O Babá ( Hiatus)
4 Hospital
Notas iniciais

– Esse vai ser nosso segredinho ok? — Sussurrei. Evelyn resmungou alguma coisa e fechou os olhos. Subi e a coloquei no berço — Desculpa de novo. — Sai e fechei a porta, entrei em meu quarto, me joguei na cama e apaguei.
...
Os meninos e eu estavamos sentados no sofá, esperando Ally e Evelyn terminar de se arrumar para irmos para o jogo de basquete da Chloe. Após alguns minutos Ally e Evelyn apareceram.
– Finalmente mamãe. — David disse pulando do sofá. — Não sei por que vocês mulheres demoraram tanto. — Ela revirou os olhos e como se Evelyn entendesse jogou o brinquedo na direção do irmão — Evelyn — Resmungou e a baixinha gargalhou. Levantei do sofá e desci Charlie, peguei Evelyn do colo de Ally e a bolsa que ela carregava
– Por que Evy precisa dessa bolsa?
– Eu não sei como o clima estará mais tarde. Então é melhor levar
– Então tá — Coloquei a bolsa no ombro e saimos, coloquei as crianças na cadeirinha, entrei no carro e parti em direção ao ginasio onde o campeonato ocorreria.
Assim que chegamos lá, peguei Evelyn no colo, coloquei a bolsa sobre um dos ombros e Danny segurou minha mão livre. Charlie e David seguravam a mão de Ally e então entramos no local. Sentamos na segunda fileira, assim Chloe nos veria com facilidade.
– Oi. — Viramos em direção a voz e avistamos Allice
– Tia! — Exclamaram os meninos se levantando e a abraçando
– Oi meus loirinhos favoritos — Ela encheu os meninos de beijos manchando o rosto deles de batom.
– Allice, quanto tempo. — Levantei com Evy em minha cintura e a abrecei
– Austin! — Disse e beijou a minha bochecha — Como vai?
– Bem. E você ?
– Otima. E a minha princesinha linda? — Beijou a testa de Evelyn que gargalhou.
– Oie gente. — Dessa vez, era meus irmãos. Jake, John, James, Liza, seu marido Nick e a pequena Megan.
– Oi. — Comprimentamos
– Tio. — Megan esticou os braços para mim. A peguei no colo colocando-a do outro lado da minha cintura . — Quem é ela?
– Essa é a Evelyn.
– Oi. — Ela se inclinou e beijou a testa da Evy. — Ela não fala?
– Ainda não. — Respondi. Coloquei Megan no colo de John e me sentei com Evelyn sobre minhas pernas. Jake e Lice estavam conversando animados entre si. John, James, Liza, Nick eu e Ally conversamos e as crianças brincavam.
O apito soou e a turma de garotas entraram, todas vestidas com roupas adequadas para jogar. Chloe nos procurou com os olhos e acenou feliz dando uns pulinhos, acenamos de volta. O juiz deu o sinal e elas começaram a jogar. A bola estava com uma garota loira do time da Chloe, ela passou a bola para minha sobrinha que marcou um ponto.
Gritamos comemorando, ela sorriu e fez um coração em nossa direção. Evelyn começou a choramingar, eu continuei a balança-la, porém não adiantava.
– Qual problema Evy ? — Perguntei
– Deve ser a fralda, aqui. — Ally estendeu a bolsa — Vai lá troca-la
– Não precisa da bolsa.
– Austin, deixa de ser fresco. — Resmungou revirando os olhos. Peguei a bolsa contra minha vontade e sai. Varias pessoas — Mulheres para ser mais exato — ficaram me encarando
– Sua mãe só me faz passar vergonha Evelyn. — Ela me encarou e voltou a babar no brinquedo. Entrei no banheiro e a deitei no trocador, desabotoei o bori e troquei a fralda com facilidade. Joguei o que eu usei no lixo, lavei as mãos, peguei Evelyn e a bolsa saindo do banheiro. Me sentei em meu lugar, colocando a bolsa no chão. — Todo mundo ficou me olhando estranho, não deveria ter levado a bolsa — Disse
– Não devia mesmo — Murmurou. Voltei a prestar atenção no jogo, após o segundo periodo houve o intervalo. O time de Chloe estava ganhando, já haviam marcado duas cestas, obtendo o total de 5 pontos.
(...)
– Vocês foram demais. — James disse
– Obrigada — Agradeceu Chloe. Estavamos na pizzaria, comemorando a vitória do time. Evelyn já dormia no colo de Allice, Charlie estava em meu colo quase dormindo, os gemêos brincavam entre si, e Megan estava no colo de Chloe. Após terminarmos, seguimos cada um para sua casa, as crianças dormiram no carro. Estacionei o carro, peguei Evelyn e Charlie, enquanto Ally acordava os gemêos.
Entrei no quarto de Evelyn e a deitei no berço, arrumei Charlie em meu colo e cobri a pequena. Apaguei o abajur e sai, entrei no quarto do mini loiro, o deitei na cama, tirei seus sapatos e o cobri.
– Durma bem. — Apaguei a luz e sai, desci até a sala encontrando Ally sentada no sofá, ela não parecia bem. — Tudo bem?
