O Assassino de Düsseldorf

14 #14 Um informante morto


Notas iniciais
A besta vive. Notas no final do capítulo. Capítulo dedicado ao meu amor que recomendou a história enquanto eu estava tirando férias! Espero que goste, nhac :>

“Ou deveria dizer: Kurt Dusseldorf Hummel?”

14
A corregedoria estava em cima do detetive Anderson após sua tentativa de legítima defesa sem medida de força. Os policiais envolvidos na investigação desconfiavam o método usado pelo colega de trabalho, que tem treinamento de imobilização para quando casos assim acontecerem, mas após muito interrogatório e sessões de psicanálise forense, o caso foi arquivado como encerrado. Tudo estava, aparentemente, bem.
– Posso entrar? – Blaine perguntou assim que o estudante de psicologia abriu a porta de entrada do apartamento. Era a primeira vez que se viam desde o ocorrido no apartamento do detetive, há aproximadamente cinco dias.
– C-claro. – Respondeu surpreso ao encontrar o namorado ali sem nenhum aviso anterior. O Anderson, sem expressar nenhuma reação, adentrou o cômodo e caminhou lentamente até o centro da sala, observando tudo ali. As almofadas e cobertores espalhados por ali geraram uma certa dúvida. Antes que pudesse perguntar, Kurt fazia questão de se explicar. – Janet passou a noite aqui. Ela estava preocupada com as provas finais e precisava espairecer um pouco.
O moreno assentiu e deu atenção à pasta com o emblema da polícia de Lima que segurava desde a entrada. Então a entregou ao Hummel.
– O que é isso? – Perguntou o castanho ao receber o objeto.
– Meu caso de legítima defesa. – Respondeu. – Mais especificamente o laudo e perícia do óbito. – Dizia enquanto Kurt abria a pasta e conferia o conteúdo dos papéis. – O legista responsável pela perícia do corpo revelou no relatório que as pancadas da cabeça contra o chão foram letais. – Pausou por alguns instantes. – E que elas foram executadas com a frieza de quem sabia o que estava fazendo e o que queria fazer.
– Blaine... – Kurt engasgava com as próprias palavras. — V-você viu o que aconteceu. E-eu...
– Eu sei. Foi coisa do momento. – Interrompeu o estudante. – Não vim aqui julgá-lo, Kurt. Foi horrível pra nós dois. Eu só... Queria te contar. Eu senti como se devesse. – Passava a mão na nuca e o olhar vago continuava.
– Blaine, você está escondendo algo de mim.
– O caso foi encerrado como legítima defesa, mas eles continuam me investigando. A corregedoria está em cima de mim e, por hora, fui afastado de todos os casos, inclusive o de Dusseldorf. – Suspirou. – Não me querem lidando com um assassino em série quando eu acabei de fazer o que fiz com um bandido de pouca importância. Acho que eles têm medo que eu o encontre e talvez queira fazer justiça com as próprias mãos. Disseram que eu estava muito envolvido com o caso, ou algo assim. – Blaine finalmente relaxou e deixou-se aproximar de Kurt. – A preocupação da delegacia é maior com a hipótese de eu machucar Dusseldorf, do que ele me machucar.
– Ele nunca te machucaria. – Soltou Kurt. – Digo, assassinos em série não são amadores e nunca machucariam um policial envolvido no caso. Você está protegido, até onde eu sei.
– Você fala como se entendesse aquele maníaco. – Blaine sorriu e caminhou até o namorado. – Você quer jantar comigo? – Mudava de assunto. – Hoje, às oito, na minha casa.
– Você não tem compromisso com nenhum bandido para um acerto de contas? – Brincou o castanho, colando os corpos.- Oito está maravilhoso.
– Ótimo. – Abriu um sorriso. – Mal posso esperar. – Circulou seus braços no pescoço de Kurt e deixou se levar por um beijo que durou alguns segundos, logo se separando. – Bom, tenho que ir. Preciso terminar de transferir meus casos para o delegado Underwood. – Disse ainda de testas coladas com o maior. – Embora aqui pareça um lugar muito melhor de se estar... – Acariciava a nuca do castanho dengosamente.
– Muito bem, detetive Anderson. Você precisa estar em outro lugar e eu não quero ser detido por estar obstruindo o serviço da polícia. – Sorriu torto e se desvencilhou do abraço do homem de olhos cor de mel. – Além do mais, nos vemos à noite, certo?
