O Baralho do Mágico Demônio

4 Pelo Ás que um Brilho Eterno Conduz...


Eli cerrou os punhos em frustração, vendo como Arya batalhava com dificuldades. Apesar de treinarem, elas não estavam realmente preparadas para uma batalha real contra um inimigo forte.

“Joker... Por favor...” Eli pede, em um tom sério, olhando o coelho nos olhos, um brilho de determinação em seus olhos violetas. “Eu vou lutar até o fim para proteger as pessoas que eu amo, não importa o que seja. Não posso ficar mais parada olhando sem fazer nada, com ou sem a carta, eu vou ajudar a Arya!”

Joker olha Eli surpreso, antes de sorrir, puxando o Ás de Ouros de sua cartola e oferecendo para a garota. “Sabe, eu tive muita sorte por ter encontrado vocês... Eu confio em você!”

Eli rapidamente puxa a carta, a segurando entre dois dedos a frente de seu olho esquerdo. “Pelo Ás que um brilho eterno conduz, que o poder de Ouros me conceda a sua luz!” Com o chamado por seu poder, a carta flutuou e cresceu assim como com Arya, um portal de luz envolvendo Elloise em uma luz etérea.

O uniforme completamente num estilo Ouji lolita. Uma blusa preta de mangas longas, shorts de botões preto, com um colete longo roxo escuro que chegava até a cintura, o símbolo de Ouros em preto com acabamento prateado nas costas, luvas meio-dedo nas mãos com símbolo de Ouros nas costas e botas de cano alto pretas nos pés. Flutuando ao seu lado, havia um espelho em formato de losango da cor vermelha, o lado espelhado brilhando, carregando energia.

Imediatamente, Eli se voltou para a batalha, vendo Seira prestes a dar o golpe final em Arya. Concentrando seu poder, ela mira com seu dedo, o espelho se virando ao seu comando e atirando um raio de luz com precisão na direção comandada. Com seus reflexos rápidos, Seira para seu ataque para se defender com seu escudo, tanto ela quanto Arya olhando Eli surpresas.

“Sai de perto dela!” Eli grita, seu espelho brilhando, carregando outro ataque. “Você não vai mais machucar a Arya!” Um outro raio de luz é lançado, dessa vez contra a perna de Seira, que desvia por pouco, pulando para longe de Arya. “Arya! Você tá bem?” Eli pergunta, parando perto da amiga, ainda mantendo a guarda contra Seira.

“Sim... Eu... Tô bem.” Arya diz, gemendo de dor enquanto se levantava, ainda sem fôlego. “Você tá estilosa, em?” Ela elogia, tentando aliviar um pouco a tensão. “Mas cadê seus óculos? Você precisa deles.” A garota lembra, vendo a falta dos mesmos na amiga.

“Quê? É verdade, meus óculos! Espera... Eu tô vendo perfeitamente! Pelo menos na transformação, eu suponho? Gostei.” Eli ri, antes de focar novamente em Seira, que também tentava se recuperar, a transformação a esgotando e agora com duas inimigas com transformação, a situação estava contra seu favor.

Seira colocou sua mão ferida em frente do escudo, um brilho rosado emanando, fazendo o corte desaparecer completamente, mas o escudo também diminuindo um pouco de tamanho.

“Cura também? Então o escudo fica mais forte absorvendo ataques, além disso ele pode curar, ficando mais fraco como consequência? Isso pode ser um problema, a gente tem que se coordenar.” Eli comenta baixo para Arya, que finalmente havia se recuperado o suficiente. “Precisamos do ponto fraco dela.”

“Aquele colar...” Arya sussurra para a amiga. “Ela vive usando ele, segura ele quando nervosa, e ela ficou protegendo ele dos ataques toda vez. Se formos juntas a gente deve conseguir atingir o colar e derrotar ela.”

Eli concorda com a cabeça, concentrando luz no espelho. “Certo, cuidado com o escudo. Vamos!” A garota complementa, antes que as duas avançassem. Arya ataca de frente, atraindo a atenção de Seira, enquanto Eli corre ao redor da clareira, mantendo distância.

