando uma, ser um cavaleiro, era a ultima coisa que ele pensou, sua paixão pela musica, poemas, historias, foi herdado de seu pai desde de criança, porém nunca deixou de ler sobre comidas, bebidas, lugares, poções, feitiços, reis etc...
Tétran despediu-se e ao virar, o sol refletiu sobre suas costas, Redmont sentiu um sentimento bom...pensou que aonde estava era o lugar que deveria estar, e que iria fazer de tudo para cumprir com o dever dado por seu rei.
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