Notas iniciais
Fiz alguma atualização, corrigindo os erros e adicionando algumas coisinhas. Para Ayzu LK, que sempre me inspirou e me incentivou a escrever e postar as coisas que eu faço. ♥ Olá pessoas! Bem vindos a essa one feita com muito amor e carinho. Espero sinceramente que gostem ^^ Eu não sei quantos de vocês costumam escutar alguma musica enquanto leem, mas eu fiz uma playlist para acompanhar a historia caso alguém aqui seja como eu e goste de "entrar no clima" quando está lendo. A lista ta em ordem com os acontecimentos. Nao sei o tempo que voces leem, mas tem uma música em particular que eu achei que se encaixa perfeitamente com um momento da história. O nome é WE BOUGHT A ZOO by Jónsi e eu decidi colocar entre parenteses o momento onde essa musica aparece para que você possa escutar nesse exato momento da fic. Eu sei que nem todo mundo tem esse habito mas eu realmente escrevi a cena quando escutava essa musica haha Enfim, boa leitura e não deixem de me dizer o que acharam. Miss Geleia Undertale OST: 071 - Undertale ( https://www.youtube.com/watch?v=EBhFHJMVfiI ) Most Emotional Music Ever: "Promise" by Thomas Bergersen ( https://www.youtube.com/watch?v=uuL4omzug_I ) Chasing Dreams - Departures ( https://www.youtube.com/watch?v=OIT56_Y3knQ ) Jónsi - We Bought A Zoo ( https://www.youtube.com/watch?v=pw1ahI_o388 ) OUAT Soundtrack Season 4 Episodes 10 | Snow Queen's Sacrifice + Happy Ending ( https://www.youtube.com/watch?v=82FXtuUNe8E )

Quando tinha quatro anos, ele costumava observar as borboletas no jardim.

Seu cabelo brilhava como fios de ouro, dançando lindamente sob a luz do entardecer.

Meu menino nunca fora uma criança quieta, pelo contrário. Mas estranhamente ali, em meio às flores de vários tamanhos e cores, grama verde e o cantar dos pássaros, ele apenas sentava e observava.

Uma vez, curiosa por tal atitude, perguntei o que tanto prendia a atenção de meu pequeno.

Lembro-me do sorriso que me ofereceu. Seus olhos azuis cintilando, suas bochechas gordinhas coradas pelo toque do sol, ele sussurrou como se contasse um segredo.

“Eles estão cantando”

Admito não ter entendido a princípio.

Então, curiosa e voraz para compartilhar o que ele via, sentei-me próximo a ele e também observei atentamente o que estava a minha volta.

Aproveitando-se de minha posição, meu menino subiu em meu colo.

E por um instante eu ouvi.

Por um instante eu vi.

Os sons e as cores tornando-se um bem diante meus olhos, a mais linda melodia começando a se desenvolver.

A brisa suave dedilhava folhagem das árvores como um harpista experiente. De longe o som dos Furins que permaneciam pendurados na entrada da casa podiam ser ouvidos. Até mesmo os insetos pareciam querer se juntar a orquestra, cada um com um som próprio, alguns mais altos que outros, mas jamais descompassando a belíssima melodia.

E eu vi as borboletas.

Como bailarinas vestidas do mais fino e delicado tecido, elas dançavam uma coreografia que somente elas conheciam. Embaladas pelo vento e pela orquestra natural, elas apresentavam seu show.

Foi deslumbrante.

Senti que poderia ficar horas e horas assistindo aquele lindo bale, entretanto a mão pequena e quente do meu filho me trouxe de volta a realidade.

Seu sorriso, se possível, estava ainda mais radiante.

Lembro-me de sorrir para ele e beijar-lhes a ponta de seu narizinho. O botão enrugado pelo meu toque, seu sorriso não diminuiu nem um milímetro sequer.

E nem a expectativa em seu olhar.

“É lindo” Respondi rindo a pergunta não feita.

Isso pareceu satisfazer meu pequeno. Ele voltou a se recostar em mim e seu calor envolveu meu coração.

Ficamos ali, sobre o toque do vento, o cantar das folhas e o dançar das borboletas até que eu o senti adormecer em meus braços.

Recordo-me que seu peso parecia tão certo em meus braços.