Blaine concordou com uma careta nos lábios e caminhou até a porta, não deixando de dar um beijo de despedida no namorado, antes de ver a porta do apartamento fechando em sua frente. Perguntou-se naquele momento qual foi o momento que sua vida havia se complicado daquela maneira. Caminhou então até seu carro e, por um instante, se sentiu vigiado, como se alguém o observasse, porém não havia ninguém.
Um conforto lhe preencheu quando avistou uma viatura de polícia estacionada um pouco à frente na rua, como se ela o protegesse de todo o mal que podia lhe ser causado.
Sua vida havia se tornado aquela instituição e nela havia achado um porto. Mesmo nos momentos em qual pouco se lembrava, a polícia sempre estava ali por ele e com ele. Sabia que, de todas as variáveis que poderiam acontecer em sua vida, de um tinha certeza: sua virtude estava ali e poderia confiar plenamente nela.
Sorrindo, deu a partida no carro e dirigiu até a delegacia de polícia de Lima, ou como gostava de pensar, sua segunda casa.
– Ele já foi. – Disse Kurt deixando de espiar pela janela da frente do apartamento.
– Finalmente. – Um homem saía de uma porta no fim do corredor, vestido suas calças. – Pensei que ele ficaria para o jantar. – Riu.
– Não se prolongue e vá saindo também. – Kurt jogou para o rapaz seu cinto, que colocara por engano ás pressas ao ouvir o toque da campainha. – Não se esqueça que ainda está no seu turno e há um radar monitorando seu carro.
– Fique tranquilo. Tenho certeza que temos tempo de brincarmos mais um pouquinho... – se aproximou de Kurt com um sorriso malicioso. – Ou pelo menos terminar o que começamos.
– Nada disso, Connor. Não podemos. – Se afastou. – Por favor, se vista e vá.
O oficial revirou os olhos e se dedicou a abotoar sua farda. Sorrindo vantajoso, completou: — Você me tratando desse jeito nem dá vontade de te contar as novidades do caso Dusseldorf.
– Novidades? – Kurt arregalou os olhos. – Que novidades?!
– Nã-não. – O homem sorriu vantagem. – Você não me agradou o suficiente para ter o direito de saber. – Riu baixo.
– Connor... – Kurt pediu manhoso.
– Tudo bem, mas isso deverá me render alguns presentes. – O castanho revirou os olhos e insistiu novamente, até que o oficial finalmente cedeu. – Temos um informante nos ajudando com o caso. Eu ainda não peguei os documentos oficiais de relatos, mas o delegado está bem empolgado com a ajuda que ele vem dando. — Foi como se Kurt congelasse naquele momento e os olhos celestes antes cheios de vida agora pareciam perdidos. – Mas fique tranquilo, temos um trato e assim que os depoimentos chegarem nos arquivos, eu dou um jeito. Você sabe que eu não deixaria nada te por na mira dos investigadores.
Kurt Soltou um suspiro pouco aliviado. A verdade é que ele estava se arriscando muito nas últimas semanas. Fazendo mortes fora dos planos, deixando testemunhas escaparem e mantendo relações com pessoas que deveriam ser suas principais inimigas. Mas bem... Talvez se envolver com Connor fosse um risco válido.
O policial sempre havia sido um ótimo “comparsa”, se é que podia chamá-lo assim. O oficial já havia acobertado algumas evidências, como multas de trânsito no nome de Kurt nos locais dos crimes, apagar qualquer evidência que ligasse Kurt com Dusseldorf e até relatos de testemunhas que viram um homem jovem dirigindo uma caminhonete suspeita. Até mesmo extraviado um mandado judicial para busca e apreensão nas garagens e galpões alugados na região. Connor era um mal necessário.
Ter uma pessoa dentro da delegacia de polícia, alguém que o ajudasse, era a melhor estratégia para o assassino, e bem, Connor ainda supria as necessidades de Kurt. Um policial corrupto que fora capaz de comprometer a segurança de algumas pessoas apenas por uma ganancia de um generoso valor depositado em sua conta todo mês.
É claro que Kurt poderia simplesmente matá-lo quando o policial descobrira sua verdadeira identidade, mas o poder de controlar o caso de dentro da delegacia era puro ouro para o Hummel, e o castanho sabia que Blaine era íntegro demais para concordar com isso do jeito que Connor concordara. O Anderson era apenas um passatempo prazeroso. Nunca poderia compartilhar seu segredo com o detetive, ou então tinha a certeza que teria que o matar.
– Informante, huh? – Perguntou Kurt confuso. Quem poderia ser o informante de um caso como esse? Quem poderia conhecer sua segunda face para estar ajudando os policiais? – E quem é esse informante? – Perguntou.
– Surpreenda-se ou não, o informante é Finn Hudson.