Arya propositalmente ataca o lado direito de Seira, tentando atrair uma defesa, mas Seira desviou com um salto, desviando o ataque de luz de Eli com o escudo ao invés disso. Ao invés de parar, Arya decide manter a pressão, criando sua espada de trevas e cortando constantemente, exigindo que Seira focasse em desviar e defender dos ataques de Arya.

Seira reflete um golpe de Arya, se lançando contra ela com um empurrão, tirando seu equilíbrio, outro raio de luz cortando uma mecha de cabelo rosado de Seira por pouco. Então, Seira decide aproveitar o estado de Arya para avançar contra Eli, defletindo a maioria dos raios de luz, desviando de raspão dos outros.

Eli tenta manter distância, se concentrando em atingir o ponto cego de Seira, que estava poucos metros dela, mas felizmente, Arya consegue lançar uma adaga de sombras contra Seira, atingindo sua perna e a fazendo perder o equilíbrio. Se aproveitando do momento, Eli consegue atingir o braço do escudo da inimiga, a fazendo grunhir de dor e pular para longe.

Seira põe seu peso sobre a perna ferida por acidente, a fazendo perder o equilíbrio, mas ela consegue se manter de pé, levantando seu escudo com dificuldade usando o braço esquerdo como apoio. Apesar disso, Arya e Eli não param seu ataque, lançando ataques tentando atingir principalmente os pontos cegos que ela teria dificuldades de defender ou desviar em seu estado atual.

Apesar de toda pressão, Seira se mantêm de pé, concentrada em defender o melhor que podia. “Amor Finito...” A garota comanda em sua mente, a aura rosada emanando de seu escudo, fazendo o melhor para curar os ferimentos de sua perna enquanto ela se defendia, o escudo consumindo muito mais na cura do que absorvia dos ataques, diminuindo de tamanho mais e mais.

“AGORA!” Eli exclama, Arya e ela pulando para laterais opostas de Seira, utilizando seus golpes em seu verdadeiro alvo. Seira defende as adagas de sombras de Arya com o escudo, tentando proteger o colar com o braço novamente, mas esse era o plano. Eli lança um raio de luz concentrado, que facilmente atravessa o braço de Seira, a fazendo gritar de dor, acertando o ponto de conexão do pingente com o cordão do colar.

Mesmo com a dor e o cansaço, a primeira coisa que Seira fez foi se jogar sobre o pingente caído na grama, o segurando contra seu peito, utilizando o próprio corpo como escudo contra qualquer dano adicional.

“É isso! É só dar o golpe final, Arya, desmaia ela ou sei lá!” Eli grita, Arya acenando com a cabeça e correndo com sua espada de trevas em mãos para atingir Seira.

Arya estava prestes a nocautear Seira, quando ela escuta o choro e os soluços da garota, que se mantinha encolhida protegendo o pingente com o próprio corpo como se sua vida dependesse disso. Ela encara a garota com a espada levantada, quando Seira a olha nos olhos, seus olhos vermelhos, lágrimas escorrendo sem parar.

“Por quê?” Arya pergunta, abaixando sua espada, que rapidamente se dissipa novamente em adaga. “Essa semana... Foi só pra pegar a gente de surpresa? Você só... Queria minha carta e mais nada? Nossa amizade...” Seira arregala os olhos, vendo como lágrimas começavam a escorrer dos olhos de Arya. “Foi realmente tudo mentira?”

Seira desvia o olhar, não tendo coragem de ver a outra garota chorando também, sua mão segurando o pingente com força, antes que ela usasse o resto de força que tinha para correr, fugindo da clareira e de suas antigas amigas sem ter coragem de olhar para trás...

Arya cai de joelhos no chão, saindo de sua transformação, suas mãos cobrindo seu rosto enquanto chorava copiosamente. Eli também sai de sua transformação, correndo e se ajoelhando em frente a amiga, colocando uma mão sobre seu ombro.

