O Auror - O Conto da Lua e das Trevas

3 Capítulo 3 - Antes de Começar…


Ela passou por ele e subiu os degraus para a plataforma.

— Senhora Diretora, ainda precisa de meus serviços?

— Não, não Chionesu, eu estou muito grata de ter trazido o senhor Diadmoon para cá. Assim que terminarmos eu mesmo o levarei para junto do corpo discente.

Ele fez uma sútil reverência deixando o aluno com a diretora.

Quando já estavam a sós ela se sentou e tirou da gaveta um pote dourado.

— Você aceita? — ela tirou um do pote algo de forma longilínea tinha forma de uma pequena cobra, mas era alaranjada, como massas fritas, e parecia coberta de algo brilhoso. E ela colocou na boca, mordendo um pedaço. — São chamadas de Serpente de Koeksister, um doce que os sansmagie… ham… — ela relutou pensando por um momento — lá na América Latina vocês os chamam de ignarus, certo?

— Os que não são bruxos? — ele perguntou de volta.

— Exato!

— Sim os chamamos de ignarus.

— Aqui o nome dado é sansmagie.­ Vem do francês que é a língua mais falada nessa região do continente. Em cada região nós bruxos nomeamos eles de uma forma. — ela mordeu mais um pedaço do doce que se mexia como uma cobra de verdade — Na Europa são chamados de muggles que seria algo como trouxas no seu idioma. Agora veja eu fazendo esse contorno todo para falar de um docinho tão comum. — ela riu displicentemente. — Chame como quiser…, mas pelo visto você não aceita, acredito que até o fim de sua estadia você as terá provado. Agora me diga senhor Diadmoon a informação que foi me dada pela Senhora Neves é que o senhor tem particular interesse pela arte da Transfiguração;

— Sim senhora, acredito que seja a parte da magia que mais me desperta curiosidade.

— Pois você veio para a maior escola especialista nisso em todo mundo. Foi difícil convencer o Conselho da escola de admitir um processo de intercâmbio.

— Eu me sinto honrado Senhora… — ele mareou, mas lembrou-se de que não sabia o nome da diretora.

— Oh! — ela riu descontroladamente — Eu sou mesmo uma esquecida! Muito prazer senhor Diadmoon meu nome é Fadiya Asma, diretora do Instituto Uagadou de Magia e Bruxaria.

Ela se levantou dando a volta na mesa e recostou o quadril na lateral da mesma ao lado do garoto

— O senhor sabe que diferente das outras escolas, em nossa instituição nossos alunos aprendem a transfiguração desde o segundo ano. Normalmente aos 14 anos eles dominam completamente a transfiguração. Antigamente a formação dos alunos passava pela conclusão do processo de transformação Animago.

— A senhora está brincando?! — ele ficou claramente surpreso e intrigado, ela não soube definir.

— Não meu querido muitos Animagos saíram de Uagadou. Todos, logicamente, registrados inclusive na Confederação Internacional dos Bruxos.

— O processo mudou, senhora?

— Atualmente ele está suspenso devido a uma reclamação que houve um tempo atrás também lá. Foi aquele rato do deserto do Adrian Tutley, literalmente diga-se de passagem… ele é um animago rato do deserto. — ela deu uma risadinha de cumplicidade. — Agora venha comigo vou mostrar ao senhor o seu dormitório, mas antes vamos passar no departamento de currículo escolar, tudo bem, venha.

Eles saíram da sala, voltando pelo caminho pelo qual ele viera, no entanto eles desceram por uma escada daquelas que ele não tinha visto para onde dava anteriormente.

O corredor descendente era curto, mas haviam luminárias nas paredes de pedra e elas emitiam uma luz de tom amarelo forte.

Ela atravessou a porta no fim da descida antes dele e se encontraram num hall menor de chão liso, porém escuro, havia nele outros desenhos como nos de antes, mas diferente, esses eram pintados num tom mais claro para contrastar com o material do piso. Acima deles flutuava um novo lustre esse tinha o formato de pequenos macacos, quatro ao todo, de frente para uns para os outros e erguiam um dos braços para tocar o globo luminoso acima deles.

Eles entraram numa das quatro portas e se depararam com uma sala com algumas mesas.

— Senhorita Paki, poderia, por favor, gerar a ficha do currículo do Sr. Diadmoon

— Sim, Senhora Diretora.

A moça usava um turbante azul royal e brincos com esferas da mesma cor. Seu vestido era no modelo tomara-que-caia deixando à mostra o seu colo adornado por colares de contas esverdeadas dando três voltas em torno do seu pescoço.

