O Baile Em Silverydew
10 Capítulo 10
P.D.V. Maria
Tudo bem. Você consegue.
Um degrau.
Outro.
Ok.
Percebi que Pisco me seguia.
—Fica escondido no meu quarto enquanto eu tento... Explicar a situação. Depois eu te chamo. -Falo.
—Ok. -Ele responde.
Ouço uma exclamação surpresa vinda do andar inferior.
—Melhor eu ir. -Digo angustiada.
P.O.V. Miss Helitropio
Coloco outra pastinha na boca.
Loveday estava tendo ataque de ansiedade.
— E se a gente brigar? – Pergunta ela, desesperada.
— Então vocês farão as pazes. – Respondo calmamente.
A noiva inspira e espira, rápida e compulsivamente, pequenas quantidades de ar. Se acalma um pouco, mas ela logo volta a ficar nervosa e persistir:
— Mas e se não fizermos?
— Se não fizerem, Maria fara com que façam. – Respondo, respirando fundo para evitar gritar ou ter alguma atitude tão deselegante quando. Damas nunca gritam em uma situação como esta.
— Mas... – Tenta ela.
— Chega de “mas”! Fique tocando o cravo até se acalmar. – A interrompo antes de me estressar mais.
— E o casamento? – Questiona, angustiada e preocupada.
— Já está tudo pronto, não se preocupe. – Falo, com um sorriso amigável, poderia imaginar o que ela está passando.
— Tudo bem. – Loveday concorda, sorrindo de volta, e completa:
— Obrigada.
— Não á de que. – Respondo fazendo um movimento com a cabeça.
A donzela da lua sai, mas sua hiperatividade é visível pelo modo como não para de mexer as mãos, como se estivesse calculando se faltava alguma coisa, e ao mesmo tempo apertava a própria mão de nervosismo.
Reúno meus pertences; já estava para deixar o cômodo em que me encontrava – o hall de entrada- quando ouço um forte grito, o som vindo da direção da cozinha:
— NÃO PODE SER!
O que terá acontecido?
Antes que eu pudesse pensar, Marmaduke chega correndo.
— Aconteceu o impensável! – Ele exclama.
— O que houve? Alguém se feriu? – Pergunto angustiada.
— Zacarias! – Ele chama. – Mostre a Miss Helitropio o que me mostrou.
Enquanto o gato escrevia nas cinzas da lareira, Digweed chega.
— O que aconteceu? – Pergunta. Á cabeça se voltando para todos os lados, a procura de algum perigo.
Zacarias mia, lambe a pata direita e se afasta da lareira.
Aproximo-me.
Ao bater os olhos nas cinzas, meus olhos imediatamente se voltaram para o desenho de uma lua.
O que aconteceu á minha Maria?
Um chapéu cuco esta desenhado também.
Quem usa um chapéu cuco? Só consigo pensar em uma pessoa!
Minha Maria está em peri...
DENTRO DE UM CORAÇÃO?
— Meu bom Deus! – Sussurra Digweed.
Tudo isso dentro de uma torre.
Sir. Benjamim ficaria louco.
EU estou louca.
Depois de tudo que se passou, Maria ter um romance com este... Individuo! Que absurdo!
Alguém atrás de mim engole a seco.
— Eu posso explicar. – Diz Maria. Ela respira fundo, e começa: — JáfaziamalgunsmesesqueeueraapaixonadapeloPisco, maseunãosabiaoqueelesentiapormim... – Maria faz uma pausa para respirar. – MasagenteseencontrounaquelebaileemSilveydeweagenteestánamorandoàlgunsmeses. – Mais uma pausa. – E... Ele fugiu de casa já faz um tempo. E a gente planejava contar no dia seguinte ao casamento.
Todos nós ficamos em silencio; a tensão no ar era quase palpável.
Depois, o caos. Todos falavam ao mesmo tempo.
Eu obviamente estava irritada por minha Maria ter se deixado levar por este garoto. Também estava preocupada; E se algo de ruim acontecer a ela? Estes De Noir são gente sem escrúpulos! É perigoso andar com pessoas assim, ainda mais Maria sendo uma Marrywether.