“Arya...” Eli começa, sem conseguir continuar sua frase, não sabendo o que fazer pela amiga no momento. “Arya!” Joker Rabbit chama, finalmente se aproximando de Arya também.

“Eu... Eu...” Arya tenta dizer entre soluços. “Desculpa, eu sou tão idiota, eu devia ter focado em pegar a carta, mas...” Ela olha para os amigos, triste com a situação, arrependida por ter falhado, confusa pelo que aconteceu, mas principalmente, medo por ter decepcionado seus amigos. “Eu sou uma imbecil, desculpa, eu prometi ajudar com as cartas e mesmo assim falhei, eu sou tão fraca e estúpida, me perdoa...”

“Ei! Tá tudo bem...” Eli afirma, abraçando a amiga com força. “Você não é fraca ou estúpida, beleza? A culpa não é sua.”

“Mas... Ela fugiu por minha causa...” Arya murmura entre soluços, procurando conforto no abraço de sua amiga. “A gente se conhece faz uma semana, eu não devia me sentir assim, mas mesmo assim, meu coração dói tanto, eu tô tão... Tão...”

“Vai ficar tudo bem... Você vai ficar bem... Eu tô aqui, não importa o que aconteça.” Eli conforta a amiga, algumas lágrimas escorrendo sobre suas bochechas.

“Tá tudo bem, Arya! A gente pode conseguir a carta outra hora, isso pode esperar.” Joker afirma, colocando uma pata sobre a mão de Arya. “A culpa é minha, eu coloquei pressão demais sobre vocês, apesar de tudo são só adolescentes... Isso não devia acontecer. Vamos focar em vocês duas antes de qualquer coisa.”

“Okay... Obrigada, vocês dois.” Arya diz, concordando com a cabeça, limpando seu rosto com a própria camisa. “Eu vou me esforçar mais também, eu prometo. Isso não vai acontecer de novo.”

Eli e Joker sorriem, abraçando Arya, antes de ajudarem ela a volta para o local do piquenique. Arya se deitando sobre a toalha, tentando se acalmar depois de tudo que aconteceu.

“Você tá machucada? A gente precisa ver isso, não podemos arriscar algo grave acontecer. Qualquer coisa a gente vai no hospital inventando alguma desculpa.” Eli pergunta, procurando por machucados em Arya.

“Tá tudo bem, ferimentos no estado de transformação desaparecem quando sai dela, mas em compensação o cansaço e tudo mais sobre você é bem maior. No máximo vai ficar cansada e dolorida por uns dias.” Joker explica, oferecendo a garrafa térmica de suco para a garota beber. “Bom, a não ser que seja algo muito grave, perder um membro por exemplo não pode ser revertido sem consequências... Uuuh, independente, toma uma bebida gelada pra refrescar.” Ele termina, tentando mudar de assunto.

“Não... Refri, quero refri, me dá o refri.” Arya diz, meio grogue, pegando a garrafa com refrigerante e bebendo metade num gole, antes de cair no sono.

“Deve tá bem cansada mesmo depois de tudo isso, melhor deixar ela dormir um pouco.” Eli comenta, pegando um sanduíche e dando uma mordida generosa. “Até fiquei com mais fome.” A garota adiciona, oferecendo um para Joker Rabbit. “Pelo menos você pode participar do piquenique direito agora.” Ela brinca, tentando aliviar a situação.

“Delícia!” Joker come o sanduíche animadamente. “É divertido. Fazia tempo que eu não fazia algo assim com alguém...” Ele diz, pensativo, como se recordando de tempos passados.

“Você tem família? Sabe, aquele mágico por exemplo?’ Eli pergunta, curiosa, dando um gole em seu suco.

“É... Pode se dizer que sim, meu mestre, Daemon, é bem legal. Apesar de ter 25 anos vivo, eu era um boneco de pelúcia dele desde que ele era pequeno, claro que não tenho muitas lembranças daquela época, mas as poucas são boas.” Joker comenta, sorrindo alegremente. “Ele fazia seus shows para nossa plateia de pelúcia desde sempre, cada um de nós cinco. Ver ele virando um mágico real e grandioso foi incrível!”