Lembro de desejar, rogar por um instante aos céus, que permanecêssemos naquele invólucro de calma para sempre.Mas eu sabia que eu, como mãe responsável, deveria levar meu filho de lá o quanto antes. O frio chegaria e nós dois poderíamos adquirir um resfriado depois de tudo.

Se soubesse o que os acontecimentos do futuro reservavam, eu teria permanecido ali um pouco mais de tempo. Eu teria orado com mais força.

Eu sempre imaginei que ele estaria predestinado a algo grandioso...

****************

Meu pai, Jiraya, era um homem sonhador e aventureiro. Era tanto um escritor quanto um piloto.

Naruto adorava quando o visitávamos.

Principalmente pelas milhares de histórias que meu pai contava. Muitas das que ele narrava talvez não fossem exatamente apropriadas para ouvidos tão jovens como os de meu filho. Assim, tanto eu como minha mãe, Tsunade, intervínhamos quando a sandice de meu pai atingia níveis preocupantes.

Minha mãe sempre agia mais “bruscamente”, sendo uma mulher de cabeça quente, assim como eu.

Quando visitávamos meus pais, gritos, risos e conversa alta era algo certo de acontecer. Mesmo sabendo da muita péssima influência que meu pai era para meu pequeno, eu não conseguia priva-lo de sua companhia.

Não quando Jiraya atuava tão bem contando-as e eu via nos olhos doces e inocentes do meu filho que muita das aventuras mais galanteadoras de meu pai eram levadas em uma mente que ainda não entendia o que muito daquilo significava. E não se importava, pois elas ainda arrancavam risos como todas as outras.

Eu preferia correr o risco, apenas para ouvir a gargalhada gostosa do meu menino, enquanto ele escutava a atuação de seu avô sobre as aventuras que viveu. Muitas delas mixadas com fatos e coisas vindas diretamente de seus livros, mas não importava. Eu via nos olhinhos azuis céu o quanto Naruto amava tudo aquilo. Principalmente o sentimento ansioso quando ele sabia – mesmo sem entender o total significado das histórias mais adultas – que a empolgação do vô levar-no-ia em um estopim de pânico quando a obaa-chan gritasse da cozinha ou onde quer que estivesse, jogasse alguma coisa no vovó pervertido e o xingasse pela insolência de corromper seu netinho querido. Temendo pelo seu bem estar físico, o vô bobão logo fugiria da mulher zangada em um espetáculo cômico, digno de um programa de comédia.

Meu maior tesouro cairia para trás em uma mar de sinos que era seu riso e choraria de rir, enquanto com a voz entrecortada pela gargalhada diria para avó “pegar o vovô pervertido”. Minha mãe o chamava assim e eu rezava para que meu filho não compartilhasse o apelido com pessoas fora da nossa família, que não conhecessem a peça que era o Sr. Jiraya.

Meu pai era do tipo de homem que não amadureceu totalmente e Naruto e ele adoravam brincar de imaginar. Era a brincadeira favorita dos dois. Minha mãe inclusive mandou fazer um casaco para o neto, algo longo e chamativo, com chamas vermelhas, onde meu filho poderia ter seu manto de herói e viver em um mundo que avô e neto criavam.

As vezes eu os via brincar e explorar os arredores da casa.

Em varias situações eu os vi transformar aquele momento de diversão em tantas coisas, terras inexploradas, lugares mitológicos, mágicos, reais com um toque de fantasia. Então ambos se transformariam em sábios guerreiros, ninjas, reis, magos... Meu menino hiperativo adorava quando visitávamos o vô Jiraya.

Meu pequeno adorava perguntas também.

Ele inclusive podia ser extremamente teimoso com as coisas que queria ou acreditava.

Cheguei a passar horas com ele, teorizando e debatendo sobre determinado assunto, tentando convencê-lo sobre algum ponto, sobre coisas que ele acreditava ou não serem reais.

Quando pessoas de fora viam nossas profundas discussões sobre o nada e o tudo, comentavam ser “apenas uma fase.”

Pediam-me para que não perdesse meu tempo teorizando com uma criança tão pequena sobre o papel das flores no jardim. “Ele é só um menino e vai aceitar o que você fala, em algum momento”.