Marmaduke e Digweed concordaram com o quanto os homens do bosque sombrio eram perigosos. Além de que Sir. Benjamim ficara furioso quando descobrir!
Estávamos tão concentrados uns nos outros que não percebemos que alguém descia as escadas.
— Miss Helitropio, pense em quando era mais jovem! Pense em como se sentiu quando seu pai proibiu que ficasse com Louis de Fontenelle!
Eu nunca havia ouvido alto tão petulante sair da boca de Maria! Ainda assim, o comentário me calou. Senti um forte aperto no peito ao me lembrar daqueles tempos.
— Além disso, Wrolf aprova! – Constata a menor, desesperada.
Foi à vez de Digweed e Marmaduke ficarem quietos.
— Ele estava lá quase todas ás vezes em que nos encontramos, eu juro. – Fala uma voz masculina, atrás de nós.
O rosto de Maria se ilumina por um instante, antes de se encher de preocupação.
Ao me virar, vejo o garoto de cabelos escuros e encaracolados.
— E o que vale a palavra de um De Noir? – Pergunta Marmaduke, rancorosamente.
— Não pense nisso como uma palavra de De Noir; Eu desertei. Não tenho mais nada com aquela família. Pense nisto como a palavra de um homem perdida e incondicionalmente apaixonado.
Mas antes que alguém pudesse dizer alguma coisa, ouvimos o barulho de um cavalo trotando próximo.
Sir. Benjamim havia chegado.
Pov. Maria
Depois de rapidamente implorarmos para que guardassem o segredo até o casamento, eles concordaram que discutiriam isso depois. E eu estou rezando para que a resposta seja sim.
Mas bem quando Pisco ia subir as escadas, ouvimos os passos de meu primo se aproximando, tínhamos que esconder o Pisco rápido, não dava mais tempo para ele subir até o meu quarto.
— Por favor, escondam o Pisco. – Supliquei e eles acabaram fazendo um muro de pessoas na frente do Pisco bem na hora que meu primo entrava.
— Boa tarde. – Cumprimentou-nos e olhou para Marmaduke, miss Helitropio e Digweed. – Por que estão um no lado do outro e com esses olhares de quem estão escondendo alguma coisa?
— Nada, não primo Benjamim. – Tentei disfarçar, mas ele não acreditou.
— Me deixem ver o que estão escondendo. – Falou mais ríspido.
— O senhor não pode ver o vestido da noiva antes do casamento, dá azar Sir. Benjamim. – Falou miss Helitropio.
— Ok, vou acreditar em vocês. Até outra hora. – Falou fazendo uma reverencia e saiu do cômodo.
— Essa foi por pouco. – Falou Pisco saindo de trás do Marmaduke, Digweed e miss Helitropio.
— Acho melhor você não aparecer mais aqui assim, garoto, Loveday pode descobrir. – Falou Marmaduke.
— Ela já sabe, e aceitou melhor que vocês. – Respondi.
— E só foi hoje que eu desci, juro. E isso não vai acontecer de novo. – Falou Pisco, adoro quando ele é serio.
— O bom era ficar longe de minha Maria. – Falou miss Helitropio.
— Miss Helitropio. – Falei de modo repreensivo. – Vamos, Pisco, antes de mais alguém venha. – Falei a o puxei pela mão.
— Até outro dia; ou não. – Falou Pisco para eles.
Subimos a escada até o meu quarto o mais rápido que conseguimos. Quando chegamos ao meu quarto, sentamos na minha cama e começamos a controlar as nossas respirações. Quando conseguimos controlar as nossas respirações, olhamos um para o outro e começamos a rir, tínhamos entrado em uma bela confusão hoje.
— Você é muito fofo. – Falei e deu um selinho nele.
