O Avivamento de Satis.
4 Capítulo 3
Notas iniciais
Ainda estava vivo na memória afetiva do povo do Egito, o dia em que os antigos monarcas do sul se casaram. Os dois eram jovens e estavam muito apaixonados na época. O sentimento era tão intenso que todo povo podia sentir. Os três dias do enlace foram de extrema alegria em Unas. Pouco tempo após a celebração, a rainha anunciou sua gravidez aos súditos, foi quando tiveram a certeza que aquela união de fato era abençoada pelos deuses.
No entanto, algo terrível aconteceu alguns meses depois. Ao final da gestação, foi descoberto que vossa majestade esperava dois bebês: um Alpha e um Beta, e no dia do parto, apenas o bebê que pertencia à casta mais forte, sobreviveu. O rei encheu-se de orgulho por ter um varão vigoroso que continuaria seu legado, mas sua esposa sentiu no âmago a dor e o luto pela perda do Beta e embora amasse incondicionalmente o filho que sobreviveu, a mulher soube, no exato momento que olhou nos olhos de Hidanheb e o amamentou pela primeira vez, que o príncipe eliminaria qualquer um que no futuro ameaçasse seu poderio.
Ω
Enquanto Neji e Na Hidan retornavam ao palácio após o segundo dia dos festejos, pelas ruas de Unas os sulistas rendiam graças aos deuses por terem a sua frente um rei implacável, no entanto o Hyuuga sentia em seu chakra que nem todos pensavam desse modo, em especial os shifters oriundos das outras regiões. Dentre estes súditos, existia uma sacerdotisa da deusa Hathor chamada Tenten. Há alguns dias, a Beta, que era nativa de Satis, havia sido visitada num sonho onde os deuses lhe confiaram uma visão. Por esse motivo a mulher aguardava o cortejo nupcial e assim que o mesmo passou por ela, a shifter aproveitou para tocar no Ômega; Durante os segundos que durou o contato físico entre os dois, Tenten compartilhou com ele a revelação que teve…
Enquanto recordava do encontro dele com a sacerdotisa mais cedo, o príncipe de Satis buscava nas palavras ditas por Tenten, a força da qual necessitava para seguir adiante. A decisão de se casar sem lutar nunca foi um ato covarde da parte de Neji, pelo contrário, essa foi a primeira decisão que considerou apenas o uso da razão durante toda sua vida. Em outra situação resistiria, preferiria mil vezes a morte que vincular-se com o faraó, todavia, o casamento lhe conferiria a posição de rei consorte, portanto, qualquer um pensaria duas vezes antes de tocar num fio sequer de cabelo de vossa alteza real, e isso incluía Kaguya, que naquele momento entrava em seu quarto e estendia uma caneca de barro na sua direção.
— Beba!
Aquela poção havia sido preparada pelos sacerdotes do templo há algumas horas, durante o ritual em honra a deusa Hathor. Bebê-la fazia parte do ritual pelo qual todo Ômega passava antes de sua noite de núpcias. Uma tradição exclusiva do reino do sul para os casamentos ocorridos no seio da família real. Segundo a crença deles, além de sorte e bênçãos ao nobre que a bebesse, aquele preparado garantiria ao shifter rebentos inteligentes e saudáveis.
— Não tem medo que sua bebida esteja envenenada, Ômega?
Neji lhe dirigiu um sorriso falso, após sorver todo o líquido do copo. A mulher estava há alguns minutos em seu quarto, o ajudando a vestir as pesadas roupas que compunha o terceiro conjunto de trajes matrimoniais.
— Você pode ser qualquer coisa, mas sei que burra não é uma delas, Beta. — o Ômega cuspiu as palavras, enquanto frisava a casta da mulher, em seguida lhe devolveu a caneca vazia.
O príncipe sabia que a bruxa não queria estar ali, apenas cumpria uma ordem do faraó. Na verdade, a Beta o odiava, em especial por ser um Ômega. Embora ela tenha sido a primeira concubina a fazer parte do harém de Hidan, o monarca do Egito jamais a escolheria como esposa, e o motivo eram simples: além de não possuir título de nobreza, uma união carnal entre a Ōtsutsuki e o Na, somente um milagre faria a mulher conceber herdeiros Alphas. Shifters, que segundo a mentalidade arcaica e preconceituosa da maioria dos egípcios, seriam os únicos capazes de liderar uma grande nação.
