O Auror - O Conto da Lua e das Trevas
5 Capítulo 5: O Fim do Processo
Após a apresentação de parte do corpo dos professores os alunos seguiram para seus dormitórios.
— Eu pensei que teríamos aulas hoje. — disse um dos alunos que caminhava a frente dele.
— Eu também… — respondeu outro deles.
— Hei! Hei! Sulamericano! — ele percebeu que poderiam estar chamando por ele e se voltou para trás.
Viu um menino vestindo o uniforme da escola, era moreno mas tinha os cabelos ondulados presos num rabo de cavalo na parte de trás da cabeça, da cor de terra escura; seus olhos eram num tom de castanho forte.
— Você deixou cair esse pergaminho…
— Ah! Muito obrigado…
— Ham… do que se trata? — perguntou o menino curioso.— É que tem um encantamento…
— Não é nada…
O menino persistiu ainda atrás dele andando a passos apressados.
— Ah! Vá. Claro que existe! Você não colocaria um feitiço de selamento num pergaminho em branco.
— Escuta… como você se chama?
— Khalil, Khalil Khalfani.
— Prazer, meu nome Julian Diadmoon.
— Sim eu sei. Você é o intercambista. Veio de Castelobruxo.
— Sim.
— Qual o seu dormitório?
— Eu estou na Torre da Lua Cheia.
— Sério?! — ele exclamou com animação.— Eu também! Nesse caso podemos ir juntos.
Eles seguiram juntos até a torre que recebia o nome de Lua Cheia. Os dormitórios da escola ficavam nas torres. Cada uma das quatro torres recebia o nome de uma fase da lua.
As escadas ascendiam em caracol e vários níveis se podia acessar portas através das estátuas de animais diversos. Eles subiram pelas escadas até chegarem frente a imagem de uma águia feita em pedra.
— Ham… qual a senha…?
— Pena de galinha… — disse o outro.
A águia girou dando passagem.
— Você…
— Sim eu estou nesse dormitório.
Dentro de si ele queria correr para a sala da Diretora e pedir para mudar de dormitório. Mas se conteve.
Eles entraram e foi quando ele reparou que o quarto dele estava mudado, não havia mais somente uma cama, mas duas. Assim como todo o quarto estava de certa forma duplicado.
— Como…?
— Ah! Você não sabia, mas os quartos aqui são enfeitiçados para que possam adquirir o tamanho certo para comportar os alunos que vão ficar neles. Mas não se preocupem não costumam ficar mais de 3 alunos por quarto.
Eles colocaram as coisas em seus devidos lugares e ele se deitou na cama.
— Agora você vai me falar qual o motivo de você não querer revelar o processo de Animago no seu pergaminho?
— Como você… você quebrou o encantamento?
— Não…
— Espera… então você…
— Sim, eu sou um Legilimens.
— É possível que você tenha esse tipo de habilidade desde tão novo?
— É que minha família, os Khalfani, são especialistas em Legilimência. Então mesmo antes de sermos chamados para Uagadou iniciamos o treinamento com esta arte mágica.
— Estou impressionado!
— Obrigado…
— Mas peço que se mantenha fora da minha mente…
— Tudo bem, mas sem precisar entrar na sua mente, eu deduzo que esteja pretendendo fazer o processo do Animago, mesmo sem passar pelo curso.
Ele revirou os olhos. Que outra opção ele tinha?
Ele abriu a boca e apontou para dentro. Quando Khalil olhou lá para dentro ele viu a folha de mandrágora.
— Quanto tempo? — perguntou intrigado.
— Hoje é o vigésimo nono dia.
— Isso quer dizer…
— Sim, está acabando…
— Dizem que esta é a parte mais fácil.
— Eu já li todo o pergaminho e de certa forma todo o processo é muito complicado.
— E porque você não espera para que possa ser orientado pelo professor Hector?
— Eu quero fazer isso por mim mesmo… quando eu tive essa ideia eu não imaginava que poderia ser aceito como intercambista em Uagadou…
— Era tipo um plano B?
— Sim, mas agora que eu já comecei não pretendo voltar atrás…
— Eh… me desculpe, mas porque essa fixação com transfiguração?
— Eu também não sei explicar muito bem…
Eles prosseguiram conversando mais um pouco e em seguida adormeceram. O trigésimo dia já estava chegando…
A primeira aula correu tranquilamente. Foi uma novidade para ele ver os garotos fazendo feitiços apenas com gestos e usando as varinhas esporadicamente. Agora ele entendia porque se dizia que toda a magia se originara naquele continente. Os bruxos manipulavam os feitiços e encantamentos de uma forma tão fluída que nem mesmo ele saberia dizer o que aconteceu. Apesar de gostarem de proferir os encantamentos a maioria dos professores quando fora de sala conjuravam feitiços sem tal artifício, somente mentalizando.
Ele esperou a noite cair e percebeu que o céu estava muito nublado, mesmo àquela altura, ele precisava da luz da lua para continuar o próximo passo.
— Amato, Animo, Animato, Animagus…
Ele repetiu aquelas palavras por vários dias. E finalmente ele sentiu quando a tempestade se aproximava. Mas como ele sairia da sala? A professora nunca permitiria…, mas nesse momento o próprio destino interviu e um funcionário da escola entrou na sala pedindo a presença da professora Awena.
Assim que ela saiu da sala ele se levantou…
— Ei, Julian, onde você vai? — Khalil o pegou pelo pulso.
— A tempestade está vindo… — ele disse dando de ombros e saindo.
Novamente na caverna ele tomou a poção vermelha como sangue, repetiu as palavras “Amato, Animo, Animato, Animagus”
Dois batimentos em seu peito… acelerando… se emparelhando e destoando em meio ao calor que irradiava por todo seu corpo.
Ele caiu de joelhos, tombou para frente com as mãos espalmadas no chão.
O que está acontecendo? — perguntou para si mesmo em pensamento.
A imagem começou a se formar como um borrão, tomando forma lentamente à media que o calor se uniformizava em seu corpo e os dois batimentos ficavam mais intensos e emparelhados.
Finalmente ele conseguiu se aproximar do lago límpido da caverna e olhar para si mesmo…
Seu rosto era agora pequeno, coberto por plumas douradas, os olhos, no entanto não mudaram de cor, ainda eram num tom de verde acinzentado. Ele reparou que tinha um bico pequeno com uma pequena curvatura para baixo na ponta. Suas pernas haviam encurtado e agora terminavam em garras grandes e poderosas. Sentiu quando algo se mexeu atrás dele, e viu uma calda também com plumas douradas em cuja base havia um par de pequenas asas. Mais acima perto da altura da cintura ele também sentiu pares de asas médias, um pouco maiores que as outras. E finalmente percebeu que seus braços eram, agora, asas maiores de plumas douradas grandes e brilhantes.
— Você… você se tornou uma Criatura Mágica como o Professor Hector!
O pássaro olhou para trás e vislumbrou o garoto…
— Você é um Thunderbird, um Pássaro Trovão!
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