O Avivamento de Satis.
5 Capítulo 4 - Final
Notas iniciais
— Por favor, saia para que eu troque minhas vestes. — Neji pediu, mas Hidan apenas riu debochado antes de sentar-se em sua cama.
— É assim que trata seu marido, Ômega? — O Alpha adorou chamar Neji daquela maneira. Era como se proclamasse um grande triunfo. Usando seu poderio Alpha, ordenou: —Sente-se ao meu lado!
Resiliente, Neji cumpriu a ordem.
Hidan se aproximou e passou a tocar suas coxas. Ele encostou o nariz na curva do pescoço do Ômega e seguiu farejando-o feito um bicho faminto.
— O quão triste e deprimente deve ser para ti, o Alpha mais poderoso do Egito, recorrer à voz de comando para fazer com que um Ômega durma contigo.— Altivo e sem demonstrar medo algum, Neji jogou aquela verdade sobre o faraó.
Ao ver que o Alpha afastou o rosto, imerso num ar de superioridade, o rei consorte continuou.
— Nunca conhecerás o amor verdadeiro, pois traiu o amor incondicional que recebeste dos únicos shifters que te ofertaram um sentimento verdadeiro. Tua mãe e teu pai. — Neji falava com tranquilidade. — Seus soldados, os mancebos de teu harém, teus súditos, ninguém nunca dedicou sentimentos sinceros. Todas tuas conquistas chegaram a ti através dos privilégios de sua casta ou sob o fio de tua espada.
— Cale-se, Ômega desgraçado! — Imerso em ira, o monarca levantou-se da cama. — Tua terra, família, o homem a quem dedica sentimentos, tua prole... Tudo que amas, destruirei com minhas próprias mãos, e teu castigo será assistir a tudo isso estando ao meu lado! — Hidan amaldiçoou o Ômega. — Não saia deste cômodo até que eu o mande sair, se tem amor a tua vida e a deste bastardo que carregas em teu ventre.
O faraó o ameaçou, um segundo antes de deixar o cômodo.
******
— Estou feliz em reencontrá-lo meu amigo! — Aburame Shino saudou-o com um abraço carinhoso.
Após sair do agarre, Shikamaru sorriu, fazia um tempo que eles não se viam, visto que o hachiko chegou em Unas, bem antes dos outros shifters, quando deixou-se capturar por Momoshiki.
— A felicidade é toda minha, altezas. — Ele aproveitou para cumprimentar Uchiha Itachi que também se aproximava.
Os dois príncipes trouxeram roupas de serviçais para ele e seus companheiros de jornada. Com a ajuda de algumas mulheres, simpáticas à ideia da insurreição, Shikamaru, Chouji e Asuma conseguiram entrar e se esconder na despensa do palácio, onde estavam até agora.
— Hidan e Neji em breve irão para o salão nobre, onde será servido o banquete. Vocês estão prontos? — Itachi perguntou aos três.
— Estamos! — Asuma foi o porta-voz do trio.
— Ao sairmos daqui, peço que contenham seus chakras. — Itachi orientou, depois fez uma observação. — Entre escravos e serviçais existem apenas Betas.
O aviso era pertinente. A presença de um Alpha junto aos subalternos chamaria atenção desnecessária.
Os herdeiros do leste e do oeste rumaram para a saída da despensa e os três, já devidamente vestidos, os seguiram. Após se separarem, Itachi e Shino retornaram para a cozinha e os Hachikos seguiram corredor afora até se misturarem aos servos que serviriam os convidados. Uma Beta idosa que organizava os servos e escravos, deu a cada um deles uma bandeja. Ao chegarem ao local do banquete, o coração de Shikamaru falhou uma batida logo que percebeu algo importante.
— Ele não está aqui.
— Ele quem? — segurando um prato com pedaço apetitoso de pernil, Chouji procurou ao redor, mesmo não sabendo do que seu amigo falava.
— Neji… — Shikamaru olhou em todos os cantos possíveis do salão nobre. — Ele não está aqui.
— Está cego, homem? — Asuma acusou. Junto aos escravos, que estavam na porta, se preparavam para entrar no espaço. — Seu Ômega está sentado à direita de Na Hidan.
