As três garotas estavam no local de sempre, na clareira do parque, treinando suas habilidades. Mais especificamente, testando a nova habilidade de Arya.

Eli lançava raios de luz, o qual Arya desviava com sua adaga, antes de contra-atacar com suas adagas de sombras, que Eli destruiu com seus raios. Então, Seira avançou contra Arya, tentando a atacar, quando Arya se desfez em sombras, reaparecendo alguns metros atrás de Seira.

“Isso é tão estranho, não faz sentido! Eu não lembro de alguma das cartas poder fazer isso.” Joker comenta, olhando o treinamento das garotas confuso. “Ei, Arya, deixa eu ver a sua carta!”

A garota concorda com a cabeça, se agachando e entregando seu Ás de Espadas para o coelho. Joker a pegou em suas patas, sussurrando algumas palavras em uma língua desconhecida, então, surpreendentemente, o Ás se dividiu, revelando o Dois de Espadas.

Arya arregalou os olhos. “Eu pensei que você não podia separar a carta depois dela ser absorvida.”

“Não posso mesmo, só meu mestre pode. Eu só separei as cartas, mas elas continuam conectadas.” Ele explica, mostrando uma linha de trevas conectando ambas as cartas. “Eu queria ver isso em específico...” Joker adiciona, segurando a carta Dois. A carta estava diferente, não só possuía seu brilho prismático e aura sombria, mas havia mudado de cor, estando em uma cor preta com os símbolos em roxo. “A carta mudou, eu nunca vi isso antes.”

Eli se agacha perto do coelho também, encarando a carta curiosamente. “Isso é estranho, as cartas de número Dois tem poder de aumentar a agilidade e percepção e só, não é?” A garota pega seu celular, abrindo o arquivo que havia criado com as informações que possuía das cartas. “Dois são agilidade e percepção. Seis é força e resistência. Enquanto as de Dez fortalecem isso tudo.”

“É, é o que eu pensava também, mas...” Joker analisa a carta com curiosidade, seus olhos multicoloridos brilhando misteriosamente. “Parece que a carta... Evoluiu.” Seus olhos se estreitam, como se lesse algo na carta. “Investida...”

“Investida Obscura.” Arya conclui. “Foi o que veio na minha mente antes de usar aquele dash durante o jogo. É estranho, mas quando eu tive aquele choque de poder contra o Steven, é como se alguma coisa tivesse despertado em mim.”

O coelho a olha confuso, antes de novamente para a carta. “Eu não sei o que é isso, ou o porquê, nem se isso pode afetar todas ou só essas. Eu pensei que sabia tudo sobre as cartas do meu mestre, mas agora eu não faço ideia.”

Eli puxa a própria carta, a oferecendo para Joker. “Vê se a minha aconteceu o mesmo, talvez faça mais sentido.”

Joker concorda com a cabeça, unindo as cartas de Arya de volta no Ás, a entregando para a garota, antes de pegar o Ás de Ouros de Eli e repetir o processo anterior, as separando no Ás e Dois, as cartas unidas por um fio de luz. Os olhos do coelho se arregalam ao perceber que a carta Dois de Eli também estava diferente, prateada com os símbolos brilhando em dourado.

“Portais de Espelho...” O coelho inclina sua cabeça confuso. “Eu pensei que os espelhos tinham esse poder naturalmente?” Ele pensa por um tempo. “Na verdade, eu nunca vi o poder das cartas separadamente antes... Elas estavam fundidas em um único naipe antes disso tudo acontecer.”

“Então talvez as cartas tenham mais habilidades do que você pensa?” Eli pergunta, enquanto adicionava as novas informações em seu arquivo sobre as cartas. “Isso pode ser um problema. Saber os usos de todas era uma boa vantagem, mas se elas podem ter mais habilidades por trás do que o esperado, a gente não tem como se preparar tanto quanto eu gostaria.”

“Talvez essas evoluções pelo menos tenham algo relacionado com o poder original? Poder dar esse dash sombrio combina com o poder de agilidade. Acho que dá pra considerar o mesmo pros seus portais também?” Arya sugere.

“É possível, mas não dá pra considerar como regra enquanto a gente não ver como as outras cartas vão reagir.” Elloise suspira. “Acho que a gente vai ter que conversar com o Steven e ver se a carta dele passou por alguma mudança também.” Ela sugere, claramente não gostando da ideia.

“A gente tem o treinamento amanhã, além da viagem pra cidade de Rose pra cerimônia de abertura do Torneio das Flores nesse fim de semana. Acho que vai ter tempo o suficiente pra perguntar pra ele.” Arya lembra.