“É tão estranho, digo, demônios e tudo mais, normalmente penso em algum monstrão de um jogo. Não parece muito isso pelo que você fala.” A garota comenta.

“Os demônios verdadeiros são só a espécie que vive no submundo sob as ordens do deus da morte. Apesar de tudo eles não são tão diferentes de humanos. Apesar das vidas mais longas e outras coisas singulares sobre eles, demônios simplesmente vivem suas vidas como qualquer outro ser, tem cidades, tecnologias e tudo mais, baseadas nas humanas, mas com suas próprias coisas únicas, como magia.” Joker se anima, lembrando de sua terra natal. “Os demônios trabalham principalmente no Paraíso, no Inferno e no Purgatório, cuidando das almas, mantendo a vida após a morte funcionando perfeitamente com o deus da morte os comandando.”

“Pós vida existe? E demônios que cuidam de tudo, incluindo o Paraíso? Caramba, deve ser muito trabalhoso, e provavelmente confuso pras almas chegando.” Eli estava animada, curiosa sobre coisas tão únicas que ela jamais pensou na possibilidade de sequer existir.

“É, não é perfeito, mas funciona. Algumas coisas ruins aconteceram faz tempo, mas tudo mudou algumas décadas atrás. Agora tudo tá bem de novo... Quem sabe vocês não visitam um dia?”

“É, talvez, mas só daqui muitos anos, pode ser? Ainda sou jovem demais pra isso.” Eli ri, acariciando as orelhas de Joker. Ela olha para o céu, vendo os tons alaranjados tomando conta aos poucos. “Vai anoitecer daqui a pouco... Foi um longo dia também.” A garota observa sua amiga que dormia calmamente, roncando baixinho. “É... Você acha que a Seira realmente é nossa inimiga?”

Joker olha para Eli, pensativo. “Sinceramente, eu não sei... Apesar de tudo, ela é uma criança igual vocês. A verdadeira ameaça é a mãe dela, aquela mulher já se perdeu num caminho perigoso.” Ele responde sinceramente. “A questão é se a Seira vai escolher o mesmo caminho. Só que, para uma mãe com um coração de gelo com a dela, a Seira é... Gentil demais, pelo próprio bem.”

HORAS DEPOIS

LOCAL DESCONHECIDO

A garota para em frente a porta, suas mãos tremendo levemente, segurando um pequeno recipiente em suas mãos, o cansaço e a dor da batalha ainda tomando conta de seu corpo. Assim que ela bate na porta, o familiar “entre” a faz gelar, antes de finalmente empurrar a porta e entrar, caminhando até estar em frente à mesa coberta de livros antigos.

A cadeira estava virada de costas para a garota, a mulher cantarolando uma canção familiar, enquanto observava os raios finais do pôr do sol. Antes que Seira pudesse fazer qualquer coisa adicional, o cantarolar parou, a fazendo paralisar de medo.

“Então... Você falhou, não é?” A voz da mulher carregava o ar familiar de superioridade, junto de uma falsa suavidade, fingindo uma doçura inexistente. “Eu te dei uma tarefa tão simples, até confiei um poder gigantesco em suas mãos... E mesmo assim, você conseguiu perder para uma pirralha imbecil, e a amiga mimada dela.” Seira olhava para o chão, envergonhada, com medo, e principalmente, triste por decepcionar a pessoa a sua frente. “Você é uma vergonha, seu pai ficaria decepcionado com você.” A frieza na frase e no tom da mulher deu um frio na espinha de Seira, sua mão indo instintivamente para o pingente em seu bolso. “Se você falhar novamente, eu não vou ser tão gentil, entendido Seira? Agora saia.”

Seira apenas concordou com a cabeça, segurando as lágrimas que ameaçavam escapar, colocando o recipiente em sua mão sobre a mesa, antes de sair da sala apressadamente. Deixado sobre a mesa, apenas um pequeno pote com mousse de morango e uma colher.