O Assassino de Valesco

13 #12 - De volta ao posto de gasolina


Sentia como se meus batimentos cardíacos ecoassem a metros. Minha garganta estava seca, meu suor escorria pelo corpo e tremia em pensar o que poderia acontecer conosco agora, em quanto olhava para Elisa que ficara pálida como uma folha de papel. Frederik de longe apontava seu arco para nós, parecia deduzir a distancia percorrida por sua flecha, pois o desgraçado estava fixado a nós. Estava para atirar parecia que procurava um ângulo certo, Hugo olhava para Elisa que tentava não gritar, a tensão era tanta que não sabia o que fazer, em um ato de desespero sussurrava para Elisa que virou devagar a cabeça em meu encontro.

– Elisa irei tentar pegar a moto. – Ela olhava para mim quase a explodir de preocupação, seus olhos chamuscavam pavor. Fiz um sinal com a cabeça para ela, nesta situação não haveria modo de esperar, por este motivo pulo para o lado junto com Elisa e Hugo. Frederik atira uma flecha fora questão de segundos, pois só perceberíamos a fecha quando ela gravava centímetros de minha cabeça ao chão, essa passara perto, entretanto não nos atinge, esta seria nossa chance única enquanto o maldito pegava a próxima flecha corremos para pegarmos a moto.

– Rápido! Vamos. – Levantei a moto que estava ao chão e rapidamente á liguei, dando partida na moto grande, Hugo pulava em minhas costas agarrando minha cintura, como o garoto era pequeno ficou entre Elisa e minhas costas, conseguimos por fim sair com aquela moto. A moto foi derrapando em meio à terra da estrada fazendo uma enorme poeira levantar-se, estávamos saindo depressa sem olhar para trás, parecia que conseguiríamos a final, meu peito doía, doía em deixar o corpo daquele homem para trás, mas era a única chance que tínhamos de conseguir chegar até aquela tal ponte onde a policia poderia nos ajudar.

– Rápido acelera vamos embora. – Gritava Elisa que estava impaciente. A moto começava a pegar distancia de Frederik que ia ficando para trás, aquela cena me aliviou era como estar nas nuvens sentir aquele vento no rosto, era um ar de liberdade grande de mais.

– Vamos conseguir Lisa, — minhas palavras saíram exageradamente alta – Hugo você vem comigo para casa, você encontrará a felicidade que você tanto procura, lhe prometo garoto.

– Obrigado Alan – Não conseguia olhar para trás para ver a face dos dois, mas poderia garantir que era uma face desprovida de dor no momento. Elisa me abraçava, e suspirava de alivio em meus ouvidos, mas pelo retrovisor avisto o maldito correndo e mirando com seu arco. Ele corria em alta velocidade sobre o morro ao lado da estrada, mas que desgraçado como conseguia correr e mirar aquela negocio ara nós? Sem ter tempo de desviar a nossa alegria de fugirmos dali acabara, uma flecha é atirada em direção á nós e atingia o pneu da moto. Como será que esse desgraçado consegue atingir um pneu em movimento foi o que passara logo em minha cabeça, mas não importava logo estávamos sem controle.

A moto derrapava levando nós ao chão, foi tudo muito rápido. Rolamos para o lado em meio aos arbustos da beira da estrada, caímos ribanceira abaixo. Minha visão fora retorcida estava caindo em uma velocidade enorme, sentia os galhos e troncos caídos baterem em meu corpo fazendo uma dor aguda invadir e percorrer toda a minha estrutura óssea. Adentramos a floresta e só paramos de rolar quando caímos em solo reto, à estrada ficava para trás e mais uma vez estávamos perdidos naquela maldita floresta.

– Que droga, vocês dois estão bem? – Elisa e Hugo pareciam não ter ferimentos graves, mas me sentia muito mal, sentia um formigamento por todo o meu corpo e dores horríveis, entretanto não demonstrava fraqueza para eles, em silencio aguentava aquela dor horrível me corroer, não queria preocupar mais Elisa, mas isto não seria necessário, a loirinha chorava e já não tinha mais esperanças nos seus olhos.