“Essa semana vai ser corrida... O primeiro jogo vai ser na semana que vem ainda.” Eli adiciona, já parecendo cansada com toda a situação.

“Pelo menos vamos estar livres da escola por causa dos jogos.” Arya comenta, animada.

“A gente tem menos pressão na escola, mas ainda tem lições importantes pra fazer, Arya.” Elloise lembra.

“Valeu por tirar minha felicidade.” Arya rola os olhos, frustrada.

A gente vai viajar, que divertido.” Seira pensa, pensando em como a cerimônia de abertura seria. “Participar de algo tão grande é emocionante... Um pouco intenso... Pra falar a verdade muitas pessoas vão estar vendo... E se eu tropeçar ou algo assim e passar vergonha?” A garota imediatamente começou a suar, pensando mais do que deveria nas possibilidades do que poderia dar de errado.

“É melhor a gente ir pra casa e descansar, o treino e a viagem vão ser cansativos o suficiente.” Eli comenta, se levantando e esticando. “Eu tô cansada, treinar pro time e treinar a resistência em manter a transformação é complicado demais.”

“Eu vou tentar estudar as cartas que a gente tem e ver se elas podem ter algo a mais que eu não sei.” Joker diz, unindo as cartas de Eli e a entregando novamente para a garota.

“Eu vou farmar no meu jogo pro banner novo que vai chegar!” Arya fala animada.

“Vê se não vai ficar até tarde fazendo isso de novo e descansa, sua tapada.” Eli relembra, séria. “Sua gadisse não pode atrapalhar a gente.”

“Tá bom, tá bom... Que coisa.” Arya suspira, frustrada. “Vou tentar.”

Se um monte de animal fugir de um zoológico e invadir a cerimônia? E se aparecer uma borboleta gigante? Socorro.” Seira continuava a pensar nas possibilidades de desastres, tremendo, quando Arya sacudiu ela.

“Ei, Seira, cê tá bem? É hora de ir pra casa. Se cuida em?” A garota diz.

Casa? Casa...” Seira concorda com a cabeça, se acalmando aos poucos.

Finalmente as três garotas pegam suas coisas, antes de se despedirem e seguirem seus caminhos para suas respectivas casas.

DIA SEGUINTE

COLÉGIO DE DAHLIA

As garotas seguiram até o campo de futebol da escola após as aulas para seu treino. Boa parte do time já estava ali, os escolhidos para formar o time principal que representaria o Colégio no Torneio das Flores. Alguns conhecidos como Adam e Veronica, que estavam no próprio canto conversando enquanto o treino não começava, além de outros como Amanda e Vince. Monica como sempre já estava se aquecendo, sempre a mais dedicada do time inteiro, não à toa sendo escolhida pela maioria como a capitã do time, para a frustração de Steven. Mas, para a infelicidade de Elloise, Steven também já estava no campo, também se aquecendo.

Eli suspirou, antes de se aproximar com Arya e Seira, mas para sua surpresa, Steven não estava com sua expressão confiante de sempre, parecendo mais preocupado e pensativo que qualquer outra coisa. Assim que ele as viu, sua expressão se tornou uma de alívio, imediatamente as puxando para um local mais afastado para conversar.

“Ei, o que aconteceu? É a primeira vez que você não tá agindo como o babaca irritante de sempre.” Eli questiona, arqueando uma sobrancelha.

“Olha, eu sei tá? É só que, tipo...” Ele olha ao redor antes de sussurrar para o trio. “Tem algo estranho acontecendo comigo desde o jogo de antes.”

“Com você também?” Arya pergunta, surpresa. “Aconteceu o mesmo, uma das minhas cartas simplesmente mudou e me deu aquele poder louco de dash que usei antes.”

Steven concorda com a cabeça, aliviado, olhando ao redor novamente antes de levantar a camisa levemente. “Isso começou a acontecer depois daquele chute da Arya, e piorou depois da gente competir pela bola.” Olhando para sua barriga, dava para se ver como se trevas estivessem formando ao redor, como uma espécie de segunda pele ou armadura antes de se dissipar.

“Isso definitivamente é pela carta, mas que tipo de poder é? Você tentou usar?” Eli pergunta, pensativa.

“Usar? Como? Eu nunca precisei usar minha carta antes. Ela só me deixa mais forte e nada mais.” Steven estava claramente confuso e talvez até um pouco assustado com a situação. “Isso é só estranho demais, eu não sei como controlar.”