— Não é mesmo?
Em resposta a sua pergunta, Kaguya apertou a caneca entre suas mãos. Neji a olhou e ergueu ainda mais o canto dos lábios ao ver os olhos de irises lilases tão parecidos com os seus repletos de ira.
— Você já cumpriu seu papel aqui, então saia! Eu posso terminar de me aprontar sozinho.
O príncipe ordenou e Kaguya olhou-o com desprezo, antes de lhe dar as costas e deixar o cômodo. O Ômega suspirou após a partida da outra. Estava grato aos deuses por conseguir controlar seu chakra diante daquela mulher. Ele não se perdoaria se cometesse o mesmo erro do dia anterior, quando apenas alguns instantes de descontrole foram suficientes para que Hidan descobrisse a existência de seu bebê…
Assim que pensou no filhote, o Hyuuga acariciou o ventre e sorriu, mas agora de modo sincero. Mesmo que Shikamaru ainda não soubesse da existência do fruto do amor deles, era inegável o quanto o pequeno em sua barriga era parecido com seu grande amor. Sendo ainda do tamanho de um grãozinho de trigo, seu filho era tão destemido quanto seu pai Alpha, por isso projetou seu chakra contra o faraó no dia anterior. Queria defendê-lo, afinal, ele era um Nara, por consequência tinha sangue de hachiko correndo em suas veias.
— Não se preocupe comigo, ok? — O jovem sussurrou, em seguida, ergueu-se da cadeira. O oráculo da sacerdotisa trouxe um pouco de alento ao seu coração, lhe dando certeza de que Shikamaru estava bem e que por ora Hidan não ousaria tocar nele. — O papai sabe se cuidar.
Sob a almofada da cadeira havia um punhal de ouro, o qual Neji pegou e colocou sob seu traje colado ao peito. Agora sim estava pronto para oficializar a união com Na Hidan.
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— Como esperávamos, a segurança nos arredores da hoploteca e no entorno do palácio foi reforçada. — Chouji alertou, enquanto aguardava, junto ao povo, o pomposo cortejo dos noivos que em breve passaria pela rua principal.
— Temos a vantagem de Momoshiki acreditar que fomos mortos na emboscada que ele armou há alguns meses e achar que Shikamaru continua preso na masmorra do palácio. — reforçou Asuma. Mesmo vestindo capuz e mais barbudo do que o costume, o Sarutobi não abaixou a guarda.
O Alpha se culpava por não ter ficado no norte assim que Hidan iniciou a tomada dos tronos. Ele desprezou seus instintos, que lhe dizia para ficar em sua terra natal. Para ele, a morte de Nara Shikaku, a quem considerava um pai, e de Hizashi, poderia ter sido evitada. Se não tivesse confiado em Momoshiki e acatado ordens do general, seguindo para a Líbia com Shikamaru e Chouji.
— Se você tivesse ficado em Satis com meu pai, hoje também estaria enterrado numa vala comum junto a ele. — Sabendo o que passava pela mente do amigo, Shikamaru chamou sua atenção.
Quando o trio deixou Satis, cumprindo as ordens de Hyuuga Hizashi para levar seu herdeiro e suas sobrinhas para o exílio na Líbia, a comitiva sofreu uma emboscada. Os homens de Hidan não tiveram dificuldades para interceptá-los, pois Momoshiki os informou previamente sobre o itinerário que o grupo faria. Os três hachikos foram amordaçados, torturados e jogados de um precipício para que esperassem a morte ou fossem devorados por abutres, contudo, os deuses tinham outros planos para eles.
Cumprindo ordens divinas, a sacerdotisa Tenten foi ao resgate dos três. A mulher cuidou deles por dias, dando-lhes tempo para curar suas feridas e preparar sua vingança. Com a saúde totalmente restabelecida Shikamaru, Chouji e Asuma finalmente partiram para a Líbia, mas desta vez não em busca de exílio, e sim de aliados para realizarem uma rebelião.
— Foco no presente, Asuma… teremos algumas horas até que descubram nosso engodo. — Shikamaru falou. Era necessário ter cautela. O hachiko que trocou de lugar com ele durante a troca de guarda avisou que Momoshiki costumava mandar seus homens vistoriar o local de hora em hora, então era provável que logo seus disfarces caíssem. — Não permita que nada o distraia. A hora de honrar o nome de seu general e dar-lhe uma sepultura digna se aproxima, portanto, é necessário que não percamos a cabeça, antes que Hidan e vossa alteza oficializem seus votos.
