O Baralho do Mágico Demônio
6 Com o Calor Gentil desse Ás em minha Mão...
MINUTOS ANTES
Seira estava na arquibancada no campo de futebol, olhando as formações de nuvens, pensativa. Ela não era do tipo de matar aula, mas a garota não tinha a coragem para entrar naquela sala de aula e encarar suas antigas amigas novamente, a dúvida e confusão preenchendo seus pensamentos.
“Papai... O que eu deveria fazer?“ Seira pergunta a si mesma, segurando seu pingente com força, abrindo o fecho, ela revela a pequena foto guardada dentro. Uma Seira criança, junto de seus pais, todos pareciam tão felizes, sorrindo, Seira claramente ria no momento da foto, seus pais a abraçando gentilmente. “Papai, o que você faria?” Algumas lágrimas deslizavam por suas bochechas, seu coração apertado. “Eu quero deixar a mamãe orgulhosa, fazer ela feliz... Eu quero ver ela sorrindo de novo, mas... É tão errado assim querer ter amigas? Será que não tem outro jeito? Será que... Machucar elas é realmente o único jeito de fazer a mamãe feliz?”
Seira abraça as próprias pernas contra seu peito, choramingando sozinha, quando o anúncio ecoa pelos corredores da escola, a voz de Alexa comandando a caça e expulsão de Arya e Eli, fazendo a garota se levantar, surpresa.
“Arya, Eli... Por quê? Quem sequer é essa garota, por que machucar elas?” Seira corre novamente para dentro da escola, procurando pelas duas, se esgueirando por entre os alunos e funcionários furiosos. A preocupação da garota acima de suas dúvidas anteriores, enquanto ela buscava por todo local, quando a voz de Alexa soou pelos autofalantes novamente.
“Refeitório? Eu tenho que ir até lá!” Seira viu Arya em seu uniforme de garota mágica no final de corredor, correndo em direção ao refeitório. “Espera, Arya, eu vou com você!”
A impossibilidade de falar trazia mais frustração para Seira, mesmo que pudesse, provavelmente sequer seria ouvida no meio de todo o caos. Demorou longos minutos até ela conseguir chegar ao refeitório, se espremendo para tentar conseguir chegar as origens dos sons de luta.
“Esses barulhos, o que tá acontecendo? Por que a Eli tá falando assim?” Seira finalmente chega em uma mesa, subindo nela para finalmente observar a batalha.
Seus olhos se arregalaram ao ver Eli chorando, seu corpo tremendo enquanto tentava lutar contra o controle de Alexa, Arya fazendo o melhor para se defender e aos alunos, seu corpo coberto de cortes cauterizados.
“ARYA! Por quê? O que eu faço...?” Seira observava tudo com lágrimas nos olhos, preocupada com as duas garotas e hesitante sobre suas próprias ações. “Se... Se elas só perderem, eu posso pegar as cartas sem machucar elas, né? A mamãe ficaria feliz, e...” Suas mãos tremiam, suas pernas dando um passo hesitante à frente inconscientemente. “Talvez... Talvez ainda pudéssemos ser amigas... Talvez... Talvez tudo daria certo... Né...?” Seira deu outro passo hesitante, sem perceber, ela já havia puxado sua carta, a encarando com dúvida.
Seira viu Joker pular e jogar o Dois de Espadas para Arya, a garota ganhando vantagem, o coração de Seira batendo forte com esperança que tudo daria certo, mas então... A ordem para matar Arya... O desespero na voz de Eli enquanto tentava lutar contra o próprio corpo... O espelho pronto para atirar o golpe final.
“Com o calor gentil desse Ás em minha mão...” Era como se tudo estivesse se movendo mais lentamente, seus pensamentos a mil por hora. O corpo de Seira se moveu por conta própria, usando os alunos como plataforma para se mover pelo refeitório, se jogando na batalha. “Que o amor sem fim de Copas guie meu coração!”
Seira pousou à frente de Arya, seu escudo levantado, defendendo e absorvendo o golpe mortal. Seu corpo continuou a agir por conta própria, avançando em direção a Eli, defendendo mais e mais ataques, o escudo crescendo, Seira sentindo seu corpo se fortalecendo junto.