– Não acredito que estamos mais uma vez na mira dele, quando isto ira acabar? – Elisa me arrastava para trás de uma arvore, pois ela já percebera minhas circunstâncias. Sem forças não conseguia continuar a correr, com palavras doces ela começava a falar passando as suas mãos delicadas em meu rosto.

– Não podemos desistir agora, por favor, levante não temos tempo, ele pode estar nos procurando, não quero perder você também, não iria conseguir seguir sem você.

– Elisa nestes últimos dois dias de puro inferno aprendi uma coisa, — minha vista estava cada vez mais escura, porem continuei a falar com a respiração acelerada. – Aprendi a lutar pela minha vida, com um mar de sentimentos, não iria conseguir chegar ate aqui sem você e não quero atrasar o seu lado não tenho mais forças para correr, me deixe aqui e salve sua vida e a vida de Hugo.


– Olhe em meus olhos, você não pode me deixar. – Ela tremia e segurava meu rosto — conseguimos chegar tão longe, nunca ninguém conseguiu ir tão longe contra Frederik e todos estes assassinos, estamos a um passo de encontrar ajuda, vamos juntos para a ponte os policiais vão nos ajudar, nossa família esta nos procurando.

– Sim, não posso desistir. – Hugo e Elisa me ajudavam a levantar, sem olhar para trás corremos em meio à mata. Corri cambaleando para os lados, arrastando um de meus pés estava realmente debilitado, mas a coragem de Elisa me fez abrir os olhos e o meu corpo pareceu não responder pelos meus atos.

– Frederik não está nos seguindo, para onde ele foi? – O Pequeno Hugo sussurrava ofegante mostrava muito cansaço.

– Sei muito bem o que ele deve estar pensando. – conclui parando de correr e levando minhas mãos ao encontro dos joelhos para apoiar o peso de meu corpo

– O que Alan, como assim? – Elisa também parava e tentava me segurar.

– Ele tem a certeza que não conseguiremos fugir, e não está tão preocupado em nós caçar, só quer nos matar, acha que uma hora ou outra ira nos achar – Elisa me olhava com um olhar fixo, e repentinamente sinto um pingo de água em meu corpo seguido de vários pingos finos de uma água gelada. Estava começando a chover.

– Que droga logo agora começa a chover, para onde iremos? – Elisa falava preocupada. Não conseguia entender muito bem o que ela estava falando, olhei para cima e deixei a água da chuva molhar meu rosto. Senti aquela água percorrer minha face como um deslumbre. Aquilo fora a melhor sensação que senti a tempo, a dormência de meu corpo ficava pior, caia no mesmo instante ao chão sentindo aquela grama molhada em minhas costas. Fechava e abria os olhos em uma frequência lenta, será que estava sentindo a morte chegar? Em êxtase escutava a voz fraca de Elisa percorrer meus ouvidos e chegar ate o meu subconsciente


– Alan você esta tremendo muito, precisamos de ajuda, Hugo.

– O que devo fazer Elisa? – Não conseguia enxergar absolutamente mais nada, apenas escutava as vozes dos dois, mesmo assim conseguia sentir o gelado da água me fazendo um bem, desmaiei e nem mesmo as vozes de Elisa e Hugo escutava.

...

Escutava gritos altos e em um tom de desespero, não conseguia enxergar. Estava em um lugar escuro e molhado, molhado de um liquido viscoso. Levei minhas mãos ate a altura de meus olhos, o liquido era vermelho e me envolvia. – Sangue? – Pensei. O que esta acontecendo, onde estou? Parecia um tipo de poço fundo e solitário, olhei para cima novamente e uma luz me consumiu e diante da luz uma face, a face daquele que tanto tinha medo, Frederik. Tentei gritar, mas minha voz não saia. Onde estão todos? O que é isto?