Mas eu não queria que ele mudasse. O jeito simples que Naruto enxergava as coisas me encantava. Eu queria-o como era para todo o sempre. Um menino brilhante que jamais voltava atrás quando dizia algo. Alguém que nunca desistia de uma pergunta feita, mesmo que às vezes ele próprio não as respondesse. Eu não queria que as perguntas cessassem.

Certo que houve situações onde sua curiosidade sem fim me cansaria. Assim, meu lindo marido assumiria a posição de grande conhecedor das coisas e responderia seus questionamentos incessantes.

Então era no pequeno escritório que eu costumava encontrar meus dois amores.

Minato e Naruto lado a lado, a voz calma e ao mesmo tempo forte do meu marido enchia a sala com um som rico, enquanto nosso menino absorvia cada palavra atentamente.

Quando a casa ficava em silêncio eu sabia que ambos estavam em profunda reflexão no escritório.

A mente ativa do meu filho costumeiramente bloqueava conhecimento quando este vinha de forma maçante, mas Minato sempre conseguiu encanta-lo para que aprendesse. Ele conseguia mostrar as dificuldades da vida e incutir isso na educação do nosso pequeno sem qualquer resistência. Era encantador.

Naruto podia ser teimoso, mas entendia o que era importante e não recuava quando precisava lutar por algo. Meu marido foi um grande influenciador para esse traço de personalidade, ensinando-o com paciência sem igual.

E entre uma cabeça quente e um menino hiperativo, Minato era a calma necessária no meio da tempestade.

Porém nem tudo podia ser resolvido por ele. Assim, quando Minato não era eficaz, sempre havia O preguiçoso.

Jiraya poderia conseguir a gargalhada estrondosa do meu filho, Tsunade o seu profundo respeito(e temor), eu sua confiança, Minato o entendimento, mas era com nosso afilhado preguiçoso, Kakashi, que o meu garoto compartilhava sobre seus medos.

Normalmente crianças tem pesadelos. Mas nem todas tinham a imaginação fértil e hiperatividade para piorar os sonhos maus.

Eu nunca vou entender o que meu menino via quando chegava a escuridão. As noites quando as luzes se apagavam, a noite embalavam-nos ao sono e os terríveis pesadelos brotavam. Ao amanhecer meu pequeno se recusaria a contar sobre o que ele sonhara. A culpa me martirizava por não conseguir protegê-lo disso, por não conseguir salvá-lo de sua própria cabeça.

Mas Kakashi, O preguiçoso, achou uma solução para esse tormento. Kakashi nunca me contou com o que meu garoto sonhava e, depois de tanto tempo, eu simplesmente parei de perguntar.

Como ele chegou a essa solução, se havia algo relacionado, nada me foi dito. Mas estranhamente as coisas cessaram quando, depois de uma noite particularmente difícil, Kakashi trouxe um pelúcia para nossa casa.

Era vermelho, pequeno e tinha feições mal humoradas, por mais estranho que parecesse o pensamento de um pelúcia rabugento. Eu achei feio. Meu menino adorou.

No mesmo dia que fiz a ligação e comentei sobre a noite difícil que eu e Minato tivemos com o ataque de pânico dele, Kakashi fez-nos uma visita.

Não disse nada, apenas entrou segurando uma raposa de pelúcia nas mãos, sem sequer estar embrulhada. Lembro-me que Kakashi apenas levou a criatura ruiva para o meu menino, abaixou-se em um joelho e sussurrou-lhe algo inaudível pra meus ouvidos. O que quer que tenha dito pareceu agradar meu filho, pois este sorriu lindamente e agarrou o brinquedo como algo que salvaria sua vida.

“Kurama necessita de um amigo” Um dar de ombros e uma resposta vaga foram tudo o que recebi do meu Afilhado. Eu vi em seus olhos a calma de quem sabia o que estava fazendo e assim eu deixei-o tentar.

Felizmente os pesadelos cessaram e nesse dia em diante ganhamos um membro extra na família, já que “Kurama” não podia ser deixado sozinho, de acordo com meu filho. Ele levava-o para toda parte e, todas as noite, ele abraçava o bichinho ao dormir.

Dessa forma Kurama teve nossa atenção por um bom tempo, até que um dia uma figura nova surgiu em nossas vidas. Nosso vizinho, Sasuke Uchiha.

O pelúcia foi sendo deixado de lado e um menino de cabelo escuros tomou o lugar de “grude” do Naruto. E não começou com uma amizade fácil a desses dois. De vários professores eu ouvi que o menino Uchiha e meu filho competiam por cada mínima coisa.