“Papai, eu não sei o que você faria...” Seira pula sobre Eli, usando seu ombro de plataforma. “Me desculpa, Eli... Me desculpa, Arya...” A garota pousa sobre a mesa, avançando contra Alexa, que a olhava com absoluta surpresa, sem ter para onde escapar mais. “Me desculpa, mamãe, mas... Mesmo que isso te deixe chateada, eu quero proteger as minhas amigas!” Seira avança com seu escudo à frente, preparada para usá-lo como um aríete. Toda a força e peso de Seira era direcionada diretamente para o escudo, junto de todo o poder absorvido, a habilidade especial de sua arma era ativada, centenas de quilos diretamente contra o oponente. “Escudo do Amor – Heartbreak!”
O poder do golpe tirou completamente o ar dos pulmões de Alexa, mesmo a resistência física por portar uma carta não era o suficiente para protegê-la, enquanto seu corpo era lançado múltiplos metros diretamente dentro de uma cesta de lixo, em meio aos restos de comida de mais cedo.
“Cesta!” Seira comemora, antes de se segurar em frente a todos ao redor, corando de vergonha. “A carta!” A garota rapidamente vai até o cesto de lixo, torcendo o nariz ao ver a situação de Alexa, desmaiada no meio de restos. “Hum... Quem é a porquinha agora? Sua trouxa!”
Seira se lembra de como sua mãe a ensinou a pegar a carta do inimigo derrotado. Primeiro, certeza de que ele foi subjugado de alguma forma! Feito. Então, use sua carta ou arma para chamar a carta inimiga, demonstrando seu próprio poder. A garota aproximou seu escudo do corpo de Alexa, concentrando sua aura, poucos segundos depois, a carta de Quatro de Copas se revelou, flutuando em frente a Seira, que rapidamente a pegou, antes de sair de sua transformação.
“Eu consegui uma carta!” Seira comemorou, antes de voltar sua atenção para as outras garotas, vendo Eli, Arya e Joker se abraçando depois da experiência assustadora. A garota olha para a nova carta em sua mão, decidida, antes de abrir caminho pela multidão confusa e andar até eles. “Pode ficar...” Ela pensa, olhando para o lado, envergonhada demais para olhar para o trio. “Não é como se pudessem ler seu pensamento, para de ser besta, Seira.” A adolescente briga consigo mesma.
“Pode ficar.” Arya diz, Seira a olhando surpresa. “Você merece, e é seu naipe afinal de contas.” Eli adiciona, sorrindo para a garota. “Sinceramente, eu não confio na sua mãe, mas... Se for você que absorver a carta, então tá tudo bem.” Joker termina, antes de cruzar os braços. “Mas só por proteger minhas amigas, se você cometer outro erro, nunca vai ter outra chance!” Ele complementa, com uma expressão séria.
Seira assente com a cabeça, suas bochechas corando ainda mais e lágrimas ameaçando escapar. “Mesmo depois de tudo... Eles... Eles...” A garota limpa as lágrimas na manga de sua roupa, antes de puxar seu Ás de Copas, concentrando seu poder, o Quatro de Copas se transforma em uma aura rosa que é absorvida pelo Ás de Seira. “Eles realmente confiaram em mim... Eu...” Seira guia sua mão para o bolso da jaqueta do uniforme, sentindo o pingente em seu interior e abrindo um sorriso leve. “Papai, eu acho que sei o que fazer agora...”
Suspirando profundamente, Seira decide sair do refeitório, precisando pensar um pouco no que fazer agora, apesar de tudo, suas ações anteriores ainda a envergonhavam demais para que ela pudesse ficar perto de seus amigos no momento.
Arya tentou correr atrás dela, mas foi segurada por Eli, que só negou com a cabeça. “Ela precisa de um tempo, tá tudo bem, a gente vê como ela tá depois.” Ela garante a amiga, Arya assentindo, frustrada, mas entendendo que ela tinha razão.
“Garota desgraçada! Quem... Ela acha que é?” Alexa grunhe, saindo da cesta de lixo com dificuldade, tossindo e dolorida pelo golpe de Seira. “Acabem com ela, destruam ela!” Ela grita, tentando mandar nas pessoas ao redor.
“Quem é essa garota?” Um aluno pergunta para outro. “Não tenho certeza, acho que ela é da minha sala?” Outro sussurra, todos ainda confusos. “O que sequer aconteceu? Por que tá todo mundo aqui afinal?” Mais um pergunta, coçando a cabeça.
“COMO ASSIM? EU MANDO AQUI! ME OBEDEÇAM, SEUS IMBECIS!” Alexa grita, completamente furiosa.