Era um sonho... Meus olhos estavam pesados e difíceis de abrir. Percebi que estava deitado, o chão era extremamente úmido, abria meus olhos devagar e via que não estava mais naquele terrível pesadelo, pois Hugo dormia como um anjo ao colo de Elisa em quanto ela sentada no chão me olhava com o rosto cansado. Levava aquele doce sorriso e passava os dedos entre o meu cabelo molhado.

– Onde estamos Lisa? – Perguntei em desespero tentei levantar mas com dificuldades continuo deitado.

– Acho que estamos seguros aqui, continue deitado. – Olhava ao meu redor e percebia que estava em uma pequena gruta, era como se fosse uma caverna onde a passagem de frente era tapada por uma queda d’água, será que poderíamos mesmo descansar neste lugar?

– Frederik pode nos achar aqui, vamos embora. – Falava erguendo a minha cabeça que estava em uma das coxas de Elisa.

– Estamos atrás de uma cachoeira acho que não vai nos encontrar, e você está realmente mal devido a perder muito sangue têm que descansar. — Elisa parecia se preocupar com dificuldade me sento abraçando a loirinha, e encosto no seu ombro, o calor de seu corpo ao meu me fazia suspirar de um alivio gigantesco, estava realmente amando Elisa depois de tudo o que estava vivendo.

– Elisa quando tudo isso acabar... – Ela me olhava fitando os meus olhos e continuei a falar palavras tremidas, enquanto Hugo dormia profundamente. – Não sabia que gostar de você era tão bom, nestes quase dois dias de desespero sinto que juntos iremos vencer, já te amo de uma força estranha, pois foi tudo tão repentino para mim — Levava os meus lábios a os dela, com um longo beijo selamos o que realmente sentíamos um do outro.

– Obrigada Alan, por não desistir. – Suas lagrimas escorriam pelos seus olhos caindo sobre os nossos lábios, aquilo fazia o nosso beijo ficar ainda mais molhado, levei uma de minhas mãos até suas madeixas que caiam em frente ao seu rosto e colocando uma mecha de seu cabelo louro atrás de sua orelha perguntava com firmeza para Lisa.

– Quer namorar comigo? – Ela me encarou, sem jeito voltei a dizer agora corado da cor de um pimentão. – Quer dizer, ficar comigo depois que tudo acabar.

– Claro meu amor, quero passar o resto da minha vida com você, seu bobo, dês da sexta serie gosto de você, e ao menos me notava, você gostava da Carla. – E Elisa vira o rosto triste mudava sua face, claro. Carla estava morta, não conseguia imaginar ela morta, a garota que sempre tive desejo, mesmo agora florescendo o meu amor por Elisa, Carla jamais merecia o seu destino brutal.

– Carla morreu sem lutar, mas nós temos a chance de sobreviver. – E foi quando lembrava, — temos que procurar ajuda depois de tudo o que descobri sobre aquele posto de gasolina, talvez Geovana e Dani estejam vivas afinal.

– Se for assim, temos que sair logo daqui, porem você tem que descansar por mais algum tempo,

– Você fica linda deste jeito sabia Elisa. – Quebrei a tensão, mas ela recuava.

– Linda? Estou horrível. – Para quebrar aquele clima de pânico, levei mais uma vez os meus lábios aos dela, dando-lhe um longo beijo. E foi no meio de nosso afeto que uma vozinha fina e calma nos interrompe.


– Estão namorando – Hugo acordava e nos pegava naquela cena, Elisa o abraçava e com certeza aquela cena fora a mais pura das ultimas quarenta e oito horas. Consegui sorrir.

Não tínhamos a noção da hora, mas o céu cada vez ficara mais escuro, estava tarde e o sol sumia fazendo por consequência a noite florescer. Elisa dormia em meus braços, dormia profundamente coisa que não fizera a mais de dois dias, ela descansava como um anjo. Atento olhava fixamente para aquela água que caia em abundancia, Frederik realmente não sabia onde estávamos? Ou só queria continuar a brincadeira de gato e rato. Hugo estava quieto batia a mão na água que caia enquanto mantinha aquela face de desconforto, mas percebera no mesmo instante que o encarava curioso pelo jeito do garoto, então ele se aproximava de mim, e perguntava sussurrando.