Ele deu um sorriso de lado, que só fez meu sorriso aumentar. Adoro o sorriso do Pisco. Adoro tudo nele. E acho que estava com um sorriso bobo e olhar sonhador, pois ele riu e me beijou. Eu dei um sorriso entre o beijo, já disse que adoro o Pisco? Ok, eu já disse isso. Enquanto o beijo rolava, coloquei uma das minhas mãos no seu pescoço e a outra ficou na cama, e a mão dele foi para a minha cintura.
Ficamos uns dois minutos nos beijando, pausadamente, até eu escutar a voz do primo Benjamin atrás da porta, mas nem presto muito atenção, achando que ele iria embora, mas estava errada.
— Maria, eu sei que você está ai. Precisamos conversar. – Escuto mais rispidamente dessa vez.
— Desculpe, Sir. Benjamin; estou estudando, não pode voltar mais tarde? – Pergunto, ele não pode entrar agora.
— Você está estudando mesmo? – Perguntou desconfiado.
— Sim. – Respondi.
— Então me deixa entrar, vai ser rápido.
— Não dá, não estou com roupa apropriada. – Inventei, foi a primeira coisa que me veio na cabeça.
— Como você não está com roupa apropriada? – Perguntou Sir. Benjamin.
— É que eu tomei banho, e ainda não me troquei apropriadamente. – Falei, e Pisco me olhou sem entender, e eu dei de ombros.
— Ok, voltarei mais tarde. – Falou, mas acho que ele ainda estava desconfiado.
Esperei até escutar seus passos sumirem. Virei para o Pisco e suspirei, ainda bem que Sir. Benjamin não é de entrar sem bater, igual meu pai.
P.O.V. Benjamin
Nossa! Eles estavam tão estranhos. Por que será que não cobriram o vestido ao invés de...
Ouço alguém tocando o cravo, e pela perfeição do som já sei que é Loveday.
Adoraria falar alguma coisa do tipo "E como vai a futura Sra. Merryweather", mas minha amada noiva já é uma Merryweather e... Já foi casada.
Aproximo-me devagar, para não atrapalha-la. Mesmo assim, ela percebe minha presença:
—Olá, Benjamin. -Fala sorrindo.
—Bom dia, meu amor. Desculpe-me, não queria lhe atrapalhar. -Respondo.
—Sua presença nunca é incomoda. -Loveday responde de volta.
—Pronta para o casamento? -Pergunto.
—Não tenho certeza. -Ela responde.
Eu ia começar a tranquiliza-la quando ela completa:
—Quer dizer, eu ainda não vi a decoração, não tenho certeza sobre quantos andares o bolo deveria ter, não conferi se todas as vestes estão bem costuradas...
Solto uma risada aliviada.
Loveday vai respirando cada vez mais devagar, para controlar o nervosismo.
Meu amor me observa. Observa meus olhos. Ela parece bem mais calma; um pouco contemplativa.
—Não, Loveday. Não quis dizer neste sentido. Quero saber se está pronta para... -Nem mesmo pude terminar a frase.
Ela suspira.
—Eu sempre estive, Benjamin. Sempre. Des de o primeiro momento em que pus meus olhos em você; Des de que nascemos; Des de antes da existência. Benjamin Merryweather, se nas páginas do destino não estiver escrito que somos feitos um para o outro, então eu não me chamo Loveday Maria Merryweather!
P.O.V. Loveday
Antes eu estava ansiosa. E apreensiva. E com medo. E desesperada. E tendo pensamentos pessimistas (sim, eu). Tudo junto.
Mas tudo Isso desapareceu ao olhar nos olhos do sujeito com quem pretendo passar cada um dos dias que restam de minha vida.
E... Meu coração bateu mais forte.
—Eu te amo Benjamin. Para sempre.
—Também te amo, Loveday. Para sempre.
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No dia do casamento...
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P.O.V. Coqc De Noir
3 meses, 5 horas e (dou uma olhada no relógio) 37 minutos.
Eu sou o pior pai do mundo. E agora, ao invés de pelo menos fazer um esforço para encontrar o meu filho, estou aqui; sozinho; bebendo.
De novo.
Olho para a garrafa em minha mão.
Anda seu velho burro! Levanta essa sua bunda da cama e vá achar seu filho!
