O Assassino de Düsseldorf

11 #11 Ficar perto de você é ruim


Notas iniciais
Queria agradecer de coração à Aysha, que recomendou essa história. É realmente maravilhoso receber recomendações com a história no começo, me dá ânimo pra escrever e pra continuar com isso, já que meu único pagamento é o feedback de vocês. Obrigada, minha gatinha! ♥

11

O Hummel pegou um taxi e correu até a delegacia onde seu carro aparentemente tinha sido rebocado. Ele ainda não havia entendido ao certo o que o policial havia dito sobre ele ter sido a cena de um crime. Provavelmente Finn tivera dirigido bêbado e acabou atropelando uma pessoa, na pior das hipóteses.

Kurt entrou pelas portas de vidro da delegacia e encontrou Blaine conversando com o delegado Underwood, que logo encerrou a conversa e foi até o estudante de psicologia, que se encontrava perdido em tudo aquilo.

– Kurt... — Blaine hesitou por alguns instantes. — Você sabe por que está aqui, não sabe? — O castanho negou com a cabeça algumas vezes e o detetive se viu na obrigação de contar o ocorrido ao namorado. Respirou algumas vezes e levou Kurt até uma parte não-movimentada da delegacia. — Os policiais estavam fazendo a ronda quando acharam um carro abandonado perto dos limites da cidade. O corpo de Finn estava com ele.

– C-como? — Kurt gaguejou sem entender.

– Dusseldorf atacou outra vez, Kurt. Ele matou o seu irmão. — Disse.

– M-mas... Não. I-isso não pode ter acontecido. — Kurt tinha os olhos estáticos e a voz engasgada. Ele não conseguia assentir o fato de que o irmão tinha morrido para o serial killer qual tanto havia estudado nos últimos meses. — Ele não está morto, Blaine. Meu irmão... E-ele não pode estar... — Kurt sentiu um nó invadir sua garganta e uma vontade enorme de chorar, mas segurou-se na frente daqueles homens fardados, deixando escapar uma ou duas lágrimas no máximo.

O detetive sentiu o coração se esquentar e abraçou o namorado, tentando lhe passar o máximo de conforto possível naquela hora. Sabia que Kurt teria que ser forte pela perda do irmão, sabia que era uma dor difícil já que havia passado pela mesma dor com a amiga Dani.

– Se eu puder fazer algo... — Blaine sussurrava enquanto abraçava o amante, trazendo-o pra perto do peito.

– Eu quero vê-lo. — Disse em um tom rachado.

– K-kurt... — Hesitou em um tom qual o castanho não gostou.

– O que foi, Blaine? — Perguntou agora frio. — Onde está meu irmão?

– Kurt... — Blaine relutou à Kurt se afastar do abraço, porém foi forte e continuou a falar enquanto encarava os olhos azuis do castanho. — O corpo de Finn sumiu durante o transporte até o Instituto. N-nós estamos tentando achá-lo com tudo que podemos e... — Blaine foi interrompido.

– O corpo de Finn sumiu? — Perguntou ainda mais frio, se aquilo ainda fosse possível. Os dentes se rangeram e Kurt perdeu a capacidade de piscar por alguns segundos. — C-como deixaram isso acontecer?

– Nós não sabemos, Kurtie... — Blaine tentou se aproximar, mas Kurt o empurrou pra longe como forma de defesa.

– Vocês não sabem?! — Gritou. — Finn saiu de casa hoje cedo pra ir tomar um café com Rachel e foi assassinado, Blaine. Ele não tinha culpa de nada, ele nem estava envolvido nessa teia de homicídios.

– Kurt, e-eu... — Foi se aproximar, porém foi empurrado novamente.

– Foda-se, Blaine.

O detetive viu Kurt gritar e sair com passos rápidos daquela delegacia, esvaindo sua silhueta pela porta de vidro que dava acesso ao local. Blaine se sentia péssimo, se sentia o pior detetive do mundo e deveria mesmo, já que havia sido contratado para um caso meses atrás e até agora não tinha pista ou paradeiro nenhum do real assassino. Há haviam ocorrido doze mortes e lá fora ainda vivam oito possíveis vítimas do assassinato.