— Aquele sentado ao lado daquele crápula não é Neji. — O Nara conhecia o Hyuuga desde seus primeiros dias de vida, quando o pequeno foi posto sob seus cuidados. A energia vital daquele Ômega era o combustível que o motivava a seguir adiante. Shikamaru não seria enganado tão facilmente.
Asuma e Chouji torceram o nariz, pois seus olhos viam o rei consorte ao lado de Hidan.
— Não sei que espécie de ilusão ou feitiço é esse, mas preciso encontrá-lo.
Assim que Shikamaru terminou de falar, discreto, um soldado sulista passou pelos três e se aproximou do Ōtsutsuki, que estava junto à parede, atrás de Hidan. O homem disse algo no ouvido do general que aparentou se alarmar.
— Fomos descobertos. — Chouji deduziu, jogando a bandeja no chão. Os outros dois fizeram o mesmo e em sincronia outros ex-hachikos do norte que estavam com eles os imitaram. Munidos de espadas, Itachi e Shino adentraram o salão com seus homens.
Uma luta sangrenta entre os insurgentes e os partidários de Hidan iniciou-se no interior e se estendeu para os jardins do palácio. Muitos convidados fugiram para salvar suas vidas. Na Hidan pegou o falso Neji pelo braço e o levou consigo, no seu encalço, cumprindo ordens de Momoshiki, os soldados que faziam sua segurança deixaram o espaço.
— Calaceiro! — Asuma gritou para Shikamaru que se preparava para lutar ao lado dos amigos. — Vá encontrar seu Ômega. Eu e Chouji cuidaremos do general e seus soldados. — O Sarutobi concluiu, depois ergueu os cantos dos lábios.
Diante dele estava o Ōtsutsukicom a espada em riste, e enquanto o Nara adentrava os corredores do palácio em busca de Neji, Asuma empunhou sua Cimitarra, agradecendo aos céus por poder acertar as contas com o homem que lhe fez perder muitas noites de sono nos últimos meses.
— Agora é uma boa hora para acertarmos nossas diferenças e ter a certeza de que Shikaku deveria ter escolhido a mim, não a ti como seu sucessor. — Momoshiki disse.
— Vejo que você continua sendo aquele bebê chorão que Shikaku acolheu em sua casa… pois bem, vamos lutar, e que entre nós, vença o melhor. — rebateu Asuma, logo os dois passaram a digladiar-se.
Enquanto Itachi e Shino, com a ajuda de aliados e ex-haschikos do norte, decidiam a batalha em favor dos insurgentes, já não mais no interior do palácio, no centro do salão, Chouji foi atingido na cabeça por um soldado sulista, que lhe feriu com uma moca. Irado, num contra golpe, o Alpha tirou a vida do homem usando sua adaga.
Do lado de fora do palácio, próximo ao chafariz, Asuma levava a melhor e desarmava o Ōtsutsuki. Vencendo o embate de forma limpa e justa, mostrando a todos o quão valioso era o treinamento que havia recebido de seu saudoso mestre.
— Este é o melhor homem do exército egípcio? Aquele a quem Hidan nomeou seu general? — Asuma riu com gosto. Diante dele, caído de bunda dentro da fonte, estava Momoshiki. O Sarutobi apontava a cimitarra para seu peito o encurralando. — Nara Shikaku sempre teve bons olhos, por isso não te escolheu como capitão.
— Por que não acaba logo com isso? Assim poderá vingar a morte de seu general. — Momoshiki se aproximou mais do fio da cimitarra, mas Asuma deu um passo atrás.
O melhor modo de vingar-se de seu inimigo é não se assemelhar a ele.
Era como se Asuma estivesse ouvindo a voz de Nara Shikaku ao pé de seu ouvido em mais um de seus inúmeros ensinamentos. Seu mestre era o hachiko mais incrível que conheceu em toda a sua vida. Uma lágrima brotou em seus olhos, ao que o Alpha sentiu um toque gentil em seu ombro, semelhante ao que recebia de Shikaku quando concluíram mais um dia cansativo de treino, contudo era apenas Akimichi Chouji, orientando-o sem usar qualquer palavra a fazer o que era certo, então ele olhou para um dos hachikos que estavam por perto e pediu:
— Tire esse monte de estrume da minha frente e levem-no para a masmorra! — Ele olhou para o traidor de Satis e falou. — Aproveite. Aquele será seu novo lar a partir de agora.