– Alan seus pais amam você? – Engoli a seco, o que ele queria saber afinal?

– Hugo por que esta pergunta? – O lábio de Hugo retorcia em ritmo de choro, então antes dele tentar me responder continuei, — sim eles amam.

– Meus pais me amavam também, fui uma boa criança e só tinha eles na minha vida, não tenho mais ninguém, e quero muito sair deste lugar. – Olhava para ele enquanto sorria, puxei com uma das mãos o ombro do garoto e o abraçando com apenas um de meus braços completei o fortalecendo.

– Olhe para mim e preste atenção, vamos sair daqui e tirarei você deste inferno, se não houver ninguém o esperando, o que você acha de ser um irmão mais novo?

– Um irmão mais novo? – Ele mudara o olhar no mesmo segundo. — Obrigado Alan. – Ele me abraçava, retribuía com um apertado abraço. A conversa rendia porem sem perceber adormecemos...

Acordei depois de um tempo, por um milagre estamos vivos, sobrevivemos a uma noite inteira sem Frederik. O sol já estava refletindo na água da cachoeira, tenho quase certeza que o meu remédio era descansar, mesmo ainda tento dores no corpo conseguia levantar, estava me sentindo melhor. As feridas do meu corpo não era o que me preocupava, e sim chegar ate aquela ponte. Fomos obrigados a parar se não morreria me pergunto se a policia estará mesmo nos procurando, e se conseguiremos chegar ate aquela ponte, levantei por fim e acordava Elisa e Hugo para irmos o quanto antes.


– Temos que ir pessoal, vamos – Elisa abrira os olhos e com um belo sorriso me recebe, enquanto Hugo se espreguiçava e sem demora saímos da gruta, cauteloso como sempre, olhado para todos os lados.

– Para onde vamos, onde fica a Ponte perto da represa, Alan?

– Acho que sei onde fica. – Hugo falava, me enchendo de esperanças, retruquei para o garoto esperançoso.

– Onde, onde fica?

– Bem já passei de carro na ponte, ela é estreita e velha e fica perto das colinas da serra, naquela direção se não estou enganado.

Hugo apontava para o norte, então começamos a andar para aquela direção. Antes de deixarmos a pequena cachoeira bebemos daquela água, era deliciosa e nos fortalecia a cada gole. Ficar a descansar me fez conseguir criar forças de onde não vinham mais. Adentramos mais uma vez um pequeno caminho em meio a mata fechada, já estava ficando acostumado a sentir aquele cheiro de folha molhada, ou o sereno que transpirava dos troncos das arvores, aquele ar da floresta invadia meu corpo em um êxtase gigantesco, mas o que mais queria em minha vida era sentir o cheiro da cidade, da comida de minha aquilo me fazia falta. Pensamentos aleatórios param trás voltei a mim, e percebi que não estávamos progredindo em nossa caminhada, pois passamos mais de uma vez por uma arvore pequena e caída ao chão. Seguimos o garoto, mas Elisa percebera o que eu estava pensando e se manifesta a perguntar ao garoto

– Hugo tem certeza que é por aqui?

– Bem, deveríamos ter virado antes, talvez.

– Hugo estamos perdidos, não estamos? – Perguntei repreendendo o garoto, mas ele corria para frente e exclamava.

– Não, conheço este lugar venham. – Descemos um morro de folhas secas e amareladas que se amontoavam ao chão. Percebia que as arvores começavam a sumir formando um bosque de eucaliptos gigantes a frente, fazendo a visualização de onde estávamos ficar bem melhor. Andamos alguns metros e avistamos ainda longe dali uma cabana muito velha. Com cautela caminhamos ao encontro da cabana, na frente uma pequena fogueira com animais mortos pendurados em varais.