Era visível o quanto o Alpha estava envolto em ódio. Ele carregava culpa semelhante à de Asuma em seu peito. Antes de ser o amor de sua vida, Hyuuga Neji estava sob sua égide quando foi feito cativo. Uma desonra para qualquer guardião real.
— Vocês acham que os príncipes do Leste e do Oeste têm razão? — Reflexivo, o Akimichi perguntou aos amigos. O Beta vinha pensando muito nisso nos últimos dias. — Itachi e Shino acreditam que o Egito jamais será o mesmo após essa insurreição. Aos olhos de muitos shifters, o faraó é soberano.
Chouji não estava errado. Na mentalidade popular, como todos os monarcas que governaram o país antes dele, Na Hidan era um deus sobre a terra. Inúmeros súditos julgavam divina sua regência. Estes homens e mulheres só aceitariam outro rei, caso este fosse ungido pelas divindades desde seu nascimento. Por esse motivo, uma rebelião contra ele era tão arriscada.
— Da mesma forma que o Nilo não é o mesmo quando entramos nele uma segunda vez, nenhum de nós, muito menos o Egito, será o mesmo após essa noite.
Shikamaru profetizou, antes que alguém na multidão gritasse: Vida longa ao rei do Egito! E uma intensa e vibrante ovação se iniciar, os deixando atentos. Seguido de Ōtsutsuki Momoshiki e de toda elite de seu exército, o cortejo dos noivos adentrava a rua, dirigindo-se ao templo. Aquela era a deixa que precisavam para colocarem em prática seus planos de tomar Unas
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Vaidoso, Momoshiki estava atento a tudo. À direita de suas majestades, sob os arcos da entrada do palácio, na parte mais alta do prédio, o Beta ostentava por trás do peito estufado, sua patente de general. Era o terceiro dia das festividades do casório dos monarcas, e os noivos já haviam recebido as bênçãos dos sacerdotes no templo, o que significava que o Na e o Hyuuga já não eram mais noivos e sim casados.
— Sua presunção será sua ruína, infeliz — Asuma cuspiu no chão ao término da ameaça. O Alpha se dirigia ao Ōtsutsuki , embora este certamente não tenha lhe ouvido, visto que o general estava a uma distância considerável, fazendo a segurança de Hidan e Neji.
Os recém-casados receberam os cumprimentos do povo e estavam prestes a deixar o local e seguir para seus aposentos. À noite teria início o banquete dedicado aos convidados ilustres e nobres que convidados para o casamento, onde o regente apresentaria oficialmente o rei consorte. Essa era a ocasião que o faraó certamente buscaria estabelecer importantes conexões, visando seu futuro como líder do país.
— Uchiha Itachi e o Aburame Shino já devem estar nas dependências do palácio. — Chouji deduziu assim que Hidan e Neji deram as costas para a multidão.
Há uma semana, os príncipes estavam em Unas. A dupla se uniu aos servos contratados para cuidar do banquete. Ambos entraram na hoploteca e roubaram machados, maça de ferros, mocas, espadas, punhais e algumas cimitarras curvas, armas mais discretas e as esconderam em locais estratégicos dentro e nos jardins do palácio.
— O que pensa que estás fazendo? — Chouji segurou Shikamaru pelo braço. O Nara dava passos à frente, enquanto segurava firmemente o cabo do punhal embainhado em sua cintura. — O príncipe Hyuuga sabe usar um punhal, não duvido que esteja com um idêntico a este sob suas vestes, nesse exato momento.
— A vida de muitos, inclusive dos príncipes de Sataki e Rafidi, estão em nossas mãos. Qualquer descuido e tudo que fizemos até aqui terá sido em vão. Recomponha-se! — Foi a vez de Asuma trazê-lo para a realidade.
Olhando fixamente para as costas de Neji, que estava sendo levado por Hidan para o interior do palácio, o Nara caiu em si. Ele não colocaria tudo a perder estando tão perto da vitória. Devagar, o Alpha soltou o cabo do punhal.
— Perdoem-me — Shikamaru puxou o ar pelo nariz e lentamente soltou-o pela boca. — Vamos, precisamos encontrar vossas altezas.
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