Eu temia que Naruto tivesse uma inimizade antes mesmo de ter algum amigo que não fosse uma raposa de pelúcia. Naruto tinha dificuldades em fazer amigos e eu sofria por ele.

Quando, um dia, a escola ligou dizendo que meu menino havia se metido em confusão, o nome Sasuke me veio logo a cabeça. Qual não foi minha surpresa ao encontrar Sasuke consolando Naruto, enquanto este soluçava e segurava Kurama fortemente nos braços. Ambos sujos e um pouco machucados.

“Não foi culpa dele” Os cabelos negros estavam revoltos, sujeira enfeitava o garoto de cima a baixo e ainda sim os olhos escuros possuíam uma determinação e fogo que não deveriam existir em algo tão pequeno, deixando-a sem palavras. “Não briga com ele, tia. Ele não fez nada, fui eu”, o menino disse, disposto a tomar para si qualquer castigo pela bagunça. Ela não pode evitar sorrir.

Mais tarde soube o que aconteceu. Aparentemente algumas outras crianças tomaram Kurama e caçoaram de Naruto pelo pelúcia. Kurama é uma raposa zangada que afasta espíritos ruins, disse meu menino uma vez. Kurama era um brinquedo especial que Naruto cativou e agora ele era seu amigo. Ninguém, a não ser sua família, sabia da importância de Kurama. Então ninguém na escola esperava o ataque de pânico do meu filho.

Ou que Sasuke, o rival declarado, seria aquele a intervir, batendo nos garotos, tomando o brinquedo de volta e causando toda a confusão.

Aparentemente Sasuke era o único que tinha direito a implicar com meu filho. Vai entender.

Uma amizade estranha, eu posso dizer, mas fazia bem aos dois. Naruto ganhou um guardião que também “espantava o ruim” e Sasuke ganhou um melhor amigo que deu-lhe um coração. Aprendi mais tarde com Rin (esposa de Obito, primo e responsável pelo menino Uchiha), como Sasuke precisava disso depois da morte trágica de toda a família.

Os dois meninos se completavam e tornaram-se inseparáveis.

E minha casa, aos poucos, ganhou a risada feliz de dois garotos especiais.

Não demorou para uma menina de cabelo rosa se juntar a eles e formar uma célula tripla.

Logo meu menino tinha tantos amigos quanto possível e eu amava isso.

Um deles, Sai, inclusive ensinou-o a desenhar. O garoto de sorriso estranho deu a ele uma linda coleção de arte.

Meu menino hiperativo um artista?

O que era impossível para minha concepção se tornou algo palpável e real quando Naruto começou a criar.

Alguns desenhos ele me presenteava, mas outros ele nunca me deixava ver do que se tratava. Mas eu sabia que seus melhores amigos, Sasuke e Sakura, adoravam as coisas que ele pintava.

Principalmente pela maioria dos desenhos estar relacionado com A Grande Historia.

Iruka, um amigo da família, também sabia sobre a historia secreta que meu menino parecia tão empenhado em fazer. Foi de Iruka que vinham os vários livros de desenho. Foi dele o que eu achei mais lindo, um livro marrom terra para colocar em ordem (e proteger) os desenhos dessa historia misteriosa.

Na verdade, “A Grande Historia” era mais secreta para mim, já que meu pequeno maroto nunca permitiu que eu a visse. Mas Minato sabia onde o esconderijo do livro estava. Jiraya também sabia do que se tratava, pois eu comumente via-os sussurrar sobre enredos e personagens sempre que se reuniam. O que também acontecia com Kakashi, Tsunade, Sasuke e Sakura.

Meu pequeno traquinas sabia do meu amor por contos, tendo um pai escritor e um marido amante de livros. Nenhum argumento fez ele mudar de ideia e me dizer do que se tratava.

Apenas uma vez, ele compartilhou algo. Seu humor estava radiante, já que passara horas trabalhando com um sorriso estonteante sob as folhas de papel. “Vai ser uma grande aventura”, foi o que me respondeu

Parecia ate o avô falando.

Na escola Naruto poderia até ter um rendimento médio pra baixo – isso levando em consideração que seus melhores amigos eram os dois alunos mais inteligentes da classe – desenhar era algo que ele se perdia fazendo.

