O Barco, O Rio e Os Segredos.
1 .único.
Trá-lá-lá, quem sou eu?
O cachorro-barco corria agitado sobre a água, tornando a viagem mais rápida. A garotinha atrás demonstrava uma quase imperceptível expressão de admiração, sua boca levemente entreaberta e os olhos fechados. Não era a primeira vez que o barqueiro — ou seria barqueira?— via a pequenina humana, mesmo que tecnicamente essa fosse a primeira vez que Frisk teria caído no subsolo e pego uma carona.Bom, primeira vez nesse universo... – Trá-lá-lá— o ser de capa azul cantarolou, atraindo a atenção da menina — As águas estão agitadas hoje, sinal de má-sorte. E realmente era, mas em outro universo alternativo, pois Sans acabara de morrer na frente de Asriel por causa de uma garota de cabelos rosados. – Trá-lá-lá, aqui estamos. — se despediu, parando o barco em Waterfall— Volte mais tarde! A garota desceu e acenou a cabeça, como agradecimento. Dessa vez ela estava fazendo a rota pacifista, interessante... Já tinha visto outras diversas vezes a pequenininha realizando seus genocídios, sempre subindo no barco com seu tutu de balé todo empoeirado e o espírito da primeira criança lhe acompanhando, mesmo que tivesse dúvidas quanto a Frisk saber dessa companhia sinistra de Chara. De qualquer forma, não recusava oferecer carona para a psicopata. Ter medo? Ah, só teve uma vez que a moreninha tentou lhe matar, entretanto, antes mesmo de levantar sua faca, ela reapareceu em seu ponto save, como se tivesse morrido, e nunca mais tentou matar o ser misterioso do barco. Assim que a menina de suéter roxo foi se afastando, uma flor dourada saiu do chão e ficou observando-a macabramente, até sentir o olhar do barqueiro pesar. – Está olhando o quê? – a flor dourada perguntou, ríspida e superior. – Trá-lá-lá... Desculpe-me alteza, só estava aqui recordando de uma outra época onde a princesa adorava flores douradas, contudo será que seu desejo era realmente vê-las em seu vilarejo? — fez uma pausa reflexiva — Ah, quem liga? A flor olhou surpresa o rosto coberto do barqueiro por alguns instantes, até contorcer sua expressão para uma de raiva e se enterrar no chão azul de novo. A princesa Chara... Em alguns universos ela era tão gentil e pura, mesmo com tudo ao seu redor sendo vil e cruel. Em outros ela não tinha se envenenado, e além desses ainda tinham aqueles em que seu plano funcionou. Contudo na maioria das vezes que ela acabava por morrer, sempre surgiria tristeza no coração de todos. No universo que o barqueiro denominou de “original”, poucos sabiam que a garotinha de suéter verde havia se suicidado para Asriel cumprir seu plano de quebrar a barreira, então os monstros viviam com o pesar de acharem que Chara somente adoeceu e morreu, tirando um pouco da alegria que restava em seus corações depois da guerra. Para o barqueiro, isso não passava de uma previsível tragédia do cronograma natural. Somente era a linha da vida o qual todos que pertenciam àquele universo teriam que passar. Existia coisas mais preocupantes, como o homem que viajava entre mundos... Isso sim era um problema. Foi uma das únicas coisas que pegou o barqueiro e todo os resto do vazio de surpresa. Era contra tudo que era planejado para que acontecesse, como uma palavra mal-dita no discurso que mudaria sua vida. Quando aconteceu, o barqueiro sentiu medo de verdade, pois ele sabia que tudo aquilo era muito maior do que parecia. Afinal, de um minuto para o outro o mundo inteiro esqueceu da existência de uma pessoa, como se ela nunca tivesse existido. W.D. Gaster, o antigo Cientista Real de Asgore. Dizem que ele construiu o núcleo, a maior fonte de energia do subsolo. Era realmente brilhante, possuindo dons incríveis dentro da ciência, não foi à toa que Asgore demorou para encontrar outro Cientista Real. Porém sua vida durou pouco. Dizem que ele caiu em sua própria criação... Agora ele está perdido no vazio, dividido em pedaços e ao mesmo tempo inteiro; inconsciente do seus arredores e consciente também; ausente do mundo mas sempre presente. W.D. Gaster havia adquirido a sabedoria de todas as linhas do tempo e sobre todo o vazio, todavia isso lhe custou a sua própria existência e causou uma ruptura no espaço-tempo. O pior é que Gaster desejava retornar à seu universo original, e caso o fizesse acabaria por destruir mais ainda o tecido da realidade. – Cuidado com o homem que fala com as mãos... — sussurrou de modo inaudível, somente para si próprio escutar. A garotinha retornou, seu rosto amarelado todo negro e sujo, um sorriso imperceptível estampado ali. – Trá-lá-lá, quer uma carona? — ofereceu e Frisk não tardou em embarcar. Foi remando calmamente, o rio guiando o barco de madeira delicadamente. – Tome cuidado, em algum lugar é quinta-feira — advertiu. Ah, o rio... Era seu amor, o azul e a umidade lhe atraiam como jamais outra coisa seria capaz de o fazer. O barco? Sua maior dádiva, companheiro fiel de suas viagens. Já os segredos... Faz parte, não? De qualquer forma era bom ter de carregar essa responsabilidade. E enquanto o mundo continuasse a ser o mundo, os universos continuassem a seguir seus devidos cronogramas e o vazio fosse o equilíbrio de tudo, o desconhecido barqueiro continuaria a dar carona e navegar pelo subsolo, usufruindo silenciosamente todo o poder e conhecimento que possuía.
Trá-lá-lá.
Notas finais
Muito obrigada pela leitura até aqui! Achei essa fanfic de Undertale perdida nos confins do meu caderno e como estou meio inspirada a postar fanfics lá no Wattpad e no Social (de YouTubers, se quiserem podem ver no meu perfi lá, Aurora Katrina o nome) decidi trazer essa pro Nyah. (inclusive o Nyah podia adicionar uma categoria de Youtubers, pois não?)
Eu tenho uns projetos de fanfics de Undertale que andam meio parados, então talvez essa aqui seja um incentivo pra eu continuar...?
Comentem o quê acharam por favor, e nos vemos na próxima ♥ .
Eu tenho uns projetos de fanfics de Undertale que andam meio parados, então talvez essa aqui seja um incentivo pra eu continuar...?
Comentem o quê acharam por favor, e nos vemos na próxima ♥ .
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