O Assassino de Düsseldorf
12 #12 O Acampamento Düsseldorf
Notas iniciais
12
"– Blaine, eu acho que estar perto de você não tem trazido benefícios pra mim. — Disse finalmente, desviando o olhar do moreno. — Eu tenho perdido aulas, eu não consigo me concentrar direito... E-eu... Eu não quero mais me envolver nisso, Blaine.
– Tudo bem, você não precisa se envolver e... — Foi interrompido.
– Eu não acho que você entendeu o que eu estou tentando dizer aqui... — Engoliu seco. — Minha vida estava sob controle até eu me envolver com essa história de assassinatos, até eu me envolver com você. Eu não estou apenas dizendo que não quero mais trabalhar com você... Eu estou dizendo que não podemos mais ficar juntos, Blaine.
Os olhos hazel do detetive congelaram no rosto pálido do mais novo. Aquilo não poderia ser verdade, poderia? Kurt estava terminando tudo que eles tinham por motivos que estavam além do alcance de Blaine. O detetive não podia simplesmente evitar as mortes, por mais que desejasse. Estava perdendo a fé em seu emprego e em sua competência, e agora perdia também Kurt.
– Você não pode. — Limitou-se a dizer.
– Blaine, me desculpe. — Choramingava. — Esse não sou eu. Eu não sou um detetive, nunca fui um. E você mesmo disse que me meter nessa história, começar a investigar essas coisas, está me colocando em perigo. E-eu não quero correr riscos. Eu tenho, ou costuma ter, uma vida centrada. Eu não posso mais.
Blaine jurava que seu coração poderia se quebrar literalmente a qualquer momento ao mesmo tempo que sentia um calor furioso percorrer seu corpo. Aquilo não poderia ser sério, deveria ser algum tipo de pegadinha de mau gosto. O castanho estava agindo fora dos limites.
– Você tem certeza? — Perguntou com uma voz firme, por mais que seus olhos implorassem para que aquilo fosse uma brincadeira idiota. Kurt apenas assentiu e então Blaine desviou o olhar, se levantando da mesa e saindo daquele apartamento com passos pesados."
– Alô, terra chamando Kurt. — Rachel estalava os dedos diante dos olhos do amigo que tinha o olhar fixo em um ponto aleatório do café onde estavam. — Kurt! — Tentou outra vez.
– Sim? — Livrou-se dos pensamentos.
– Você ao menos estava nos ouvindo? — Perguntou uma garota ruiva que estava sentada junto com os amigos na mesa do café do campus da faculdade.
– Me desculpe, eu... — Foi interrompido.
– Kurt, faz mais de uma semana que vocês terminaram. Já passou da hora de você superar. Ainda mais porque foi ideia sua. — Rachel pegou a mão de Kurt. — Eu particularmente achei ótimo, porque desde que você se envolveu com esse detetive você nunca mais teve tempo pra gente, pra mim. — Disse sincera.
– Eu sei, eu sei. — Tomou um pouco de ar para si e logo sorriu para os demais amigos que estavam ali. — Sobre o que estávamos falando mesmo?
– Sobre o acampamento de psicologia que estamos combinando de fazer desde o começo do ano. — Tess dizia animada. — Vamos faltar a aula de Psicanalítica na sexta para que possamos ir mais cedo pro local. Temos ainda que combinar a divisão das barracas.
– Por que dizemos que é o acampamento de psicologia se Rachel estuda música? — Zoreth perguntou com uma sobrancelha arqueada.
– Eu vou porque não tenho nada melhor pra fazer esse final de semana. Além do que preciso esfriar a cabeça depois de todo esse lance da morte de Finn. — Rachel disse com um sorriso fraco, como quem tentasse convencer que estava bem, quando no fundo todos ali sabiam que não estava.
– Gabe tem uma barraca grande que cabem três pessoas e Zoreth também tem uma igual. Estávamos pensando em dividi-las entre nós cinco. — Tess abriu seu fichário sobre a mesa e desenhava o esquema de como seria dividido. — Rach, você e Zoreth podem ficar em uma, eu e Gabe podemos ficar em outra.
– Claro, porque ninguém gostaria de dormir perto de vocês dois. — A ruiva rolou os olhos divertida. — Vocês não se desgrudam desde que voltaram a namorar no começo desse ano.
– De qualquer jeito... — Tess limpou a garganta trocando de assunto. — A barraca de camping que fica perto do centro faz encomenda de marshmallows, ouvi dizer que eles fazem um pacote com até um quilo deles. — Lambeu os lábios. — E para economizar podemos ir em um carro só, o que acha, Kurt? Seu carro é grande o suficiente e tem lugar para nós cinco e... — Tess encarou o castanho com o olhar vago, provavelmente não tendo prestado atenção em nenhuma palavra que a garota havia dito. — Ele está pensando no detetive de novo, não está?