Como mãe de um hiperativo é algo que eu aprendi. Ele poderia não ser bom em matemática, línguas, história ou geografia, mas ele era criativo ao extremo. E quando o rendimento caia e eu agia como mãe durona, ele recuperaria suas notas e venceria suas dificuldades. Ele jamais desistia. Naruto iria tentar até o fim, mesmo com métodos não convencionais, mas sempre lutava até alcançar o que desejava.

Através dos anos eu vi minha casa se encher de lembranças, sorrisos e pessoas.

Eu vi meu menino fazer varias e varias amizades, eu o vi abraçar e conversar com Kurama algumas noites, mesmo depos de crescido.

Eu o olhei (quando ele deixava) desenhar e criar coisas maravilhosas.

Eu o vi brigar com Sai, Kiba, Neji, Sasuke(quase toda semana) Gaara e todos os outros amigos quando estes agiam como “idiotas”. Eu fui seu apoio nos momentos difíceis e quando crescer exigia muito dele. No fim ele sempre me fez orgulhosa.

Eu fui dura com ele quando se metia em confusão (o que não eram poucas vezes) e tentava não amolecer com os grandes olhos safira envergonhados.

Eu o assisti sorrir milhares de vezes e mesmo assim nunca fiquei cansada desse sorriso.

Eu o segurei quando ele levou o primeiro fora da garota que ele gostava, mesmo que ela nunca deixou de ser sua amiga e ele aprendeu a ama-la como tal.

Eu enxuguei suas lágrimas, sendo tanto a rocha quanto a consolada, quando meu pai, seu amado avô, morreu.

Eu e Minato fomos sua consciência e maturidade quando a vida acontecia.

Eu assisti Naruto se apaixonar novamente.

Eu o apoiei quando os sonhos e desejos adolescentes começaram a fluir e ele quis conhecer coisas novas.

Eu o observei ser o mais especial tesouro que alguém pode ter. Por 17 anos eu observei ele se tornar um rapaz lindo e incrível, como eu sabia que se tornaria.

Eu acompanhei cada etapa de sua vida.

Eu tinha meus olhos atentos a ele. Todos nós tínhamos os olhos atento nele. Meu menino, meu amor e rapaz de cabelo e coração de ouro e olhos mais azuis que o próprio mar.

Ele era tão amado e protegido.

Ele queria conhecer o mundo e eu estava me preparando para deixa-lo ir e fazer um nome para si mesmo.

Esse sonho nunca se realizou. Não, isso jamais aconteceu. Meu menino nunca pode fazer um nome para si mesmo.

Recordo-me que seu peso parecia tão certo em meus braços.

Lembro de desejar, rogar por um instante aos céus, que permanecêssemos naquele invólucro de calma para sempre.Mas eu sabia que eu, como mãe responsável, deveria levar meu filho de lá o quanto antes. O frio chegaria e nós dois poderíamos adquirir um resfriado depois de tudo.

Se soubesse o que os acontecimentos do futuro reservavam, eu teria permanecido ali um pouco mais de tempo. Eu teria orado com mais força.

Eu sempre imaginei que ele estaria predestinado a algo grandioso...

Mas a maternidade não da a ninguém a capacidade de prever o futuro, apesar do que alguns pensam.

Ela trás muitas coisas, algumas melhores que outras, mas nenhum poder sobrenatural.

As melhores e piores memórias que eu tenho estão pintadas de amarelo ouro e azul cor do céu.

Meu filho lindo, meu pequeno príncipe em meus braços, as borboletas a dançar e a melodia da natureza a nos embalar, enquanto eu o segurava rente ao meu peito.

Essa poderia não ser a única, mas definitivamente era a mais preciosa memória que eu tenho do meu menino.

A memória mais doce e bonita que eu guardo do meu Naruto, antes que ele desaparecesse no dia 10 de novembro de 2014, aos 17 anos de idade.

Ninguém o viu sumir. Seu casado foi a única coisa encontrada, rasgada e coberta de sangue.

O vento não mudou. O céu não desabou em lágrimas. Um clarão não se abriu sobre a terra, quebrando em pedaços o mundo. Nem mesmo uma rachadura em uma fotografia. Nem ao menos no exato momento em que ele se foi meu coração se partiu em mil pedaços como nos filmes.