– Não vamos aparecer ainda, temos que analisar quem está na cabana – Nós três se escondemos atrás de arvores. O lugar estava calmo e quieto, a única coisa que fora escutado era o barulho dos pássaros e os zumbidos de abelhas que em um tronco próximo faziam sua colmeia, mas o que mais me impressionava não era os animais próximos, e sim o que estavam mortos em varais.


– O que vocês acham? – Perguntei.

– Alan, não vamos entrar, pode ser de algum desses maníacos malditos. – Elisa estava realmente assustada, mas tínhamos que arriscar.

– Vamos acho que não tem ninguém, deve ser de algum caçador, — olhava para os dois e com firmeza exclamei em um tom de espanto — bom tem uma coisa que não me preocupa!

– O que? – Hugo me perguntava.

– Não são corpos humanos pendurados no varal, são animais.

Cheguei perto da pequena cabana enquanto Elisa e Hugo mantiveram-se escondidos, da janela olhava por dentro, só tinha um cômodo era o que parecia. Dentro muitos animais mortos e instrumentos de caça, a pequena cabana aparentava ser de caçadores e de não ter ninguém no momento.

– Pessoal podem vir, não tem ninguém. – Elisa e Hugo rapidamente correram para perto de mim. Fui até a porta e empurrei com toda a minha força, mas estava trancada.

– Está trancada, e jurava que na arte de dentro poderia ter algo que nos ajuda-se. – Observi bem todos os lugares da pequena cabana, mas não tinha nenhuma entrada, estava perdendo as esperanças, olhava para o lado e Hugo havia sumido, mas fora por um breve momento, logo corria gritando.

– Gente venham aqui atrás. – o seguimos, — olha aqui deve ser a saída do esgoto do banheiro. – Era um buraco no chão, que provavelmente sairia em alguma abertura dentro do banheiro, fedia muito.

– Posso entrar sou pequeno e consigo.

– Mas Hugo você vai entrar ai mesmo? – Elisa perguntava ainda sem entender

– Tenho que tentar. – Hugo pulava ao buraco e sumia na escuridão, por um minuto ele ficou em silencio, ficamos vidrados em escutar algo, que ao menos percebemos que alguém batia na janela da pequenina cabana.

– Aqui na janela. – Ele já estava do lado de dentro. Garoto valente, esperto e forte, não sei se realmente conseguiria suportar tudo o que ele passou, Hugo realmente é um guerreiro mesmo tendo tão pouca idade.

– Esta tudo bem?

– Sim Elisa, só preciso de um banho, por que me sujei – Ele estava todo sujo, havia passado por uma espécie de vaso sanitário que era uma taboa de madeira com um buraco no meio seu esgoto saia ao lado de fora justamente no buraco que Hugo adentrou.


– Agora Hugo procure algo que possamos utilizar, depressa. – Gritei olhando para os lados preocupado em alguém nos achar.

– Tudo bem. – Ele falara e logo começou a procurar em todos os lugares. Olhava junto com Elisa do lado de fora, estávamos em alerta para percebemos algo de estranho aqui. Passou-se um tempo até que Hugo falara erguendo algo

– Olha o que achei, olha o que achei. – O garoto pulava e erguia uma arma enorme, não conhecia, mas parecia uma espingarda.

– Isso Hugo muito bem, olhe se ela está carregada e cuidado, mire para longe.

– Tudo bem, vamos ver! – Ele olhava e analisava com cuidado a enorme arma que parecia ser maior que ele.

– Esta sim, tem balas.

– Ótimo! Agora saia depressa e vamos embora. — Hugo com dificuldade pula para fora e saia no buraco do esgoto com a arma.

– Nossa você realmente esta fedendo. – Elisa esnobava com um tom de brincadeira para o garoto, mas tínhamos que sair dali o quanto antes, peguei a arma da mão de Hugo e a apertei em meu peito, aquela arma poderá ser a nossa fonte de vida, desta vez não iria recuar, atiraria em qualquer coisa que nos ameaçasse.

– Vocês não estão com fome, este cheiro está começando a me atrair. – Hugo falara indo em direção a pequena fogueira que estava acesa, realmente aquele cheiro estava agradável.