“As minhas lâminas de sombras foi algo meio natural pra mim, só veio na mente e foi. O mesmo com a Investida Obscura, só veio na cabeça e usei instintivamente.” Arya comenta, pensando em todas as vezes que usou suas habilidades. “Talvez você só precise tentar visualizar ou algo assim, talvez algo apareça na sua mente quando precisar.”

“Eu tô tentando, mas fica difícil quando eu não sei o que eu sequer deveria estar visualizando.” O jovem explica, suspirando frustrado. “Pensei em uma arma, algum ataque mágico, até uma armadura, mas nada parece funcionar.”

Eli pensa por uns segundos, antes de falar. “Parando para pensar, eu conseguir usar meus portais facilmente porque o Joker disse o que devia fazer. Mesmo que não fosse pelo motivo que ele esperava, eu consegui usar porque sabia que era o que eu deveria fazer.” Ela então olha para Arya. “Mesmo que você não soubesse o que era esse poder, você precisava de uma forma de avançar, então talvez por isso conseguiu usar. Meio que você ‘desbloqueou’ a habilidade ao precisar usar ela.”

“Então eu só preciso saber o porquê da minha habilidade ter sido ativada pra aprender como usar ela?” Steven passa a mão na própria barriga, lembrando a dor da bola chutada por Arya. “Eu tomei uma bolada, o que é então? Preciso ficar apanhando pra descobrir agora? Porque se for eu tô fora, uma bolada da Arya foi o suficiente pra mim.”

Seira imediatamente concorda com a cabeça, tremendo levemente ao lembrar das dezenas de chutes da garota que teve que defender nos últimos dias. “Meus braços doem só de lembrar...” Ela pensa, esfregando seus braços. “Parando pra pensar, o poder dele foi ativado quando ele teve que parar a Arya, será que a habilidade não é uma de escudo? Faria sentido até com a necessidade de força e resistência da carta...” Seira tenta pegar o celular, até perceber que estava usando o uniforme de goleira, seu celular estando no armário do vestiário. “Espera, eu perdi meu celular? Cadê? Onde ele tá? Ah, espera, eu não tô com ele, é verdade. Eu vou ter que lembrar de dizer minha sugestão depois...” A garota pensa, fazendo uma anotação mental. Não que adiantaria de qualquer forma, já que Seira provavelmente esqueceria, o que não era nenhuma novidade para ela.

“A gente pensa melhor nisso depois, por enquanto melhor voltar pro treinamento antes que a treinadora chegue.” Arya sugere. Apesar de tudo, a garota estava cada vez mais animada com a ideia do time de futebol, além de ter medo o suficiente de Ekaterina para não abusar da sorte.

De novo não, meus braços vão cair assim.” Seira choraminga, arrastando os pés até o gol, com medo da sessão de tort- treinamento com Arya e Steven chutando contra ela. “Alguém me salva...

SÁBADO

CIDADE DE ROSE

Tanto o time de futebol, quanto o time de vôlei, assim como outros, estavam no mesmo ônibus, conversando, relaxando ou observando a paisagem. A cidade de Rose era o centro de New Kingdom, grandiosa e bela, com uma perfeita mistura entre urbano com natureza. Apesar de Dahlia por si só ser uma das cidades mais ricas e seguras do país, Rose estava em um nível completamente diferente.

A própria entrada da cidade, repleta de campos de rosas de todas as cores possíveis era uma visão deslumbrante, então sua arquitetura urbana moderna, mas com grama e árvores por toda parte, parques vastos e verdes, com as sombras dos edifícios gigantescos no centro da cidade demonstrando a riqueza local. Na distância, se podia ver um dos maiores orgulhos da cidade e do país, o prédio da Whirl Corp., a maior empresa de tecnologia do mundo e uma das razões dos avanços constantes do país.

“A minha mãe é a CEO em uma das empresas sob o comando deles.” Elloise comenta para Arya, observando o prédio antes que ele desaparecesse no horizonte quando o ônibus fez uma curva. Seu destino principal era o enorme estádio multiesportivo da cidade de Rose.

“Sabia que sua mãe era importante, mas caramba.” Arya responde, olhando os prédios e a natureza de Rose animada. “Esse lugar é mais incrível ainda que Dahlia, nem tô acreditando. Como será o estádio? Como era o nome mesmo?”

Minha mãe é dona da empresa de segurança privada principal de Dahlia... Eu devia dizer isso pra elas não devia? Isso é importante? Espera, tinha alguma outra coisa que eu devia lembrar?” Antes de Seira se decidir, o ônibus finalmente chegou em seu destino, estacionando logo a frente do estádio. “Esse é o estádio? É tão grande, que incrível!” E novamente Seira havia se esquecido de contar o que estava pensando.