Nada.

Naruto desapareceu como se nunca tivesse existido.

Ninguém jamais encontrou seu corpo, o que deixava tudo pior, porque não posso dizer que ele morreu, mesmo que a única prova encontrada diga-me o contrário. Mesmo que no cemitério haja uma sepultura com seu nome.

Ela esta vazia, porque nunca o encontramos. Enterramos um caixão vazio. Não, não vazio. Meu coração está enterrado a sete palmos do chão naquela caixa.

Procuramos em tantos lugares, tanta gente mobilizada, e mesmo agora, depois de tanto tempo eu sei que Sasuke, um detetive respeitado e um homem incrível, nunca deixou de procurar.

Eu ainda mantenho as coisas do meu menino. Os livros, algumas roupas, fotos, materiais de arte e Kurama. Kurama principalmente. Deus, agora eu entendo Naruto quando ele me dizia que Kurama era especial.

É através da raposa velha que consigo sentir o cheiro do meu menino. Algumas vezes é quase como se ele estivesse ali comigo. Outras vezes eu sinto como se a criaturinha estivesse me confortando.

“Kurama afasta o ruim”.

Eu queria que Kurama pudesse tê-lo salvado.

A vida não foi a mesma por um bom tempo depois do desaparecimento de Naruto. Eu nunca pensei que tanta gente pudesse sentir o sofrimento que eu senti e eu gostaria que ele pudesse ver o quanto ele foi amado.

Nos primeiros meses foi insuportável. Olhar o quarto dele e não vê-lo lá. Sentir o cheiro de sua roupa, estar tão perto de algo dele e não poder abraça-lo, beija-lo e dizer que eu o amo e que ele era o meu bem mais precioso.

Gostaria de poder voltar atrás e pedir que chegasse seguro em casa, ao invés de dizer a ele que “estaria de castigo pelo resto da vida se não chegasse no horário do jantar”

Se quando ele sorriu, beijou minha bochecha e sussurrou que me amava e que não me preocupasse, eu tivesse dito “eu te amo” de volta.

Queria ter segurado-o, abraçado forte e impedido que ele saísse por aquela porta.

Se ao menos eu pudesse dizer adeus.

E foi em meio a dor e o desespero das milhares de lembranças que meu filho me deu um ultimo presente.

Na terceira gaveta da cômoda um mapa meio escondido.

A planta da nossa casa em minhas mãos, no quarto do meu filho, um X pintado no papel, marcando um dos cômodos e as palavras “Encontre-me” gravadas nela.

E eu o encontrei. (Jonsi — We Bought a Zoo)

No fundo falso de um móvel que meu amigo Yamato construiu, um livro desgastado, marrom terra, com os dizeres “Para Mamãe” escrito na capa.

Na primeira página, redesenhado provavelmente, pelos traços que eu reconheci dos desenhos mais atuais do meu filho, uma raposa gigante.

O titulo “UZUMAKI NARUTO! Capitulo 1” desenhado na primeira folha.

Logo abaixo explicando que certa vez, apareceu um demônio raposa de nove caudas. E que o balanço de uma de suas poderosas caudas podia destruir montanhas e causa tsunamis. E para combater o demônio, as pessoas chamaram os shinobis. E como um bravo shinobi foi capaz de selar o demônio, mas perdeu a vida.

E como este shinobi era conhecido como Quarto Hokage.

E foi como viver novamente

Cada página contada. Sobre um menino órfão que teve que ter sua liberdade sacrificada para albergar um demônio raposa e salvar toda uma vila.

Como ele era rechaçado e não tinha amigos. Como um garoto de cabelos negros, seu rival, era seu grande desafio e como ele sonhava em ser reconhecido por todos na vila.

Como ele virou amigo de seu rival e mesmo no pior dos momentos ele nunca abandonou esse amigo.

Como ele gostava de uma menina de cabelo cor de rosa.

Um garoto loiro que não voltava atrás com sua palavra, Um menino raposa que ganhou um time e como esse time se tornou sua família,

Como Kakashi, o preguiçoso, se atrasava assim como o meu afilhado. E como ele era um mentor para o loiro.

Como Iruka, o amigo da família, tinha o mesmo nome que o personagem que reconheceu o Órfão pela primeira vez, lutando contra um homem mau, salvando o garoto e transformando-o em um ninja.