– Agora que mencionou, este cheiro esta abrindo meu apetite.

Parecia que eles haviam caçado aqueles animais que serviriam de seus alimentos, pois alem dos animais mortos nos varais, haviam pedaços de carnes em espetos sobre a pequena chama de uma fogueira quase a apagar. Aproximamos-nos com rapidez. Olhava para os lados enquanto agarrava um pedaço de carne, que assemelha a um pequeno coelho, estava assado e com um sabor agradável, Elisa e Hugo fizera a mesma coisa. Comemos o que conseguimos.

– Bom os coelhos estavam deliciosos mesmo. – Falava Elisa de boca cheia, parecia que era a coisa mais apetitosa que comera, já que a fome que sentíamos era grande

– Sim estavam! Mas vamos correr ao norte, o mais rápido que podermos ate chegar à ponte.

Estávamos com pressa, correndo me sentia um pouco melhor, estava com uma arma carregada e de barriga cheia, já me sentia mais seguro. Mas algo me vinha à cabeça uma coisa que deveria contar para Elisa, mesmo sabendo que ela poderá ficar ainda mais assustada, mas era uma chance em um milhão, então faço a parar e começo a contar tudo o que descobri.

– Elisa temos que conversar, irei lhe contar tudo o que descobri na casa onde Hugo estava. – O garotinho desviou o olhar e mudara no mesmo instante sua face, Elisa reocupada olhara fixamente aos meus lábios, comecei a falar.

– Eles mataram a mãe de Frederik, queimaram o lar dele e quase o mataram também, por isto ele usa aquela mascara seu rosto fora destruído pelo fogo que matou sua mãe.

– Que coisa horrível Alan. – Ela parecia espantada.

– E o posto de gasolina e uma espécie de bordel, eles capturam as mulheres e as fazem de prostitutas para ganhar dinheiro, e depois que não servirem mais para os fins diabólicos dos donos do posto eles mandam as garotas para Frederik.

– O que? – Ela esbugalhou os olhos, — fora por isto que aquele posto no meio do nada estava cheio de clientes.

– E você sabe o que isto significa não é Elisa. – Sua expressão mudara drasticamente, fechando os punhos Lisa respondera a minha pergunta.

– Dani e Geovana podem estar vivas, podem estar presas naquele posto.

– Sim, não podemos ir para a ponte, vamos encontrar o posto de gasolina. – Ela me abraçava, sentia que estava desesperada, tínhamos que salvar a esperança de que as garotas ainda estão vivas.

– Temos que subir em algum lugar e ver onde estamos.

– Tem razão Alan, deixa que subo nesta arvore. – Elisa apontara para um enorme Eucalipto em nossa frente.

– Mas Elisa... – Falava preocupado.

– Alan você esta machucado, não conseguira subir.

– Deixe ela Alan. – Hugo puxava meu braço e Lisa começava a subir com dificuldade, Elisa estava mais corajosa do que nunca, percebia que sua vontade de viver superou seus medos, logo estava ao topo da arvore e de cima ela gritava insistentemente

– Só consigo ver arvores e mais arvores a frente.

– Que droga! – Decepcionado batia os punhos extremamente machucados ao chão e Hugo balançava a cabeça negativamente.

– ESPEREM! – E Elisa gritava mais uma vez, porem com um tom esperançoso de voz, — estou vendo uma estrada em meio a todas as arvores, e uma espécie de casa.


– Ótimo vamos até a casa, se a uma estrada, haverá alguém que possa nos ajudar. – Gritava para ela, Elisa continuava a olhar para o horizonte colocava a mão no rosto para tapar o sol, estava realmente fixando os olhos na casa da estrada.

– Parece que conheço aquele lugar. – indagou, escutava com dificuldade pela distancia, mas Hugo me ajudou a gritar.

– Desça logo Elisa, não podemos ficar aqui. — Elisa descia da arvore e logo começamos a correr em direção a casa na beira da estrada, não saibamos o que nos esperava, mas teríamos que arriscar, fazia tempo que não encontremos Frederik, ele poderia estar nos caçando, pois nos afastamos de mais da velha cabana do inferno.