Jacob se levantou, tendo a liderança dos estudantes no momento. “Tudo bem, pessoal, eu sei que todo mundo deve tá bem animado e tal, mas calma um pouco, beleza? Me sigam, nada de se afastar do grupo, a não ser que queiram se meter em problemas com a Ekaterina ou a Rachel.” Ele brinca, apontando para Ekaterina e Rachel, a treinadora do time de vôlei, as duas mulheres apenas rolando os olhos com a casualidade do homem.

Aos poucos, todos os estudantes saíram, do time de futebol, para o time de vôlei, além dos representantes de outros esportes como atletismo e natação, todos estavam ali para a cerimônia de abertura do Torneio das Flores. Eles podiam ver múltiplos ônibus de outras escolas espalhados pelo estacionamento, alguns chegando ao mesmo tempo, enquanto outros claramente estavam já faz um tempo, provavelmente seus representantes já deviam estar dentro do local.

Jacob assumiu a liderança, guiando os estudantes em direção ao gigantesco estádio, os outros professores e treinadores do Colégio de Dahlia rodeando o grupo para que ninguém se separasse.

“Sejam todos bem-vindos ao Estádio Blue Rose, o maior estádio multiesportivo de New Kingdom! É melhor aproveitar, porque vocês não vão voltar aqui até as finais do Torneio.” Jacob anuncia, o grupo, principalmente os novatos que viam tudo pela primeira vez, observavam a estrutura com brilho nos olhos.

O local era massivo, não só possuindo todos os tipos de instalações para uma vasta quantidade de esportes, mas até mesmo uma área especialmente para acomodar os membros de times que fossem utilizar o local. Sem contar as múltiplas praças de alimentação com dezenas de opções para o público. O Estádio Blue Rose era uma instalação surpreendente que deixava qualquer um de boca aberta.

“Eu sei, eu sei, vocês querem explorar o lugar e tudo mais, mas primeiro temos que ir até as áreas de dormitório.” Jacob acena a mão, os apressando para seguirem para a parte privada do estádio.

O local era fortemente protegido com múltiplos seguranças por todo lado. Na entrada da área de dormitórios, cada um deles recebeu um tipo de pulseira com pequenas telas. Os adultos responsáveis recebendo pulseiras prateadas, enquanto os estudantes recebiam pulseiras pretas.

“Prestem atenção todos! Enquanto estivermos aqui, todos tem que manter essas pulseiras com vocês o tempo todo.” Jacob explica, levantando o braço, mostrando a própria. “Vocês precisam entrar nessa opção e usar seu código único de estudante para logar. As pulseiras servem não só como rastreador como segurança no caso de algo acontecer, mas também podem ser usadas como identificador em quase todas as instalações do estádio.” O homem continua, enquanto os outros responsáveis ajudavam os alunos novos. “Assim vocês podem explorar o local com segurança, ir para qualquer instalação esportiva livremente... E também podem comprar o que quiser nas praças de alimentação, tudo pago, então não se preocupem, podem aproveitar! Só não exagerem, é óbvio, a última coisa que eu quero é lidar com alunos doentes.” Jacob termina, os estudantes comemorando imediatamente.

“Quanta segurança...” Arya murmura, colocando seu código na tela da pulseira. Ao logar, imediatamente seu nome, idade, aniversário, cidade e escola aparecem na tela, junto da foto que havia tirado alguns anos atrás para sua identificação de estudante, que digamos, não era uma das melhores. “Sinceramente... Eu quero poder tirar a nova foto logo ano que vem e não precisar ver essa atrocidade de novo.”

“Tá melhor que eu... A minha nem se fala.” Eli responde, mostrando a própria pulseira, que também havia uma foto nem um pouco generosa dela. “E você Seira?”

Seira olhava para a própria pulseira, pensativa, enquanto tentava lembrar o resto do seu código de estudante. “Era 7...? Ou 1? Espera, era 8!” A garota finalmente loga, mostrando a própria foto, que diferente das duas estava perfeita.

“Consegue ser fofa até na foto de estudante, é incrível...” Arya sussurra para si mesma. “Você faz aniversário 12 de junho? Tá bem perto até.”

Seira concorda com a cabeça, animada. “Tomara que a mamãe tenha tempo pra comemorar comigo dessa vez...” Ela pensa, entristecida.