Depois de muito escrever relatórios e ajudar a polícia local a contatar os familiares e explicar para a imprensa o ocorrido, Blaine estava exausto. Pegou sua bolsa e seguiu até sua casa, sem pensar em passar no apartamento do namorado. Kurt precisava de espaço e seria espaço que Blaine o daria.

Chegando em casa, o moreno jogou sua bolsa sobre o sofá e entrou em sua sala de trabalho. Encarava aquele quadro negro como se fosse um enorme anagrama a ser resolvido, qual Blaine simplesmente não conseguia decifrar. Ficou uma hora ali, talvez duas. Perdeu-se no tempo traçando linhas de uma vítima para outra.

O interfone tocou era quase meia noite. Blaine demorou até chegar na porta do apartamento, já que estava entretido com tantas informações novas sobre o assassino.

– Quem é? — Perguntou pelo aparelho.

– Kurt. — Disse a voz.

Blaine não respondeu mais nada, apenas apertou a abertura de porta e esperou pela sala o namorado chegar ao apartamento, e logo Kurt tocava a campainha. Ao abrir a porta nada foi dito, Blaine apenas abraçou Kurt que ainda parecia não ter digerido a ideia de que seu irmão estivesse morto.

– Está tudo bem? — Sussurrou Blaine ainda no abraço.

– Eu vim ajudar. — Kurt respondeu.

– Você não precisa.

– Eu sei. — Se desvencilhou. — Mas eu quero. É meu irmão e eu não vou conseguir aceitar o fato dele estar morto sem ao menos ver o corpo dele. — Disse rapidamente.

Blaine assentiu e fechou a porta da frente, caminhando lentamente com Kurt até seu pequeno estúdio. Mostrou com cuidado a foto polaroid de Finn amordaçado, mostrou também as fotos do carro e as digitais que encontraram por lá, apenas as de Kurt e as de Finn. Também mostrou os papeis dos relatórios da morte confirmada por asfixia. Kurt se perdia em todas aquelas folhas que não traziam nenhuma resposta para o castanho.

Os homens ficaram longos minutos em silêncio, apenas rabiscando teorias malucas sobre onde estaria o corpo de Finn e qual a ligação com os outros assassinatos. A quietude foi quebrada por Blaine.

– Você emprestou o carro para Finn apenas para ter um momento sozinho comigo? — Perguntou calmamente e o castanho assentiu, sem saber ao certo o que aquilo ajudaria na investigação. — Talvez as coisas não tenham se encaixado aí. Dusseldorf não queria matar Finn, Dusseldorf queria matar você.

– O quê? — Perguntou incerto.

– Pense comigo, Kurt. É genial! — Blaine dizia como se houvesse desvendado todo o mistério. — O assassino tem te observado, ele estava planejando tudo para te pegar. Só que ele não contava com o fato de que a pessoa a sair com seu carro não seria você... Ele agiu e quando viu que havia se enganado, foi obrigado a assassinar Finn para não deixar testemunhas. — Disse de uma vez só.

– E por que ele sumiria com o corpo?

– Porque... Eu não sei. Talvez ele tivesse se apavorado e deixado alguma pista, alguma digital em Finn...

– Blaine, você está supondo. — Kurt suspirou. — Não trabalhamos com suposições aqui. Eu preciso saber o que aconteceu e quem matou Finn. Ele não tinha nada a ver com o assassinato, ou com qualquer outra coisa. Então por que? — Perguntou com a voz um pouco estridente.

– Eu não sei, Kurt. — Blaine jogou sua cabeça para trás. — Eu realmente não sei e detesto não saber. Detesto essa incerteza que fica na minha cabeça! Não era pra ser assim, mas que droga. Eu sou o melhor do estado, se não do país... — O moreno abaixou o tom de voz.

– Blaine, eu vou pra casa. — Se levantou. — Tenho um trabalho para entregar amanhã e não estou nem perto de terminá-lo. Com toda essa história de investigação, eu acabei esquecendo que eu preciso salvar a minha vida antes de salvar a dos outros. — Suspirou. — Carole e meu pai vem amanhã conversar sobre Finn.

– Fique mais um pouco...

– Não posso. — Kurt deixou um sorriso forçado e caminhou até a saída do apartamento. Blaine o acompanhando sempre. — Boa noite, Blaine.

– Não vai sequer me dar um beijo?

– Não tenho cabeça pra isso. — Kurt suspirou. — Durma bem.