Andamos muito ate acharmos novamente o rio na floresta, a água ainda era limpa e cristalina, dava para ver as pedras no fundo, tinha a certeza que era o mesmo rio da cachoeira que passamos a noite, porem era maior e mais extenso.

– Será este o mesmo rio da represa, onde esta a ponte?

– Pode ser. – Falara Hugo que se limpava na água do rio tirar seu cheiro que ainda era forte.

– Se não me engano, este rio aparecia no tablet do mapa que seguíamos antes de nos acidentarmos, o posto de gasolina ficara perto da ponte afinal, se seguirmos o rio poderíamos achar o posto e a ponte.

Começamos a seguir o rio, que a cada metro crescia mais, e a água ia ficando mais agitada. Mas aquilo começou a ficar tenso, nossa caminhada seguindo o rio era cansativa estávamos exaustos e preocupado pensando onde estaria Frederik, esgotada Elisa para e exclamava.

– Não vai adiantar seguirmos o rio agora, ele só ira crescer e ira ficar mais difícil achar a ponte, acho que a casa que vi ao alto da arvore esta próxima, se conseguimos ajuda poderíamos tudo ira acabar – Concordava com Elisa sem discutir e nós três seguimos dentre á floresta. Realmente a casa estava próxima, pois a frente atrás de algumas arvores saímos atrás de uma grande construção de madeira.

– Não falei que poderá estar perto. – Avistamos alguns carros, estávamos atrás da casa realmente. Queria saber se estava seguro então começava a falar, enquanto corríamos agachados.

– Vamos com cautela ate a frente – Mas Hugo levanta e exclamava totalmente assustado.

– Esperem. – E nós paramos e olhamos para ele.

– O que foi garoto?

– Este é o posto da estrada. – Quando ele terminou de falar, me ergo também, agora observava tudo com mais detalhes, realmente estávamos ao posto, foi sorte ou azar? Estávamos totalmente perdidos agora teríamos a chance de acabar com tudo o que eles começaram.

– Realmente, este é o posto onde fomos sequestrados. – Segurei firme a espingarda e comecei a andar, agora não mais agachado e sim com fúria em meus olhos, com vontade de matar qualquer um que adentrasse meu caminho.

– Não vamos Alan, eles podem só matar. – Elisa desesperada tentava me impedir, mas não, estava decidido a matar todos os filhos da puta que destruíram nossas vidas e mataram nossos amigos.

– Não, irei acabar com isto com esta arma. – Decidido armo minha arma e sigo em frente, Elisa e Hugo me seguiram, estavam com medo, o mesmo medo que sentia mais meu ódio era mais forte

Logo ficava de frente á porta de entrada do posto, aquilo me fez tremer em um ritmos acelerado. Lembrar que fora ali que tudo começou, onde adentramos pela primeira vez com Rique que já não estava aqui. Lagrimas escorreram de meus olhos, mas não me impedia de abrir a porta, e no mesmo instante o sino fazia o barulho quando era aberta, fez o mesmo barulho que Rique comentou, lembrava da face de Rique ao escutar aquele maldito barulho, não aguentei adentrei o posto arrombando a maldita porta com um chute, vindo a cair o sino ao chão.


– É por que chutou a porta desta maneira? Não viu a placa dizendo fechado. – Falou um velho no balcão que quando me viu arregalou os olhos e se estremeceu.

Meus olhos tremiam ao ritmo de meu corpo, olhava para o todos os lados, Elisa e Hugo estavam atrás de mim dentro do posto, mas ali não tinha ninguém só o velho, o mesmo velho maldito que nos mandou para a morte, andei em sua direção e apontei a espingarda em sua cabeça, encostando o cano longo em sua testa, gritava com todas as minhas forças.

– Você é o pior de todos deste maldito esquema seu velho, nos enganou e nos enviou para a sua casa, me de um motivo para não lhe estourar os miolos.

