O sol ia se pondo na Grécia, um rapaz sozinho corria pelos becos escuros e frios, buscava se salvar, corri com toda sua foça e vontade, mas parecia não ser o suficiente. Parecia que quando mais corria ele se aproximava, sabia que se fosse pego, morreria.

Correu até chegar em uma casa onde apenas entrou pois a porta estava aberta, lá dentro o melhor amigo o esperava.

– O que houve Milo?

– Estão atrás de mim, tem que me ajudar Camus, por favor.

– Claro, trancou a porta?

– Sim.

– Me ajude a colocar essa mesa nela, e depois vou colocar cadeados na janela.

– Ok.

Agora os dois estavam trancados, não sabiam quem os caçavam ou o por que, só sabiam que estavam em perigo. O ruivo se sentou de frente para o amigo no sofá e falou:

– Diga-me o que houve.

– Vou contar a história.

#FlashBackOn#

Naquela tarde Milo Nickos havia recebido uma ligação anônima em seu celular, ao atender a voz do outro lado estava distorcida mas compreensível:

– Milo, você é um obstáculo no meu caminho. Deve morrer, e aquele seu amiguinho o Camus, só atrapalha os meus planos. Vocês dois serão tirados do meu caminho, agora olhe pela janela.

Ao desligar o telefone, Milo não soube ao certo por que foi até a janela e avistou, do outro lado da rua uma figura de capa negra e uma máscara de Hallowen daquelas bem assustadoras, a pessoa mostrou que debaixo da capa havia uma faca bem afiada. o grego engoliu seco e ligou para o amigo, viu a figura se afastar e se preocupou mais.

– Camus atende, Camus...

– Alô? – a voz do amigo o alegrou

– Camus para o que estiver fazendo, vai pra casa e se tranque, só abra a porta quando te mandar a mensagem avisando.

– Por que?

– Quando chegar ai eu te explico, mas por favor me escuta.

– Espero que não seja uma brincadeira Milo, eu vou te esperar na minha casa.

– Não é uma brincadeira tô falando sério.

– Ok, ok. Vem logo, não tenho a noite toda.

Quando saiu de seu apartamento, desceu pela escada. Ao começar a andar pela rua percebeu que alguém o seguia, ao virar-se viu a pessoa de mais cedo, percebeu também que essa apressava o passo e fez o mesmo. Ao virar-se novamente vê que a figura tira a faca do bolso e se aproxima, em total desespero começa a correr e é acompanhado, passou por ruas, esquinas e becos, tentando sempre se livrar da perseguição, quando virou a esquina mandou um sms para o amigo e continuou a correr.

Chegando entrou na casa, trancaram as portas e janelas, a penumbra agora caia sobre a cidade.

#FlashBackOff#

– Então você tá querendo me dizer que está sendo seguido desde a tarde? — o francês não estava acreditando ainda na história

– Exato!

– Milo,se isso for uma brincadeira sua eu juro que te mato!

– Eu não tô fazendo gracinha Camus, eu juro.

– Mas se você não está fazendo graça, quem nos persegue e por que?

– Eu não sei.

Nesse instante ouviram um som na porta, era uma batida. Milo iria perguntar quem era mas o ruivo o impediu, disse num sussurro:

– Se estão nos perseguindo como é que você ainda vai dizer que estamos aqui?

– Desculpe.

A pessoa continuou a bater na porta, e depois parou.

– Deve ter ido embora. – Milo disse aliviado

Mas na janela se ouviu uma batida e ao virar-se viu a pessoa com a faca em mãos a pressionando contra a janela, pelo impulso o grego gritou. Ele ouviu uma gargalhada, era uma voz masculina. Já sabiam que era um homem, mas quem seria?

– Vocês não vão ficar ai pra sempre... vão ter que sai logo, logo.

– Mon Dieu! Pourquoi tout cela? Dites-moi, Milo. – (Meu Deus, por que isso está acontecendo ? Me diz, Milo.) Camus agora começara a acreditar na história do amigo

– Não sei Camus, eu queria saber.

Começaram a ouvir novamente batidas na porta, mas dessa bez estavam mais forte, como se alguem estivesse tentando arrobá-la. Uma voz do lado de fora ditava :

– Vocês não tem mas escapatória, agora encontrarão seu triste fim!

– Doom , giatí sto diáolo symvaínei af̱tó ? – (Desgraça, por que diabos isso tá acontecendo?) Milo praguejava baixinho em seu idioma natal

A porta se abriu, o homem adentra a sala a passos curtos e vê os dois amigos se esconderem atrás do sofá.

– Por que está nos seguindo? – Camus falou atrás do sofá

– Por que? Vocês são os primeiros que desaparecerão.

– Primeiros? Do que você tá falando?

– Eu era saudável, jovem, assim como vocês. Mas acontece que um dia eu descobri que estava doente e em apenas duas semanas envelheceria.

– E o que nós temos a ver com isso? – Milo estava com medo

– Vocês são alguns daqueles que me lembram de como fui um dia, terei de acabar com todos vocês!