******
Preso no quarto, alheio ao que ocorria fora dele, Neji ouvia o atrito entre as espadas. O oráculo da deusa Hathor que a sacerdotisa Tenten lhe transmitiu durante o cortejo nupcial estava se cumprindo! Tudo que o rapaz queria era poder empunhar sua espada e ajudar seus conterrâneos, mas dentro daquele cômodo, era somente mais uma peça no jogo a ser manipulada pelo faraó. Seu coração era apenas angústia e falta de notícias, pois não sabia se as primas estavam seguras, tampouco se Shikamaru estava junto aos que lutavam, porém, foi pensar no amado e surpreendeu-se com a porta do quarto abrindo-se após um tranco.
— O quê…
Um soldado com um punhal fincado no peito caiu sobre o tapete que ficava na entrada do cômodo e logo atrás do homem, Shikamaru surgiu.
— Shikamaru?!
Ao vê-lo, o recém-chegado correu e o abraçou, todavia um segundo depois se afastou e olhou para sua barriga.
— Vocês estão bem?
Como o Alpha havia feito à descoberta, Neji não sabia, mas era lógico que seu amado se referia ao bebê deles, que não demorou a se manifestar através do chakra, reconhecendo seu genitor.
— Sim, nós estamos bem. — Neji sorriu largo, pois Shikamaru estava visivelmente emocionado. Cheio de saudades, beijou seus lábios, entretanto, tudo o que eles não tinham era tempo para matar saudades.
— Você está com o punhal que te dei? — Shikamaru perguntou depois do beijo e Neji assentiu. O hachiko rumou até o corpo do soldado e retirou o punhal preso em seu peito, limpou a peça e colocou na sua bainha junto à cintura. Seu amor pegou a espada do homem morto e voltou para ele.
— Preciso te levar para um lugar seguro, Hidan conseguiu fugir, certamente virá atrás de você.
Seu amado segurou sua destra, conduzindo-o para o corredor, onde tiveram que desviar dos corpos de alguns soldados.
— Por aqui, há uma passagem direta para o estábulo na biblioteca. — Neji recordou-se da descoberta feita há alguns dias quando ele e as primas liam no local.
Logo o casal chegou à biblioteca, e por conseguinte ao pátio, para poder se encaminhar ao estábulo, estava tudo uma confusão. Nobres, escravos, súditos… inúmeros shifters gravemente feridos, fugiam para longe da luta que acontecia entre os soldados sulistas e os hachikos de Satis. Na opinião de Neji, aquela era a visão do inferno.
— Shika… — Abalado, o Ômega apertou a mão do Alpha. Por mais forte que fosse, a dor alheia o afetava, afinal, ele pertencia à casta mais sensível na hierarquia shifter, além disso, estava grávido, suas emoções eram uma bagunça.
— Venha comigo… — percebendo seu estado e provavelmente sabendo o que acontecia em seu interior, Shikamaru o puxou. — Temos que chegar ao estábulo. Não poderá fazer nada por eles, caso te aconteça o pior.
Após cruzarem o jardim em meio a loucura que o local se encontrava, estando quase nos portões do estábulo, Neji sentiu seus pés fixos ao chão e sua voz presa na garganta. Por mais que Shikamaru lhe puxasse, o Ômega não conseguia se mover. Ao erguer o olhar viu adiante um shifter idêntico a si e este lhe sorria ardiloso.
— Quem és tu, demônio? — Shikamaru inquiriu, colocando-se à sua frente.
— Jamais imaginei que vossa majestade fosse um covarde. — Estando transfigurada ou não, a voz de Kaguya era inconfundível. Lentamente a feiticeira foi revelando sua verdadeira face, enquanto gargalhava de modo sinistro. — Outros morrendo por ti no salão e tu fugindo com seu amante?
Kaguya cedeu passagem para Hidan, que surgiu atrás dela.
— Nos encontramos outra vez, hachiko! — O olhar que o faraó dirigia ao Nara estava repleto de rancor e ódio. — Preparado para assistir à morte de seu príncipe antes de se juntar a ele?