“O meu vai demorar ainda, só 16 de setembro.” Eli adiciona, mostrando o próprio bracelete e as informações, incluindo seu aniversário.

“O meu é literalmente no final do ano ainda.” Arya reclama, cruzando os braços e fazendo bico. “24 de dezembro só pra piorar.”

“Fala como se realmente fosse tão ruim assim, algumas pessoas esquecem? Sim. Só que sua família sempre te dá dois presentes, sem falar do bolo de aniversário durante a ceia.” Eli lembra.

“É, tem razão... Mesmo assim, é chato as vezes. É pedir muito ter exclusividade?” Arya dá de ombros.

“Vocês podem ir pros seus quartos, deixar suas coisas e passear pelo estádio, só lembrem que todos precisam voltar e se preparar para a cerimônia de abertura que vai acontecer no fim da tarde, nem pensem em se atrasar!” Jacob adiciona, antes de deixarem os estudantes livres.

“A gente devia comprar um monte de comida e fazer uma festa de pijama no nosso quarto.” Arya sugere, animada.

“Hmm... Arya, Seira, Amanda e eu estamos no mesmo quarto. Realmente, se todo mundo quiser dá pra fazer isso, acho que seria divertido.” Eli concorda, mexendo na tela da pulseira. “Pelo que tá escrito aqui, a cerimônia de abertura acaba perto das nove da noite. Depois disso a gente pode pegar o que precisar e relaxar, ainda mais que a gente vai voltar pra casa amanhã mesmo.”

“Cadê a Amanda? Amanda!” Arya correu até a garota, a puxando pelo braço. “Vem, vambora pro nosso quarto e planejar uma festa do pijama!”

“Espera, o quê? Ei, eu nunca fiz algo assim!” Amanda tenta resistir, mas Arya já estava puxando Seira e ela pelo braço.

Elloise apenas riu, antes de seguir elas.

HORAS DEPOIS

Arya estava ansiosa, vestida com seu uniforme de futebol, preparada para a cerimônia de abertura. Ela não tinha certeza como funcionaria, apenas em focar em seguir as instruções da treinadora o tempo o todo. Apesar de estar animada com tudo aquilo, após ver a escala do evento, especialmente ocorrendo em um estádio gigantesco como aquele, com milhares de pessoas na audiência, o nervosismo que sentia apenas aumentava.

“Ei, Arya! É pra gente ir logo, tá tudo bem aí?” Eli pergunta, já usando seu próprio uniforme de futebol.

“Eu só tô meio nervosa... Quanto mais eu penso nisso tudo, mais insano parece. Eu sabia que o Torneio das Flores era algo grande, mas isso tudo é loucura.” Arya responde, antes de respirar profundamente.

“Fala isso porque não viu a coitada da Seira ainda.” Elloise diz, apontando para Seira, já vestida em seu uniforme de goleira. A garota estava sentada na cama, tremendo, parecia estar à beira de um ataque de pânico. “Acho que talvez isso seja demais pra ela. Eu tentei acalmar ela, mas não consegui.”

Arya pensa um pouco, antes de ir até o frigobar do quarto delas, pegando uma caixa de chocolate que havia comprado mais cedo, então ela se senta ao lado de Seira, abrindo a caixa.

“Ei, eu comprei isso aqui pra gente, quer um?” Arya oferece, sorrindo para Seira.

Seira olha para Arya, então para os chocolates, seus olhos brilhando ao ver os doces. A garota imediatamente começa a comer os chocolates sem pensar duas vezes.

Arya ri levemente, antes de colocar uma mão no ombro de Seira. “Ei, a gente tá junta nessa. Eu sei que você tá nervosa, pra falar a verdade eu também tô... Só que a gente tem umas às outras nessa, não importa o que aconteça.”

Seira olha para Arya, corando levemente e sorrindo, antes de concordar com a cabeça e respirar fundo. “Sim, eu não tô mais sozinha... Eu tenho minhas amigas comigo.” Ela se levanta, colocando um último chocolate na boca, parecendo bem mais calma, e talvez até mais animada.

“Elas são muito fofinhas juntas.” Amanda sussurra para Eli, que concorda com a cabeça. “Só falta pararem de enrolar.”

Os braceletes das garotas logo começaram a apitar simultaneamente, era um alarme de chamado para todos se reunirem o mais rápido possível. As quatro se entreolharam, antes de finalmente saírem de seu quarto e partirem em encontro com os outros para o início da cerimônia.