Do menino Gaara que tinha problemas e como ele e o menino loiro se tornaram grandes amigos.

Contava sobre como o garoto raposa ganhou vários outros amigos, mesmo todos sendo tão diferentes uns dos outros.

De como até uma raposa rabugenta fora cativada pelo pequeno príncipe loiro.

Contou sobre uma médica loira peituda que se chamava Tsunade e que não levava desaforo de ninguém. E como ela tinha os mesmo vícios da baa-chan e o mesmo amor incondicional pelo garoto hiperativo.

E sobre a História do Grande Jiraya, um tremendo pervertido que tinha um coração maior do que qualquer outra coisa, alem da sabedoria de quem viu muito do mundo(assim como um aviador). E de que ele foi um homem que viveu e morreu como um grande herói, salvando algo maior e sendo uma lenda. Um verdadeiro herói como os personagens dos livros do meu pai. Um herói digno de um meu menino que brincava com o avô.

A historia contava também de uma mãe ruiva de cabeça quente que era capaz de dar a vida para salvar o filho. Assim como também um pai calmo que sacrificou tudo para que o filho fosse um herói. E como os dois amavam e acreditavam nessa criança

E como a criança cresceu e amadureceu com as dificuldades.

Como ele aprendeu com o mestre pervertido e com todos seus amigos.

Um órfão bagunceiro, cabeça oca e energético que queria ter sua força reconhecida e virar um Hokage.

Um menino loiro, que usava uma capa longa e branca com chamas, que lutava ao lado de uma raposa chamada Kurama e que salvou o mundo ao lado dos seus amigos.

Era meu menino ali.

Vivo.

Misturado em um véu de fantasia, era ele ali.

Temari, Shikamaru, Hinata, Yamato, Sai, Ino, Chouji, Kiba, Kankuro, Tenten, Rock Lee, Neji, Kurenai, Haku, Sakura, Sasuke, Meu Pai e Mãe, Kakashi, Iruka, Eu e Minato, O bisá Hiruzen, Asuma, Konohamaru, Kurama (os outros oito animais que naruto sempre quis ter), Bee, Gaara, Shino, Maito Guy e todos os outros retratados de alguma forma na no livro.

Tudo ali. Meu filho tinha criado um mundo onde ele foi o herói que salvou todas aquelas pessoas e continuou genuíno até o final.

Meu pequeno grande ninja.

Eu mostrei aos outros, pois eu sabia que eles precisavam disso tanto quando eu, e eu vi o quanto isso ajudou, de alguma maneira, aqueles que ficaram para trás.

Ver-se retratado com tanto carinho por alguém que se ama é o melhor presente que se pode ter.

Eu sei que desde que li sua obra, eu sonho com Naruto algumas vezes. Sonho com uma criança de sorriso fácil que pinta o monumento Kage quando está aborrecido. Que brinca de ser ninja e luta com garra e determinação. Eu o vejo em seu manto branco com chamas, sentado em sua cadeira, no lugar mais alto, onde sempre sonhou, olhando sua casa. Sua vila.

Eu sonho com um Homem loiro, tão parecido com o pai, mas com o rosto da mãe, sendo alguém grandioso e feliz. Cercado de amigos e amor, mesmo que seus pais não estejam com ele.

Eu sonho com meu menino vivo nas páginas de um livro de desenho.

Ele esta vivo ali. Em cada fala e em cada traço.

Quase consigo ouvir a voz dele e sua risada toda vez que eu leio e eu sinto como se ele estivesse comigo.

Não, eu nunca desisti de procurar meu filho.

Ninguém nunca desistiu, porque ele nunca desistiria.

Eu quase morri de tristeza quando eu perdi meu Naruto e eu sei que esse é um vazio que vai me acompanhar para eternidade. Mas eu não posso deixar de pensar no mesmo Naruto do livro.

Talvez alguém diga que não é saudável para mim, mas imaginar que aquele Naruto dos desenhos poderia ser, de alguma forma maluca, o meu menino... Isso é algo que me conforta.

Ver seu bebê se transformar em um homem crescido é algo que toda mãe merece acompanhar.

Para mim ele está ali.

Até mesmo quando, na historia, o garoto se despede do pai com um recado para sua mãe Kushina. Como eu não poderia sentir como se aquilo fosse para mim?