Tão logo o faraó proferiu aquelas palavras, Kaguya estendeu a destra na direção de Neji e em seguida o Ômega desabou no chão e passou a se contorcer preso em seu feitiço. Shikamaru largou a espada e foi ampará-lo, contudo, Hidan avançou sobre ele de cimitarra em punho, dando-lhe tempo apenas para proteger-se do vil ataque.
— Maldito! — O faraó xingou e houve um barulho estridente quando as armas dos Alphas chocaram-se uma contra a outra. Hidan passou a investir sobre Shikamaru com força descomunal. Os músculos dos seus braços e pernas se contraíam a cada golpe, as veias de seu pescoço saltavam aos olhos. Sua destreza em combate era notável. O exército do sul nem sempre foi considerado o melhor dos quatro reinos em vão.
— Ele sempre foi seu ponto fraco hachiko! Diante dele, fica cego e não consegue usar à lógica. — O faraó desferiu outro golpe, enquanto lançava sobre si aquelas verdades. — Por esse motivo, colocastes a tua vida e a vida dos teus homens sob risco, quando seguiam em comitiva para a Líbia.
A lâmina de cimitarra de Hidan acertou o braço de Shikamaru, causando um corte profundo no local, fazendo com que o outro demorasse em aprumar o corpo. O Alpha não conseguia se desligar do que acontecia entre Kaguya e o Hyuuga, que continuava sob o efeito do feitiço da mulher.
— Concentre-se em sua luta! — Neji se dirigiu ao Nara.
Olhando de soslaio para ele, Shikamaru viu que o Ômega estava colocando-se de pé. Ele usava sua força vital e concentração para sair das garras do feitiço da bruxa, que segundos depois parou de surtir efeito sobre ele, sendo assim, o shifter entrou numa luta corporal com a Ōtsutsuki, que por ser Beta era consideravelmente mais forte, todavia, em dado momento, o rei consorte virou o jogo, acertando o queixo da outra com a palma da mão de baixo para cima. Com a força do golpe, a cabeça da feiticeira foi para trás e ela desmaiou. O soco afetou os nervos no topo da sua coluna vertebral, o que a faria acordar, provavelmente, só no dia seguinte.
Aliviado com o que havia acabado de acontecer, Shikamaru respirou fundo e concentrou-se em sua própria luta. Ele ajeitou a postura e segurou firme no cabo de sua espada, revidando os golpes alheios com força e técnica semelhante a de Na Hidan. Não demorou para que o faraó estivesse desarmado e encurralado junto ao tronco de uma pequena árvore.
— Termine o que começaste! — Hidan sugeriu, pois tinha o fio da espada de Shikamaru a um milímetro de seu pescoço, entretanto, o hachiko hesitou.
Para cada ação há uma reação. Itachi e Shino lhe disseram enquanto estruturavam aquela rebelião. O Nara desejava fazer justiça com as próprias mãos, contudo, se a fizesse, teria que arcar com as consequências dos seus atos.
— Ele deve ser julgado por seus crimes, em um júri popular, encabeçado pelos herdeiros reais de Satis, Rafidi e Sataki. — Shikamaru ouviu a voz de Aburame Shino.
— O povo do Egito é que decidirá qual será seu destino, não você! — Itachi acrescentou.
Atrás dos dois herdeiros estavam dezenas de Hachikos, o que indicava que a luta em Unas havia sido decidida a seu favor.
Shikamaru olhou ao redor em busca de Asuma e Chouji e sorriu ao ver os amigos se aproximarem. O Akimichi estava com o torso nu, pois sua farda estava ensanguentada e enrolada em sua cabeça, o Sarutobi, que amparava o amigo, retribuiu seu sorriso. Sua expressão era vitoriosa.
Sem coragem de abaixar a espada, Shikamaru seguiu empunhando-a no pescoço do crápula. Hidan não merecia seguir vivo.
Vendo a dificuldade que o Alpha tinha para tomar uma decisão, Neji caminhou até ele e tocou no fio de sua espada com delicadeza. Olhando-o nos olhos, num pedido mudo para que Shikamaru abaixasse a arma, e mesmo hesitante, ele o fez. Nesse ínterim, Itachi ordenou que dois hachikos prendessem Hidan até o julgamento, só então ele a guardou na bainha em sua cintura.
— Vocês estão bem? — o hachiko olhou Neji de cima a baixo, enquanto perguntava.