– Hm... Estou sim. — Respondeu se arrumando no sofá
– Tem certeza?
– Tenho. Fica... — Ela colocou a mão no abdome, Ally devia estar de uns dois ou três meses, sua barriga quase nem aparecia. A morena respirou fundo e contorceu o rosto.
– Ally — Me aproximei dela — Diz o que esta sentindo
– É só uma dorzinha, vai passar.
– Tem certeza mesmo? Não acha melhor ir para o hospital?
– Não é necessario, eu já senti essa dorzinha antes. É só deitar que passa.
– Tudo bem, vou acreditar em você. Mas se precisar me chama, ok?
– Uhum. — Ajudei ela se levantar, e subir os degraus, abri a porta de seu quarto e ela entrou.
– Vou estar lá embaixo , se precisar.
– Obrigada — Ela sorriu. Fechei a porta e desci, resolvi assistir um pouco de televisão. Liguei e coloquei no telecine, Caçada Mortal passava. Estourei um pouco de pipoca no micro-ondas e me sentei para assistir. O filme estava menos que a metade, quando ouvi algo como um grito e logo o meu nome ser chamado.
Larguei o pote de pipoca e o controle no sofá subindo correndo, e novamente fui chamado, abri a porta do quarto de Ally, ela estava chorando desesperada.
– Ally, o que foi?
– Austin, me ajuda. Por favor — Choramingou. Me aproximei dela, e o que vi na cama me espantou, o lençol branco estava manchado de vermelho.
– Ally, mantenha a calma. Vai ficar tudo bem. — Ela assentiu. — Onde está seu celular?
– Ali. — Apontou para comoda. Peguei o aparelho e liguei para Allice, pedi para que viesse até aqui, ficar com as crianças. Peguei Ally no colo, e desci, a porta foi aberta com bruscalidade. Allice apareceu — Preciso levar Ally para o hospital.
– Vai lá, e por favor me liga.
– Ok. — Sai, desliguei o alarme de meu carro e coloquei a Dawson no banco e trás, o mais confortavel possivel. Entrei no motorista e digiri em direção ao hospital. Allyson soluçava sem parar, estava com dor e muito medo. Estacionei o carro de qualquer jeito. Uma multa a mais ou a menos não fará diferença.
Peguei a morena no colo e entrei correndo, duas enfermeiras veio até mim com uma maca e pediu que eu a deitasse. Ally segurava minha mão com firmeza, porém teve que solta-lá para entrar na sala.
– Senhor, pode preencher a ficha dela? — Uma enfermeira baixinha de cabelos grisalhos pediu. Assenti e escrevi algumas coisas. Nome, idade entre outros. — Aguarde ali.
– Obrigado. — Me sentei na cadeira segurando o rosto com as mãos, e fechei os olhos com força.
– Senhor Moon? — Chamou um senhor. Deveria ter uns 50 anos, tinha cabelos loiros e olhos azuis
– Eu. — Me levantei e me aproximei do senhor
– Sou o Peter Thompson, médico da senhorita Dawson — Apertei sua mão
– Austin. — Ele olhou para prancheta
– Bom. Senhorita Dawson teve o começo de um aborto devido ao estresse, ela devia tomar mais cuidado. — Assenti. — Bom conseguimos parar o sangramento e demos um calmante para ela, estava muito agitada. O bebê não corre mais risco, porém ela terá que ter repouso, não poderá trabalhar até o fim da licença maternidade. Pode ve-lá, quarto 567
– Obrigado doutor. — Agradeci.
– Por nada rapaz — Ele sorriu, devolvi o sorriso e segui para o quarto da morena. Bati os nós dos dois dedos na porta e abri, Ally olhava para janela enquanto afagava o abdome
– Licença.
– Oi — Ela me olhou e sorriu. Os olhos continuavam vermelhos, assim como o nariz e as bochechas.
– Tudo bem? — Me aproximei da cama
– Sim. Ah, Austin. Muito obrigada, eu não sei o que faria sem você — Sorri
– Não foi nada. — Conversamos por alguns minutos até Ally alegar que estava com sono — Durma um pouco.
– Austin — Balbuciou de olhos fechados
– Hm? — Disse
– Canta para mim? — Pediu
– Qual musica? — Perguntei
– Me and you– Respondeu
– Ok. — Arranhei a garganta e comecei a cantar a musica, foram poucos minutos até ela estar ressonado tranquilamente, segurando firme em minha mão. Sorri. Peguei o celular e digitei uma mensagem para Allice
" Lice, está tudo bem. O bebê e Ally passam bem, ela teve o começo de um aborto causado pelo estresse. Está tudo bem por ai? " Foi questão de segundos até ela responder
" Graças a Deus. Sim, está tudo bem. Vai passar a noite ai? " – Logo enviei outra mensagem dizendo que dormiria por aqui mesmo e ela disse que iria dormir, e na manhã seguinte viria ver a irmã.
Escorreguei um pouco o corpo na cadeira e fechei os olhos relaxando e sendo atingido em cheio pelo cansaço. O sono logo veio e fui levado pela inconsciência.
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