Os sons de celebração ecoavam pelos corredores do estádio, enquanto o grupo seguia para o campo. A cerimônia se consistia na demonstração de todas as equipes representantes das dezenas de escolas participantes no torneio, um esporte por vez. Futebol sendo o principal esporte de New Kingdom, seria o primeiro, o que só deixava as garotas mais nervosas, por terem a maior parte da atenção inicial.

Pelo que Jacob havia explicado, o início teria um discurso do Primeiro-Ministro de New Kingdom, seguido de um do representante da escola com mais vitórias no ano anterior. Após todas as modalidades e suas equipes representantes serem mostradas para o público, haveria uma partida de futebol entre o primeiro e o segundo colocado do ano anterior. E finalmente, após isso, o evento terminaria com o representante da realeza de New Kingdom lançando a chuva de fogos de artifício que celebraria o início do evento por mais um ano.

Arya estava junto de seu time, parados no corredor, esperando pela deixa para a entrada, com Ekaterina e Jacob na liderança, Monica e Steven à frente do time que estava separado em duas filas, com 16 membros no total, incluindo os reservas. Para sua sorte, Seira estava logo ao seu lado, claramente nervosa, mas a proximidade com Arya a deixava mais calma.

Eles não eram os únicos, os times de outras escolas estavam organizados pelo largo corredor, pela menos parte deles. Arya só podia supor que os outros times estavam nas outras entradas do estádio. Finalmente, os sons do estádio pareceram se acalmar, antes de uma voz ecoar pelos altos falantes.

“Sejam todos bem-vindos, cidadãos de New Kingdom!” A voz soava familiar para Arya, era de Cress Belrose, o Primeiro-Ministro de New Kingdom, fazendo seu discurso, que Arya mal chegou a prestar atenção. Seu nervosismo estava ocupando mais espaço em sua mente naquele instante. “Com isso, eu estou feliz em anunciar o início do Torneio das Flores!” Aquela frase fez Arya voltar para a realidade, respirando profundamente.

“Mantenha a calma, não tem nada demais a partir daqui. Só nos siga e vai ficar tudo bem.” Monica diz calmamente, a jovem mantinha uma determinação sem igual, a qual Arya admirava. “Todos estamos juntos nessa, é o que esse torneio é sobre afinal.”

Arya concorda com a cabeça, olhando para trás, vendo seus companheiros de time, além de suas amigas Eli e Amanda, então ao redor e as outras equipes. Apesar de serem todos rivais, todos pareciam sentir o mesmo que ela, um senso de unidade que acalmava a garota, no final, eles ainda eram partes de um todo que os conectava, não importava as diferenças. Por fim, ela olhou para Seira, que parecia bem nervosa, sem pensar, Arya tomou a mão de Seira, sorrindo para ela em simpatia. A garota a olhou de volta, corada, mas sorrindo, segurando a mão de Arya com mais força.

Finalmente, um a um, os times começaram a adentrar o campo, em pouco tempo, era a vez do time de Arya. Ela pode ouvir o locutor chamando os nomes de cada time, até finalmente o nome “Purple Dahlia” ser chamado. Ainda de mãos dadas com Seira, Arya e os outros seguiram a liderança de Ekaterina e Jacob.

A luz do fim de tarde e dos holofotes do estádio eram cegantes, enquanto ela entrava em campo. O local realmente era gigantesco, da pista de atletismo até o grande campo de futebol, enquanto eles assumiam sua posição. Os times mantinham certa distância uns dos outros, as dezenas de grupos circundando o campo de futebol até cada um estar em posição.

Olhando ao redor, Arya via a grande quantidade de times e estudantes participando naquele evento, então as arquibancadas e as milhares de pessoas que estavam ali apenas pela cerimônia de abertura do torneio. Ela pode sentir o aperto da mão de Seira aumentar, a garota olhando ao redor para a multidão cheia de nervosismo.

Arya preferiu focar nos outros times, vendo como cada um parecia se comportar. Um em específico chamou sua atenção, ela não sabia de qual escola eram pela distância e por estarem de lado para ela, fazendo parte dos que vieram pela mesma entrada. Para ser mais específico, um membro do time chamou a atenção de Arya.

Parecia ser uma garota um pouco mais velha, provavelmente 16 anos. Ela era branca, e mais alta do que o esperado para a idade. Seus cabelos eram de um azul claro, lisos e presos em um rabo de cavalo, com seus olhos sendo dourados. O pouco que Arya pode ver era que ela era a camisa 11 do time, mantinha uma expressão séria, quase carrancuda, braços cruzados e parecia olhar para trás constantemente como se preocupada com algo.