— Sim, não se preocupe. Estamos bem. — Neji sorriu. Após tantos meses de sofrimento, podia finalmente respirar aliviado. — Venha, é hora de irmos para casa. — O Ômega acariciou o rosto do hachiko, que retribuiu seu sorriso.
Enquanto os soldados prendiam Hidan, Neji e Shikamaru preparavam-se para deixar o lugar abraçados, contudo…
— Se não posso tê-lo ao meu lado, você também não o terá! — Na Hidan gritou escapando das mãos dos hachikos.
O Alpha pegou a espada de um dos soldados e foi na direção de Neji na intenção de matá-lo. Antecedendo que Shikamaru entraria na frente da espada, agindo por puro instinto, o Hyuuga empurrou seu amado para longe, antes de sacar o punhal que trazia consigo e lançar o objeto na direção do agressor, acertando o rei do Egito em cheio na testa.
Diante da bizarrice daquela cena, um silêncio sepulcral fez-se ao redor. Em choque, os espectadores assistiam à queda, literal, de Hidan, enquanto diante do monarca abatido, estava de pé um frágil e delicado Ômega, que agiu em legítima defesa,
— O rei está morto, longa vida ao novo rei! — Um brado foi ouvido em meio aos presentes, alertando Neji, que ainda estava processando o que havia acabado de fazer.
O Ômega olhou para as pessoas à sua volta. Naquele momento, Aburame Shino, príncipe de Sataki realizava uma genuflexão diante dele, então, como um efeito cascata, Uchiha Itachi, herdeiro de Rafidi, o imitou, o mesmo fez seus aliados, em seguida foi a vez dos hachikos do norte, servos e escravos, em seguida outro shifter e outro, e assim sucessivamente. Por último, Shikamaru ajoelhou-se a sua frente, e, ao pegar a sua mão, disse num sussurro para que apenas Neji pudesse ouvir:
— Vida longa ao grande amor da minha vida.
Incrédulo, mas consciente de que acontecia, em especial por compreender a responsabilidade que assumiria a partir daquele instante, Hyuuga Neji, herdeiro de Satis, ajeitou a postura. Colocando-se à frente de todos, visto que ante a morte de um rei, seu trono é passado imediatamente para seu sucessor, como a mão diante do peito, o filho único de Hyuuga Hizashi, aceitou o destino que os deuses haviam lhe preparado.
Aproximadamente um ano depois.
Segurando seu bebê no colo, Neji esperava seu rei consorte despedir-se do pai. Diante da sepultura de Nara Shikaku, com suas espadas empunhadas em direção ao céu, Shikamaru, Asuma, agora general, Chouji, seu novo capitão, além de muitos soldados que compunham o novo exército egípcio, rendiam homenagem ao seu saudoso comandante. De fato a era dos hachikos findou-se juntamente com o Alpha que os liderou com maestria ao longo de várias décadas, contudo, de onde ele estivesse, o exímio guardião seguiria abençoando o exército do atual faraó.
— Vamos para casa. — Shikamaru decretou após colocar sua espada novamente no suporte de couro preso nas suas costas e se aproximar dele. O Alpha em seguida pegou o filho e deixou um beijo casto na testa do filhote. Neji sorriu, quando seu amado lhe estendeu o braço, o qual ele não recusou. Serenos, o casal seguiu para o palácio, local onde viveriam felizes até onde os deuses os permitissem ser, como deveria ter sido desde o início de suas histórias.
Oráculo da deusa Hathor, destinado aos egípcios.
Não haverá abrigo, tampouco misericórdia para aqueles que ofenderam os deuses, causando a ruína de Satis. A terra preferida de Hathor e amada pelo deus do sol ressurgirá das cinzas. Após décadas de dominação e maldade, eis que o infiel enfrentará a justiça celestial e será finalmente julgado por seus crimes. Os dias do grande demônio estão contados. Ele será deposto, seu sangue amaldiçoado e por fim, esquecido. A linhagem da traição será quebrada e um novo faraó subirá ao trono do Egito, este rei será ungido e amado por seu povo, junto consigo, um tempo novo começará no Egito. Uma era de paz e avivamento terá início sobre a terra banhada pelo rio Nilo desde a sua criação.
Fim
Fale com o autor