O Auror - O Conto da Lua e das Trevas
2 Capítulo 2 - Uagadou
O balanço do navio o incomodava um pouco, mas ele se esforçou muito para que não vomitasse e perdesse a folha de mandrágora da sua boca. Talvez não tivesse sido uma boa ideia fazer o processo ao longo da viajem. Mas se ele quisesse mesmo seguir os passos do famoso grupo que estudou em Hogwarts ele não deveria se desvencilhar do plano traçado.
Por fim depois de mais ou menos 20 dias naquele barco, finalmente ele sentiu o cheiro de terra. O navio atracou com certa suavidade.
— Desembarque!— gritou um dos funcionários do navio.
A embarcação era um navio bruxo, feito como as antigas embarcações em madeira. Todo ele era enfeitiçado, em especial as velas, com o auxílio das quais toda embarcação podia planar rente as águas dando maior mobilidade a mesma que se tornava, diferente das embarcações normais, independente dos ventos e movimento das águas.
Ele vislumbrou o céu azulado vivo como o das terras latino-americanas. Pensando sobre isso ele imaginou que a familiaridade climática também influenciou na sua decisão pela Escola de Magia e Bruxaria de Uagadou.
Ao longo do caminho até a escola cumpriu-se mais 7 dias, logo faltavam apenas 3 para o cumprimento do primeiro passo.
Finalmente ele chegou à cadeia de montanhas que era conhecida, no Mundo Bruxo, como Montanhas da Lua o céu já se tingia pelos tons escarlates do entardecer.
— A montanha é imensa! — ele vislumbrou o lugar — A escola está lá em cima…? — ele afirmou perguntando.
O homem que o acompanhava era um negro alto, seus cabelos eram longos em tranças presas por contas vermelhas em certas alturas e nas pontas. Seus olhos tinham um tom de castanho vivo, que se visto de perto pareciam até mesmo vermelho escuro, sua pele tinha cor café ralo. Ele trajava uma roupa africana chamada bazin, que é uma espécie de bata longa, até altura dos joelhos num tom de lilás coordenado com a calça até a altura dos tornozelos. Em suas mãos destacavam-se anéis com pedras preciosas grandes, somavam 5 nas duas mãos. O homem sorriu com leveza.
— Você verá… — ele bateu com o seu cajado duas vezes e a rocha tremeu se separando do solo, como uma plataforma.
Conforme se elevavam a aldeia foi diminuindo e a terra ficando distante, à medida que a vista se ampliava, para uma savana ampla. A noite já tomava o céu, e finalmente eles ultrapassaram o véu de neblina que circundava certa altura da montanha e finalmente ele vislumbrou, cravado na pedra o imenso edifício imponente e misterioso. Quem apenas olhava sem atenção aos detalhes poderia jurar que aquele templo místico, era essa a aparência externa do local, flutuava por sobre as nuvens, contudo a verdade era que o próprio véu de neblina que o cercava poderia ser um encantamento para afastar os olhos dos ignarus, bem como havia em Castelobruxo e também na famosa Hogwarts.
— Seja bem-vindo ao Instituto de Magia e Bruxaria Uagadou, a maior escola de magia do mundo e mais antiga do continente Africano.
O homem deu um passo adiante e por um segundo ele pensou que iria ver o guia despencar as centenas de metros de altura, mas o que ele viu foi o homem parado flutuando no ar. Seu rosto se encheu de uma surpresa óbvia.
— Existe um encantamento é uma passarela invisível…— ele riu com certeza da cara de surpresa do garoto que o seguiu imediatamente.
Para alguém que tivesse medo de altura aquela passarela seria um terror sem tamanho. O vento batia forte parecendo que te derrubaria a qualquer momento. Sendo ela invisível, só era possível saber de sua existência graças ao brilho emitido pelo local que era tocado pelos pés de quem atravessava, mas ao olhar para baixo a visão era o vilarejo, agora pequenino e as nuvens transitando.
Meio que incomodado com aquela sensação de andar no ar ele adiantou-se a chegar ao outro lado.
A porta do edifício parecia gigantesca e ele se sentiu minúsculo diante da grandiosidade do local. Estruturas verticais, como torres de rocha se erguiam em direção ao céu e parecia que poderiam rasgá-lo a qualquer momento. Dos dois lados da escadaria se aboletavam esculturas de leões que pareciam ter sido feitas ouro puro.
O grande portal era encimado por um arco rochoso esculpido com tamanha perfeição que era de se deslumbrar ao vê-lo.