— Sabe, na verdade os alunos que entram devem comparecer a este departamento junto com as pedras rúnicas deixadas pelos mensageiros dos sonhos, mas no caso do senhor teremos de fazer uma solicitação direta; já que quem recebeu o mensageiro do senhor foi a própria Senhora Neves em Castelobruxo.

— Aqui está. — a moça lhe entregou um pergaminho com uma tabela. Ele reparou que ela tinha o rosto fino com olhos amendoados e escuros como carvão.

— Obrigado.

— Senhor Diadmoon, eu acredito que o senhor não sabia ao certo as matérias que cursaria aqui, portanto, tomei a liberdade de pedir ao Senhor Chionesu que o acompanhe até aldeia para que possa comprar os livros segundo as matérias que cursará aqui.

O homem alto se aproximou deles.

— Senhor Diadmoon queira me acompanhar por gentileza sua vassoura já se encontra preparada para voo.

Eles chegaram até uma sacada alta onde a vassoura dele já flutuava a certa altura do chão.

Chionesu bateu com seu cajado, uma vez mais no chão e o objeto aumentou um pouco mais de tamanho, foi quando ele montou no cajado e levantou voo seguido do garoto.

Descendo a encosta da montanha eles chegaram num vale de paredões altos que parecia formar um corredor natural. Ao atravessarem esse vale eles se depararam com um vilarejo grande, muito movimentado.

— É aqui! — gritou para ele o guia. — Esse é Oja Idan, onde podemos encontrar tudo que seja necessário para ser um bruxo no continente.

Eles pousaram.

— Existe algum feitiço de ilusão aqui também? Pois é impossível não notar tanto movimento sendo que os arredores são praticamente desertos.

O homem riu e pousou a mão sobre o ombro do garoto.

— Sim. Muito bem observado senhor Diadmoon. Os sansmagie que possam a vir passar por aqui estão vendo apenas uma cabana abandonada, quando tentam entrar para se abrigar ou coisa assim eles passam por uma barreira de Repello Trouxatum e desistem.

— Mas venha, venha acredito que de imediato o senhor precise dos livros das matérias que irá cursar.

Eles seguiram caminhando por cabanas muito elaborados em suas construções com placas esculpidas em madeira, adornos diversos em suas fachadas e vitrines em vidro.

Eles entraram em uma cujo o letreiro dizia Página Preciosa.

— Esta é uma das livrarias mais conceituadas do continente. Eles vendem exemplares usados nas escolas por todo mundo.

Quando ele adentrou o local viu um ambiente circular, uma escada descia para um nível abaixo onde o piso era de madeira lisa e brilhante e havia no centro o desenho de um sol em tons de marrom. As paredes eram preenchidas por prateleiras que iam do chão ao teto, muito mais deslumbrantes que a da sala da diretora, ele observou. Bruxos subiam por escadas que corriam pelas estantes magicamente bastando apenas dizer o título do livro desejado ou o nome de seu autor. No centro do Sol no nível mais baixo havia um balcão circular feito em madeira onde estava um senhor de cabelos brancos curtos pele escura num tom forte de café. Ele vestia uma camisa de mangas compridas, azul clara e atendia com destreza tanto os que desejavam pagar quanto os que desejavam informações.

Sem muita demora eles compraram o que precisavam, mas o garoto ficou apaixonado pelo local e fez uma nota mental para retornar ali mais tarde. Voaram de volta para a escola e ao chegarem o próprio Chionesu o encaminhou para o seu dormitório, que estava vazio, afinal poucos alunos haviam definitivamente chegado a escola naquele ano.

— Recomendo que o senhor descanse, afinal não parou um minuto sequer desde que chegou.

— Sim, eu irei, obrigado Chionesu.

Ele finalmente jogou seu corpo cansado sobre a cama, agora faltava pouco para o processo terminar, muito pouco.

Notas finais
Próximo Capítulo: Capítulo 4 - O Primeiro Dia Assim como ocorre uma distinção de como os que não são bruxos são chamados entre a Europa e a America do Norte, o mesmo ocorre em diversas outras partes do mundo. Ao passo que na Europa são chamados Trouxas (Muggles), na América do Norte são Não-maj (No-Magi), na comunidade latina temos os Ignarus (do Latim ingnorantes, que vem do desconhecimento dos não mágicos sobre a realidade bruxa) e na África temos os Sansmagie (que vem, assim como o termo americano do termo Não Mágico)