Arya não sabia o porquê, mas aquela garota parecia emitir uma estranha aura que a deixava agitada. Ela só percebeu que provavelmente a estava encarando por muito tempo quando a garota encarou Arya de volta, levantando uma sobrancelha como se a desafiasse a fazer algo. Ao invés disso, Arya apenas desviou o olhar, observando os outros times, evitando olhar sequer na direção da garota estranha.

Olhando na direção oposta em que estava, do outro lado do campo de futebol, no lado mais próximo de onde o espaço VIP parecia estar, Arya viu um time que chamava mais atenção que qualquer outro. O que mais chamou sua atenção eram seus uniformes brancos com detalhes vermelhos, e principalmente, o brasão que parecia uma rosa de um vermelho forte. Aquele time por si só parecia ter uma aura sem igual, especialmente a capitã, que apesar de carregar uma expressão despreocupada e até gentil, emitia uma energia que fez Arya sentir calafrios.

Antes que pudesse tentar identificar algo mais daquele grupo em específico, o estádio voltou a ficar em silêncio, uma nova voz ecoando pelo local. Olhando pela arquibancada, Arya finalmente viu a origem da voz, na área VIP, algumas pessoas que pareciam importantes. Os telões do estádio mostravam a área VIP, permitindo com que Arya pudesse ver mais dos que estavam lá. Além do Primeiro-Ministro Cress Belrose, havia um homem na casa dos 30, com cabelos negros e heterocromia, com um olho sendo negro e outro roxo, sentado ao lado dele outro homem, um pouco mais jovem, com cabelos de um azul forte e uma franja branca cobrindo sua testa, que por algum motivo estava com os olhos fechados e mantinha um sorriso no rosto.

Apesar de tudo, o que realmente chamou a atenção da garota era o homem que agora estava com um microfone em mãos. O homem deveria estar perto dos 40 anos, alto, branco, cabelos de um vermelho escuro, seus olhos negros podiam ser vistos através das lentes de seus óculos. Ele usava um terno vermelho bem cortado, luvas pretas, com sapatos pretos bem lustrados e uma rosa negra no bolso do peito.

Arya sentiu seu coração acelerar imediatamente ao ver o homem, suas mãos suavam e tremiam. Era uma sensação aterrorizante que ela jamais havia sentido antes, nem mesmo quando havia se perdido de sua mãe quando criança, ou após quase incendiar a casa tentando preparar miojo, nem mesmo quando estava nos últimos diamantes no banner do personagem favorito que estava prestes a sair. A sensação que percorreu o corpo dela naquele instante era pior, muito pior, olhar nos olhos daquele homem dava uma sensação de absoluto medo pela própria vida que ela jamais havia sentido antes. Nem mesmo quando Eli quase a matou quando enfrentaram Alexa. Aquilo era algo além de tudo, como se estivesse à frente de um predador, e ela fosse sua presa.

A única coisa que impediu Arya de se virar e correr dali naquele instante foi um aperto gentil da mão de Seira na sua, a tirando de seu transe. Seira nem se importava mais com a multidão, olhando preocupada para Arya, como se entendesse o que ela estivesse sentindo. Arya respirou profundamente, segurando a mão da amiga mais forte, tentando se acalmar.

A voz do homem começa a ecoar pelo local enquanto ele fazia seu discurso. “Cidadãos de New Kingdom, eu agradeço por sua presença e por me terem aqui. Meu nome é Reynard Blacrose, o orgulhoso diretor do Colégio White Rose e um dos fundadores da Universidade Rosemai, um dos maiores orgulhos deste país.” Ele se apresenta, com uma expressão calma e orgulhosa. “Hoje, entretanto, estou presente aqui especialmente para comentar não apenas sobre o orgulho de minha escola, o time de futebol conhecido como ‘Crimson Rose’, agora liderado por ninguém menos que Rachel Delmar, mas também sobre a mudança criada, formando um único time representante para cada escola.”

“É óbvio que esse cara vai ficar falando dessas coisas, ele não consegue resistir em ficar se gabando sobre as conquistas dele.” Steven comenta, revirando os olhos. “Babaca exibido do caralho, é o que ele é.”

“Independentemente do que você acha ou não... Dele. Não é a hora para isso.” Ekaterina repreende, mesmo que ela não parecesse discordar. “Então tome cuidado com o que você diz em voz alta, principalmente neste momento.”

Steven apenas revira os olhos, mas obedecendo. Reynard continuava seu discurso com o mesmo tom orgulhoso.