“Não mais, garota. Você não tem mais a carta, sem ela você não vai conseguir manipular ninguém.” Joker explica, cruzando os braços, sorrindo de forma arrogante. “E sem ela, os efeitos da sua manipulação já era. As pessoas vão esquecer tudo que você fez, mas considerando suas atitudes, essa é a pior punição pra você. Ser ninguém.”
Alexa arregalou os olhos, olhando ao redor, assustada, nervosa, irritada. “Não... Não, não, não! Tudo que eu consegui, você não pode!” Ela grita, cerrando seus punhos e avançando contra o coelho. “ME DEVOLVE!”
Apesar da tentativa, Arya facilmente segurava Alexa pela gola da camisa, a garota se debatendo pateticamente sem conseguir se soltar. “Desiste, você já era.” Ela diz, revirando os olhos.
“Senhorita Yong!” Uma voz séria chama, a professora responsável pela classe de Alexa aparecendo do meio da multidão, uma mulher na casa dos 40 que definitivamente já estava de saco cheio da própria profissão. “Recebi relatos de que você estava arrumando briga com alunos, além de se envolver em uma briga com a aluna nova. Para a sala do diretor, imediatamente!” Ela comanda, a puxando para longe pelo braço, apesar dos protestos de Alexa.
“Aluna nova? Ela tá falando da Seira? Será que ela tá com problemas?” Arya questiona, preocupada.
“É sério, aquela aluna nova socou aquela outra, não foi?” Um garoto pergunta. “Acho que não, a de cabelo rosa deu um encontrão naquela garota maluca.” Uma garota mais nova responde. “Por que elas sequer tavam brigando? A garota nova é muda, não é? Que discussão pode sequer acontecer?” Um dos alunos mais velhos dá de ombros. “Não é pra falar assim dos outros, idiota!” Uma garota da mesma idade briga, dando uma cotovelada nele.
“Ela não tava usando máscara como vocês, então as pessoas reconheceram ela...” Joker comenta, sério. “Considerando a confusão do momento e a quebra do efeito da carta, eles não parecem lembrar muito de tudo pelo menos, além da briga em si.”
“Eu tô maluco ou realmente tô vendo um coelho de pelúcia falante?” Um dos alunos pergunta, encarando Joker, o coelho congelando ao perceber como tinha sido descuidado por causa do caos da situação.
“Ele é meu! Um brinquedo novo, moderno pra caramba, último modelo.” Eli diz, abraçando Joker. “Coisa nova que minha mãe trouxe de fora.”
“Você não tá meio velha pra isso n-” Ele tenta continuar, antes de ser interrompido.
“Cuida da sua vida!” Eli diz emburrada, antes de puxar Arya para fora do refeitório. “A gente tem que encontrar a Seira, vamos logo.”
ENQUANTO ISSO
Seira estava sentada a frente do diretor da escola, um homem que provavelmente já deveria ter se aposentado a esse ponto, mas mesmo assim estava tendo que lidar com aquela situação. A garota mantinha a mesma expressão calma e o sorriso gentil de sempre no seu rosto, mesmo que a mesma coisa não pudesse ser dita sobre sua mente.
“Eu não acredito, matar aula e agora ser repreendida por entrar em uma briga, tudo em um dia só.” A garota pensa, nervosa, as possibilidades se empilhando uma atrás da outra, enquanto Alexa sentava na cadeira ao lado, tendo uma crise, inconformada com a situação atual dela.
“COMO ISSO PODE ACONTECER COMIGO? A CULPA NÃO É MINHA SE ESSA MUDA IDIOTA SE METEU NO MEU CAMINHO, E AQUELAS DUAS IMBECIS TAMBÉM! SABE QUEM MEUS PAIS SÃO? EU EXIJO DESCULPAS DELAS OU EU VOU DIZER PROS MEUS PAIS DESTRUÍREM ESSA ESCOLA INTEIRA!” Mais e mais besteiras eram ditas, enquanto ela gritava com o diretor, a obsessão dela por controle e poder ainda preenchendo a cabeça mimada da garota.
O diretor respirou profundamente, encarando Alexa com seriedade. “Senhorita Yong, eu já recebi os relatos sobre você ter insultado múltiplos estudantes e funcionários dessa escola, além de ter se envolvido em uma briga com as senhoritas Blackwell e Licht.” Ele relembra, se curvando para a frente, entrelaçando seus dedos. “Eu também recebi informações sobre você ter invadido e utilizado a sala de anúncios e ameaçado as mesmas, sem incluir instâncias sobre insultos preconceituosos, o que é inaceitável.”