– É, ele está. — Rachel revirou os olhos.
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Estava tudo pronto para o acampamento e os garotos e garotas já embarcavam em seus carros para se encontrarem num ponto na mata afastada de Lima. Rachel dizia saber um lugar estratégico onde seria maravilhoso acampar e, se os planos corressem todos certos, ficariam lá até segunda-feira pela manhã. O sol da sexta-feira estava quase se despedindo quando todos se colocaram na estrada.
É claro que cinco adolescentes acamparem sozinhos no meio da mata seria um tanto tentador para certo assassino que estava a solta na cidade. Quando Dusseldorf ficou sabendo desses planos, fez questão de arrumar todas as suas coisas para fazer uma surpresa aos jovens desprotegidos na floresta. Quem em sã consciência se comprometia a ficar dois dias sozinhos em uma floresta, quando tem um assassino a solta na cidade?
Chegou na floresta ao mesmo tempo que suas vítimas e ansiava pelo momento no qual poderia finalmente atacar. Estava há tempos esperando por uma oportunidade como essa para eliminar aquelas pessoas, seus planos podiam até atrasar, mas no fim elas acabariam mortas antes do amanhecer.
O frio assassino observou calmamente os estudantes juntarem lenha para a fogueira, os coolers para as bebidas alcoólicas e as barracas para uma noite — não tão tranquila — de sono. Os cinco amigos logo começaram a beber, o que abria um enorme sorriso no rosto do homem prestes a matar todas aquelas pessoas. Com o alcool no sangue ficaria muito mais fácil fazer suas vítimas.
A noite chegou sem demorar muito. Kurt e Zoreth assavam alguns marshmallows enquanto Gabe e Tess conversavam próximos a uma árvore, com sorrisos enormes nos rostos. O local era iluminado apenas pela fogueira fraca e por algumas tochas que foram espalhadas em quatro cantos. A cena era digna dos filmes de terror, basicamente. E o que aconteceria daqui a alguns instantes também.
Um vento forte bateu na floresta e o fogo que as tochas levavam foram apagados rapidamente. A única fonte de luz era a fama flâmula da fogueira que estava baixa por causa do vento. O assassino sorriu contente com a ajuda do clima para começar seus trabalhos. Pegou no chão uma tora de lenha que não havia sido usada na fogueira e caminhou até Zoreth que estava distraída tentando acender novamente uma das tochas.
– Acho que a estopa queimou inteira e... — A ruiva tentou falar alguma coisa quando percebeu que tinha companhia, mas sequer desconfiou que aquele homem atrás dela fosse capaz de acertá-la na cabeça com um pedaço de pau, fazendo-a cair desacordada no chão.
– Zoreth. — Gritou Tess correndo ao ouvir o barulho da amiga caindo no chão. A alguns passos do acontecido a garota parou de correr por perceber finalmente o que havia acontecido. O homem ainda tinha o pedaço de pau da mão e sorriu ainda mais ao ver a outra vítima, que pôs-se a gritar ao perceber sua intenção.
– Tess! — Gabe correu até a namorada e se colocou em frente dela, protegendo a garota de qualquer perigo que aquele homem com a lenha na mão fosse proporcionar. O breu do lugar não lhes permitia ver o rosto debaixo do capuz. — O que você quer? Vá embora! — Gritou em defesa, dando passos na direção contrária.
O assassino apenas sorriu ainda mais e correu em direção dos dois jovens. Logo todos os alunos que estavam ali acampados começaram a gritar e correr. Kurt e Rachel corriam rapidamente e Tess e Gabe adentraram na floresta com a intenção de se esconder entre as árvores densas. Correram por alguns minutos até finalmente pararem para descansar. Rachel corria sem saber pra onde, tentando chegar novamente à estrada para pedir ajuda. Ela não acreditava que aquele acampamento havia se tornado aquele terror.
Logo a judia sentiu alguém lhe puxando pelo braço e tapando sua boca rapidamente para que ela não pudesse gritar. Com um sinal para ficar em silêncio, a judia assentiu e logo sorriu ao ver o amigo ali com ela a protegendo. O garoto fez um sinal para a morena seguir para um caminho e que ele seguiria para outro, assim teriam mais chance de encontrar a estrava de volta e pedir ajuda. Com muito medo ela concordou e logo seguiam caminhos diferentes.