– Você é louco? – o francês estava preocupado

– É o que dizem... mas vocês não achavam isso, amigos.

O homem se aproximou deles e retirou a máscara, os dois amigos ficaram em estado de choque até que Milo quebrou o silencio:

– Sa-Saga?!

– Sim, querido Milo.

– Por que você tá fazendo isso agora Saga?

– Porque eu tenho, Camus.

– Não tem não. Você ainda pode fazer o que é certo.

– Cala a boca francês! – Camus foi golpeado com a faca no braço.

Milo arrastou o amigo para o outro lado da sala e eles se afastavam pouco a pouco de Saga.

– Temos que sair daqui... – Milo sussurrou num tom que só o amigo ouvisse

– Mas como?

– Não sei.

– Milo, tenho um plano. Mas me promete uma coisa?

– O que?

– Que vai continuar correndo independentemente do que aconteça?

– Por que tá me pedindo isso?

– Promete?

– Parem de fugir meninos... não adianta. – Saga interrompeu o dialogo

– Prometa Milo. Me prometa.

– Tá eu prometo.

– Agora corre.

Obedecendo o amigo, Milo correu, mas percebeu que Camus saiu depois e segurou Saga. Ele quis parar mas recebeu um olhar do francês que dizia “Se você voltar eu nunca vou te perdoar.” Mas antes de sair ele viu o momento em que Saga pegou uma arma e atirou em Camus que caiu no chão já inconsciente, as lágrimas rolavam em seu rosto enquanto corria.

Os pensamentos de Milo estavam na cena que tinha visto, viu ali seu melhor amigo de mais de duas décadas cair, e temia que ele não se levantaria mais.

“Me desculpa Camus, me desculpa.”

“Por que você foi fazer isso seu francês cabeça-dura?”

Eram as únicas coisas que rondavam a cabeça do pobre grego, quando percebeu, Saga estava o alcançando e começou a correr, sem noção do que fazia, entrou em um cemitério, Saga continuava a segui-lo. Ao chegar a frente de um grande túmulo com uma estátua de anjo negro o assassino disse:

– Escolheu um ótimo lugar, Milo.

– Não escolhi nada, você vai me pagar caro pelo que fez com o Camus. – o loirinho estava irado com a atitude de Saga

– Não mesmo. – Saga ria, ficou sério e levantou a arma – chega de brincadeiras... acho que é aqui que a gente se despede, Milo.

Estava preparado para atirar, porém ouviu uma voz semelhante a sua:

– Para com isso, você diz que eles te lembram da juventude que perdeu? E eu?

– Kanon?!

– Oi irmãozinho.

– Seu desgraçado, o que faz aqui?

– Vim só te lembrar que independentemente de quantos garotos você mate, eu vou estar sempre aqui pra te lembrar que não é mais jovem.

– Não! Vou matar você antes! HAHAHAHA Todos morrerão!

– Milo, sai daqui.

– Não, o Milo fica. Ele é o próximo, depois de você!

– Vai! Agora!

Milo virou-se para correr em direção a porta do cemitério, mas Saga puxou o gatilho, um disparo foi ouvido. Mas quem havia caído não foi Milo e sim Saga.

– Me perdoe meu irmão. Foi preciso. – Kanon chorava sob o corpo do gêmeo

– Camus!

– Milo saiu em disparada na direção da casa do amigo

Ao chegar na casa, viu Camus se rebatendo no chão enquanto vomitava sangue. Ele tentou acalmar o amigo e colocou um pano sobre o ferimento da bala.

– Já chamei a ambulância, eles estão a caminho. Aguenta Camus, por favor. Você é e sempre foi meu melhor amigo. Aguenta, vai.

– Fico feliz por você, Milo. Desculpe por non acreditar em você antes.

– Tudo bem, não ligo.

– Mas devia... – começou a cuspir sangue novamente – foi muito bom ser seu amigo, Milo Nickos.

– Do que você tá falando, foi não, é. Você é forte, aguenta mais essa Camus Verseau.

– Pardon, Milo. – os olhos de Camus se fecharam, acompanhados de um sorriso

Milo chorou ali sobre o corpo do amigo, alguns instantes depois Kanon chegou e disse:

– Sinto muito pelo seu amigo. Mas, finalmente esse filme de terror acabou.

– Mas isso custou a vida do meu melhor amigo, a culpa é minha...

– Também custou a vida do meu irmão! E não deveria se culpar Milo.

– Mas a culpa é minha! Você não entende, quando entrei naquele colégio, todos me zoavam, a única pessoa que esteve ao meu lado foi ele, meu único amigo. E agora está morto por minha causa!

– Milo, não podes ficar assim, sabes que não tem culpa.

– Eu tenho culpa sim!

A ambulância chegou e levou o francês, mas acontece que já era tarde de mais para salvá-lo. Depois daquele dia, Milo enlouqueceu e foi internado. Não conseguiram domá-lo e pela grande quantidade de remédios em seu corpo, acabou morrendo. Agora, aquele pesadelo havia chegado ao fim... ou somente começado.


###Fim###

Notas finais
Espero que tenha ficado legal... ^^
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!