Enquanto isso, Seira continuava distraída e preocupada, sequer prestando atenção no que acontecia, sua mente uma torrente de pensamentos.
“O que vai acontecer? Será que vou ser expulsa? A mamãe vai brigar comigo? E a Arya e Eli vão ficar bem?” Seira estava à beira de um colapso também. “Quedrogaeuvouserpresa?Issoécasodepolícia?EuvoupracadeiamaseusoumuitojovempraissonãopodesereuvoupraruavirarpartedeumagangueevivernocrimenuncamaisveramamãeouaAryaouaElimeufuturojáerasocorrooqueeufaço?” A garota não parava de tremer, à beira de lágrimas, suas mãos segurando sua saia com força, imaginando a si mesma coberta de tatuagens, usando uma roupa de prisioneiro listrada igual em desenhos, um cigarro na boca e fazendo coisas horríveis como jogar lixo no chão. “Meusdentesvãoficarpodrespelocigarrominhapelecobertadetatuagensdeganguenãopodesereusoumuitojovemprocrimeeunãosirvopraissosocorroalgumdeusmeajudadessefimhorrivelporfavor!”
“Senhorita Aikou? Senhorita Aikou!” O diretor exclama, já tentando chamar a atenção da garota há pelo menos um minuto. Ela pula em sua cadeira, saindo de seu colapso nervoso e olhando para o diretor como um cachorrinho assustado, seus olhos cheios de lágrimas. “Você está bem, Senhorita Aikou?”
Seira apenas assentiu com a cabeça, mesmo que continuasse com a mesma expressão de cachorrinho assustado, mal conseguindo segurar as lágrimas que caiam. Seu medo e absoluta inocência sobre o mundo criando múltiplos cenários inocentemente horríveis para si mesma.
“Bom, eu... Eu entendo que a senhorita estava defendendo suas amigas dos atos da senhorita Yong, correto?” O homem pergunta, Seira concordando com a cabeça. “Certo, mas violência não é algo aceito aqui, por isso você receberá detenção após a escola pela próxima semana com a professora responsável por sua classe, além de seminários para controlar a si mesma no futuro, entendido?” A garota assente novamente, fungando, tentando limpar as próprias lágrimas. “Você está dispensada, pode se retirar, tenho coisas a discutir com a senhorita Yong ainda.”
Seira sai da sala, tentando se acalmar, limpando suas lágrimas com a manga de sua jaqueta social. Pouco tempo depois, Arya e Eli apareceram, correndo até ela.
“Seira! O que aconteceu? Você não foi expulsa, né?” Arya pergunta primeiro, colocando uma mão sobre o ombro da amiga.
“Claro que não, ela não seria expulsa por causa de algo assim, não seja boba Arya.” Eli responde, colocando uma mão no outro ombro de Seira.
“Eu achei que ia ser presa e viver no crime!” Seira pensa, abraçando as duas enquanto choramingava. “Eu não quero fazer tatuagens, jogar lixo na rua ou ficar nas ruas além do devido. Uma vez a mulher me deu 50 centavos a mais de troco e me senti culpada por uma semana por não ter dito nada!” Ela continuava, esquecendo que as amigas não podiam ouvir o que ela estava dizendo em sua mente.
O rosto de Arya estava todo vermelho, sentindo Seira a abraçando com força. “S-Seira, você tá bem? A punição foi tão ruim assim?” Ela pergunta nervosa, fazendo carinho no cabelo da garota gentilmente, Eli fazia o mesmo, as duas tentando acalmar Seira.
CLICK Arya virou sua cabeça para o final do corredor, ela podia jurar ter visto um vulto as espionando. A garota deu de ombros, focando mais em Seira no momento, deixando o resto para depois.
“Ei, vem comer com a gen-” Antes que Arya pudesse terminar, o sinal toca sinalizando o fim do intervalo. “Tá de sacanagem, já passou uma hora? Eu mal consegui comer por causa daquela piranha!”
Eli suspira, sacudindo a cabeça. “É, mas não tem o que fazer, a gente tem que voltar pra classe agora.” Ela diz, esfregando as costas de Seira. “Você tá bem? Melhor você ir também, antes que se meta em mais problemas.”
Seira concorda com a cabeça, passando no banheiro feminino para lavar o rosto, antes de seguir para a sala de aula com Arya e Eli. Apesar de tudo, as últimas três aulas foram normais, a maior dificuldade sendo para Arya e Eli que estavam com fome e exaustas. Quando o sinal finalmente tocou, elas se apressaram em juntar suas coisas para sair, mas antes que Seira pudesse sair com elas, a professora responsável por elas a parou.