“Nós acreditamos que a melhor forma de trazer o potencial absoluto de todos os participantes, é unindo apenas os melhores entre os melhores. Este torneio, apesar de ser considerado como uma demonstração de união e colaboração mútua por muitos...” O homem comenta, um sorriso se formando no canto de seus lábios. “Para mim, é a oportunidade perfeita para trazer à tona o que cada um realmente é capaz, revelar o potencial escondido de alguns e, principalmente, levar ao topo aqueles que realmente o merecem.” Reynard ajeita seus óculos antes de continuar. “Afinal, o que nós não desejamos mais do que o melhor do melhor? Apesar de tudo, o que realmente importará no final é seu individualismo e o que você é capaz de trazer para o mundo, independentemente do que você precisa fazer para conquistar sua posição no topo. Aqueles que não estarão dispostos a arriscar tudo... Jamais o conseguirão.”

“Isso parece um pouco extremo...” Eli comenta, séria. “Eu sei que o mundo não é fácil, mas se importar tanto só consigo mesmo, sem ligar em quem você vai passar por cima é meio cruel.” A garota adiciona, imediatamente se lembrando de Alexa e como o desespero por atenção a tornou em um monstro.

Amanda sabia muito bem o que Elloise estava pensando, se lembrando com tristeza da irmã que agora estava em um internato no exterior. Apesar de tudo, Amanda se lembrava de como a irmã e ela se divertiam juntas e se davam bem, mas após Alexa achar aquela carta e conseguir a atenção que desejava, as duas haviam se afastado de formas talvez até mesmo irreversíveis.

“É só um babaca querendo ser o centro das atenções.” Steven responde, cruzando os braços e revirando os olhos.

“Engraçado, me lembra alguém.” Eli retruca, fazendo o garoto corar de vergonha.

“Não sou perfeito também, mas até eu sei confiar nos meus colegas de time, beleza?” Steve responde, antes de olhar para Seira e Arya pensativo. “Sabe, eu tive uma ideia... Só pra mostrar que esse papinho dele é baboseira.” Ele diz, antes de olhar para Monica, que pareceu entender o que ele quis dizer.

“Talvez não seja uma boa ideia arrumar briga com eles, mas... Até eu tenho limites, e esses discursos dele já me cansaram também.” Monica comenta, antes de concordar com a cabeça e segurar a mão de Steven.

Então, começando a entender o que estavam fazendo, Eli e Amanda se entreolharam e fizeram o mesmo, assim como Veronica e Adam, até que todos os membros do time estavam de mãos dadas com os membros ao lado. Sem pensar duas vezes, todos levantaram as mãos conectadas, chamando a atenção dos outros times ao redor.

Aquilo imediatamente chamou a atenção de Reynard, que imediatamente interrompeu seu discurso pela surpresa, sua expressão mudando momentaneamente, seus olhos negros brilhando com um tom de raiva. Talvez pela audácia? O simples ato de óbvio desafio contra seus princípios? Independentemente do que fosse, o que ocorreu a seguir fez seu sangue ferver.

Os times ao redor começaram a fazer o mesmo, dezenas de times, centenas de estudantes, unindo suas mãos com seu par e as erguendo em uma demonstração de união. Até mesmo a garota estranha que Arya havia visto antes o estava fazendo, com uma expressão de desafio, como se achasse divertido a reação do homem com aquilo tudo. Poucos times não participavam daquilo, como o “Crimson Rose”, provavelmente em respeito ao seu diretor.

“Pelo jeito tem bem mais gente de saco cheio daquele cara do que a gente pensava...” Jacob comenta, rindo levemente, se divertindo com tudo aquilo. “Adolescentes sabem ser irritantes quando querem, não acha?”

Ekaterina apenas suspirou, cruzando os braços, mas não pode evitar um sorriso se formar no canto da boca. “É, eu suponho...”

Arya pode ver como até mesmo alguns dos VIPs pareciam estar se divertindo com a situação, como o homem de olhos heterocromáticos, em quem a garota de antes parecia estar prestando mais atenção do que o resto.

Apesar da situação, Reynard conseguiu se recompor e continuar seu discurso, mas Arya conseguia ver como seu olhar parecia estar focado neles em específico, com uma intensidade ameaçadora. Só que dessa vez, ela se sentia menos assustada do que antes, vendo como seus colegas estavam ao seu lado.

Arya não sabia o que esse torneio guardava, ou o que aconteceriam nos próprios meses em sua busca pelas cartas, mas naquele momento pelo menos, ela sabia que nunca estaria sozinha...