O senhor tem certeza, senhor Diadmoon?

“Bruxos desaparecem em várias comunidades do mundo” — The Daily Prophet

Tenho certeza de que fará um grande trabalho por lá, senhor Diadmoon.

“COMASUL alega desconhecer desaparecimentos de bruxos em terras latinas” — The New York Ghost

Estamos tão acostumados a ver alunos de outras escolas intercambiarem aqui, que quando vemos um dos nossos partir chega a ser estranho.

“Encantamentos de Castelobruxo são desativados momentaneamente deixando a escola exposta aos Ignarus” — O Elemental

A viagem de certo também serviria de pretexto para o plano dele. Ao longo do caminho nas paradas certas ele seguiu passo a passo o pergaminho, o mesmo que começara a pesquisar e decifrar a pelos menos 3 anos atrás quando ouvira falar pela primeira vez dos bruxos que se transfiguravam ao bel-prazer em animais.

Ao longo de um mês manteve a folha de mandrágora na boca, era difícil, complicado até, comer, beber, falar com aquela coisa dentro da boca, mas pareceu que depois de uns dias fazia parte de seu corpo.

Como havia calculado precisamente a lua cheia, no trigésimo dia ele estava pronto, já havia chegado ao continente e parado num povoado próximo ao seu destino, contudo com as nuvens um pouco mais densas ele foi obrigado a ascender aos céus com sua vassoura, voar para além das nuvens para buscar a luz da lua cheia. Retirou a folha da boca com muito cuidado e a colocou dentro de um frasco de cristal, puxou um fio de cabelo e juntou a folha; cada movimento banhado pela luz prateada da lua, que parecia estonteante, gigantesca diante dele, equilibrado em sua vassoura planando acima das nuvens.

Ele desceu suavemente até uma parte mais afastada da floresta e colheu com uma colher de prata uma gota de orvalho de uma planta à entrada de uma caverna. Tirou do bolso um conta-gotas e acrescentou finalmente o ingrediente final, a crisálida colhida de uma Acherontia e selou o frasco de cristal.

Sem hesitar abriu, com sua varinha, um compartimento mágico na parede de pedra da mesma caverna e lá depositou o frasco, selando magicamente o lugar outra vez a parede de pedra. Ao sair usou alguns feitiços que conhecia para proteger o local.

— Repello Trouxatum— fez um aceno no ar com a varinha criando uma barreira de proteção no local. — Confundus — um novo feitiço foi acrescentado numa forma de barreira; era raro um bruxo ainda em seus períodos letivos conseguir criar feitiços ou alterar sua essência, mas ele havia se preparado por três anos para que nada desse errado durante o processo, para se precaver estudou feitiços de confusão, barreira de proteção, todo tipo de precaução necessária para que nenhum dos passos desse errado.

Agora bastava esperar que uma tempestade de raios acontecesse. Mas não era apenas esperar, durante todo o tempo de espera ele, ao alvorecer e no crepúsculo, apontava sua varinha para o peito e dizia com estoicismo as palavras do encantamento que aprendera no pergaminho:
— Amato, Animo, Animato, Animagus

E assim ele passou a sentir dentro de seu peito um segundo batimento cardíaco mais intenso que o seu próprio, porém mais leve. Intenso como o ruflar se asas e leve como planar nas correntes aéreas.
Finalmente o dia especial chegou, as nuvens estavam carregadas, rugiam como leões da savana famintos. Os raios cortavam os céus furiosos. Naquele momento estando ele em sala de aula, simplesmente se levantou com tamanha pressa que nenhum de seus companheiros de classe conseguiu entender, por sorte a professora de Transfiguração havia se ausentado momentaneamente. O fato é que ele sem muita experiência, pois havia apenas iniciado suas aulas com o instrutor, teve a sorte de conseguir aparatar da forma correta; uma experiência fisicamente alucinante, diga-se de passagem; durante o processo que não dura mais do que um segundo entre desaparecer do local em que se está e aparecer no local desejado, ele sentiu como se todo seu corpo fosse comprimido por um tubo de ensaio. Seus olhos pareceram revirar para dentro de seu crânio e seus tímpanos se comprimirem como se ele estivesse mergulhando velozmente e emergindo ainda mais rápido das profundezas marítimas.

Passado o desconforto físico, e ignorando a vontade de botar tudo que estava no estômago para fora, ele rapidamente quebrou o selo do compartimento na parede de pedra, que criara anteriormente, pegou o frasco de cristal e vislumbrou aquela dose única, que cintilava num vermelho vivo e sanguinolento.

— Lumos…— a ponta de sua varinha se ascendeu como um mini farol, uma lanterna mágica, e ele seguiu adiante para mais fundo na caverna.

Quando chegou num determinado ponto onde a fraca da luz da entrada já não o alcançava mais, ele desativou a luz emitida de sua varinha, apontou uma vez mais para seu peito, agora com um duplo batimento cardíaco, e disse as palavras que repetira por tanto tempo ao nascer e pôr do sol, até aquele dia:
— Amato, Animo, Animato, Animagus

E ingeriu de uma única vez o precioso gole escarlate no frasco de cristal.

Ele sentiu uma dor flamejante que parecia começar a se espalhar do centro do seu peito para as pontas dos dedos das mãos e dos pés, era como queimar de dentro para fora, como se cada célula de seu corpo estivesse entrando em combustão. À medida que o inflamar se tornava uniforme em seu corpo, ele sentiu também como se todos os seus órgãos estivessem tremendo, vibrando de alguma forma. Finalmente, como uma luz fraca, foi se formando a imagem na sua mente; ao passo que seu segundo coração batia mais intenso, como se materializando-se, os batimentos pareciam ser mais físicos a cada instante. Pouco a pouco seu corpo foi transmutando num novo ser, um animal. E finalmente quando ele se olhou refletido na água do lago no interior da caverna se viu ali, porém com outra imagem…

— Não por favor eu não sei nada sobre, esse assunto…

— Eu não sei se acredito… Crucio!

A dor era excruciante e por vezes talvez seria melhor a morte. Seus pensamentos se voltaram para dentro a fim de não sentir mais nada, mas não era possível. Era como se mil facas atravessassem cada nervo de seu corpo repetidamente.

— Está pronta para dizer?

— Mas eu não tenho essa informação…

— Crucio!— ele lançou contra ela novamente a maldição imperdoável que acometia ao alvo a pior das dores que pode ser sentida pelo corpo humano. — Sabe que posso fazer isso indefinidamente, até que você enlouqueça, mas existem métodos mais eficazes, suponho que não tenha sido usado Fidelius para proteger tal segredo.

O rosto da bruxa se converteu em puro terror, naquele momento ela teve a impressão de que a Maldição Cruciatus teria sido melhor.

— Legilimens…

Sua mente se abriu como um livro à disposição, um banco de dados que acabava de ser descriptografado.

— Hum… interessante… eu agradeço por seus serviços… sua utilidade termina aqui… é uma pena não poder te matar sem que você se torne um rastro até mim. No entanto… Oblivio!

No instante seguinte ela estava sozinha com um silêncio sepulcral e um branco na mente.

Notas finais
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Obrigado pela leitura e continue acompanhando um nova jornada pelo Mundo Mágico de J.K. Roling