“Nem pense em se levantar ainda, Seira.” A mulher lembra, causando um frio na espinha da garota. “Você vai ficar de detenção essa semana, lembra? Nem pense em conseguir sair pelas próximas duas horas.”
“Detenção? Mas a Seira nem fez nada de errado! Aquela imbecil merecia tomar porrada mesmo.” Arya protesta, querendo defender a amiga.
“Isso não importa, ordens do diretor, vocês podem sair.” A mulher comanda, sem muita paciência, apontando para a porta. “Além do mais, não pense que eu não percebi que você matou aula, mocinha. Eu esperava que você fosse ser uma aluna boa e comportada, mas claramente a influência da Arya não é das melhores. Já não bastava a Elloise, agora você também começando a fazer bagunça assim é inaceitável.”
“Ei!” Arya reclama, cruzando os braços e fazendo beicinho. “Não precisa me insultar também, só por causa de uma... Ou outra... Ou várias ocasiões.” Arya coloca sua bolsa sobre sua mesa, voltando a se sentar. “Eu vou ficar também.”
“Você acha que a detenção é brincadeira? Não é para vocês três ficarem conversando ou fazendo suas gracinhas!” A professora relembra.
“É, eu sei.” Arya vira a cara, emburrada. “Independente, eu meti um murro na cara da vaca da Alexa no começo do intervalo de qualquer forma, além de ser um dos motivos da Seira estar aqui. Então eu tenho que ser punida, né? Vou ficar também.” Ela termina, determinada.
Elloise suspira, antes de se sentar também, pondo sua mochila sobre sua mesa. “É, eu também. A gente tá junta nessa. Qualquer coisa eu saio e dou um socão na cara dela também se precisar, seria bem satisfatório.”
A professora apertou a ponte de seu nariz em frustração, antes de simplesmente desistir. “Tudo bem, mas se vocês começarem a fazer alguma bagunça, vão receber uma punição maior.” Ela adverte, as três garotas concordando com a cabeça.
LOCAL DESCONHECIDO
A mulher observava as múltiplas fotos polaroid, uma atrás da outra, sua expressão normalmente fria demonstrando certos níveis de irritação com cada uma. As fotos demonstrando Seira durante a luta no parque e subsequente fuga, até a garota pulando para salvar Arya e Eli, absorvendo a carta de Quatro de Copas e abraçando as amigas, além de algumas fotos adicionais, tudo que a mulher via era o fracasso contínuo e a crescente amizade que Seira possuía com aquelas que deveriam serem suas inimigas.
“Como ela consegue ser um desapontamento constante na minha vida? Eu criei aquela garota e assim que ela age, me apunhalando pelas costas por algumas pirralhas que acabou de conhecer?” A mulher dá um soco na mesa, a fazendo se partir em dois, livros, papéis e as fotos voando pela sala. “E sinceramente, você precisa realmente tirar fotos de formas tão antiquadas?”
Do outro lado da sala, estava de pé um homem na casa dos trinta e aparência cansada. A pele pálida, cabelos negros oleosos que não deviam ver um pente a semanas, os olhos castanhos e caídos com olheiras profundas. Ele não vestia mais do que uma calça jeans surrada, camiseta de algum filme antigo qualquer e um sobretudo preto que já viu dias melhores, a câmera polaroid pendurada por uma alça ao redor de seu pescoço. Uma aura sombria o rodeava, como se ele se misturasse com as sombras do local.
O homem suspirou, colocando a mão no bolso do sobretudo. “Eu prefiro as coisas na moda antiga, é melhor para mim.” Ele responde, sua voz baixa e rouca. “Com todo o respeito, senhora, mas você me contratou pelos meus serviços e é isso que eu estou fazendo. Se você está satisfeita, o método não importa, críticas não valem nada para mim.”
A mulher franze o cenho, cerrando os punhos. “Cuidado em como fala comigo, sem mim você não seria nada.” Ela rosna, antes de suspirar e se sentar em sua cadeira. “Independente, quero que você continue, qualquer coisa que conseguir delas, principalmente da minha filha ingrata. Agora suma.”
“Com prazer.” Com a ordem, o homem obedece prontamente, se retirando da sala, antes de soltar um suspiro. “Mulher maluca do caralho... Bom, trabalho é trabalho.” Ele murmura para si mesmo, antes de sair daquele local, desaparecendo nas trevas.
Fale com o autor