Mas... A tristeza é tão grande; ela me coroe e me consome. Não tenho vontade nem de me mexer.
Ele pode estar morto uma hora dessas.
Ele... Pode estar morto agora!
Morto!
PORRA, SEU MALDITO DESGRAÇADO! SEU PORCO IMUNDO! LEVANTA DA MERDA DA CAMA E VAI ACHAR SEU FILHO! FODA-SE O QUE VOCÊ SENTE, VÁ ATRAS DO PISCO!
A garrafa se quebra em mil pedaços e o liquido alcoólico escorre pelo chão de pedra quando minha mão se abre.
Minhas juntas doem ao se mexerem após tanto tempo e as lagrimas escorrem livremente pelo meu rosto.
Minha voz sai num sussurro rouco:
—Eu vou te encontrar, Pisco.
P. O. V. Maria
Hoje era o grande dia, todos na casa de primo Benjamim, inclusive eu, estávamos animados e nervosos com o casamento. Loveday estava aos nervos, Benjamim ficava andando pela casa sem parar, Marmaduke estava muito ocupado acabando o bolo, miss Helitropio estava arrumando as roupas e Digweed estava cuidando das tão amadas flores da Loveday, já eu estava vendo como estavam indo os preparativos finais.
Quando eram mais ou menos umas 3 horas da tarde fui tomar banho e me aprontar. Coloquei um vestido comprido até o chão da cor azul claro (http://img.alibaba.com/img/pb/423/317/728/728317423_293.jpg) com uma bota de cano alto branca, prendi o cabelo pela metade com uma trança e fiz uma maquiagem clara com o batom rosa claro.
Quando acabei de me arrumar já era 4 horas, e o casamento era às 5 horas. Assim que acabei de me arrumar alguém bateu na porta, e quando a abri era a Miss Helitropio.
— Nossa, está linda Maria. Só está um pouco amassado aqui. – Falou e arrumou o meu vestido.
— Obrigada, Miss Helitropio. – Agradeci, sorrindo.
— Venha, preciso da sua ajuda com a Loveday, ela ainda não terminou de se arrumar. – E assim que falou saímos para o quarto de mãe Minette.
P.O.V. Coqc De Noir
—HORA DE ACORDAR, SEUS VAGABUNDOS! -Grito para meus homens enquanto jogo o primeiro balde d'agua. Ele atinge metade das belas adormecidas.
Todos estavam na sala de jantar, meio acordados, meio adormecidos; completamente de ressaca.
O galo em meu obro cacareja em concordância.
— ANDEM SUAS BESTAS! — O segundo balde molha mais 6.
No caminho entre o meu quarto e aqui, não achei nenhum dos infelizes!
—Humm... Chefe? Mas o senhor não mandou que não o... -Começa um deles.
—Chega! Sim, mandei que não me incomodassem. Algum problema com uma mudança de planos? -Pergunto com raiva e um olhar afiado.
—Nã-nã-não senhor. -Responde, se encolhendo.
—Melhor mesmo. Primeiro, se dividam em duplas! Andem logo! Pronto; agora quero que cada um vá a uma direção. Olhem em todo lugar, não negligenciem nem a menor pedra! Procurem sem cessar de Norte a Sul; da copa das árvores aos tuneis; virem esse maldito vale de cabeça para baixo se for preciso mas encontrem o meu filho!
Os idiotas ficaram me olhando com cara de paisagem.
—AGORA!
P.O.V. Maria
Nesse momento nós, Miss Helitropio e eu, estávamos acabando de arrumar o cabelo da Loveday em um coque alto na cabeça, só deixando alguns cachos soltos para dar charme e a franja.
Assim que terminamos fomos colocar o vestido. Ele é lindo, é tomara-que-caia com pedras brilhantes em todo o vestido, combinava muito com a Loveday. Ela foi até o espelho e se viu.
— Nossa, ficou perfeito.
— Não está totalmente pronta ainda – Falei e coloquei um colar muito lindo nela.