HÁ UM TEMPO ATRÁS
Finn fechou a porta do apartamento, deixando o mais novo casal de namorados a sós, e fez caminho até a garagem. Sentia falta de Rachel e esperava que a morena sentisse sua também.
A noite para o antigo quarterback do time de Lima estava indo maravilhosamente bem. Voltava de seu destino sem muita pressa, pensando em coisas aleatórias. Cantarolava em assovio alguma música, quando precisou frear bruscamente o carro por um motorista que havia ultrapassado o farol vermelho.
Com a freada, algumas coisas que repousavam sobre o painel do carro caíram bruscamente sobre o tapete do automóvel, junto com as batatas fritas do pacote combo adicional de um fastfood qual o garoto havia parado para fazer um lanche. Finn respirou fundo, encostou o carro no acostamento e pôs-se a vasculhar embaixo dos bancos os objetos caídos. Sabia que Kurt era paranóico com a limpeza de seu quarto, logo com seu carro devia ser a mesma coisa, e piraria ao ver quinhentos gramas de uma batata gordurosa e cheia de sal no chão de seu carro.
Alcançou algumas delas, umas folhas que pareciam importantes e um pequeno gps que havia se ligado com a batida contra o chão. Finn arqueou a sobrancelha com o pequeno aparelho ligado nos últimos endereços qual Kurt havia ido. Fort Shawnee, um campo no meio da floresta, um galpão com garagens alugadas na parte do cais da cidade... Suspirou fundo e desligou o aparelho. Não deveria estar fuçando nas coisas de seu irmão mais novo.
Deixou o gps de lado e continuou catando as batatas do chão, até seus dedos chegarem à uma parte do tapete embaixo do banco do passageiro onde havia um pegador. Puxou o acessório e o tapete se levantou, mostrando um pequeno compartimento escondido.
Seu cenho franziu e Finn teve um frio na barriga. Já havia trabalhado com carros, de todos os tipos, e conhecia aquele modelo muito bem para saber que aquele compartimento não deveria estar ali, e que não fora instalado de fábrica.
O que Kurt queria esconder tão sigilosamente a ponto de instalar uma área secreta em seu carro?
Com as mãos trêmulas, Finn abriu o a tampa do esconderijo de Kurt achando algumas luvas, um tubo estranho com cheiro forte, cordas, injeções com morfina em altas doses... Mas que merda era aquela??!
– Filho da puta... – Deixou escapar.
É claro que Finn sabia.
Ele poderia parecer idiota, mas não era.
Tudo encaixava e Finn estava apenas sendo cego esse tempo todo. Não havia como ser apenas uma grande coincidência.
Kurt Dusseldorf Hummel era seu nome. O assassino de Dusseldorf.
O garoto alto não podia voltar, não depois de saber de uma vez por todas que seu irmão era o culpado por tudo aquilo. Não conseguiria encará-lo, e muito menos fazê-lo confessar. E Burt e Carole, Rachel e Blaine... Todos em perigo ao lado de Kurt... Finn sentiu que precisava fazer algo.
Sacou seu celular do bolso e ligou para a única pessoa que podia pensar no momento.
– Puck? Alô? Você por acaso ainda tem aquele primo que trabalha no IML da polícia de Lima? Ele é de confiança?
“Sim, por quê? O que está acontecendo?”
– Cara...Apenas confia em mim... Eu preciso morrer!

Notas finais
Alouu marujos. Sobre capítulo: eu escrevi pelo celular e não sei como vai ficar a formatação. Estou temporariamente sem computador e as coisas terão que ser improvisadas por um tempo, até tudo se ajeitar. Bem, eu não morri. Eu estou trabalhando igual uma mula e mal tenho tempo pra mim, mas a fanfic não morreu, assim como a escritora dentro de mim. Sei que falhei em ficar esse tempo todo longe, mas não foi proposital. Quero agradecer à todos que comentaram no último capítulo, juro que vou responder um por um assim que tiver tempo. Sim, foi uma grande revelação saber que o nosso Kurt baby chocolate é o assassino, mas eu prometo que faz sentido e que vai continuar sendo uma história porreta. Não é porque o personagem é um filho de uma puts, que eu vou ser também. Ah, e nesse tempo longe eu assisti todos os episódios de Dexter, pra poder trazer um pouco mais da visão assassino se fazendo de mocinho pra história. Me desculpem se eu pecar nesse aspecto. Bom, é isso. Espero não sumir novamente. Vocês sabem o que me motiva, então... comentem comentem comentem ♥ (E deixem recomendações, rawr)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.