Logo na porta um ser grande fazia frente aos que chegavam. Era uma criatura, ele percebeu, posicionada como um protetor. Tinha os olhos amarelo-âmbar e o corpo esguio, certamente uns dois a três metros de altura; em sua mão direita um cajado fino e de ponta curva feito de ouro. Ao se aproximar mais reparou que o que, a distância, lhe pareciam adornos eram na verdade parte da própria criatura, que mesmo com corpo humano tinha a cabeça como a de um animal. Reparando bem lembrava um chacal negro, as orelhas em pé se erguendo acima da cabeça, o focinho proeminente e fino. O corpo era musculoso, num tom de pele como cobre e trajava apenas uma espécie de saia, presa a cintura por uma fivela em forma de um escaravelho dourado. Se voltando novamente para o rosto da criatura ele percebeu adornos em sua cabeça como dos faraós antigos que governavam o Egito.
- Alto! — sua voz era como trovão — Quem deseja passar pelos portões de Uagadou?
— Fique tranquilo, Asim… — disse o homem — este é o aluno intercambista de Castelobruxo, como é mesmo seu nome filho?
— Julian. Julian Diadmoon
— Sim isso. Sr. Diadmoon.
No mesmo instante a criatura relaxou o corpo e deu passagem, para o recém-chegado.
Por dentro o local era ainda mais impressionante, com um corredor amplo ladeado por colunas gigantescas que se erguiam em direção ao teto abobadado onde as constelações estelares pareciam interagir entre si o tempo todo, como uma animação, um feitiço decorativo presumiu.
— Vou levá-lo a diretora antes que se junte aos demais alunos. Ela estava muito ansiosa por receber um aluno intercambista.
— Obrigado. — respondeu.
O caminho para a sala da diretora seguia pelo corredor largo que terminava numa escadaria que a certa altura se bifurcava. No teto sobre o hall, ao pé da escadaria, havia um lustre gigantesco feito de um material translúcido vítreo, coma forma de quatro elefantes sentados de costas uns para os outros sobre uma plataforma semicircular, suas trombas erguidas e do centro deles a luz vinha de algo num formato oval.
Subindo a escada eles viraram à direita e continuaram a subir até uma outra porta também muito grande, com adornos em forma de felinos nas ombreiras, a porta se abriu dando para um novo corredor dessa vez menor, ladeado por algumas portas e entradas que davam para escadarias que subiam e desciam para locais aos quais ele não pode ver. A porta ao final do corredor tinha o rosto de um leão esculpido. Era maior que a que atravessaram para chegar ali e parecia ser feita de rocha maciça; novamente o guia bateu com seu cajado e a porta se abriu. Ele atravessou adentrando um salão amplo em formato circular, no piso claro haviam desenhos, círculos mágicos ele notou, em alguns ele distinguiu imagens do Sol e da Lua, em outros pássaros e felinos, estrelas de 5 e 6 pontas e runas desconhecidas. Uma porta pequena era o que havia do outro lado ao fundo de uma entrada a escultura de um guepardo sentado sobre as patas traseiras. Ele entrou e a plataforma começou a se elevar, depois de um minuto eles estavam na entrada de uma sala arrojada, haviam estantes com livros diversos de todos os tamanhos e cores. O piso era liso e também claro ali, com desenhos de novos círculos mágicos dessa vez o sol grande fundido com a lua minguante. Uma mesa grande feita de madeira escura com algumas coisas em cima estava sobre uma plataforma de três degraus no lado oposto da porta. Haviam também esculturas diversas de animais e quadros de pessoas nos espaços das paredes que não estavam ocupados pelas estantes. Sobre a plataforma o teto se erguia no que ele julgou ser uma das torres menores que vira pelo lado de fora da construção; no alto uma claraboia derramava a luz prateada da lua sobre a mesa lá em baixo atrás da qual uma imensa janela ampla de vidro dava vista para o céu e as nuvens.
— Finalmente posso conhecê-lo senhor Diadmoon! — disse a voz vinda de um dos lados superiores, o garoto olhou para cima e viu aboletada em uma escada uma mulher muito bonita.
Seu corpo era esbelto de curvas generosas, seus cabelos com cachos finos armados tinha um tom de café. Ela saltou daquela altura pousando com suavidade ante ao garoto. Reparando bem em seu rosto ele viu feições finas e delicadas, os olhos eram de um tom acinzentado por trás de óculos finos. Usava um vestido num tom de dourado vivo com mangas longas e um decote farto que deixava à mostra boa parte do seu colo adornado por um colar grande com um pingente em disco do que ele imaginou ser marfim e contas peroladas médias. Sua pele era cor de ébano e seus lábios fartos estavam pintados com batom cor de vinho e de suas orelhas pendiam argolas douradas espetaculares em forma de luas minguantes.
Ela tomou as mãos do garoto entre as suas, delicadas, finas com as unhas mais longas e bem-feitas.
— Sinto que teremos um ótimo ano com sua presença em nossa escola, Senhor Diadmoon.
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