— Verdade, falta uma coisa muito importante. – Concordou Miss Helitropio e colocou o véu.
O véu tinha o comprimento das suas costas e uma parte para colocar na frente do rosto, era como uma tradição.
— Agora sim. – Falei sorrindo para Loveday.
— Obrigada por me ajudarem. – Disse lacrimejando.
— De nada, mas sem chorar. – Falei. – Vou avisar a todos que estamos prontos para começar a cerimonia.
Sai do quarto e deixei a miss Helitropio fazer os preparativos finais, isso é: ver se a noiva estava devidamente arrumada.
Assim que sai da casa e fui para os jardins vi muitas pessoas sentadas nas cadeiras que tínhamos colocado. Vi o primo Benjamim andando de um lado para o outro nervoso. Também vi o Pisco atrás de uma árvore, super lindo, em minha opinião.
Caminhei até o parroco e falei que estava tudo pronto para começar. Fui até primo Benjamin e falei para ele:
— A noiva está pronta.
— Serio? Ela não vai desistir? – Perguntou nervoso.
— Benjamin, acha mesmo que ela faria isso?
— Ele ficou o tempo todo me perguntando isso. – Disse Marmaduke aparecendo de algum lugar.
— É bem a cara dele. – Falei revirando os olhos.
O primo Benjamin ia falar alguma coisa, mas não deu tempo, pois começou a tocar a música para a Loveday entrar em cena. Tomos nós fomos para os nossos devidos lugares e os convidados se levantaram para ver a noiva entrar.
Loveday entrou sozinha e andou todo o tapete vermelho que estava no chão, olhou os Crisântemos roas que ela adora (a vi dando um sorriso mais alegre ainda), até chegar ao altar e encontrar o Benjamin sorrindo igual a um bobo. Depois que ela chegou, ele levantou seu véu e lhe deu um beijo na testa, se voltando para o parroco.
Então começou toda a cerimonia, mas não prestei muita atenção, estava olhando discretamente o Pisco prestar atenção no casamento, ele ficou tão fofo. Eu sei, devia ficar prestando atenção no casamento, mas não deu depois que eu vi o Pisco daquele jeito. E eu só voltei à realidade quando escutei o parroco disser:
— Alguém tem algo contra esse casamento?
Ninguém disse nada, o que me deixou feliz. E o parroco voltou a disser:
— Nesse caso, concedo-vos a felicidade de se tornarem marido e mulher. Pode beijar a noiva. – E aconteceu a cena mais fofa que já vi, o beijo da Loveday e do Benjamin, sendo que nunca tinha visto, então não me segurei e comecei a chorar, assim como a maioria das mulheres ali.
Depois os noivos saíram e os padrinhos, incluindo eu, e fomos para outra parte do jardim, onde iria acontecer a festa de noivado.
Assim que todos chegaram, cada convidado foi lhes cumprimentar e parabenizar pelo casamento, desejando boa sorte. E foi nesse momento que vi o Pisco, mais uma vez, escondido atrás de uma das árvores ali perto. Dei parabéns para a Loveday e Benjamin e me sentei em uma das mesas ali, perto de onde Pisco estava, e o Marmaduke e o Digweed junto com o Zacarias, se sentaram comigo. Quando olhei para o Pisco novamente, o Wrolf estava ao seu lado, e eu sorri com aquilo.
Depois de alguns minutos comemos e a Loveday iria jogar o buque (ela e Benjamin já tinham dançado e tudo o mais), e o Marmaduke junto com Digweed e Miss Helitropio (que tinha chegado há pouco tempo) me empurraram para pegar o buque junto com um bando de mulheres que com certeza não tinham namorado, muito menos marido.
Eu estava atrás de todas elas, e sem muito animo para isso; não tenho idade para casar. Loveday contou até três e jogou o buque, que veio parar na minha mão. Deu um sorriso, o destino sempre me pregando peças. Olhei para o Pisco, que estava com aquele sorriso torto fofo dele, e me chamou com um aceno de cabeça.