E saiu lentamente pelo corredor sumindo na curva ao final dele, deixando um detetive um tanto chateado para trás. O Anderson não tinha culpa. Ou talvez tivesse, já que seu dever era prender o assassino de doze pessoas e até agora havia falhado em todas suas tentativas.

Naquela noite, Blaine foi dormir pensando em Finn, em um jovem que não estava envolvido nessa história e acabou sendo assassinado. No futuro cunhado que nunca teria a oportunidade de jogar conversa fora, ou num pai excelente que Finn poderia ter sido. E tudo aquilo era culpa sua.

O resto da semana passou lentamente. O detetive teve que passar por diversos momentos complicados, como explicar para a Sra. Hudson que o filho havia morrido e que o corpo havia sumido. Depois de muito tempo na delegacia tentando resolver o caso da morte de Finn, Blaine prometeu a si mesmo não sair daquele escritório até encontrar algo que fundamentasse sua teoria de que a morte deveria ser a de Kurt, protegendo o castanho sem o próprio saber. Seguia o Hummel da universidade até o apartamento, do apartamento até o shopping. Qualquer deslize do castanho poderia ser uma brecha para o assassino conseguir pegar Kurt.

Era quase três da tarde quando o celular de Blaine vibrou no console do carro. O moreno estava estacionado há algumas quadras do apartamento de Kurt enquanto lia um livro de David Angle. Deixou a leitura de lado e atendeu à ligação, sem realmente ver quem estava do outro lado da linha.

– Alô?

"Você está com fome?" Perguntou Kurt.

– Não, por quê? — Perguntou confuso.

"Achei que ficar aí em baixo seria tedioso demais e fiz alguns brownies. Suba e venha comer comigo."

Blaine gargalhou internamente e concordou, desligando o celular logo em seguida. Como Kurt sabia que Blaine estivera ali o tempo inteiro? Como ele havia descoberto? Subiu de elevador e logo estava no décimo sexto andar, onde o estudante de psicologia já o esperava com a porta aberta.

– Você costuma espionar todos os caras com quem sai? — Perguntou Kurt com um sorriso fraco no rosto enquanto via o namorado entrar no apartamento.

– Só os mais bonitos. — Brincou o detetive. — Eu sinto sua falta.

– Não tenho cabeça pra pensar em mais nada, Blaine. — Kurt suspirou, sentando-se na pequena mesa de estar do centro da sala, sendo acompanhado pelo menor. — Eu estou dia e noite procurando alguma coisa, algum indício de que Finn está vivo e que tudo isso tem sido uma brincadeira de mal gosto de alguém.

– Kurt... — Blaine iria falar, porém o castanho o interrompeu.

– Eu não preciso ouvir outra vez aquele discurso de "você precisa aceitar o que aconteceu". Perdi as contas de quantas vezes ouvi de Burt e Carole. — Suspirou revirando os olhos. — Eu só quero fazer as coisas do meu jeito, tudo bem? Confio melhor quando eu sei que estou no controle.

– Tudo bem.

– Por que você estava me vigiando? — Perguntou Kurt enquanto pegava um brownie e colocava um pouco de chocolate quente em uma caneca.

– Eu queria ter certeza que você estaria bem, você sabe, eu ainda acho que não deveria ter sido Finn. — Blaine deu de ombros para não ter que explicar novamente. — Você sabe há quanto tempo?

– Te vi há alguns dias perto do shopping e logo deduzi que seria isso. Eu não quero mais que você faça isso, Blaine. — Pediu carinhosamente. — Sei que está preocupado, mas você está desviando o foco da investigação. Por favor.

– Eu quero te proteger, Kurt. Eu sempre quis...

– Blaine, eu acho que estar perto de você não tem trazido benefícios pra mim. — Disse finalmente, desviando o olhar do moreno. — Eu tenho perdido aulas, eu não consigo me concentrar direito... E-eu... Eu não quero mais me envolver nisso, Blaine.

– Tudo bem, você não precisa se envolver e... — Foi interrompido.

– Eu não acho que você entendeu o que eu estou tentando dizer aqui... — Engoliu seco. — Minha vida estava sob controle até eu me envolver com essa história de assassinatos, até eu me envolver com você. Eu não estou apenas dizendo que não quero mais trabalhar com você... Eu estou dizendo que não podemos mais ficar juntos, Blaine.

Notas finais
VIXI EITA