Que mãe não gostaria de saber que seu filho come bem todos os dias? Que respeita seus mestres e que não tem nenhum dos três vícios?

Que mãe não gostaria de ouvir que sua criança conseguiu um montão de amigos incríveis?

Eu nunca deixarei de procurar e amar meu filho, não importa o que me digam. Ele salvou-me quando nasceu. E novamente me trouxe de volta a luz quando me deixou esse presente, mesmo que não tenha sido capaz de entregá-lo.

Naruto me salvou de tantas maneiras.

Minato disse que deveríamos publicar essa historia e eu realmente estou considerando a ideia. Meu menino queria ter seu nome reconhecido pelo mundo e assim ele poderia ter o sonho realizado.

Sentada em seu quintal, em meio às flores e as lembranças, Kushina fechou o livro de desenhos em seu colo.

“Para Mamãe” dizia na capa marrom terra.

O vento balançou seus cabelos ruivos e de trás de si ela ouviu o som de passos pisando na grama, aproximando-se.

Os cabelos loiros, com alguns fios grisalhos, de seu marido brilharam sob o sol quando ele se sentou ao lado dela na grama.

Seu sorriso era triste e gentil ao mesmo tempo. Minato olhou para seu colo e suspirou.

“Isso deveria estar com Sai, não é?” – Perguntou enquanto tomava gentilmente o livro de suas mãos e colocava-o sob a grama. As mãos de Minato envolveram as dela em um conforto silencioso.

Automaticamente ela entrelaçou seus dedos com os dele e se recostou em seu corpo quente.

“Ele me devolveu hoje mais cedo. Disse que precisaria de algum tempo para conversar com algum conhecido.” – Ela sussurrou enquanto observava o vento balançar as folhas e flores no seu jardim. “Ele acha que pode ser publicado”

“Você tem certeza que quer fazer isso?” Seu marido perguntou em seu ouvido, abraçando-a. Seu calor envolveu seu coração, da mesma forma que apenas outro loirinho era capaz de fazer.

Kushina assistiu quando o vento se tornou mais forte e o livro se abriu.

Sem que visse de onde, uma borboleta deixou suas companheiras de espetáculo e pousou em uma página colorida.

Ela admirou de onde estava sentada, o contraste entre o branco delicado das asas da borboleta e o menino retratado no desenho.

As mãos do garoto loiro estavam entrelaçadas por trás de sua cabeça e o sorriso mais brilhante pintava seus lábios.

Kushina sorriu.

“Sim, eu tenho certeza”

Juntos, Minato e ela olharam a criatura delicada passear sobre o desenho, até que esta levantasse voo e se juntasse as suas companheiras.

“Você pensou em um nome?” Minato questionou-a depois de um tempo.

Deixando de admirar o belo espetáculo a sua frente ela buscou novamente o livro e olhou para o desenho.

Uzumaki Naruto.

“Naruto” Ela respondeu-lhes sonhadora. Seus olhos encontraram os olhos azuis de seu marido. Eles estavam surpresos e meio mareados de lágrimas.“ É um bom nome para uma historia, não acha?”

Tudo ficaria bem.

Notas finais
Yepe, alguem precisou de lenços? Eu precisei enquanto escrevia T_T Você pode dizer que ele morreu e nunca foi encontrado, mas você também pode imaginar que na verdade ele está realmente dentro daquele livro marrom, vivo e bem. Nós podemos dizer adeus as pessoas e esquece-las, ou mante-las vivas dentro de nós, na nossa imaginação, em algo que fazemos ou escrevemos. Nem sempre um adeus é possível então tratem as pessoas que vocês amam da melhor maneira que vocês conseguirem. Gente, queria dizer também que pessoas desaparecem todos os dias e NÃO PRECISA ESPERAR 24 HORAS PARA REPORTAR O SUMIÇO! Isso é uma coisa seria. Tenham muito cuidado com quem vocês conversam ou o que fazem.Vivemos em um mundo louco. Tirando a parte seria e tudo mais, o que acharam? Sera que Naruto realmente foi para outro mundo? Um de ninjas, onde ele nao tem memoria real de quem é? Eu meio que gosto de pensar que sim (quem sabe eu nao escreva sobre isso O_O Sem promessas haha) Não deixem comentar, nem que seja um oi haha Beijinhos e ate a proxima okay? ;)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!