Fui até a mesa e deixei o buque lá em cima, falando que iria dar uma volta, e acho que eles perceberam que eu iria falar com o Pisco.
Depois de segui-lo mais para dentro da floresta, eu o perdi de vista e fiquei o procurando, olhando para os lados, até que o mesmo me abraçou e nos beijamos.
— Vamos passear pela floresta? – Perguntou Pisco com aquele sorriso fofo que eu não resisto.
— Está bem. – Respondi e começamos a andar.
Nós vimos alguns pássaros e insetos realmente lindos e rimos bastante das brincadeiras que fazíamos. Estava indo tudo muito bem. Mas então tive aquela sensação esquisita de que estávamos sendo observados. Eu ia dizer isso a Pisco quando ele, bruscamente, me puxou para dentro de uma sombra bem escura sub algumas árvores, fez sinal de silêncio, bateu nos troncos-assustando os passarinhos que começaram a piar bem alto, em pânico- e saiu correndo, me puxando junto, o mais rápido possível.
Fizemos uns ziguezagues estranhos e passamos por alguns lugares por onde eu tinha quase certeza de que jamais havia estado até que finalmente chegamos a uma área da floresta que eu reconhecia. A esta altura, já fazia tempo que eu havia percebido que estávamos sendo perceguidos, provavelmente por alguém que com certeza não gostaríamos de nos encontrar.
Avistei o pinheiro sob o qual estava o novo lar de Pisco. Continuamos a correr, velozes, até que estivéssemos lá dentro, muito ofegantes por conta do esforço físico. Minhas pernas ainda estavam condicionadas a correr quando meus pés tocaram o chão do lugar, e eu teria dado de cara com a parede se por de traz das raízes, que a cobriam quase que completamente, não houvesse, imagine só, um túnel. Quando consegui desacelerar, olhei para traz e observei que a entrada era triangular e que se eu não tivesse esta baixa estatura teria batido a cabeça; Lá fora estava claro, mais aqui estava escuro como breu.
Pisco espiou pela passagem com um ar surpreso. Todos sabemos que Moonacre (Vale da Lua) é transpassado por túneis, mas pelo visto meu namorado não fazia ideia sobre este.
P.O.V. Coqc De Noir
O que meu filho estava fazendo caminhando calmamente com uma Merryweather, isso eu não entendia. Só sabia que foi neste estado que um dos meus homens o encontrou e foi deste mesmo jeito que eu o vi, um punhado de minutos depois. Também sabia que assim que ele me viu, fez toda uma cena para me despistar, o que, francamente, foi uma ideia ridícula já que fui eu que ensinei tudo o que ele sabe. No fim, fui eu que acabei o despistando, já que ele nem mesmo sabe que continuo em seus calcanhares.
Foi só eu entrar pelas raízes de pinheiro e observar o lugar que soube de duas coisas: a primeira era que Pisco estava morando ali; a segunda era que Guilherme, o Sombrio, havia morado naquele local também. Grande coisa! Ainda tenho certeza de que aquele maldito Merryweather o assassinou!
Como as crianças não estavam ali, presumi que estavam naquela passagem em formato de triângulo mais a frente. A passagem dava para um túnel, e ,pelo eco das vozes mais a frente, esta era a primeira vez que esses dois entravam nele.
Por pouco, não fiquei entalado, mas pelo menos não estava tropeçando espalhafatosamente como meu filho e a donzela da lua; Eles faziam tanto barulho que minha presença era imperceptível.
Agora, conseguia ver uma débil luz verde entrando pelo túnel, e parece que as crianças já aviam entrado em outro recito. Ouço suas vozes ecoando pelas paredes:
—Minha nossa, Pisco! Olhe! É o barco que Guilherme, o Sombrio usou para navegar em direção ao por do sol! — Falou a garota.
MENTIROSA! O MERRYWEATHER DESGRAÇADO O MATOU!
—O quê? Isso não faz sentido; se ele navegou em direção ao por do sol, então como o barco esta aqui?
HA! HA! Pega em sua própria mentira sua Marryweather nojenta!