Tess e Morgan, por outra via, estavam ainda no meio da pequena floresta, respirando rapidamente enquanto se abraçavam. Seus amigos provavelmente já estariam mortos e eles seriam os próximos. A garota chorava compulsivamente, apertando seus lábios para não fazer nenhum som que entregasse onde estavam escondidos.
– Vai ficar tudo bem. — O namorado sussurrou. — Devemos ter corrido muito e ele deve ter nos perdido de vista. Alguém deve ter ido até o carro pedir ajuda. Nós vamos nos salvar. — Dizia num tom baixo.
– E-eu não quero morrer, eu... — O namorado rapidamente tampou a boca de Tess evitando que a estudante de psicologia falasse mais alguma coisa. O barulho de folhas sendo amassadas e galhos sendo quebrados ficava mais perto. Alguém caminhava ali por perto.
Os olhos encharcado de lágrimas da garota agora se transformaram em puro pânico ao ouvir a pessoa se aproximando. Gabe suspirou e fechou os olhos, tomando coragem de fazer alguma coisa. Ele amava Tess, amava com todas as forças de seu corpo e se pudesse ter uma só chance de salvá-la, assim faria.
– Me desculpe. — Sussurrou enquanto dava um beijo rápido na testa da namorada. A garota tinha um misto de pânico e confusão com o que o namorado faria. Então ele a soltou e correu pra longe da árvore, gritando consigo enquanto corria. — Eu estou aqui. Venha me pegar, seu assassino de merda!
Dusseldorf sorriu e correu atrás de Gabe, levando o serial killer pra longe da namorada que chorava compulsivamente agora sozinha na floresta.
Gabe se viu encurralado quando chegou num arvoredo abandonado. Não havia como escapar e ouviu atrás deles os passos desesperados do assassino que corria para não deixar a vítima escapar. Aqueles assassinatos seriam, sem sombra de dúvida, os mais difíceis que o homem já cometera.
Sem hesitar, partiu pra cima do garoto que tentou se defender com alguns socos e chutes, em vão. Logo o tronco batia fortemente contra sua cabeça e ele caía no chão desacordado, para o deleite do serial killer que sorria com o feito.
– Não! — Gritou a garota ao ver o namorado ser atacado. Tess pegou uma pedra de tamanho médio que tinha no chão e correu até Dusseldorf para tentar evitar acertá-lo, mas o homem foi mais forte e dera com o mesmo pedaço de lenha ensanguentado contra seu estômago. A garota caiu gemendo de dor e logo sentiu uma pancada na cabeça, a deixando desacordada também.
Dusseldorf sorriu, ainda não satisfeito. Não havia abatido todas as vítimas daquele acampamento e provavelmente quem fugira já havia arranjado um jeito de chamar a polícia. Suspirou firme e jogou o toco de madeira fora, pegando o corpo da garota e suspendendo sobre seus ombros a fim de levá-la para o acampamento novamente. Gabe seria o próximo. Aquela noite havia sido promissora, só esperava que ninguém houvesse visto seu rosto.
[...]
A delegacia estava particularmente parada naquela sexta-feira à noite. Os policiais de plantão conversava enquanto tomavam um enorme café expresso da máquina e as atendentes tentavam completar uma revista de palavras cruzadas.
Suas atenções foram desviadas à porta do local onde entrava uma pessoa desesperada e ofegante sem nenhuma delicadeza com a porta, já que a abrira com uma enorme força. Seus cabelos estavam revirados e sua roupa extremamente suja, com alguns rasgos e sangue pela blusa branca.
– O que aconteceu? — Correu um dos policiais em sua direção.
– D-dusseldorf... — Disse sem fôlego. — E-eu fugi do Dusseldorf.
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Blaine dirigia com cuidado pela estrada. Não sabia ao certo onde estava indo, provavelmente pararia em um mercado e compraria uma lasanha de microondas e passaria o final de semana comendo e assistindo à filmes, não muito diferente do que havia fazendo desde então.
Seus olhos rolaram para seu celular no console do carro que acendia a tela e mostrava uma ligação da delegacia de Lima. Estacionou o carro no acostamento e pegou o celular para si, colocando-o em sua orelha assim que desligava o motor.
"Detetive Anderson?" Perguntou uma moça.
– Sim, sou eu. O que aconteceu? — Respondeu.
"Tivemos mais uma ação de Dusseldorf. Ele atacou cinco universitários na floresta, mas temos uma testemunha que conseguiu fugir." Dizia a mulher.
– Estou indo praí. — Blaine passou a mão na chave para ligar o motor novamente. — A leve para a ala de depoimentos. Qual o seu nome?
"Kurt, senhor. Kurt Hummel."
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