– Rapaz, eu... Eu. – Antes de ele tentar responder uma voz familiar era escutada saindo de dentro de uma porta que ficava atrás do balcão.

– Quem está com você? – Gritava cuspindo palavras tortas. E por minha surpresa era a Gorda que tinha me entregado para Frederik, a mesma desgraçada que começara tudo este inferno.

– Filho da puta, realmente ela e você estão juntos nesta, toda a historia que ela me contou era verdade.

– Alan... – Falava Elisa assustada, segurando um de meus braços.

– Calma Lisa, tudo vai acabar bem. – A confortei e a gorda começava a falar com dificuldade.

– O que? Você está vivo impossível. – Ela virava de costas tentando entrar novamente na porta, mas foi inevitável, minha visão escurecia e a única coisa que tinha em mente era destruir a mulher que fora o motivo de todos os meus amigos estarem mortos, gritei com todas as forças que ainda me restavam.

– Isso é por tudo que você fez sua maldita. – Levantei o cano da espingarda, tirando da mira do velho e levando ate a mulher, coloquei meu indicador ainda tremulo no gatilho e não medi esforços em atirar nas costelas da gorda, foi tudo tão rápido e no mesmo instante ela caia com um enorme rombo em seu corpo. Elisa não falava ela parecia chocada de mais para gritar, meus olhos chamuscavam pavor, havia tirado a vida dela, mantinha um medo devastador dentro de mim, mas não queria demonstrar. Hugo tapou os olhos e se escondia atrás de Elisa, enquanto o velho se desesperava.

– Eu não sei de nada garoto não me mate.

– Se você não falar tudo que sabe, terá o mesmo fim que essa mulher, agora me diga por que nós? Por quê? Por que Frederik matou meus amigos?

– Tudo bem, vou lhe contar tudo. – Olhamos para o velho e ele começava a falar. — Você matou minha mulher seu desgraçado.

– Então era verdade? – Falava Elisa gritando em desespero. — Agora entendo, você já planejou tudo não foi?

– Sim, quando chamei Torico e Tomas para ajudá-los, já tinha tudo em mente. Vi que tinha uma garota linda com vocês, e que poderíamos lucrar com ela e que tinha mais pessoas no carro, que poderíamos tirar um aproveito também, mas não saiu do jeito que queríamos, por que das 70 pessoas que matamos nenhuma fugiram, Frederik as matava em ordem numérica e dessa vez a ordem foi quebrada ao tentarem fugir.

– Por isso ele cravou um numero 72 nas minhas costas?

– Sim, mas você destruiu o joguinho de Frederik, matou sua família e agora matou minha mulher, sabia que isso não ia dar certo para sempre, quero até parabenizá-lo por ser tão resistente, por conseguir fugir de Frederik, porque já mais ninguém que entra em seu porão consegue sair com vida, mas enfim, foi ótimo tivemos nestes tempos muitos fregueses no posto.

– Você prostitui as vitimas aqui? – Falou Elisa e o velho continuava

– Sim o que você acha um posto na beira da estrada ter tantos clientes assim, tudo era feito as escondidas, nunca nenhuma autoridade ia desconfiar de um velho posto assim.

– Agora entendo por que tinha tantas pessoas aqui, mas não quero mais saber, me diga uma coisa o que fizeram com Geovana e Daniella.

– Sabe por que falei tudo isso? – E ele sorria um sorriso devastador — Por que não conseguiram saírem vivos daqui.

– Como assim?

– Frederik querido pode vir limpar o lixo do posto? Temos que continuar nosso negocio. — De trás de uma cortina Frederik aparece, seu suspiro de rancor e ódio era notado de longe. No momento que o monstro aparece todos nós arregalamos os olhos e quase caímos para trás. Ele não estava sozinho carregava Daniella viva e amordaçada em seus braços. Dani estava fraca e sonolenta, suas pernas estavam na carne viva, sangrava e parecia não ter fim a sua dor. Esticando um dos braços que ainda conseguia mexer ela falava com dificuldade.

– Alan, me salve.