—Foram os cavalos que vivem no mar que o atracaram aqui. -Respondeu com convicção a menina, cheia de calma.
Que estória ridícula!
Fez-se o silêncio.
—Não me olhe com esta cara! Estou falando sério!
Chiliquinho típico de uma Meryweather!
—Se você diz... — Pisco responde, embora não parecesse realmente convencido.
O que porra está acontecendo entre estes dois? Des de quando eles são amigos?
—Que barulho é esse?- Questiona a Merryweater.
—Acho que é o mar. — Meu filho responde.
—O Mar! -Exclama a ruiva. -Rápido! Vamos até ele!
Pelo barulho, parece que ela começou a correr.
—Vá na frente, quero dar uma olhada no barco. -Grita meu filho.
Mais passos; agora silêncio.
Saio da caverna e encontro Pisco parado a alguns metros do barco, encarando-o.
—Filho! -O eco da caverna aumenta o volume de meu sussurro.
Ele não tem reação. Acho que já sabia que eu estava aqui.
Tento me aproximar, mas o som dos meus passos o faz rir com escárnio.
—Filho? -Pergunta Pisco, ainda rindo. -"Filho" você diz?
O garoto solta uma gargalhada.
—Não é suposto, sabe? -Meu menino finalmente se volta para mim. Seu queixo tremendo, seu nariz e bochechas corados.
Ele me lembra uma represa se rompendo.
—É suposto que os pais amem seus filhos mais que tudo!...
Interrompo-o:
—Eu...
—É suposto... -Agora Pisco está gritando. — que os pais zelem pelos seus filhos! É suposto que iriam até a merda do inferno e voltariam para que os filhos se tornassem pessoas boas e felizes! Mas, não! Não o grande Coqc De Noir! Em vez de ser um pai, ele se afoga em álcool e sexo e desconta toda sua frustração por ser um ser tão patético no único filho de sua esposa!
Eu não disse nada. Não desviei meu olhar. Também não chorei; chorar ajuda a aliviar a dor e eu simplesmente não mereço clemência. Em vez disso meu corpo treme e eu posso vomitar a qualquer segundo.
—Porra! Caralho, eu queria dizer que te odeio e que estou pouco me fudendo pra você, mas eu sei que não teria sentido! Você não ligaria! Nunca se importou nem nunca vai! -Pisco estava chorando tão descontroladamente que, ocasionalmente, seus berros eram substituídos por soluços.
Ele deu um último grito frustrado, cheio de dor, e só então pareceu se acalmar um pouco. Sua cólera agora era fria, expressa pelos olhos e pelo tom com o qual terminou seu monologo:
—Me esquece! Agora eu tenho uma família e você não faz parte dela.
O mais novo virou de costas para ir embora.
—Pisco! -Gritei
Mas ele já estava saindo da gruta.
Eu queria ir atrás dele mas os tremores no meu corpo haviam aumentado substancialmente de intensidade. Cai de joelhos no chão e, desta vez, não consegui segurar o choro.
P.O.V. Pisco
Quando saio da caverna sou recebido pelos braços e pelos lábios de Maria.
—Já passou. Já passou. -Ela sussurrava ao meu ouvido.
Tudo a minha volta era um borrão e quando finalmente consegui parar de chorar nós estávamos abraçados perto da parede da caverna. Ela continuava a me beijar e a dizer que agora estava tudo bem.
—Podemos ir embora? -Pergunto, com a voz rouca e a garganta doendo.
Ouvimos Wrolf latindo ao longe e Maria decide seguir o som.
Não prestei muita atenção na paisagem a nossa volta, de forma que não sabia exatamente onde estávamos, apenas me apoiei nela, física e emocionalmente, e fomos na direção de Wrolf.
P.O.V. Coqc De Noir
Quando finalmente tive forças para me levantar e sair da caverna (que dava para a Baía Merryweater, uma pequena praia se seixos coloridos, cercada por penhascos rochosos, cheios de cavernas, que nós, os De Noir, aviamos invadido alguns anos atrás), Pisco já havia ido embora.
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